Ética na Comunicação   Apostila de Códigos
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Ética na Comunicação Apostila de Códigos


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Ângela argumentou que o texto final da matéria fora 
editado em São Paulo. Disse mais: que não concordava com o que foi publicado e 
que iria pedir demissão. O que, de fato, ela fez na semana seguinte. Mas ainda 
havia Alessandro Porro, com quem tínhamos conversado várias vezes antes da 
publicação. 
Assim que Cazuza leu a matéria e começou a perder a pressão sangüínea, 
João, desesperado, lhe fez uma promessa: 
\u2013 Meu filho, eu vou dar uma porrada nesse cara de qualquer maneira. Você 
não tem mais forças, mas eu tenho!!! 
Durante três noites seguidas, João acampou na porta do apartamento onde 
vivia Alessandro Porro, no Rio. Ficava até de madrugada dentro do carro, 
esperando que ele entrasse ou saísse. Ele lembra: 
"Fiquei tão louco que, por pouco, não me torno um assassino. Eu estava 
completamente transtornado e, se o pegasse, tenho certeza de que poderia 
acontecer algo muito grave. Mas acabei falando com ele só por telefone e a porrada 
que deveria ter sido dada pessoalmente se transformou num esporro monumental, 
quando cheguei a ameaçá-lo de morte". 
Depois do episódio, Alessandro Porro foi morar na Europa, e ali permaneceu 
por seis meses. Na segunda-feira, quando efetivamente a revista começou a 
circular, telegramas e telegramas de solidariedade começaram a chegar em casa e 
o telefone não parou um só minuto. Cazuza, que dormiu na Clínica São Vicente, 
voltou para casa tristemente abatido. Estava revoltado quando redigiu uma carta-
resposta, publicada em jornais e revistas, com o título \u201cVeja, a Agonia de uma 
Revista\u201d: 
"A leitura da edição da VEJA que traz meu retrato na capa produz em mim \u2013 
e acredito que em todas as pessoas sensíveis e dotadas de um mínimo de espírito 
de solidariedade \u2013 um profundo sentimento de tristeza e revolta. 
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Tristeza por ver essa revista ceder à tentação de descer ao sensacionalismo, 
para me sentenciar à morte em troca da venda de alguns exemplares a mais. Se os 
seus repórteres e editores tinham de antemão determinado que estou em agonia, 
deviam, quando nada, ter tido a lealdade e franqueza de o anunciar para mim 
mesmo, quando foram recebidos cordialmente em minha casa. 
Mesmo não sendo jornalista, entendo que a afirmação de que sou um 
agonizante devia estar fundamentada em declaração dos médicos que me assistem, 
únicos, segundo entendo, a conhecerem meu estado clínico e, portanto, em 
condições de se manifestarem a respeito. A VEJA não cumpriu esse dever e, com 
arrogância, assume o papel de juiz do meu destino. Esta é a razão da minha 
revolta. 
Não estou em agonia, não estou morrendo. Posso morrer a qualquer 
momento, como qualquer pessoa viva. Afinal, quem sabe com certeza o quanto 
ainda vai durar? 
Mas estou vivíssimo na minha luta, no meu trabalho, no meu amor pelos 
meus seres queridos, na minha música \u2013 e, certamente, perante todos os que 
gostam de mim. 
Cazuza". 
 
Evidentemente não por causa dos protestos, mas o fato curioso é que a 
edição imediatamente posterior à capa de Cazuza não circulou, em função de uma 
greve de gráficos. Caso único nos 29 anos de história da revista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESTUDO DE CASO 2 
MARIA RITA X REVISTA VEJA X REVISTA ÉPOCA 
 
REVISTA VEJA | EDIÇÃO 1925 | 5 DE OUTUBRO DE 2005 
O mensalinho da filha de Elis 
Gravadora presenteia jornalistas com iPods. E eles agradecem falando bem da 
cantora 
 
A gaúcha Elis Regina (1945-1982) nunca precisou do marketing para ser 
reconhecida como cantora: teve apenas de unir seu talento como intérprete a um 
bom repertório. No caso da filha de Elis, o marketing é tudo. Nos últimos dois anos, 
a gravadora Warner empenhou mundos e fundos para impulsionar sua carreira de 
cantora. A companhia vende a artista como uma espécie de reencarnação da mãe \u2013 
e ela se prestou a esse papel, emulando o estilo de Elis. A Warner gastou mais de 1 
milhão de reais para promover seu disco de estréia, em 2003. Lançado há três 
semanas, o segundo álbum da cantora saiu da fábrica com uma tiragem de 
250.000 cópias. Mas, como a Elis genérica já não é novidade para ninguém, a 
gravadora valeu-se de um expediente manjado no meio musical para divulgar o 
disco: o jabá, aquela lembrancinha que alguns radialistas e jornalistas recebem 
para "dar uma força" aos lançamentos. A companhia presenteou trinta críticos de 
música de grandes veículos com mini-iPods \u2013 tocadores de MP3 cujo preço nas lojas 
varia entre 600 e 1.000 reais. O objetivo era, obviamente, conquistar a simpatia 
dos jornalistas. A Warner prefere uma desculpa esfarrapada: o presente seria 
necessário porque o disco atrasou na fábrica e, com o iPod, os jornalistas que iriam 
entrevistar a cantora poderiam ouvir suas músicas de forma mais prática. Claro. 
 
O "mensalinho" da filha de Elis surtiu o efeito esperado: quase nenhum crítico 
agraciado ousou fazer comentários negativos sobre o disco (que, aliás, é bem 
ruim). A maioria escreveu resenhas e perfis chapa-branca \u2013 cuja tônica, 
curiosamente, é que a moça estaria se emancipando da influência materna. A 
revista IstoÉ publicou que Maria Rita "está cantando esplendidamente". Sua 
derivada, a IstoÉ Gente, lhe dedicou uma capa. No caso do jornalista da Época, a 
Warner matou dois coelhos de uma cajadada: ele escreveu uma matéria simpática 
na revista e outra mais elogiosa ainda na Bravo!, publicada pela Editora Abril, o 
mesmo grupo de VEJA. Poucos veículos recusaram o jabá da gravadora \u2013 foi o caso 
da Folha de S.Paulo,que devolveu o iPod, e do jornal O Globo, que ficou de fora da 
festa por não demonstrar interesse numa entrevista com a cantora. Entre o pessoal 
que não recusou o iPod, foram raras as notas dissonantes. O crítico do Jornal do 
Brasil esclareceu em sua resenha que recebeu um iPod mas ficou em cima do muro 
\u2013 disse que a cantora tem "talento até com repertório pouco inspirado". O jornalista 
de O Estado de S. Paulo também ficou no morde-e-assopra \u2013 elogiou, mas 
ponderou que falta à cantora o "batismo da sarjeta". Como disse um ganhador do 
brinquedinho, a filha da Elis "tá iPodendo". 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REVISTA ÉPOCA | EDIÇÃO 386 | 7 DE OUTUBRO DE 2005 
O caso do iPod de Maria Rita 
Polêmica em torno do aparelho distribuído pelo selo da cantora gera injustiça e 
difamação 
Por Luís Antônio Giron 
 
A crítica musical do Brasil vive dias de caça às bruxas. É o clima da moda. A razão 
é uma suposta denúncia feita por Veja na edição da semana passada, sob o título 
'O mensalinho de Maria Rita'. O artigo, não-assinado, afirma que a gravadora 
Warner tentou corromper 30 jornalistas com um aparelho iPod, distribuído como 
estratégia de lançamento do CD Segundo, de Maria Rita. O aparelho teria sido 
motivo para a artista obter espaço nos jornais e revistas. Assim, alguns jornalistas 
teriam aceitado um jabaculê, ou jabá - 'dinheiro ou qualquer coisa usada para 
corromper alguém, para ganhar uma inserção publicitária' (segundo o Dicionário 
Houaiss). Maria Rita foi acusada de ser Rainha do Jabá. E todos os que avaliaram 
positivamente o CD, executados como bandidos. No caso do jornalista de ÉPOCA 
(leia-se: este que vos escreve), a gravadora teria 'matado dois coelhos com uma 
cajadada' porque ele produziu dois textos 'simpáticos' sobre 'a filha de Elis', um 
para esta revista e outro para aBravo!. Ao contrário do que diz o texto, porém, este 
jornalista fez seu trabalho com honestidade crítica e decidiu devolver o aparelho 
intacto à assessoria. Isso por considerá-lo um exagero, já que eu havia recebido,