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TRAB TRIBUTARIO UNID 02

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O governo federal percebeu uma queda na venda dos carros e para fomentar a indústria automobilística, reduziu o valor do IPI sobre tais bens por determinado prazo, abaixando, em consequência, o preço final ao consumidor. As vendas aumentaram, empregos foram mantidos e as indústrias engrenaram suas produções, aquecendo a economia. 
O Imposto de Renda é considerado um instrumento fundamental de redistribuição de rendas. Como especialista, acha que isso de fato acontece?
A nossa Constituição Federal previu, no § 1º do art. 145, que os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, assim entendida como a possibilidade econômica de pagar impostos. Dito em outras palavras, em tese, haveria uma maior incidência para os contribuintes situados nos patamares superiores da pirâmide de rendimentos. 
De outro lado, na mesma Carta Maior, o inciso I do § 2º do seu artigo 153, ao estipular as características gerais do Imposto sobre a Renda, determina que o mesmo será instituído tendo como parâmetros os critérios da universalidade (sem distinção entre contribuintes, independentemente da nacionalidade, sexo, raça, idade ou qualquer outro critério), da generalidade (sem distinção entre diferentes tipos de rendas ou proventos – o imposto é devido inclusive quando resultante de atividades ilícitas) e o da progressividade (tributar com maiores alíquotas quem ganha mais). 
Este último critério (progressividade) tem, justamente, a função social de buscar uma melhor distribuição de renda no país, ou seja, quem ganha mais irá pagar mais imposto e, de modo inverso, quem ganha menos pode até não pagar qualquer valor a título de IR. 
Entre os anos de 1988 e 2009, somente existiam 03 faixas de rendas e este critério não vinha conseguindo ser um instrumento eficaz de redistribuição de rendas, pois somente estas poucas faixas para aplicação de alíquotas não tinham o condão de efetivar tal política. Contudo, a partir de 2010, tal situação começou a melhorar com o advento de 05 faixas de renda para aplicação das alíquotas do IR. Em 2013, eis a tabela: 
	Base de Cálculo em R$ 
	Alíquota % 
	Parcela a Deduzir do Imposto em R$
	Até 1.710,78
	-
	-
	De 1.710,79 até 2.563,91 
	7,5 
	128,31
	De 2.563,92 até 3.418,59
	15
	320,60
	De 3.418,60 até 4.271,59
	22,5 
	577,00
	Acima 4.271,59
	27,5 
	790,58
	Dependentes : R$ 171,97 por Dependente . 
	Vigência a partir de 01/01/2013. 
A despeito de uma melhora na aplicação do critério da progressividade de alíquotas, entendo que deveria existir ainda mais faixas, para que, efetivamente, tal instituto seja aplicado sem sua plenitude. 
Como especialista, qual sua análise quanto a implantação do IGF ainda não ter ocorrido?
O Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), é um imposto existente em nosseo ordenamento jurídico desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, mas ainda não regulamentado e, em consequencia, implementado. Pelo Texto Maior, trata-se de um imposto federal que tem como critério material da Regra Matriz de Incidência Tributária as “grandes fortunas”. Dito em outras palavras, somente será tributado quem tiver uma grande fortuna. 
Entendo que tal tributo ainda não foi aprovado pela dificuldade que o Congresso terá em relação a uma regulamentação prática do imposto, principalmente em relação ao seu critério material: o que, para a Lei, será uma grande fortuna? 
De outro lado, a instituição de tal impostos poderia gerar uma insegurança no país, principalmente em relação aos grandes contribuintes. Estes, certamente, para se livrarem do impotos poderiam ocultar patrimônio, o que ensejaria uma evasão fiscal, com reflexos, inclusive, no próprio Imposto de Renda.
A natureza fiscal, parafiscal, e extrafiscal das quais são dotadas nossas espécies de impostos, qualidades estas que, por assim dizer, revelam a “intenção” do Estado ao arrecadar, correm o risco de serem confundidas com a destinação específica a que se atribui, por exemplo contribuições?Por quê? 
Em verdade, os tributos têm funções próprias que podem ser: fiscal, extrafiscal ou parafiscal. Em síntese, assim podemos determinar tais funções: 
Função Fiscal: o objetivo do tributo é a arrecadação de recursos financeiros para o Estado. 
Função Extrafiscal: o objetivo principal para instituição, aumento ou diminuição do tributo é a interferência no domínio econômico, buscando um efeito diverso da simples arrecadação de recursos financeiros. 
Função Parafiscal: o objetivo é a arrecadação de recursos para o custeio de atividades que, em princípio, não integram funções próprias do Estado, mas que este as desenvolve através de entidades específicas.
A título exemplificativo, podemos citar o imposto de renda exercendo função fiscal, as alterações do IPI, como função extrafiscal e por fim, as contribuições anuais pagas pelos profissionais à órgãos como OAB e o CREA, CFC como parafiscal.
De outro lado, entendo que a destinação específica de determinados tributos, como não se confunde com a função extrafiscal ou parafiscal do tributo. Vamos usar como exemplo as Taxas que têm, necessariamente, uma destinação específica, mas não têm o condão de interferir no domínio econômico nem são parafiscais, pois não são destinadas à determinadas atividades. Como exemplificação prática, temos a Taxa de Limpeza Pública instituída pelo Município de Salvador que tem destinação específica (custear o recolhimento de lixo) e só. A mesma não interfere no domínio econômico e nem será destinada para uma categoria específica. 
Há muito que se fala em reforma tributária. Na sua visão, qual seria o impacto desta nas três esferas de governo bem como em suas respectivas competências tributárias?
O nosso Código Tributário Nacional foi instituído pela Lei 5.172 em 1966 e a nossa Lei de Execuções Fiscais (Lei 6.830) foi instituída em 1980, sendo que ambos foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988. Dito em outras palavras, no âmbito do Direito Tributário, os nossos diplomas legais mais importantes não foram promulgados sob a égide da nossa atual Constituição. É bem verdade que ao longo dos anos, através de votações pelo Poder Legislativo, alguns de seus dispositivos foram modificados, mas a estrutura do nosso sistema constitucional tributário é antiga, com quase 50 anos. 
Somente por este estes fatos, tem-se como imprescindível a existência em nosso ordenamento jurídico constitucional tributário de reforma político-econômica que vise a mudança da atual estrutura de legislação de impostos, taxas e outras contribuições vigentes no Brasil. Neste sentido, a discussão deve passar desde a divisão de receitas entre os Entes da Federação (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), a atualização dos tributos em espécie, exclusão do nosso ordenamento daqueles tributos pouco utilizados ou sequer instituídos, a materialização normativa de direitos dos contribuintes, como, por exemplo, a impossibilidade de sanções políticas para a cobrança de tributos. Estes são alguns dos pontos que poderão ser discutidos em uma reforma tributária, dentre diversos outros. 
Daí porque a demora da instituição de tal reforma que se dá em decorrência da sua amplitude e dos diversos assuntos a ela inerentes. De outro lado, o impacto que a mesma causará na nossa sociedade, dependerá, exclusivamente do tamanho das alterações que serão implementadas após o final de todo o processo legislativo que, acredito, não acontecerá tão cedo. 
Como citado anteriormente, a reforma tributária em nosso país, por termos uma legislação de quase cinquenta anos, deve ser bastante discutida e estudada. Daí porque, sem sombra de dúvidas, é um dos assuntos mais abordados pela doutrina, pois trará reflexos em todas as áreas de produtividade, nos Entes Tributantes e nos próprios contribuintes. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Vade Mecum Compacto Saraiva 2013, 9ª Edição.
MACHADO, Hugo