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Aula 3- Poder2.ppt-1

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humana foram adotados os mais diversos princípios de legitimidade de poder: nos Estados teocráticos, o poder considerado legítimo vem da vontade de Deus; ou da força da tradição, quando o poder é transmitido de geração em geração, como nas monarquias hereditárias; nos governos aristocráticos apenas os melhores podem ter funções de mando; é bom lembrar que os considerados melhores variam conforme o tipo de aristocracia: os mais ricos, ou os mais fortes, ou os de linhagem nobre, ou, até, a elite do saber; na democracia, vem do consenso, da vontade do povo.
A discussão a respeito da legitimidade do poder é importante na medida em que está ligada à questão de que a obediência é devida apenas ao comando do poder legítimo, segundo o qual a obediência é voluntária, e portanto livre. Caso contrário, surge o direito à resistência, que leva à turbulência social.
O Poder e o exercício Democrático
A palavra democracia vem do grego demos (“povo”) e kratia, de krátos (“governo”, “poder”, “autoridade”).
Determinações constitutivas do conceito de democracia (Marilena Chauí):
Conflito
Abertura
Rotatividade
Segundo Marilena Chaui, as determinações constitutivas do conceito de democracia são as ideias de conflito, abertura e rotatividade. Conflito - se a democracia supõe o pensamento divergente, isto é, os múltiplos discursos, ela tem de admitir uma heterogeneidade essencial. Então, o conflito é inevitável. A palavra conflito sempre teve sentido pejorativo, como algo que devesse ser evitado a qualquer custo. Ao contrário, divergir é inerente a uma sociedade pluralista. Se os conflitos existem, evitá-los é permitir que persistam, degenerem em mera oposição ou sejam camuflados. O que a sociedade democrática deve fazer com o conflito é trabalhá-lo, de modo que, a partir da discussão, do confronto, seja encontrada a possibilidade de superá-lo. É assim que a verdadeira história se faz, nessa aventura em que o homem se lança em busca do possível, a partir dos imprevistos.
- Abertura - significa que na democracia a informação deve circular livremente e a cultura não é privilégio de poucos. A circulação não se reduz ao mero consumo de informação e cultura, mas significa produção de cultura, que se enriquece nesse processo.
- Rotatividade - significa tomar o poder na democracia realmente o lugar vazio por excelência, sem privilégio de um grupo ou classe. É permitir que todos os setores da sociedade possam ser legitimamente representados. 
Por isso é importante que na sociedade haja mecanismos que permitam a ampla extensão da educação, ainda restrita a setores privilegiados. Que se ampliem os espaços públicos de consumo e produção de cultura. Que o pluralismo dos partidos e sua eficácia independam do poder econômico e que os adversários políticos não sejam considerados "inimigos", mas opositores.
A fragilidade da democracia
Não há modelos a seguir
Admite o discurso divergente
Como se fortalece a democracia?
A condição do fortalecimento da democracia encontra-se na politização das pessoas, que devem deixar o hábito (ou vício?) da cidadania passiva, do individualismo, para se tornarem mais participantes e conscientes da coisa pública.
Se fosse possível preencher os requisitos indispensáveis à constituição da verdadeira democracia, poderíamos atingir uma sociedade em que a relação entre as pessoas se define pela amizade, que é a recusa do servir. No entanto, trata-se de tarefa difícil, devido à incompletude essencial da democracia. Não há modelos a seguir, pois a noção de modelo supõe uma imposição antecipada do que é considerado certo (por quem?). Ao contrário, a democracia se autoproduz no seu percurso, e a árdua tarefa em que todos se empenham está sujeita aos riscos de enganos e desvios. Aceitar a diversidade de opiniões, o desafio do conflito e a grandeza da tolerância é exercício de maturidade, e sempre permanece em muitos a tentação da homogeneização dos pensamentos e ações. Por isso, a democracia é frágil e não há como evitar o que faz parte da sua própria natureza. Pois se ela permite a expressão dos pensamentos divergentes, entre eles surgirão os que combatem a democracia, identificando-a à anarquia ou desejando simplesmente impor seu ponto de vista. O principal risco é a emergência do totalitarismo, representado por grupos que sucumbem à sedução do absoluto e desejam restabelecer a "ordem" e a hierarquia.
A condição do fortalecimento da democracia encontra-se na politização das pessoas, que devem deixar o hábito (ou vício?) da cidadania passiva, do individualismo, para se tornarem mais participantes e conscientes da coisa pública.
Bibliografia
ARANHA, Maria Lúcia de A. Maquiavel, a lógica da força. São Paulo, Moderna, 1993.
ARANHA, Maria Lúcia de A. e MARTINS, Maria Helena P. Filosofando; introdução à filosofia. 1. ed. São Paulo, Moderna, 1986.
BOBBIO, Norberto e outros. Dicionário de política.2. ed. Brasília, Ed. Universidade deBrasília, 1986.
BOBBIO, Norberto. A teoria das formas de governo. 4. ed. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1985.
CHAUI, Marilena. Cultura e democracia; o discurso competente e outras falas. São Paulo, Moderna, 1980.
CHAUI, Marilena e outros. Primeira filosofia; lições introdutórias. São Paulo, Brasiliense, 1984.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. Lisboa, Portugália, 1966.
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe (Com guia de estudo de Rosemary O'Day). Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1979.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social; Discurso sobre a origem e o.s fundamentos da desigualdade entre os homens e outros. Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1973.
Questão:
Utilizando-se dos seus conhecimentos anteriores (prática profissional e leituras) estabeleça uma relação entre cultura, ideologia e poder no cenário da constituição e prática da educação formal no Brasil.

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