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TRAB TRIBUTARIO UNID 02

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Entes da Federação (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), a atualização dos tributos em espécie, a materialização normativa de direitos dos contribuintes, como, por exemplo, a impossibilidade de sanções políticas para a cobrança de tributos e a exclusão do nosso ordenamento daqueles tributos pouco utilizados ou sequer instituídos com destaque ao polêmico IGF, existente em nosso ordenamento jurídico desde a promulgação da atual Constituição em 1988, mas ainda não implementado devido a dificuldade que o Congresso ainda tem em relação a sua regulamentação prática, mais especificamente no que tange ao seu critério material, uma vez que ainda não se chegou a um consenso sobre o que seria para a Lei uma grande fortuna, isso sem falar na insegurança que a instituição de tal imposto geraria principalmente para os grandes contribuintes que, certamente, para se livrarem da tributação poderiam ocultar patrimônio, o que ensejaria em uma evasão fiscal, com reflexos, inclusive, no próprio Imposto de Renda. De fato, a reforma tributária tem sido um dos temas mais discutidos nos últimos tempos pela doutrina, pois refletirá em as áreas produtivas, nos entes tributantes e também, é claro, nos próprios contribuintes. De outro lado, o impacto que a mesma causaria em nossa sociedade dependeria exclusivamente do tamanho das alterações implementadas após o final de todo o processo legislativo, donde se conclui que um evento dessa magnitude não acontecerá tão cedo. Nota-se certo consenso entre governo e setor privado acerca das mudanças substanciais às quais o sistema de tributação nacional carece sofrer, contudo parece que a consensualidade entre esses dois atores da sociedade morre aí. Os objetivos a serem alcançados são, de certo modo, conflitantes ou incompatíveis, pois cada grupo tem concepções distintas sobre o que deve ser implementado e/ou modificado, mas apesar disso, vê-se crescer a cada dia um inconformismo generalizado com a falta de resolução desse impasse. Entretanto necessário se faz destacar que, em meio a esse longo e conflituoso debate, poucos têm buscado uma compreensão mais técnica e isenta acerca do tema.
Entrevista – Tema: Direito Tributário – Impostos em espécie
Entrevistado: Dr. Lício Bastos Silva Neto, OAB/BA. 17.392. Advogado atuante na área tributária empresarial e pós-graduado em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) 
Qual sua visão, de uma maneira geral, a respeito de nossas espécies de impostos?
O Código Tributário Nacional define como tributo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". De outro lado, o artigo 5º do referido diploma legal menciona explicitamente como espécies de tributos: impostos taxas e contribuições de melhoria.
De outro lado, tais espécies tributárias foram alargadas pela Constituição Federal de 1988 que, ao dispor sobre o do Sistema Tributário Nacional, evidenciou duas novas espécies tributárias: o empréstimo compulsório e as contribuições especiais.
Cada uma das nossas espécies tributárias apresenta características específicas que, em resumo, são estas: 
Impostos: não exige qualquer contraprestação específica, sem necessidade de comprovação da destinação. A aplicação posterior da arrecadação dos impostos será para o custeio da administração e para serviços em benefício de toda a comunidade.
São exemplos de impostos: Imposto sobre a Renda (IR), Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ou Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU). 
 
Taxas: São tributos relacionados com a prestação de algum serviço público, específico e divisível, destinado para um beneficiário identificado ou identificável. O serviço pode ser efetivo ou potencial, considerando-se como potencial o serviço posto à disposição, ainda que não utilizado. 
São exemplos de Taxa: Taxa de Licenciamento Anual de Veículo e Taxa de Limpeza Pública. 
Contribuição de Melhoria – É sempre instituída para restituir parte do custo de obras públicas, através das quais exista uma valorização imobiliária ao contribuinte. Assim sendo, tem uma destinação específica. 
Contribuições especiais – São espécies tributárias também denominadas de especiais ou parafiscais e destinados à arrecadação de recursos específicos para certas áreas de interesse do Poder Público, tanto na Administração direta quanto na indireta. 
Assim sendo, têm destinação certa, sendo recolhida para uma finalidade determinada, sendo que a Constituição Federal prevê três modalidades de contribuições: as interventivas, as corporativas e as sociais.
São exemplos de contribuições sociais: contribuições para a seguridade social (CF, art. 149, para o salário-educação (CF, art. 212, § 5°), para órgãos profissionais como a OAB (CF, art. 149) ou para outros entes de colaboração com o Poder Público, como o SENAI, SESC e o SEBRAE. 
Empréstimos Compulsórios – É um tributo previsto pelo nosso ordenamento jurídico constitucional que somente pode ser criado, excepcionalmente, pela União, nos casos de guerra externa, ou sua iminência; calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender com os recursos orçamentários disponíveis; conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo.
Como o próprio nome já deixa transparecer, a União institui o tributo, cobra de determinado contribuinte, utiliza para auxiliar em determinada situação e, depois, devolve ao contribuinte o valor inicialmente recolhido. 
Verificado as espécies tributárias, em relação aos impostos, os mais comuns, nas esferas são estes: 
Impostos Municipais – São exemplos de impostos instituídos pelos Municípios brasileiros: Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre a Transmissão Inter Vivos (ITBI), Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). 
Impostos Estaduais – São exemplos de impostos instituídos pelos Estados brasileiros e pelo Distrito Federal: Impostos sobre Transmissão Causa Mortis e por Doação de Bens ou Direitos (ITCMD), Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Impostos Federais – São exemplos de impostos instituídos pela União: Imposto sobre Importação (II), Imposto sobre Exportação (IE), Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR, IRPF e IRPJ), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativa a Título ou Valores Imobiliários (IOF) e Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). 
Cada um destas espécies de impostos têm seus critérios materiais, temporais e espaciais, bem como base de cálculo específica, alíquotas variáveis e tipos diferentes de lançamentos. Daí porque, nosso sistema constitucional tributário é um dos mais complexos do mundo. 
 
Em sua opinião, a função extrafiscal de determinados impostos da União tem de fato efeito regulador/auxiliador em nossa economia?
Sem sombra de dúvidas. A função principal do tributo é arrecadatória, ou seja, a pessoa jurídica busca com sua instituição obter receitas para realização das suas atividades. 
Contudo, existem determinados tributos que da função fiscal apresenta, também, uma função extrafiscal que, em poucas palavras, pode ser entendido como uma interferência do Estado no domínio econômico, buscando atingir determinado objetivo que não a simples arrecadação de recursos financeiros. 
Bons exemplos de impostos que podem ter cunho extrafiscal são o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), II (Imposto de Importação) e o IE (Imposto de Exportação). Recentemente temos um exemplo nítido em relação à função extrafiscal do tributo: a redução do IPI dos automóveis.