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Aula 2 - Ideologia

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Sociedade e Ideologia
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O QUE É IDEOLOGIA?
QUAL A UTILIDADE DA IDEOLOGIA?
EXISTE UMA IDEOLOGIA NEUTRA? QUE SURGE NATURALMENTE?
Destutt de Tracy, criou a palavra e lhe deu o primeiro de seus significados: ciência das ideias. Posteriormente, esta palavra ganharia um sentido pejorativo quando Napoleão chamou De Tracy e seus seguidores de “ideólogos” no sentido de “deformadores da realidade”. No entanto, os pensadores da antiguidade clássica e da Idade Média já entendiam ideologia como o conjunto de ideias e opiniões de uma sociedade. 
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A origem 
Destutt de Tracy (1754 - 1836) - Filósofo, político, soldado francês, líder da escola filosófica dos Ideólogos e que criou o termo idéologie (1801) no tempo da Revolução Francesa, com o significado de ciência das ideias, tomando-se ideias no sentido bem amplo de estados de consciência.
Militar de carreira, aderiu à Revolução, destacando-se como deputado. Fez parte do grupo dos sensualistas, com orientação no pensamentos de Condorcet. Seus pensamentos republicanos entraram em conflito com os partidários de Bonaparte, que os acusaram de idéologues.
Decorrido cerca de uma década da queda da Bastilha, o filósofo francês, exilado em Bruxelas, começou a publicar Eléments D'Idíologie (1801-1815), em 4 volumes, postulando a fundação de um original campo de estudos destinado a formar a base de todas as ciências: a ciência das ideias.
O projeto desta ciência era o de tratar as ideias como fenômenos naturais que exprimiam a relação entre o homem, organismo vivo e sensível e o seu meio natural de vida. Assim, para ele, o que o estudo da ideologia possibilitava era o conhecimento da verdadeira natureza humana ao perguntar de onde provinha nossas ideias e como se desenvolviam.
Poucos anos depois dessa publicação, o termo ideologia adquiriu uma conotação, eminentemente pejorativa, a ponto do ensino da disciplina Ciência Moral e Política, ser proibida no Institut de France (1812) por Napoleão Bonaparte, que pragmaticamente preferia a força dos canhões a das palavras, que acusou o autor e outros professores da citada disciplina, de pregarem oposição ao seu governo.
Inspirou o positivismo de Auguste Comte e teve como discípulos Stendhal e Sainte-Beuve e morreu em Paris.
Defendia a distribuição de poderes, a liberdade política, considerando que esta não pode florescer sem liberdade individual e sem liberdade de imprensa.
O pensador alemão, desenvolveu uma teoria , na qual concebe a ideologia como uma consciência falsa, proveniente da divisão do trabalho manual e intelectual. Nessa divisão, surgem os ideólogos ou intelectuais que passam através de ideias impostas a dominar através das relações de produção e das classes que esses criam na sociedade. Contudo a ideologia (falsa consciência) gera, inverte ou camufla a realidade, para os ideais ou vontades da classe dominante.
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Karl Marx 
- HIERARQUIA ENTRE O TRABALHO BRAÇAL E O INTELECTUAL
- VAI PERMEAR BOA PARTE DA DISCUSSÃO FILOSÓFICA A RESPEITO DAS RESPECTIVAS IMPORTÂNCIAS 
- A IDEOLOGIA TEM UM CARÁTER ILUSÓRIO
Nas considerações sobre “a ideologia em geral”, Marx e Engels determinam o momento de surgimento das ideologias no instante em que a divisão social do trabalho separa trabalho material ou manual e trabalho intelectual. Para compreendermos por que esta separação aparecerá como independência das ideias com relação ao real e, posteriormente, como privilégio destas sobre aquele, precisamos acompanhar em linhas gerais o processo da divisão social do trabalho, tal como Marx e Engels o expõem na Ideologia Alemã.
-Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.
O pensamento de Marx influencia várias áreas, tais como Filosofia, História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Psicologia, Economia, Comunicação, Arquitetura, Geografia e outras. Em uma pesquisa da rádio BBC de Londres, realizada em 2005, Karl Marx foi eleito o maior filósofo de todos os tempos.
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A ideologia é materializada nas práticas das instituições — e o discurso, como prática social, seria então “ideologia materializada”.
Estas estruturas são tanto agentes de repressão quanto são inevitáveis - é impossível escapar das ideologias ou não ser-lhes subjugado.
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Althusser
Althusser é amplamente conhecido como um teórico das ideologias, e seu ensaio mais conhecido é Idéologie et appareils idéologiques d'état (Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado). O ensaio estabelece seu conceito de ideologia, que relaciona o marxismo com a psicanálise. A ideologia, para ele, deriva dos conceitos do inconsciente e da fase do espelho (de Freud e Lacan, respectivamente), e descreve as estruturas e sistemas que permitem um conceito significativo do eu. Estas estruturas, para Althusser, são tanto agentes de repressão quanto são inevitáveis - é impossível escapar das ideologias ou não ser-lhes subjugado.
A ideologia, para Althusser, é a relação imaginária, transformada em práticas, reproduzindo as relações de produção vigentes. Na realização ideológica, a interpelação, o reconhecimento, a sujeição e os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), são quatro categorias básicas.
Em seu discurso sobre a Ideologia é patente sua preocupação em encontrar o lugar da submissão espontânea, o seu funcionamento e suas consequências para o movimento social. Para ele, a dominação burguesa só se estabiliza pela autonomia dos aparelhos (de produção e reprodução) isolados.
O mito do Estado, como entidade incorporada pelos cidadãos e como instituição acima da sociedade, aparece, também no estruturalismo marxista de Althusser sob a forma de “a instituição além das classes e soberana”. Assim os Aparelhos Ideológicos do Estado são a espinha dorsal de sua teoria.
A teoria dos Aparelhos ideológicos de Estado constrói uma visão monolítica e acabada de organização social, onde tudo é rigidamente organizado, planejado e definido pelo Estado, de tal sorte que não sobra mais nada para os cidadãos. Não há mais nenhuma alternativa a não ser a resignação ante o Estado onipresente e absolutamente dominante.
A visão extremamente simplista dos aparelhos ideológicos como meros agentes para garantir o desempenho do Estado e da ideologia atraiu para Althusser as frequentes críticas de funcionalismo. Isto se deve ao fato de que ele não inclui nas suas preocupações questionamentos, sobre o surgimento desses aparelhos ideológicos e sobre sua lógica, conforme a época. Não há a noção de continuidade histórica e cada fase é uma fase em si, dentro da qual as diferentes instituições se articulam, sempre de forma relativa. Assim a igreja - ou a religião -, por exemplo, não é o resultado de uma sedimentação histórico-cultura de ideias e visões do mundo, trabalho de séculos dos organizadores da cultura; não, a igreja é a instituição e seu funcionamento só é captado dentro da lógica respectiva do momento analisado. A dimensão da “tradição de todas as gerações mortas que oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos” (Marx) desaparece.
A ideologia não é enganosa ou negativa em si, constituindo qualquer ideário de um grupo de indivíduos. 
Ideologia orgânica X Ideologia arbitrária
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Gramsci 
GRAMSCI
- EM UM 1° MOMENTO A IDEOLOGIA É O “CIMENTO” DA ESTRUTURA SOCIAL.
- HEGEMONIA CULTURAL COMO UM MEIO DE MANIPULAÇÃO DO ESTADO CAPITALISTA.
- NECESSIDADE DE EDUCAR OS TRABALHADORES PARA ENCORAJAR O SURGIMENTO DE INTELECTUAIS DENTRO DA CLASSE TRABALHADORA
Gramsci: Com a hegemonia cultural, realizou uma fina análise para explicar - num momento em que o movimento comunista, sob a dominação da Terceira Internacional, considerava de modo geral necessário preparar-se para uma tomada violenta do poder à maneira dos bolcheviques russos - porque a "inevitável" revolução do proletariado, prevista pelo marxismo leninista ortodoxo, não teria ocorrido na Europa Ocidental àquela altura do

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