História da América 1 Cederj
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dos índios diante do brutal empreendimento colonizador. 
Quando se trata do governo dos índios no âmbito das colônias 
inglesas, vale ainda ressaltar que o Estado e as instituições locais 
tiveram pouco interesse em criar políticas gerais relativas aos gru-
pos nativos. Aqui, o contraste com a colonização espanhola é 
evidente, na medida em que os assentamentos hispano-americanos 
moldaram-se exatamente em torno da sobrevivência do mundo índio. 
A intensa exploração do trabalho, os projetos de evangelização e 
a formação da \u201crepública dos índios\u201d na América espanhola se 
desenvolveram como parte de acordos e confl itos entre agentes da 
Coroa, particulares, membros da igreja missionária e lideranças 
indígenas. A farta legislação e as obras dos religiosos sobre os 
nativos, presentes desde os primeiros anos da conquista, demonstram 
que os índios eram encarados como assunto do Estado e da Igreja. 
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História da América I
Na América inglesa, em contrapartida, a ausência de projetos de 
evangelização ou de submissão da mão de obra nativa conduzidos 
pelo Estado fez com que colonos e índios se relacionassem por 
acordos e confl itos mais determinados pelas demandas cotidianas, 
que variavam de uma região para outra. 
Atende ao Objetivo 1
1. A \u201cBreve narrativa dos índios Mohawk\u201d foi redigida por Johannes Megapolensis, natural 
da Holanda. Ele foi o ministro escolhido, em 1643, para pregar o Evangelho aos índios 
Mohawk que viviam na margem esquerda do rio Hudson. Nesta atividade, proponho que 
você leia um pequeno trecho da narrativa de Megapolensis, reproduzido a seguir, e nele 
localize um dos traços das interações entre brancos e nativos comentados na primeira 
parte desta aula. 
Nossos Mohawks empreendem grandes guerras contra os índios do 
Canadá, no Rio São Lourenço, e apresam muitos cativos... Poupam todas 
as crianças de dez a doze anos, e todas as mulheres que prendem na 
guerra... Embora sejam tão cruéis com os inimigos, são muito amistosos 
conosco... 
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Aula 12 \u2013 Nativos e escravos na América colonial inglesa
Resposta Comentada
Nesta atividade, espero que você demonstre efetiva apreensão dos exemplos de interação entre 
nativos e europeus estudados anteriormente. O aspecto a ser enfatizado na resposta é o da guerra. 
Como demonstra a narrativa, os nativos em questão moviam guerras contra seus vizinhos índios, 
embora, neste caso, fossem amistosos em relação aos colonos. A guerra entre os índios conduzia 
ao apresamento de cativos. Seria interessante destacar, embora esse dado não fi que explícito no 
trecho citado, que os índios vendiam nativos inimigos apresados em guerra aos colonos. Assim, 
as guerras entre os próprios nativos propiciavam fonte de índios escravizados para os colonos. 
Gerações de cativeiro na América colonial
Quando chegaram à América do Norte os primeiros africanos 
escravizados? De onde vieram? Para onde se dirigiram? Que recursos 
mobilizaram para a formação de suas comunidades, famílias e vida 
religiosa? Como você pode concluir pelas poucas perguntas que 
acabo de fazer, o tema da escravidão colonial é muito vasto. Por 
isso mesmo, gostaria de ressaltar aqui dois aspectos importantes. 
O primeiro é lembrá-lo que você pode e deve se aprofundar no tema 
por meio da leitura da bibliografi a desta aula. Já contamos com 
algumas obras sobre a escravidão nos Estados Unidos traduzidas 
para o português, o que é bastante raro quanto aos outros temas da 
história colonial desse país. Portanto, aproveite! O segundo aspecto 
a ser ressaltado é a necessidade de fazermos uma escolha diante 
da complexidade do tema em questão. Assim, proponho-me a tratar, 
nesta parte da aula, do contorno geral da introdução da escravidão 
negra na América inglesa no século XVII. Em seguida, vou abordar 
alguns traços do escravismo no momento de sua expansão na região, 
no século XVIII, quando se deram o avanço e o amadurecimento de 
uma economia de plantation em certas colônias.
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História da América I
Figura 12.3: O desenho do artista Jean Boudriot, de 1784, reconstitui a posição na qual os 
africanos eram mantidos no navio negreiro Aurore, durante a travessia da África para a América. 
Fonte: www.hitchcock.itc.virginia.edu/slavery
Como vimos na aula anterior, a região do Chesapeake, 
compreendendo as colônias de Maryland e Virgínia, foi o 
centro econômico colonial mais dinâmico da América do Norte. 
Desenvolveu-se, ao longo do século XVII, em torno do cultivo do 
tabaco, principalmente. Inicialmente, a maior parte dos trabalhadores 
da região era de origem inglesa, chamados indentured servants 
(trabalhadores por contrato). Progressivamente, entretanto, estes tra-
balhadores foram substituídos por escravos africanos. Quais seriam 
as razões para essa mudança? 
Na segunda metade do século XVII, a substituição dos 
trabalhadores por contrato por escravos africanos obedecia a 
um cálculo envolvendo variáveis econômicas e sociais. A Real 
Companhia Africana ingressou no tráfi co atlântico em 1672, dando 
aos ingleses a oportunidade de comercializar diretamente cativos 
africanos com suas colônias americanas a preços vantajosos. É 
verdade que a vinda de um trabalhador inglês para a América era 
mais barata do que a compra de um escravo, mas os trabalhadores 
por contrato estavam se tornando cada vez mais escassos no 
mercado. Além disso, para o proprietário de uma fazenda de tabaco, 
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Aula 12 \u2013 Nativos e escravos na América colonial inglesa
o contratado era avaliado cada vez mais por suas desvantagens: 
mantinha a perspectiva da liberdade e, em geral, não permanecia 
no trabalho após o fi m do contrato. Por essa razão, seu treinamento 
era considerado um investimento de retorno limitado. 
Assim, a compra de africanos, já praticada pelas colônias 
caribenhas em maior escala, passou a ser considerada uma 
alternativa vantajosa também nas áreas de plantation das colônias 
continentais. Originalmente, o termo plantation signifi ca apenas 
plantação, terreno cultivado, plantio. Para os historiadores, entre-
tanto, esse termo é também um conceito importante para a defi nição 
de um certo padrão de propriedade nas sociedades escravistas. 
Assim, podemos entender a plantation como uma unidade produtiva 
que empregava escravos de origem africana e seus descendentes 
em larga escala, produzindo mercadorias para exportação. Como 
afi rma Robin Blackburn, a plantation escravista alimentava com 
seus produtos (açúcar, fumo, café, cacau, etc.) as necessidades de 
consumo luxuosas dos europeus. 
À medida que a introdução dos africanos nas colônias da 
América inglesa tornou-se mais progressiva, as legislaturas locais 
apressaram-se em defi nir o status desses recém-chegados. Na déca-
da de 1660, por exemplo, a Assembleia da Virgínia ampliou a 
legitimação da escravidão dos africanos na região, determinando 
que os fi lhos de mãe escrava também seriam cativos. Previa também 
que a administração do batismo não alterava a condição da pessoa 
quanto à escravidão. Essa medida, adotada também nas legislaturas 
de outras colônias importadoras de cativos, visava fi xar o status 
dos descendentes de escravos. Pretendia-se,