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PROCESSO PENAL 2° BIMESTRE

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defesa se manifestar nos autos, sob pena de preclusão (prorrogatio fori ). Nessa perspectiva, somente a defesa poderá alegá-la, não podendo ser conhecida pelo juiz, de ofício, e tampouco pode ser alegada pelo Ministério Público, na medida em que o promotor, ao oferecer a denúncia, faz sua opção.
1 TEORIA DA ATIVIDADE E DA CONSUMAÇÃO: art 70 o CPP adota de maneira expressa a teoria da consumação. A confusão acontece quando o CP adota a teoria da atividade no art. 4. A teoria da atividade adota o local onde aconteceu o crime a teoria da consumação, é o local onde o crime fica consumado. Ex. pessoa atropelada, e o atropelamento aconteceu em Curitiba mas a pessoa foi socorrida em hospital em Pinhais e acabou morrendo só lá. Veneno mandado de uma cidade para outra. A jurisprudência utiliza a teoria da atividade por uma questão de facilidade probatória. 
        Art. 70.  A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
        § 1o  Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução.
        § 2o  Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado.
        § 3o  Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.
Em caso de tentativa se verifica o lugar onde ocorreu o ultimo ato a execução no caso do bombom, o lugar de onde foi despachado o bombom, caso não comeu, e se comeu, o lugar onde comeu.
Para tanto, utilizam-se as regras dos arts. 70 e 71 do CPP. Iniciemos pelo critério do art. 70, onde o lugar da infração é aquele em que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, o lugar em que for praticado o último ato de execução.
Quando o CPP emprega essas categorias “consumação” e “tentativa”, deve-se utilizar o Código Penal como norma completiva, na medida em que tais conceitos são estranhos para o processo penal. No art. 14 do CP, está definido que:
Art. 14. Diz-se o crime:
I – consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Assim, o conceito de lugar do crime identifica-se com aquilo que o Direito Penal define como local da consumação ou, em caso de tentativa, aquele onde for praticado o último ato de execução.
DELITOS PLURILOCAIS OU PERMANENTES: são crimes praticados em vários locais, delitos permanentes são aqueles que se vão ocorrendo, enquanto se comete o ato ele está se realizando, ex. sequestro, posse de drogas. O local pode ser qualquer um dos locais onde foram praticados. Art 71 do CPP. Em relação de plurilocais se tratando de crimes idênticos.
        Art. 71.  Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.
Nesses dois casos, será competente o juiz que tiver antecedido os demais na prática de algum ato decisório, como o recebimento da denúncia. Mas também será competente, em razão da prevenção, aquele que tiver praticado, na fase pré-processual, algum ato decisório, como a homologação da prisão em flagrante, a decretação da prisão preventiva ou temporária, ou, ainda, tiver decidido sobre alguma medida assecuratória ou mesmo busca e apreensão.
CRIMES CONTRA A HONRA: 3 crimes contra honra, injuria, calunia e difamação, se praticada individualmente é o domicilio do réu. Em caso de jornal é o local de impressão, da onde partiu a ofensa. Em caso de televisão local da sede da emissora ou onde foi concluída a ação delituosa, ou seja, onde se encontra o responsável pela veiculação e divulgação das
notícias, indiferente a localização do provedor de acesso à rede mundial de computadores ou sua efetiva visualização pelos usuários.
NOS CRIMES PRATICADOS FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL: mas em que incida a regra da extraterritorialidade da lei penal, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado e, caso ele nunca tenha residido no Brasil, será julgado em Brasília, nos termos do art. 88 do CPP. Recordemos que o simples fato de o crime ter sido praticado no exterior não significa que será julgado na Justiça Federal. Todo o oposto. A regra é o julgamento pela Justiça Estadual, salvo se estiver presente alguma das causas do art. 109 da Constituição, conforme explicado anteriormente.
CASOS A BORDO DE NAVIOS OU AERONAVES: ART 89 E 90. crime praticado em Paranaguá, estava passando em Santos e terminou em Vitória. O crime será julgado no primeiro porto ou no ultimo onde ele havia tocado.
Art. 89.  Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado.
        Art. 90.  Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de onde houver partido a aeronave.
CRIMES PELA INTERNET: a jurisprudência utilizaria o local de onde partiu a ofensa, mas foi se adaptando e houve uma jurisprudência 125125 do STJ, era local onde localiza o provedor do site e foi atualizado para definir que os crimes contra a honra praticados pela internet é o local de onde o computador que partiu a ofensa, através da identificação do IP. Muitas vezes são utilizando outros critérios práticos para soluciona, como ex. roubo de contas pela internet.
CASOS DE EXTRATERRITORIEDADE: pessoa que está fora do Brasil e pratica crimes no Brasil, se não for previsto em tratado internacional ou não for de interesse da união, é de competência do estado. O caso vai ser processado na capital do estado onde o réu residiu na ultima vez. Ex homem assassina a mulher na Argentina.
  Art. 88.  No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República.
LOCAL DESCONHECIDO: quando não se sabe onde o crime foi cometido se aplica o art 72. Domicilio do acusado. Critério mais subsidiário, quando realmente não sabe onde o crime foi cometido.
Art. 72.  Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu.
        § 1o  Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção.
        § 2o  Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.
POSSIBILIDADE DE ESCOLHA: escolher entre o local de consumação do crime ou do domicilio do réu, só pode escolhem em caso de ação penal privada.
Art. 73.  Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração.
19-05-2016
 QUAL A VARA OU JUÍZO COMPETENTE? 
Definida a competência em razão da matéria (Justiça Estadual, Federal etc.) e o lugar (cidade), resta saber dentro daquela Justiça, naquela cidade, qual vai ser o juiz competente para o julgamento, pressupondo que existam vários igualmente competentes em razão da matéria, pessoal e lugar.