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PROCESSO PENAL 2° BIMESTRE

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A questão aqui será resolvida a partir da prevenção ou distribuição. Nos termos do art. 83, será competente o juiz que tiver antecedido os demais na prática de algum ato decisório, como o recebimento da denúncia. Mas também será competente, em razão da prevenção, aquele que tiver praticado, na fase pré-processual, algum ato decisório, como a homologação da prisão em flagrante, a decretação da prisão preventiva ou temporária, ou, ainda, tiver decidido sobre alguma medida assecuratória ou mesmo busca e apreensão.
      
  Art. 83.  Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa
Caso nenhum juiz esteja prevento, será empregado o sistema de distribuição (art. 75), uma escolha aleatória entre os juízes igualmente competentes, definindo assim qual deles será então o competente para o processo e julgamento.
Descobrir se existe uma prevenção em termos de competência, se verifica a prevenção (prai e venire- significa chegar antes) quando o juiz está prevento para julgar o caso. O juiz prevento é aquele que chegou a tomar uma decisão, portanto é aquele que chegou antes que os outros juízes para julgar o caso. (prisão preventiva etc.)
Se não tiver prevenção o art 75 do cód se distribui por sorteio, hoje é feito por computador de forma aleatória.
        Art. 75.  A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente.
        Parágrafo único.  A distribuição realizada para o efeito da concessão de fiança ou da decretação de prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal.
Sumula 706 STF diz que a nulidade em razão da não observância da prevenção é relativa.
Causa modificativa de competência: é a competência em razão da pessoa, 
2 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA PESSOA (RATIONE PERSONAE): neste caso se fala em foro privilegiado. Vai para aonde a pessoa tem o foro privilegiado.
2.1 PRERROGATIVA OU PRIVILÉGIO: alguns consideram um privilégio, outros tem como uma prerrogativa ao cargo em que elas ocupam. É como uma espécie de proteção ao cargo. 
        Art. 84. A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade.
2.2 DUPLA GARANTIA: é uma garantia de quem julga garantia de quem é julgado, é porque a pessoa exerce algum cargo de relevância. Também seria uma garantia de quem vai julgar (ex. um juiz de primeiro grau julgando o presidente do tribunal) o critério é proporcionalidade. Ex quem julga o chefe do executivo é o órgão máximo do poder judiciário( STF).
2.3 PROBLEMAS PRÁTICOS: dois principais problemas práticos.
- Porque em muitos casos a pessoa não terá direito ao duplo grau de jurisdição. É ruim para o acusado, pois a pessoa perde a chance de vários recursos.
- problemas relacionados aos tribunais dar celeridade as questões judiciais (eles não estão acostumados a ouvir testemunhas e produzir provas ) ação penal originária, eles são acostumados a julgar recursos. Dificuldade em realizar a instrução dos processos tendo em vista que eles estão habituados a julgar apenas recursos.
2.4 QUESTÃO TEMPORAL: crimes antes de exercer o cargo, se tiver o foro e deixar de ter... Quando alguém tem, passa a ter ou perde essa prerrogativa? Vejamos:
a) Se alguém comete um delito antes de ser investido e, após, toma posse como deputado estadual ou é investido no cargo de juiz ou promotor, por exemplo, ele adquire a prerrogativa de ser julgado por determinado Tribunal (nos casos exemplificados será o Tribunal de Justiça). O processo e julgamento desse caso penal competirão a esse tribunal. Trata-se de assegurar a tranquilidade e a independência de quem julga, pois seria impensável um juiz julgando outro juiz, por exemplo. Contudo, em se tratando de cargo eletivo, caso cesse o mandato antes do julgamento (leia-se, antes da decisão recorrível), cessa a prerrogativa, sendo remetido o processo para o juiz de primeiro grau, competente para o julgamento em razão da matéria e lugar.
b) Se o delito é praticado durante o exercício do mandato eletivo ou depois de devidamente investido no cargo que está exercendo, o agente tem a prerrogativa, logo, será julgado no respectivo tribunal. Contudo, se perder o cargo ou o mandato antes da sentença (recorrível), perde a prerrogativa e será julgado por um juiz de primeiro grau.
c) Por fim, se pratica o delito após cessado o exercício efetivo do cargo ou do mandato eletivo, o réu não tem nenhuma prerrogativa. É o que dispõe a Súmula n. 451 do STF: A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional.
- SUMULA 394 DO STF- até 2001 existia essa sumula que dizia que se o cara comete o crime enquanto tiver o foro privilegiado, este permaneceria depois de acabar o mandato. A sumula estava errada, pois este não teria mais o foro “Cometido o crime durante o exercício funcional, prevalece a competência especial por prerrogativa de função, ainda que o
inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício.”
Em 2001 o STF reconheceu que estava errado e revoga a sumula, em 2002 no dia 24/12 os deputados se deram um presente, e aprovam a ADI 10628 que altera o art 84 do CPP para “ressuscitar” o núcleo da extinta Súmula n. 394, logo, mantendo a prerrogativa de foro em relação aos crimes praticados durante o exercício do mandato, ainda que o inquérito ou processo sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. Mais do que isso, incluiu na prerrogativa os atos de improbidade administrativa, que agora também passavam a ser julgados no respectivo tribunal. Os processos que, com a revogação da Súmula n. 394, tinham “caído”, ou seja, redistribuídos para juízes de primeiro grau, foram novamente encaminhados para os tribunais assegurados pela prerrogativa de foro.
-ART 84 DO CPP-         § 1o A competência especial por prerrogativa de função, relativa a atos administrativos do agente, prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. (Incluído pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002)        (Vide ADIN nº 2797) este art. restaurava o que a sumula dizia
-DECISÃO DO STF- 3 anos depois o STF em 2005 declara inconstitucional este art. da lei
o Supremo Tribunal Federal, dando provimento à Ação
Direta de Inconstitucionalidade n. 2.797, declara a inconstitucionalidade do art. 84, §§ 1º e 2º, do CPP. Novamente os processos são redistribuídos... e voltam para as respectivas Justiças de primeiro grau. Ou seja, um imenso sobe e desce. Um imbróglio que só serve para demonstrar o quanto se manipula os critérios de competência nesse país, e que a garantia do juiz natural é apenas um adereço teórico.
Em suma, agora que foi declarada a inconstitucionalidade, a situação fica assim:
• crime cometido antes da posse: adquire a prerrogativa quando assumir o cargo;
• crime cometido durante o exercício do cargo ou função pública: o agente tem a prerrogativa;
• em qualquer caso, cessado o exercício do cargo ou função, termina a prerrogativa e o processo será remetido para a Justiça competente, no primeiro grau de jurisdição;
• não existe qualquer prerrogativa em relação à improbidade administrativa, que será sempre julgada em primeiro grau de jurisdição.
A decisão do Supremo norteia a ideia de que vigora o princípio da “atualidade do exercício da função”, ou seja, só tem a prerrogativa enquanto estiver exercendo a função. Cessada a função, cessa a prerrogativa.
-CUNCLUSÃO- no final das contas vale a atualidade