Ética na Comunicação   Apostila de Códigos
15 pág.

Ética na Comunicação Apostila de Códigos


DisciplinaTeoria da Comunicação I1.320 materiais81.681 seguidores
Pré-visualização15 páginas
em cima da hora, com ele, o CD e o DVD de Maria Rita, material mais do que
suficiente para escrever meu artigo. A assessoria explicou que o iPod fora enviado
aos críticos antes de o CD e o DVD ficarem prontos - e, no meu caso, tudo chegou
ao mesmo tempo. Achei a estratégia de promoção desastrada, e segui o que julguei
minha obrigação, sem pensar mais no descartado totem de consumo (tenho um
desses, e não gosto de ouvir música com fone de ouvido). ÉPOCA publicou uma

entrevista com a cantora e uma crítica ao CD, que mostrava o fracasso de seu
projeto de fugir da influência dos pais.
Meu dever é esclarecer que as informações de Veja não foram conferidas. Os
autores da denúncia anônima parecem ter cabulado a primeira aula de Jornalismo e
incorreram em falta grave porque deixaram de me ouvir, como não o fizeram com

outros que atacaram. Não checaram a informação nem mesmo com a assessoria de
imprensa da cantora (que confirma ter recebido o aparelho que devolvi), valendo-
se de fontes ocultas para difamar cidadãos sem lhes dar direito de resposta.
Em 22 anos de profissão, sempre condenei o jabá - modo de comprar a opinião da
crítica. Paguei muitas vezes por minha independência. Munido dela, afirmo que
Maria Rita é uma boa cantora e conquistou lugar merecido na MPB. Seus assessores
gozam de alta reputação, conheço-os há 20 anos, e jamais recebi deles nenhuma
oferta ilícita. O bom jornalismo cultural pede imparcialidade, análise e prestação de
serviço. Sobretudo, exige que se verifique a idoneidade da informação junto às
fontes. Eis uma regra que observamos na editoria de Cultura de ÉPOCA. Tão grave
quanto o jabá é não ouvir todos os lados envolvidos em uma notícia, desprezando a
lei básica da investigação - e violando um direito fundamental, o de defesa. Talvez
seja por isso que os denunciadores de Veja não assinaram o texto. Eles intuem, no
fundo de sua ausência de escrúpulo, que o patrimônio de um jornalista é seu nome,
pois o ocultaram sob o artigo ignóbil. Esse patrimônio é, para mim, sagrado. Assino
embaixo de tudo o que escrevi em minha vida profissional. Quando cometi erros,
tratei de corrigi-los. Também assino embaixo do talento da intérprete que tentam
enxovalhar.

ÉTICA NA COMUNICAÇÃO LISTA DE CÓDIGOS PROFISSIONAIS

34

ESTUDO DE CASO 3

JORNALISMO DE MENTIRA

REVISTA ÉPOCA | EDIÇÃO 261 | 17 DE MAIO DE 2003

Jornalismo de ficção

O New York Times, maior jornal dos EUA, admite que repórter mentiu durante cinco

anos

Por Marcelo Musa Cavallari

O jornal americano The New York Times orgulha-se, em seu lema, de trazer

"todas as notícias dignas de ser impressas". No domingo 11, uma delas, com

destaque na primeira página, narrou uma história constrangedora, "um ponto baixo
nos 152 anos do jornal", nas palavras do próprio diário. Em quatro páginas do
espaço publicitário mais caro da imprensa mundial, um extenso relato mostrava
como, durante quase cinco anos, Jayson Blair, um repórter em rápida ascensão,
enganou todos os seus chefes ao inventar, maquiar ou plagiar histórias. De outubro
de 2002 a abril de 2003, Blair publicou 73 reportagens no jornal, algumas delas

sobre assuntos de grande impacto nos Estados Unidos. Em pelo menos 36 ocasiões,
assinou textos de lugares onde nunca esteve, citou pessoas com quem nunca
conversou, atribuiu frases nunca ditas pelos personagens com quem falou e copiou
material publicado em outros jornais. O New York Times está investigando as mais
de 600 matérias que Blair escreveu entre 1998 e 1o de maio deste ano, quando
pediu demissão. Em carta à direção do jornal, ele pediu desculpas pelo "lapso em
integridade jornalística". Mas se recusou a apontar suas falsificações e a explicar o
motivo de seus atos.

A má conduta de Blair foi exposta exatamente quando ele conseguira sua
melhor chance no jornal. Depois de apenas quatro anos na empresa, onde entrou
como estagiário, o jovem repórter liderava a cobertura de um caso que eletrizou a
imprensa americana - o dos franco-atiradores que mataram 12 pessoas na região
de Washington em outubro. Erros graves nessa e em outras matérias de Blair
foram apontados por autoridades policiais, juízes e pessoas que ele entrevistou. Na
cobertura sobre soldados americanos feridos na guerra do Iraque e suas famílias,
Blair voltou a ser acusado de inventar coisas. Disse ter visitado um ferido, num
hospital, quando na realidade o ouviu apenas por telefone. E, ao contrário do que
escreveu, nunca esteve na casa dos pais de Jessica Lynch, a jovem militar
americana capturada pelas tropas do Iraque. Antes de o caso vir à tona, o
jornalista já vinha apresentando problemas com a exatidão de seus relatos.

Jonathan Landman, editor de notícias locais, chegou a pedir que fosse demitido em
abril do ano passado. "Temos de impedir Blair de continuar escrevendo para o
Times", escreveu Landman em um e-mail à direção do New York Times. E enfatizou
uma palavra: "Agora". Mas as denúncias esbarravam na rede de relações pessoais
dentro do jornal. Blair tinha grande prestígio com o editor-executivo do jornal,
Howell Raynes, e o editor-adjunto, Gerald Boyd - dois dos cargos mais altos na
hierarquia. Ele era muito mais eficiente no jogo político interno da redação que
como repórter, segundo uma de suas primeiras chefes no jornal, Joyce Purnick.
Conquistou a simpatia de muitos dos colegas, apesar de cair em desgraça com
todos os editores com quem trabalhou diretamente. Mas Boyd e Raynes o
promoveram sempre que tiveram chance, apesar das reclamações. Blair foi
contratado como estagiário dentro de um projeto que tinha, entre suas metas,
aumentar a diversidade étnica dentro da empresa. Como a maioria das redações

dos EUA, a do New York Times é esmagadoramente branca. Raynes nega, no

ÉTICA NA COMUNICAÇÃO LISTA DE CÓDIGOS PROFISSIONAIS

35

entanto, que a vontade de promover um jovem negro talentoso e ambicioso tenha
sido a causa de o jornal mostrar tanta paciência com Blair. Agora, a direção busca
acalmar os 374 repórteres que trabalhavam na sede, irritados pelo abalo na
credibilidade do jornal inteiro. E isso num momento difícil para o Times, que perdeu

5% de sua circulação entre outubro de 2002 e março deste ano, período em que o
Sun e o tablóide New York Post aumentaram as vendas.
Trapaceiros famosos
Órgãos da grande imprensa americana registram outros casos espantosos de
fraudes

. Washington Post
Em 1980, Janet Cooke (foto) ganhou o Prêmio Pulitzer, o mais importante dos EUA,
pela história de Jimmy, um menino de 8 anos viciado em heroína vivendo com a
mãe também viciada e o padrasto traficante num bairro pobre de Washington. A
história comoveu o país e gerou enorme polêmica. Pressionada, Cooke admitiu que
era tudo invenção. O jornal devolveu o prêmio.

. New Republic
Em 1997 e 1998, Stephen Glass inventou fatos inteiros em suas reportagens na
revista. Uma delas falava do consumo de cocaína e da presença de prostitutas em
uma reunião de políticos republicanos. Outra noticiava a fundação de uma igreja
que nunca existiu, chamada George Herbert Walker Christ (os três primeiros nomes

são os do presidente Bush pai). Neste mês, Glass lançará um livro sobre sua
história.

ÉTICA NA COMUNICAÇÃO LISTA DE CÓDIGOS PROFISSIONAIS

36

ESTUDO DE CASO 4

ANÚNCIOS PROIBIDOS PELO CONAR

COLUNA RADAR ON-LINE | LAURO JARDIM | REVISTA VEJA

Pacto de não agressão | 23-07-2012
As quatro maiores cervejarias do país \u2013 Ambev, Petrópolis, Schin e Heineken \u2013
fizeram um pacto de não-agressão para evitar ao máximo ações umas contra as
outras no Conar. Depois das telefônicas, as empresas do setor