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PROCESSO PENAL 2° BIMESTRE

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PROCESSO PENAL – 2 ° BIMESTRE 20-04-2016
JURISDIÇÃO PENAL 
1 CONCEITO: Função estatal, verdadeiro dever-poder de declarar e se for o caso realizar em concreto a solução justa do caso penal, bem como exercer o controle da justiça penal em atenção aos direitos fundamentais. Deve ser concebida como poder-dever de
realização de Justiça Estatal, por órgãos especializados do Estado.
Trata-se de decorrência inafastável da incidência do princípio da necessidade, peculiaridade do
processo penal, inexistente no processo civil. Para tanto, é uma jurisdição cognitiva, destinada a conhecer da pretensão acusatória (e de seu elemento objetivo, o caso penal) para, em acolhendo-a, exercer o poder de penar que detém o Estado-juiz
Jurisdição é um direito fundamental, tanto que, ao tratarmos dos princípios/garantias do processo penal, o primeiro a ser analisado é exatamente esse: a garantia da jurisdição. Ou seja, o direito fundamental de ser julgado por um juiz, natural (cuja competência está prefixada em lei), imparcial e no prazo razoável. É nessa dimensão que a jurisdição deve ser tratada, como direito fundamental, e não apenas como um poder-dever do Estado.
2 FUNÇÃO SUBSTUTIVA
3 JURISDIÇÃO E COMPETENCIA
4 ELEMENTOS características da jurisdição
-NOTIO: poder de conhecer das questões dos litígios que são colocadas pro poder judiciário
-JUDICIUM: poder de aplicar o direito no caso concreto
-VOCATIO: consiste no poder de fazer comparecer em juízo todos aqueles cuja a presença seja necessária.
-COERTIO: abrange todas as medidas coercitivas, ex. medidas cautelares, busca e apreensão, prisão. Só o juiz decreta as medidas coercitivas.
-EXECUTIO poder de dar cumprimento as decisões
Um mesmo juiz pode exercer todos os elementos da jurisdição, mas em alguns lugares os elementos são distribuídos. 
27-04-16
PRINCIPIOS DA JURISDIÇÃO 
INÉRCIA : o juiz não deve tomar a iniciativa de exercer a jurisdição. a inércia da jurisdição significa que o poder somente poderá ser
exercido pelo juiz mediante prévia invocação. Vedada está a atuação ex officio do juiz (daí o significado do adágio ne procedat iudex ex officio). Com isso, a jurisdição somente se põe em marcha quando houver uma prévia invocação – declaração petitória – feita por parte legítima. No que tange ao processo penal, a jurisdição somente pode ser exercida quando houver o exercício da pretensão acusatória, através de queixa-crime (se a iniciativa da ação penal for privada), ou da denúncia oferecida pelo Ministério Público
PRINCIPIO DA IMPARCIALIDAE: Não tem a ver com neutralidade, A imparcialidade é uma construção do Direito, que impõe a ele um afastamento estrutural, um alheamento (terzietà) em relação à atividade das partes (acusador e réu). Como meta a ser atingida, o processo deve criar mecanismos capazes de garanti-la, evitando, principalmente, atribuir poderes instrutórios ao juiz.
JUIZ NATURAL: CF art. 5 LIII ideia de proibição de tribunais de exceção, a ideia de já ter uma regra prévia de juiz competente para julgar aquele caso, sem esse principio a pessoa pode escolher um juiz para julgar determinado caso, manipular as regras. Principio muito discutido no âmbito do direito penal internacional. (no caso de Nulemberg o tribunal não existia quando os crimes foram cometidos e foi formado para julgar os crimes do nazismo, um tribunal formado por quem venceu a guerra contra quem perdeu). A criação de tribunais específicos não ferem este principio desde que sejam criados antes no acontecimentos do fato. O princípio do juiz natural não é mero atributo do juiz, senão um verdadeiro pressuposto para a sua própria existência. Consiste no direito que cada cidadão tem de saber, de antemão, a autoridade que irá processá-lo e qual o juiz ou tribunal que irá julgá-lo, caso pratique uma conduta definida como crime no ordenamento jurídico-penal. Pois todos passam a ser julgados pelo “seu juiz”, cuja competência é previamente estabelecida por uma lei vigente antes da prática do crime.
PROMOTOR NATURAL: Em decorrência do juiz natural a doutrina passou a falar do promotor natural, não está previsto na CF nem na lei, mas está na doutrina e nas regras do ministério publico também se tem a ideia de que o órgão que deve acusar também já deva estar determinado, qual deve ser o promotor de cada caso. Existem precedentes do STF reconhecendo a existência deste principio
INDECLINABILIDADE DA JURISDIÇÃO: o juiz não pode subtrair-se ao julgamento qualquer que seja o assunto a ser julgado. Citação do ferrarjoli. Proíbe o juiz de se abster independente da gravidade da causa este previsto no art 5 , XXXV. Nenhuma das garantias anteriores teria eficácia se fosse permitido ao juiz declinar ou subtrair-se do dever de julgamento do processo. o juiz natural não pode declinar ou delegar a outro o exercício da sua jurisdição, até porque existe uma exclusividade desse poder, de modo a excluir a de todos os demais
INDELEGABILIDADE DA JURISDIÇÃO: Não se pode repassar, terceirizar a jurisdição, não pode indicar outro juiz para julgar aquele caso, nem delegar aos estagiários. 
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO: assegura o direito ao reexame das decisões por um órgão jurisdicional diverso daquele que as proferiu. O direito de que toda a decisão seja revista por um tribunal superior, via em regra por um colegiado. não está na CF nem no CPP. Seria um principio implícito, decorrente de outros princípios. O posicionamento do STF está previsto no art 8.2 H na convenção interamericana dos direitos Humanos que foi recepcionada pelo direito brasileiro. O STF diz que não é um direito fundamental.
COMPETENCIA: 
CONCEITO a competência é um conjunto de regras que asseguram a eficácia da jurisdição e especialmente do juiz natural delimitando a jurisdição condiciona o seu exercício. Só vai exercer a jurisdição se tiver competência pra isso. Jurisdição é um poder enquanto competência é autorização legal para exercer uma fração, parte dele (Helio Tornare). Como regra, um juiz ou tribunal somente pode julgar um caso penal quando for competente em razão da matéria, pessoa e lugar.
ABSOLUTA E RELATIVA as limitações das competências de dividem em incompetências absolutas e relativas.
Absoluta: aquelas competências que decorrem diretamente de normas constitucionais, a constituição diz que tem que ser jugado em determinado tribunal STF por exemplo. A absoluta não pode ser prorrogada de forma alguma (é insuperável, todos os atos praticados em desconformidade serão nulos) e pode ser reconhecida em qualquer momento, inclusive de oficio. Em razão da matéria e em razão da esfera do judiciário
Relativas: decorrem de normas infraconstitucionais. O cod de processo penal diz que deve ser julgado em determinado local. Pode ser prorrogada (e não for levantada no momento adequado o juiz que não era competente passa a ser competente, significa que a incompetência foi prorrogada) e só será reconhecida se for questionada no momento adequando. O momento para reclamar é a primeira manifestação da parte no processo, qualquer uma das partes. Em razão do local e conexão por exemplo.
Logo, a violação das regras de competência para matéria e pessoa, por ser absoluta, não se convalida jamais (não há preclusão ou prorrogação de competência) e pode ser reconhecida de ofício pelo juiz ou tribunal, em qualquer fase do processo.
Com relação à competência em razão do lugar, ao compreendermos que a jurisdição é uma garantia, não pode ela ser esvaziada com a classificação civilista de que é “relativa”
CRÍTICAS: 3 criticas 
- o cod de processo penal principalmente no art 110 não faz divisão entre absolutas e relativas, o cod simplesmente fala em competências. Por uma regra de interpretação aonde o legislador não faz a divisão, não cabe ao interprete (judiciário)fazer.
- se alguém violar a regra de competência está violando o principio do juiz natural, que está previsto na constituição, logo, todas seriam absolutas em matéria penal. (aury). a eficácia da
garantia