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1 – O QUE E DOENÇA DE KLINEFELTER
Quarta-feira, 02 de Junho de 2010
Síndrome de Huntington
HISTÓRIA
 
A Doença de Huntington (DH) é uma doença hereditária rara degenerativa do cérebro.
Esta doença é também conhecida por Coreia de Huntington devido a movimentos involuntários, como numa dança, que os doentes fazem. Coreia deriva do grego choreia, que significa dança.
 
O nome da doença deve-se ao facto de ter sido o médico americano George Huntington que a descreveu em 1872, tendo sido o primeiro a identificar o padrão hereditário da DH. A sua descrição baseou-se na observação de famílias afectadas pela DH em East Hampton. EUA, onde Huntington residia e trabalhava como médico.
 
Nos últimos anos registou-se um grande desenvolvimento no estudo das causas e efeitos da DH, assim como de terapias e técnicas para lidar e minorar os sintomas da doença. O gene responsável pela doença foi identificado em 1983 e com os progressos alcançados a partir da descodificação do genoma humano existem novas perspectivas e esperança da busca de tratamentos que possam cessar ou até reverter os efeitos da DH, bem como a eliminação da mutação genética que a causa.
 
O estudo do cromossoma, que contem o gene responsável pela DH, permite saber da existência da doença mesmo antes de começarem os sintomas.
 
DH - O QUE É ? 
Os cromossomas contêm genes, que são as unidades básicas da hereditariedade. Um gene é uma sequência de DNA (ácido desoxirribonucleico) que codifica um determinado aminoácido, que por sua vez vai codificar uma proteína quando junto com outros aminoácidos. O DNA é um polímero composto de nucleotídeos em forma de uma dupla hélice. Um nucleotídeo é uma molécula composta por uma base nitrogenada (adenina que faz para com a timina e guanina que faz para com a citosina) ligada a uma molécula de açúcar (desoxirribose) e um grupo fosfato. O DNA armazena a informação genética, que é “traduzida” numa sequência específica de aminoácidos, cada grupo de três elos da cadeia codifica a produção de um dos aminoácidos, os quais são as componentes que constituirão as proteínas. Cada proteína vai “traduzir” uma característica diferente, formando o denominado “código genético”.
 
A hélice do ADN abre-se longitudinalmente quando uma parte desta molécula controla activamente alguma função da célula. Um ramo da hélice aberta fica inactivo enquanto o outro actua como modelo para formar um ramo complementar de ARN (ácido ribonucleico). As bases do ARN ordenam-se na mesma sequência que as bases do ramo inactivo do ADN, com a diferença de que o ARN, em vez de timina, contém uma base denominada uracilo. A cópia do ARN, chamada ARN mensageiro (ARNm), separa-se do ADN, abandona o núcleo, passa ao citoplasma da célula e une-se aos ribossomas, onde tem lugar a biossíntese das proteínas. O ARNm transmite ao ribossoma a informação sobre a sequência de aminoácidos de que necessita para construir uma proteína específica e o ARN transportador (ARNt), um tipo de ARN muito mais pequeno, conduz os aminoácidos ao ribossoma. Cada molécula deste ARN transporta e incorpora um aminoácido à cadeia da proteína que se está a sintetizar.
 
Um gene contém a informação necessária para construir uma proteína. Os genes variam de tamanho segundo o tamanho da proteína e ordenam-se numa sequência específica nos cromossomas. Denomina-se locus a localização de cada gene em particular.
 
Os seres humanos são seres diplóides (2n), isto é, herdam 2 vezes o conjunto de informação genética humano, querendo dizer com isto, que herdam 46 cromossomas, 23 cromossomas do progenitor feminino (n) e 23 do progenitor masculino (n).
 
A DH é uma doença hereditária causada por mutações num gene e pode, portanto, ser transmitida de geração em geração. É também uma doença genética autossómica, isto é, pode afectar ambos os sexos, porque o gene “defeituoso” está localizado num cromossoma não sexual (autossoma ou cromossoma somático). As pessoas afectadas pela DH são, geralmente, heterozigóticas, o que significa que têm duas cópias diferentes do gene: uma cópia normal herdada do progenitor não afectado e uma cópia mutada herdada do progenitor afectado. Quando os 2 progenitores possuem o gene mutado, o que é raríssimo, os filhos podem ser homozigóticos, o que significa que herdaram duas cópias defeituosas do gene (uma cópia de cada um dos pais). A DH é também uma doença genética dominante, pelo que basta um dos cromossomas homólogos conter o gene defeituoso para que o indivíduo herde a doença, sendo a mutação no gene da DH dominante sobre a cópia normal herdada.
 
A probabilidade de transmissão aos filhos (masculino ou feminino) da cópia mutada do gene é de 50 % para cada filho, isto é, se apenas um dos pais for portador do gene da DH, os filhos herdarão um gene normal e terão um risco de 50% de herdar o gene defeituoso do progenitor afectado. No entanto, isto não implica que metade dos filhos herde o gene da DH, mas sim que todos podem herdar ou pode não herdar qualquer deles. Caso ambos os progenitores sejam portadores de uma cópia mutada do gene, o que é extremamente raro, o risco de herdar o gene da DH aumenta para 75%.
 
Como esta mutação é transmitida de pais para filhos, caso os filhos não sejam portadores não transmitirão a doença. É raríssimo haver novas mutações, isto é, aparecer uma mutação deste gene numa família sem qualquer antecedente da doença.
 
O gene que causa a DH localiza-se no braço mais curto do cromossoma 4 (autossoma) e codifica uma proteína chamada huntingtina (Htt), cuja forma alterada provoca a morte das células nervosas (neurónios) em determinadas regiões do cérebro. Neste gene existe uma sequência de três nucleótidos, citosina-adenina-guanina (CAG), que codificam a glutamina (aminoácido que podem ser considerado o “combustível” do organismo e regula o nível de amónio nos tecidos) e se encontra repetida várias vezes (repetição trinucleotídica).
 
Esta sequência tem geralmente menos de 20 repetições e é considerada normal até às 35 vezes, mas num indivíduo portador do gene Huntington existem mais de 36 repetições no gene “defeituoso”.
Quando o gene da DH tem mais de 40 repetições CAG, a forma alterada huntingtina irá, provavelmente, provocar o aparecimento de sintomas.
Verifica-se uma tendência para a mudança de tamanho das repetições de geração em geração. A repetição CAG herdada do pai tem mais probabilidade de aumentar do que de diminuir. Quanto mais elevado é o número de repetições mais cedo se poderão manifestar os sintomas. Um homem portador assintomático (até 39 repetições) pode transmitir aos filhos um maior número, porque parece haver possibilidade de estas aumentarem durante a produção de espermatozóides.
 
A longo prazo o diagnóstico da DH é fatal. O desenvolvimento da doença é gradual e a esperança média de vida, desde a manifestação dos primeiros sintomas, é de 15 a 20 anos, variando de pessoa para pessoa e registando-se casos entre os 2 e os 43 anos.
A doença só se manifesta quando surgem sintomas e o risco de estes aparecerem diminui com a idade.
 
As funções do cérebro, que regulam a locomoção, o pensamento e a fala, deterioram-se gradualmente à medida que as células nervosas são danificadas e morrem. A parte do cérebro mais afectada é o corpo estriado (estrutura de gânglios localizada na região central do cérebro), que controla os movimentos e também está envolvido em processos cognitivos (intelectuais). À medida que a doença progride, ocorre uma destruição do córtex cerebral (massa cinzenta correspondente à camada mais externa do cérebro) que contribui para a deterioração da capacidade cognitiva. De um modo geral, a DH causa atrofia do cérebro inteiro.
 
SINTOMAS
 
Os primeiros sinais podem ser apenas ligeiras alterações de personalidade e de humor, episódios de esquecimento, descoordenação motora e movimentos bruscos aleatórios dos dedos das mãos e pés. Como estes sintomas podem ser causados por diversos factores e surgem lentamente e podem inicialmente ser apenas esporádicos, pode demorar anosaté que a doença seja diagnosticada.
 
Os primeiros sintomas surgem, geralmente, entre os 35 e os 55 anos. Em cerca de 10% dos casos aparecem antes dos 20 anos (DH juvenil) e em 5% só aparecem por volta dos 60 anos. São muito raros os casos em que os sintomas aparecem antes dos 10 anos (DH infantil). Depois dos 70 anos as hipóteses de aparecerem sintomas é muito reduzida, embora se registem alguns casos.
 
Os factores que determinam a manifestação da doença são complexos e continuam a ser investigados. Geralmente quanto maior o número de repetições CAG mais cedo se manifestam os sintomas. Existem, contudo, outros factores que influem na idade de manifestação de sintomas, como outros genes e também factores externos.
 
Os sintomas da DH aparecem, habitualmente, quando existem mais de 40 unidades CAG. Entre 36 e 39, os indivíduos podem ser afectados muito tarde ou mesmo nunca virem a apresentar qualquer sintoma. As repetições muito elevadas são típicas da DH juvenil. Na DH infantil é frequente haver mais de 80 repetições. Nos raríssimos casos de duas cópias mutadas do gene normalmente não se verifica o risco de os sintomas surgirem mais cedo, mas a progressão da doença pode ser mais rápida.
 
Os sintomas da DH podem variar em extensão, gravidade, idade de manifestação e taxa de progressão de pessoa para pessoa, inclusive entre membros da mesma família. Por exemplo, em alguns indivíduos as alterações motoras podem ser mais evidentes na fase inicial e noutros esses sintomas só aparecerem numa fase mais avançada da doença.
 
Quando os sintomas surgem antes dos 20 anos (DH Juvenil), a coreia é menos acentuada mas a lentidão de movimentos e a rigidez é mais notória e a taxa de progressão é mais rápida que nos adultos. Verificam-se grandes mudanças de comportamento, problemas de aprendizagem, diminuição do rendimento escolar e dificuldades na fala, podendo igualmente ocorrer ataques epilépticos.
A DH caracteriza-se por uma combinação de alterações motoras (movimento), comportamentais/emocionais e cognitivas (intelectuais).
 
Sintomas motores
Os primeiros sintomas motores são a Coreia (movimentos involuntários), a lentidão nos movimentos voluntários (bradicinésia) e a contracção muscular prolongada (distonia), que se agravam à medida que a doença progride e afectam claramente a postura, o equilíbrio e o andar. Verificam-se frequentemente anomalias no movimento dos olhos e a fala torna-se gradualmente incompreensível. Surge igualmente dificuldade de deglutição, que se traduz posteriormente em perca de peso e debilidade. A descoordenação é devida ao mau funcionamento de estruturas do cérebro e cerebelo, afectando a força muscular e o equilíbrio (ataxia).
zonas do corpo mais afectadas pela doença
 
Sintomas Emocionais/Comportamentais
As mudanças de personalidade e comportamento são frequentes: depressão, apatia, ansiedade, irritabilidade, explosões de raiva, impulsividade, comportamentos obsessivos-compulsivos e isolamento social. Verificam-se, por vezes, casos de delírio e alucinações. As alterações comportamentais ocorrem quando as amígdalas (situadas nos lobos temporais) não funcionam correctamente.
 
Sintomas Cognitivos / Intelectuais
As perturbações cognitivas (intelectuais) são graduais e envolvem a compreensão, o raciocínio, o julgamento e a memória. O raciocínio torna-se mais lento e verificam-se dificuldades de concentração, organização, planeamento, decisão e resposta a perguntas. Surgem problemas de memória de curto prazo, a redução da capacidade de assimilar e compreender novas informações, bem como de resolver problemas. Estes sintomas são causados por degeneração de células do hipocampo, que se localiza nos lobos temporais e transforma a memória de curto prazo em memória de longo prazo.
Existe uma série de outros sintomas associados: perda de peso, perturbações do sono e incontinência urinária.
 
A progressão da doença tem sido classificada em diversas etapas, conforme as equipas de investigadores da doença, mas basicamente existem três etapas bem distintas que descrevem a evolução da doença.
 
INICIAL: É diagnosticada a doença. O doente pode perfeitamente continuar a fazer a sua vida normal.
 
INTERMÉDIA: A capacidade do doente para desempenhar tarefas do dia a dia começa a reduzir-se, no entanto, continua a poder levar uma vida normal, embora com algumas dificuldades e limitações. Além da medicação deve ser iniciada fisioterapia.
À medida que a doença progride, o doente deixar de poder trabalhar e realizar tarefas domésticas. Começa a ter dificuldade de raciocinar sem ajuda. Na actividade diária pessoal, ainda não está dependente de terceiros, precisando apenas de alguma ajuda. O apoio psicológico e a criação de rotinas é muito importante.
 
AVANÇADA: Nesta fase, o doente já se encontra dependente para executar as suas actividades diárias, mas pode manter-se em casa com a ajuda da família ou de enfermeiros.
Com a evolução da doença e a perda de mobilidade, de memória, a descoordenação de movimentos e impossibilidade de andar e alimentar-se, estes doentes começam, muitas vezes, a tornar-se agressivos e irritados. Necessitam de auxílio para tudo e de assistência constante e de cuidados médicos e de enfermagem permanentes. Nesta fase o doente já não sobrevive sem ajuda externa.
Habitualmente os doentes morrem, não da DH em si, mas de complicações causadas pela doença, como engasgar-se, infecções, traumatismos provocados por quedas, etc.
 
 
Saber que se é portador do gene mutado muda a vida em todos os aspectos. Permite e obriga a tomadas de decisão até aí não prioritárias. Os planos para o futuro têm que ser repensados e definidos em função da possibilidade do aparecimento dos sintomas, porque depois de estes surgirem poderá já não haver possibilidade de alterar ou decidir sobre aspectos do dia a dia. É necessário preparar o local onde reside para facilitar a mobilidade depois dos sintomas aparecerem ou mesmo decidir onde viver. Os temas de carácter financeiro têm que ser resolvidos antes que a doença o impeça. Qualquer decisão quanto a seguros de saúde e de vida, empréstimos bancários, etc., tem que ser tomada de imediato, porque após o aparecimento dos sintomas existirão muitos entraves e custos acrescidos. Planear antecipadamente “como/quem/onde” sobre todos os passos que terão de ser dados após o aparecimento dos sintomas.
 
TRATAMENTO
 
Infelizmente, não existe actualmente nenhum tratamento comprovadamente eficaz no combate às causas da DH. No entanto, o conhecimento sobre a DH tem aumentado muito nos últimos anos. Decorrem diversas investigações para tentar encontrar a causa desta mutação, bem como estudos com o intuito de encontrar tratamentos e/ou medicamentos que possam prevenir ou retardar a progressão da doença. Actualmente, existem diversas estratégias para tratamento em fase de investigação e espera-se que muitos estudos clínicos se iniciem em breve.
 
Dos diversos tratamentos em investigação a nível experimental para impedir a progressão dos danos cerebrais, destaca-se o implante de células estaminais como tentativa de recuperação/substituição das células mortas (neurónios). Em alguns casos conseguiu-se que esses tecidos aumentassem e que as zonas afectadas diminuíssem, no entanto, não se conseguiu evitar a progressão da doença noutras regiões do cérebro, embora os sintomas motores e intelectuais tenham diminuído. Verificaram-se igualmente casos de rejeição e de morte dos tecidos implantados, sendo necessária muito mais investigação e experiências até que se possam encontrar soluções satisfatórias e definitivas aplicáveis aos doentes.
 
O uso de antioxidantes como a coenzima Q10 e o tocoferol, de suplementos nutricionais como a creatina e a nicotinamida, além de restrição nutricional de ferro ou uso de quelantes de ferro, ajudam na prevenção da neurodegeneração.
 
Foram igualmente feitas experiências, em animais, com injecções de cistamina e que resultaram numa melhoria dos sintomas de coreia e no prolongamento da esperança devida em 20%.
 
Em 2000, pesquisadores de Harvard trataram ratos com o antibiótico minociclina, que demonstrou ter efeito no bloqueio da produção de algumas enzimas, chamadas caspases e que levam as células cerebrais a cometerem suicídio. As experiências demonstraram um aumento da esperança de vida e um bloqueio na produção de 3 enzimas que parecem estar envolvidas na progressão da doença de Huntington: caspase-1, caspase-3 e a sintase induzida de óxido nítrico (iNOS). O bloqueio da iNOS permitiu descobrir mais uma parte do mecanismo causador da doença e eventualmente mais uma hipótese a desenvolver para deter a progressão da DH.
 
Experiências, com ratos, evidenciaram que a libertação inapropriada de cálcio conduz à degeneração dos neurónios e que a utilização da enoxaparina previne e evita a morte das células. Nesse estudo verificou-se que a parte da célula nervosa que cria energia (mitocondria) liberta uma proteína através do poro (citocromo c) antes de morrer e que alguns antidepressivos (nortriptylina e desipramina) e um antipsicótico (trifluoperazina) bloqueiam o poro e impedem a morte das células nervosas. [1]
 
Apesar de, presentemente, não haver cura para a DH, existem diversos tratamentos que ajudam a controlar os sintomas da doença (tratamentos sintomáticos) e a melhorar a qualidade de vida. Existem tratamentos farmacológicos (à base de medicamentos) e não-farmacológicos.
Os tratamentos não-farmacológicos, como a psicoterapia, a fisioterapia, a terapia respiratória, a terapia da fala, a terapia cognitiva e a nutricional, podem melhorar tanto os sintomas físicos como os psicológicos da doença. Estas terapias têm proporcionado melhoras no estado de ânimo, coordenação motora, articulação da fala, equilíbrio, deglutição e na marcha. É também muito importante a intervenção de psicólogos, que possam ajudar os doentes e famílias a lidar com a doença a nível psicológico, sobretudo porque é extraordinariamente difícil “assimilar” um diagnóstico tão deprimente. Todas estas terapias combinadas permitem delinear estratégias que possam ter um impacto positivo durante a vida destes doentes.
 
Os tratamentos farmacológicos compreendem todos os medicamentos usados para tratar os sintomas da DH. Existem diferentes opções de medicamentos para tratamento dos sintomas incapacitantes como; antipsicóticos contra a Coreia e bradicinésia; antidepressivos contra a irritabilidade, apatia, depressão e outras perturbações do humor; ansiolíticos (tranquilizantes) contra a ansiedade e hipnóticos contra a insónia.
Muitos medicamentos podem causar efeitos secundários e alguns podem interagir com outros, por isso a mesma medicação pode ter efeitos distintos em pessoas diferentes. A medicação tem que ser determinada individualmente por um especialista, de acordo com os sintomas e respostas ao tratamento.
 
As dietas ricas em vitaminas, coenzimas e outras substâncias (por exemplo creatina, coenzima Q10 e ácido eicosapentanóico) têm sido muito discutidas mas não estão comprovadas cientificamente. Nos estádios avançados da doença, a perda de peso pode ser um problema e uma dieta rica em calorias pode tornar-se necessária, pelo que deve ser consultado um nutricionista.
 
Em Setembro de 2008, realizou-se, pela primeira vez em Portugal, a Conferência Europeia sobre a Doença de Huntington, da EHDN. Onde, Jorge Sequeiros, Group Leader da Unidade de Investigação Genética e Epidemiológica em Doenças Neurológicas do Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto, informou que a DH já atinge 340 famílias portuguesas, num total de cerca de 1.200 doentes. Nesta reunião foram abordadas todos os problemas relacionados com a doença, nomeadamente a necessidade de assistência especializada para apoio de doentes e familiares, uma vez que “se trata de uma doença particularmente incapacitante, que implica graves encargos financeiros para as respectivas famílias, não só ao nível dos tratamentos que servem para amenizar a doença mas também no que diz respeito a assistência permanente necessária para o doente”.
 
ORGANISMOS DE APOIO 
Existem várias organizações que oferecem ajuda a pessoas e famílias afectadas pela DH.
Em Portugal existem, por exemplo, a Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, criada em 2001 e reconhecida pela Segurança Social. A APDH tem como objectivo principal localizar dar apoio e orientação às famílias portadoras de DH e também: tornar conhecida a doença; aproximar portadores, familiares e pessoas envolvidas para troca de experiências e ajuda mútua; formar e orientar núcleos de apoio regionais; estimular pesquisas e formação de profissionais da saúde com conhecimento sobre a DH e conseguir dos órgãos de saúde pública, atendimento médico especializado. Os seus membros são voluntários e os seus programas são financiadas por contribuições de sócios e doações. A APDH é filiada na Internacional Huntington Association - IHA e na European Huntington Association - EHA de onde recebe orientação e informação sobre os progressos da pesquisa científica e faz também parte da Rede Europeia EHDN.
 
O European Huntington’s Disease Network/Grupo Europeu da Doença de Huntington (EHDN/GEDH), tem como objectivos manter uma plataforma para facilitar o trabalho conjunto em toda a Europa, facilitando os estudos e ensaios terapêuticos. O site na Internet fornece, na língua de cada País, além de toda a informação disponível sobre a doença, os contactos do coordenador para cada País e os locais referenciados e respectivos contactos onde existem consultas e estudos, bem como toda a informação para a marcação de consultas. No site estão igualmente indicadas as organizações que podem ser contactadas em cada País. A EHDN tem o maior estudo europeu sobre a DH, o Registry, a que se pode aceder através dos centros indicados no site.
 
ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM A DOENÇA 
As estratégias para lidar com a DH têm que ser elaboradas individualmente, dependendo da pessoa afectada, do estádio da doença e do contexto familiar. A DH manifesta-se muito gradualmente, o que permite um maior período de adaptação às mudanças causadas pela doença e uma melhor compreensão dos sintomas comportamentais e cognitivos. Convém que não só o doente mas também todos os que com ele vão lidar mais de perto se informem sobre a doença e procurem apoio especializado. A nível mundial, a DH afecta 8 a 12 em cada 100 mil pessoas.
 
“DICAS” PARA AJUDAR DOENTES SINTOMÁTICOS DH 
Além dos conselhos e orientação da equipa médica e de terapeutas, podem ser adoptadas condutas que ajudem os doentes na sua vida diária, por forma a que se consiga minorar um pouco o impacto negativo da doença e permitir aos doentes sentirem-se minimamente integrados.[2]
 
Comunicação:
Dar bastante tempo para responder a perguntas.
Dar sugestões e lembretes para estimular a pessoa a começar.
Oferecer uma lista de opções para ajudar a escolha. Em vez de perguntar "o que quer para o jantar?" perguntar "prefere hamburguer ou bife?"
Dividir as tarefas ou instruções em pequenos passos.
Se a pessoa estiver confusa, deve falar-se de forma mais simples, utilizando artifícios visuais para demonstrar o que se quer dizer.
Pedir, com calma, à pessoa para repetir as frases/palavras ou mesmo soletrar.
Utilização de abecedário em cartolina, cartões de resposta do tipo sim/não ou outros dispositivos de comunicação.
 
Decisões e Memória:
Elaborar rotinas que possam ser mais fáceis de iniciar e continuar sozinho. Manter as actividades diárias de acordo com a rotina elaborada.
Fazer listas que ajudem a organizar todas as tarefas necessárias numa actividade.
Oferecer escolhas limitadas e evitar perguntas subjectivas.
Propor sugestões para ajudar na recuperação de informação.
 
Impulsividade:
Um determinado comportamento pode ser uma resposta a algo que precisa de atenção. Não se devem tirar conclusões precipitadas porque o doente pode não estar exaltado, mas sim a tentar pedir ajuda.
Manter sempre a calma. Isto ajudará a permanecer capaz de pensar e não reagir emocionale impulsivamente. Além disso, mantendo a calma, poderá ajudar o doente a ficar mais tranquilo.
Dizer à pessoa que gritar não é o melhor modo de obter atenção e indicar-lhe alternativas.
 
Diminuir a irritabilidade e conter as explosões de temperamento:
Verificar as suas próprias expectativas relativas ao doente. Os familiares estão, por vezes, pouco dispostos ou impossibilitados de aceitar as novas limitações da pessoa.
Tentar manter o ambiente o mais calmo, estruturado e controlado possível.
Falar em voz baixa e suave. Evitar confrontações e ultimatos. Manter as mãos quietas. Não fazer grandes gestos.
Tentar identificar as circunstâncias que despoletem irritabilidade e explosões de temperamento e evitá-las.
Aprender a responder diplomaticamente, reconhecendo a irritabilidade do paciente como um sintoma de frustração ao lidar com a inconsciência ou por se aperceber da situação.
A família e os grupos de apoio podem ser valiosos no apoio emocional e podem ser excelentes meios para aprender e compartilhar as estratégias efectivas.
 
Apatia:
Usar calendários, horários e rotinas para manter a pessoa ocupada.
Não interpretar a falta de actividade como " preguiça ".
Os doentes podem ser não conseguir iniciar actividades, mas podem participar se encorajados por outros.
Dar sugestões sobre o comportamento, mas aceitar o "não" como resposta.
 
TESTES DE DIAGNÓSTICO
 
Se existirem sintomas deve ser feito um diagnóstico clínico e um teste genético.
Caso não se manifestem sintomas mas exista historial de DH na família deve ser feito um teste genético, porque o indivíduo pode ser um portador pré-sintomático do gene. Este teste permite determinar se um indivíduo tem “predisposição” genética para desenvolver uma determinada doença e/ou se é portador de defeito genético. Por vezes é difícil estabelecer uma história familiar, porque os pais da pessoa afectada podem ter morrido antes de terem sintomas da doença, mas serem portadores.
 
O teste genético é feito em clínicas genéticas especializadas, através da recolha de sangue e posterior análise do DNA. Este teste determina o tamanho da repetição CAG do gene da DH e, portanto, detecta a mutação. O teste pode revelar se um indivíduo é portador da mutação da DH, mas não indica quando e se a doença se irá manifestar.
 
Existem quatro tipos diferentes de resultados: abaixo de 27 repetições CAG é normal; entre 27 e 35 repetições é também normal, mas existe um pequeno risco de que ela aumente em gerações futuras; entre 36 e 39 repetições o resultado não é normal, mas existe a hipótese do indivíduo vir a ter sintomas muito tarde ou até mesmo nunca os ter; acima de 40 repetições o gene é sem dúvida defeituoso e a possibilidade de surgirem sintomas é mais elevada.
 
As técnicas genéticas actualmente disponíveis permitem fazer o teste em fetos (dignóstico pré-natal), contudo, este tipo de teste depende dos critérios médicos e legais de cada país. Existem dois tipos de procedimento para o diagnóstico pré-natal: a amniosintése, que é um método no qual se colhe fluido amniótico contendo células do feto, através de uma agulha, normalmente depois da 14ª semana de gestação e a biópsia do córion, isto é, a colheita de tecido da placenta e que pode ser feita entre a 9ª e a 12ª semana de gestação, no entanto, esta técnica tem mais riscos para o feto.
 
Embora viver com a informação de que se pertence ao grupo de risco da DH seja preocupante e traumático, é aconselhável estar preparado, informado e em alerta. Se houver conhecimento de antecedentes, por parte dos médicos, evitar-se-ão demoras no diagnóstico e haverá uma actuação mais rápida no tratamento dos sintomas.
 
Convém que pelo menos os familiares mais directos sejam informados visto que estes doentes precisam de grande apoio físico e emocional. Se as pessoas não tiverem conhecimento da doença poderão não entender as alterações físicas e comportamentais e ignorar ou mesmo “gozar” com o doente. Por outro lado, o doente pode não se sentir à vontade para revelar a doença ou sentir-se “diminuído”. É, por isso, muito complexo aconselhar alguém a partilhar esse tipo de informação, porque as reacções variam de indivíduo para indivíduo, sendo aconselhável o apoio de uma equipa multidisciplinar (médicos, psicólogos, terapeutas) desde o início.
 
No entanto, a partilha de informação pode ajudar na detecção de outros casos prováveis entre os familiares directos e permitir tomar algumas medidas e decisões atempadamente. O conhecimento da existência de DH na família permitirá  um estudo genético antes de ter filhos e evitar que esses venham a sofrer da doença.
 
Existem métodos genéticos para que filhos de portadores do gene mutado da DH, independentemente de ser o homem ou a mulher, não o venham a herdar, nomeadamente, através do diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) combinado com a fertilização in vitro (FIV). Os embriões são examinados antes da implantação no útero, sendo apenas implantados os que são portadores de cópias normais do gene. No entanto, este método só pode ser utilizado em países que o permitam.
 
A DH pode afectar pessoas de todos os grupos étnicos, mas é mais comum entre europeus e seus descendentes, sendo a sua incidência praticamente a mesma tanto na Europa como em países com predominância de origem europeia como os EUA, Canadá e Austrália.
 
CURIOSIDADES 
 
O doente de Huntington mais famoso foi Woody Guthrie, famoso cantor e compositor de folk, falecido em 1967, aos 55 anos. Depois da sua morte, a viúva fundou a 1ª associação de DH no mundo.
O médico que o tratou nos últimos anos de vida  (Whittier)
escreveu “faziam-se autópsias nos cérebros das vítimas da doença
e certificava-se que estavam enormemente diminuídos como ‘melões podres’”. (Texto extraído e traduzido da biografia de Woody Guthrie, publicada em 1980).
 
 
OBSERVAÇÕES
 
No caso da doença de Huntington, não houve necessidade de pesquisar muitos sites, uma vez que tanto o site da Associação Portuguesa de Doentes de Huntington (APDH), como o da European Huntington’s Disease Network (EHDN) dispõem de muita informação. O que foi difícil foi a pesquisa de tratamentos, não para os sintomas, mas para a própria doença. Neste último caso os artigos estavam escritos em termos demasiado técnicos ou em inglês o que dificultava ou impossibilitava, por vezes, a sua compreensão.
[1] Relativamente a tratamentos específicos, que não aqueles que tratam apenas os sintomas, existem diversos em investigação e experiência. No entanto, os artigos que os abordam são extremamente complexos e técnicos para que se possa tratar essa informação e inclui-la neste trabalho. A maioria dos artigos exigem conhecimentos científicos e/ou médicos para serem entendidos.
2- HERANÇA AUTOSSOMICA
Herança Autossômica Recessiva: 
São necessários dois genes com defeito, um do pai e um da mãe para que a pessoa tenha a doença, como ilustrada abaixo. A maioria das doenças metabólicas hereditárias é herdada desta forma, ou seja, é necessário que o pai e a mãe carreguem o mesmo gene com defeito, por esta razão os casamentos entre parentes têm uma maior chance de ter filhos ou filhas com doenças recessivas. 
O risco de ter um outro filho ou filha com uma doença recessiva é de 25%, uma chance em quatro, à cada gestação desse casal.
Se um indivíduo (homem ou mulher) portador de uma doença recessiva (aa), como a Doença de Gaucher for ter filhos com uma pessoa que não tem nenhum gene para a doença (AA) todos os filhos e filhas serão normais(Aa). Porém, se a pessoa afetada for ter filhos com uma pessoa que é normal, mais carrega o gene da doença (Aa), os dois tem um risco de 50% a cada gestação de ter filhos ou filhas com a doença. Por esta razão, é importante evitar casamento consangüíneo (entre parentes) e entre portadores da mesma doença. É aconselhável fazer um estudo da mutação da doença (análise DNA) antes de um afetado ter filhos com uma pessoa normal. 
Herança Ligada ao X: 
Quando o gene alterado está no cromossomo X.Este tipo de herança pode ser recessiva, ou seja, as manifestações vão estar presentes nos homens porque eles têm apenas um cromossomo X, ou seja, não têm nenhum gene normal para aquela característica e nas mulheres quando existe alguma manifestação clínica em geral é mais leve. É exemplo desse tipo de herança a doença de Fabry. 
É descrita a herança ligada ao X dominante, ou seja, um gene alterado é suficiente para determinar a doença, em geral as mulheres são gravemente afetadas e para os homens a doença pode ser letal, pela ausência de um gene normal daquele par. É provavelmente exemplo desse tipo de herança a síndrome de Rett. 
O risco de um filho ser afetado quando sua mãe carrega um gene alterado em um de seus cromossomos X é de 50% e das filhas é também 50% de serem potadoras do gene com defeito e consequentemente passar a seus filhos e filhas. 
Herança Dominante: 
A presença de um gene do par alterado é suficiente para aparecer a doença. É exemplo desse tipo de herança a hipercolesterolemia familiar, que é a doença metabólica hereditária mais freqüente. O risco de um filho ou filha ser afetado se um dos pais carrega um gene dominante é de 50% à cada gestação.
3 - A. Trissomia livre ou simples – Os óvulos e os espermatozóides formam-se a partir de células que, ao se dividirem, seus 46 cromossomos se separam: 23 seguem para uma célula, e seus pares correspondentes seguem para outra. Por isso, cada uma possui 23 cromossomos. No entanto, às vezes essa divisão e separação dos pares de cromossomos não ocorre da maneira correta, ou seja, um dos pares de cromossomo (no nosso caso o par 21) não se separa e os dois cromossomos 21 permanecem unidos e ficam em uma das células (óvulo ou espermatozóide) divididas. Acontece, nesse caso, o que os técnicos chamam de “não-disjunção” ou “não-separação”. Assim, essa célula fica com 24 cromossomos, dois dos quais do par 21, e, ao se unir a outra célula embrionária comum, com 23 cromossomos, a nova célula, resultante da fusão no momento da concepção, terá 47 cromossomos, três dos quais 21. A partir desta, serão originadas todas as demais células do novo organismo, que igualmente possuirão 47 cromossomos.
Esta é a forma mais comum ou frequente da síndrome de Down. Noventa e cinco por cento das pessoas com síndrome de Down possuem a trissomia simples: 47 cromossomos, dos quais três completos correspondem ao par 21.
A translocação Robertsoniana é uma forma comum de rearranjo cromossómico. Ocorre nos cinco pares de cromossomas humanos que são acrocêntricos: 13, 14, 15, 21 e 22.
Recebe este nome do geneticista norte-americano W. R. B. Robertson, que foi o primeiro a observar este processo em gafanhotos, no ano de 1916.
Ver artigo principal: Translocação cromossômica
As translocações ocorrem quando uma parte de um cromossomo se separa do mesmo e se liga a uma parte de um outro cromossomo não homólogo. Pode ser de dois tipos:
Simples: Quando só um cromossomo "perde" uma parte para um outro não homólogo.
Recíproca: Os segmentos são trocados entre dois cromossomos não homólogos.
Um isocromossomo é um cromossomo que perdeu um de seus braços e o substituiu com uma cópia exata do seu outro braço. São às vezes observados em algumas meninas com a Síndrome de Turner ou em células de tumor. Isocromossomos também podem ser encontrados em uma pequena proporção de pacientes com Síndrome de Down (trissomia do 21). Nesse caso, ocorre uma translocação do tipo 21q21q, formando um cromossomo composto de dois braços longos do cromossomo 21.
Apesar de não ser conhecido ao certo como é realizada a formação do isocromossomo, documentaram-se dois tipos de mecanismos: erro na divisão através do centrômero na meiose II e translocação de um braço de um cromossomo para seu homólogo na borda proximal do outro braço, adjacente ao centrômero.
Isocromossomo é o cromossomo que se forma quando a divisão dos centrômeros dá-se transversalmente, quando deveria ocorrer longitudinalmente. Forma-se então uma cromátide somente com braços curtos e outra somente com braços longos.
	4 – EXTRUTURA DO CROMOSSOMO
Os telômeros são complexos DNA-proteína encontrados nas extremidades dos cromossomos lineares, que os protegem da degradação, da recombinação e da fusão robertsoniana, estabilizando-os (2,3). Devido à observação de que seu tamanho regride ao longo das duplicações celulares até um tamanho mínimo que interrompe a proliferação celular, criou-se a hipótese de que o telômero funcionaria como um relógio celular e seria um dos fatores responsáveis pela senescência (10). 
Posteriormente foi descoberta uma enzima, a telomerase, capaz de resolver o problema de encurtamento do telômero, catalisando a formação de mais DNA telomérico (12). Observou-se que esta enzima não possuía atividade detectável na maioria das células somáticas, mas que em cerca 85% das células germinativas e tumorais sua atividade era intensa, e proporcionava a manutenção do tamanho dos telômeros (7,12). Criou-se então a expectativa de que a telomerase seria capaz de atrasar o relógio telomérico e que, se utilizada na medida certa, poderia tornar-se a fonte da juventude. 
O centrômero (português brasileiro) ou centrómero (português europeu) é a região mais condensada do cromossomo, normalmente no meio deste, onde as cromátides-irmãs entram em contato. Pode ser categorizado como parte da heterocromatina, visto corresponder a uma região de DNA inactiva — ou seja, os genes não têm actividade e não se expressam (não são transcritos, traduzidos, etc.). Está envolvido na divisão celular mediante o fuso mitótico.
O centrômero recebe denominações diferentes dependendo da sua posição nos cromossomos:
metacêntrico - quando o centrômero está localizado exatamente no meio do cromossomo;
submetacêntrico - quando ele está "um pouco" afastado do centro (e, em cada cromátide, os braços têm tamanhos diferentes);
acrocêntrico - quando o centrômero está mais próximo das extremidades do que do centro (mas não nas extremidades de uma cromátide). Os cromossomas acrocênticos humanos são: 13, 14, 15, 21 e 22.
telocêntrico - quando ele está numa das extremidades do cromossomo.
acêntrico- quando ele esta numa das extremidades e não possui mais genes acima deles sendo portando a extremidade final do cromossomo
Os telômeros (português brasileiro) ou telómeros (português europeu) (do grego telos, final, e meros, parte) são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Sua principal função é manter a estabilidade estrutural do cromossoma. Os telómeros estão presentes principalmente em células eucarióticas, visto que o DNA das células procarióticas forma cadeias circulares, logo não tem locais de terminação, embora existam exceções como: bactérias com DNA linear e que possuem telómeros.
Cada vez que a célula se divide, os telómeros são ligeiramente encurtados. Como estes não se regeneram, chega a um ponto em que não permitem mais a correta replicação dos cromossomos e a célula perde completa ou parcialmente a sua capacidade de divisão. O encurtamento dos telómeros também pode eliminar certos genes que são indispensáveis à sobrevivência da célula ou silenciar genes próximos. Como o processo de renovação celular não tolera a morte das células antes da divisão correta das mesmas, o organismo tende a morrer num curto prazo de tempo no momento em que seus telómeros se esgotam.
Os telómeros funcionam como um protetor para os cromossomas, assegurando que a informação genética (DNA) relevante seja perfeitamente copiada quando a célula se duplica. Os telómeros também protegem os cromossomas, de uma forma geral, da degradação, da recombinação e da translocação robertsoniana.
Os telómeros foram identificados pela primeira vez por Hermann Joseph Muller, na década de 30 do século XX. Mais tarde, em 1965, Leonard Hayflick fez a primeira observação direta do fenómeno de morte celular sem pré-replicação. Em homenagem ao cientista, o comprimento mínimo que os telômerospodem alcançar antes de causar problemas à divisão celular passou a ser chamado de Limite de Hayflick.
Cinetócoro é uma espécie de "disco de proteínas", localizado no centrômero. É um complexo proteico do centrómero que medeia a ligação dos cromossomas ao microtúblo cinetocoro, promovendo a captura e o transporte dos cromossomas.
Cinetócoro é uma espécie de "disco de proteínas", localizado no centrômero. É um complexo proteico do centrómero que medeia a ligação dos cromossomas ao microtúblo cinetocoro, promovendo a captura e o transporte dos cromossomas.
Existem dois cinetocoros em cada célula, sendo constituída por três camadas - uma placa externa, que forma uma interface entre os microtúbulos e o cromossoma; uma placa interna que contacta com a heterocromatina; e uma camada fibrosa constituída por proteínas motoras da família das dineínas.
Tem como funções: prender e ligar o terminal dos microtúbulos aos cromossomas; gerar força suficiente para mover os cromossomas ao longo dos microtúbulos; regular a separação dos cromossomas e a sua translação para os pólos opostos da célula.
Formado no final da prófase na região do centrômero, o cinetócoro tem a função de consumir a tubulina já no final da divisão celular (mais especificamente na anáfase. Na prófase formam-se dois cinetócoros na região do centrômero, em direções opostas e um para cada cromátide. Já na metáfase eles se ligam às fibras do fuso provenientes dos pólos opostos da célula. Com auxílio de uma "proteína motora" o cinetócoro (juntamente com as cromátides) consome a tubulina proveniente dos pólos opostos encurtando o fuso acromático, permitindo assim a divisão.
"A tubulina se despolimeriza nos cinetócoros,encurtando o microtúbulo e assim separando as cromátides irmãs. Depois as cromátides irmãs são mais separadas pela ação de proteínas motoras moleculares que atuam em outro conjunto de microtúbulos não conectados ao cinetócoro, mas que ocorrem de pólo a pólo".[1]
O satélite ou zona SAT é uma região do cromossoma formada pela constrição secundária, que une o braço do cromossomo ao satélite. A zona SAT é a responsável pela reorganização do nucléolo ao final da divisão celular, durante a telófase. O nucléolo, formado por RNAr e proteínas, , desaparece durante a divisão.
5 - DOENÇAS MONOGENICAS
Doenças monogênicas. São doenças hereditárias produzidas pela mutação ou alteração na sequência de DNA de um gene sozinho. Também se chamam doenças hereditarias mendelianas, por se transmitir na descendência segundo as leis de Mendel.
São doenças hereditárias produzidas pela mutação ou alteração na sequência de DNA de um gene sozinho. Também se chamam doenças hereditarias mendelianas, por se transmitir na descendência segundo as leis de Mendel. Conhecem-se mais de 6000 doenças hereditárias monogénicas, com uma prevalencia de um caso por cada 200 nascimentos. Exemplos de doenças monogênicas são:
Anemia falciforme. (ou depranocitose)
Fibrose cística.
Doença de Batten.
Doença de Huntington (cromossoma 4).
Síndrome de Marfan.
Hemocromatose.
Deficiência de alfa-1 antitripsina.
Distrofia muscular de Duchenne.
Síndrome do X Frágil.
Hemofilia A.
Fenilcetonúria.
As doenças monogênicas transmitem-se segundo os padrões hereditários mendelianos como:
Doença autossômica recessiva. Para que a doença se manifeste, precisa-se de duas cópias do gene mutado no genoma da pessoa afetada, cujos pais normalmente não manifestam a doença, mas portam cada um uma cópia do gene mutado, pelo que podem o transmitir à descendencia. A probabilidade de ter um filho afetado por uma doença autossômica recessiva entre duas pessoas portadoras de uma só cópia do gene mutado (que não manifestam a doença) é de 25%.
Doença autossômica dominante. Só se precisa uma cópia mutada do gene para que a pessoa esteja afectada por uma doença autossômica dominante. Normalmente um dos dois progenitores de uma pessoa afetada manifesta a doença e estes progenitores têm 50% de probabilidade de transmitir o gene mutado a seu descendente, que manifestará a doença.
Doença ligada ao cromossomo X. O gene mutado localiza-se no cromossomo X. Estas doenças podem transmitir-se por sua vez de forma dominante ou recessiva.
7 – CARACTERISTICAS DOMINANTES
É o caráter resultante da presença de um gene que, mesmo sozinho, em dose simples ou heterozigose, encobre a manifestação de outro (chamado de recessivo). 
Exemplo: no homem existe um gene normal para a pigmentação da pele que domina o gene para a ausência de pigmentação (albinismo). Representamos, pois, esse caráter por A (gene normal) e por a (gene para albinismo). 
Um indivíduo Aa terá um fenótipo normal porque o gene A domina o gene a. Entretanto, esse indivíduo irá transmitir para alguns dos seus descendentes o gene a, podendo ter filhos ou netos albinos. 
Genes Dominantes e Recessivos
Os genes são partículas diminutas que contém material genético (DNA, ácido dioxirribonucleico) e produzem proteínas responsáveis pela determinação e transmissão dos caracteres hereditários.
Dessa maneira, os genes podem expressar categorias genéticas distintas, ou seja, características dominantes, expressa pelos seres homozigotos (AA) e heterozigotos (Aa), e as características recessivas encontrado somente nos homozigotos (aa).
Genes Alelos
Importante frisar que os genes alelos são segmentos de DNA (ácido desoxirribonucleico) constituídos de pares, um deles é proveniente da mãe (óvulo) e outro do pai (espermatozoide), os quais se encontram no mesmo lócus nos cromossomos homólogos. São classificados em:
Genes Alelos Recessivos: representados por letras minúsculas (aa, bb, vv) donde os fenótipos são expressos somente em homozigose
Genes Alelos Dominantes: representados por letras maiúsculas (AA, BB, VV) e expressos fenotipicamente em heterozigose.
Quando os genes alelos são iguais denomina-se "homozigotos" e quando diferentes, "heterozigotos".
Genes Dominantes
Os genes dominantes são aqueles que determinam uma característica hereditária, mesmo quando em dose simples nos genótipo, ou seja, determina seu caráter mesmo na ausência de seu alelo dominante. Assim, são classificados em dominante homozigoto (puro), representado pelas letras maiúsculas, AA, BB, VV e o dominante heterozigoto (híbrido) expresso por uma letra maiúscula e uma minúscula Aa, Bb, Vv.
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Genes Recessivos
Os genes recessivos produzem proteínas consideradas “defeituosas”, na medida que eles se tornam inativos, ou seja, ficam escondidos (recessivos) com a presença de um gene dominante manifestando suas características na ausência de seu alelo dominante. São representados por letras minúsculas, aa, bb e vv e diferentemente dos dominantes, expressam seu caráter somente em dose dupla, ou seja, recessivo homozigoto (puro).
Características Dominantes
Algumas características expressas nos genes alelos dominantes:
Nariz aquilino
Lobo da orelha deslocado
Queixo com covinha e prógnato
Lábios grossos
Cabelo escuro
Calvície
Olhos escuros
Capacidade de enrolar a língua
Dedo mindinho curvado
Polegar curvado
Doenças Relacionadas aos Genes Dominantes
Algumas doenças relacionadas aos genes alelos dominantes:
Polidactilia
Doença de Huntington
Doença de von Hippel
Características Recessivas
Algumas características expressas nos genes alelos recessivos:
Nariz reto
Lobo da orelha colado
Queixo sem covinha e reto
Lábios Finos
Cabelo louro e ruivo
Olhos azuis
Não possui a capacidade de enrolar a língua
Dedo mindinho reto
Polegar reto
Canhoto
Tipo Sanguíneo Negativo
Doenças Relacionadas aos Genes Recessivos
Algumas doenças relacionadas aos genes alelos recessivos:
Daltonismo
Albinismo
Miopia
Hemofilia
9 – CITOGENETICA
A citogenética é a ciência que estuda a constituição genética da célula através dos cromossomos. Cromossomos são as estruturas formadas durante a divisão celular que levam a informação genética de um indivíduo. A organização dos cromossomos aos pares através da identificação individualizada constitui o cariograma ou cariótipo.Na genética, uma translocação cromossômica é uma anomalia cromossômica causada pelo rearranjo de partes entre cromossomos não-homólogos. Um gene de fusão pode ser criado quando a translocação se une a outros dois genes separadas, um evento que é comum no câncer. Isto é detectado na citogenética ou em um cariótipo das células afetadas.
Existem dois tipos principais de translocação cromossômica:
translocação recíproca, também conhecida como não-Robertsoniana
translocação Robertsoniana
Além disso, as translocações podem ser balanceadas (sem perda ou acréscimo de material genético) ou não-balanceadas (quando a troca de material cromossômico é desigual resultando em genes extras ou ausentes).
Translocações recíprocas (não-Robertsonianas)
As translocações recíprocas são geralmente uma troca de material entre cromossomos não-homólogos. Elas são encontradas em cerca de 1 em cada 625 recém-nascidos humanos.[1] Estas translocações geralmente não causam danos e podem ser encontradas durante um diagnóstico pré-natal. Entretanto, os portadores de translocações recíprocas balanceadas possuem riscos aumentados de criarem gametas com translocações cromossômicas não-balanceadas causando abortos ou crianças com anormalidades. O aconselhamento genético e o exame genético é frequentemente oferecido para famílias que possam carregar uma translocação.
Translocações Robertsonianas
Ver artigo principal: Translocação Robertsoniana
Este tipo de rearranjo envolve dois cromossomos acrocêntricos que se fundem próximos da região do centrômero com perda de seus braços curtos. O cariótipo resultante em humanos possui somente 45 cromossomos já que dois cromossomos se uniram com a fusão. As translocações Robertsonianas já foram observadas envolvendo todas combinações de cromossomos acrocêntricos. A translocação mais comum em humanos envolve os cromossomos 13 e 14 e é observada em cerca de 0,97 / 1000 recém-nascidos.[2] Assim como outras translocações, os portadores de translocações Robertsonianas são fenotipicamente normais, mas existe um risco de gametas não-balanceados que podem levar a abortos e uma prole anormal. Por exemplo, portadores de translocações Robertsonianas envolvendo o cromossomo 21 possuem uma maior chance de ter uma criança com síndrome de Down.
Algumas doenças humanas causadas por translocações são:
Câncer: diversas formas de câncer são causadas por translocações; elas foram descritas principalmente na leucemia (leucemia mielóide aguda e leucemia mielóide crônica).
Infertilidade: um membro do casal carrega uma translocação balanceada, na qual o membro é assintomático mas a concepção de fetos não é viável.
Síndrome de Down é causada em uma minoria (5% ou menos) dos casos por uma translocação Robertsoniana de cerca de um terço do cromossomo 21 para o cromossomo 14.
Translocações por cromossomo
Visão geral sobre as translocações cromossômicas envolvidas em câncer e em algumas outras condições, como a esquizofrenia, com os cromossomos organizados no padrão do cariótipo. Abreviaturas:
ALL - Leucemia linfóide aguda
AML - Leucemia mielóide aguda
CML - Leucemia mielóide crônica
DFSP - Dermatofibrosarcoma protuberans
Denotação
A abreviação t(A;B)(p1;q2) é usada para denotar a translocação entre um cromossomo A e um cromossomo B. A informação no segundo conjunto de parênteses, quando fornecida, indica a localização precisa no cromossomo para os cromossomos A e B respectivamente—com p indicando o braço curto do cromossomo, q indicando o braço longo e os número após p e q se referindo às regiões, bandas e sub-bandas quando os cromossomos são corados e observados em um microscópio.
Exemplos
t(2;5)(p23;q35) - Linfoma anaplásico de células grandes
t(8;14) - Linfoma de Burkitt (c-myc)
t(9;22)(q34;q11) - Cromossomo Filadélfia, Leucemia mielóide crônica, Leucemia linfóide aguda
t(11;14) - Linfoma de célula do manto (Bcl-1)
t(11;22)(q24;q11.2-12) - Sarcoma de Ewing
t(14;18)(q32;q21) - Linfoma folicular (Bcl-2)
t(17;22) - dermatofibrosarcoma protuberans
t(15;17) - Leucemia promielocítica aguda
t(1;12)(q21;p13) - Leucemia mielóide aguda
t(9;12)(p24;p13) - Leucemia mielóide crônica, Leucemia linfóide aguda (TEL-JAK2)
t(X;18)(p11.2;q11.2) - Sarcoma sinovial
t(1;11)(q42.1;q14.3)- Esquizofrenia
 DELEÇÕES <ul><li>São perdas de segmentos cromossômicos , as quais podem ocorrer como resultado de uma simples quebra, sem reunião das extremidades quebradas( deleção terminal ), ou de uma dupla quebra, com perda de um segmento interno, seguida da soldadura dos segmentos quebrados ( deleção intersticial ). </li></ul> 
 9. DELEÇÕES <ul><li>Os efeitos das deleções dependem da quantidade e da qualidade do material genético perdido, mas geralmente as deficiências são danosas e produzem conseqüências graves. Ex: Síndrome do “cri-du-chat”ou miado de gato, causada pela perda de um segmento do braço curto do cromossomo 5. </li></ul> 
 11. Deleções (Intertiscial, Terminal p e Terminal q) p - q - Citogenética Aberrações Cromossômicas
 DUPLICAÇÃO <ul><li>È a repetição de um segmento cromossômico , causando um aumento do número de genes. A maioria das duplicações resulta de um crossing over desigual entre cromátides homólogas, durante a meiose, produzindo segmentos adjacentes duplicados e/ou deletados. As duplicações são mais comuns e menos prejudiciais que as deficiências , concluindo-se que o excesso de genes geralmente é menos prejudicial do que a falta deles. </li></ul> 
 14. DUPLICAÇÃO DO CROMOSSOMO 5 q <ul><li>46, XX ou XY, 5q (duplicação de cerca de 10% do braço longo do cromossomo 5). </li></ul><ul><li>Características: Retardamento Físico e Mental, Boca pequena, Testa protusa </li></ul> 
 15. CROMOSSOMO EM ANEL <ul><li>È a alteração que ocorre quando um cromossomo apresenta duas deleções terminais e as suas extremidades, agora sem os telômeros, tendem a reunir-se , levando a formação de um cromossomo em anel. Os fragmentos rompidos perdem-se. Os cromossomos em anel têm pouca importância evolutiva. </li></ul> 
 16. CROMOSSOMO EM ANEL <ul><li>Quando um cromossomo é quebrado, trechos sem telômeros (extremidades) &quot;colam&quot; com facilidade. Assim, pontas sem telômeros originam anéis, que se perdem em divisões, originando deleções </li></ul><ul><li>O cromossomo em anel é visto com freqüência em anomalias congênitas e está relacionado a deficiência mental e mal formações.
10 - DOENÇA DE HUNTINGTON
Doença de Huntington (Coreia de Huntington) - Expansão Gene IT15
Aplicação:
GENE: huntington
LOCALIZAÇÃO CROMOSSÔMICA: 4p16.3
INCIDÊNCIA: 3-7 por 100,000 (descendente de europeu ocidental)
MODO DE HERANÇA: autossômica dominante com antecipação
A DH é uma doença incurável transmitida hereditariamente como uma doença autossômica dominante de penetrância completa, ou seja, todos os indivíduos que possuírem o genótipo para DH irão apresentar sinais e sintomas em algum momento da sua vida.
O gene mutante na doença de Huntington está localizado próximo a extremidade telomérica do braço curto do cromossomo 4 (região 4p16.3). Este gene possui 180kb e contém 67 éxons, que codificam uma proteína chamada "Huntingtina", a qual contém 3.144 aminoácidos, e está presente no cérebro e em diferentes tecidos do organismo.
Próximo a extremidade 5 'da região codificadora do gene estão presentes repetições em tandem do trinucleotídeo CAG (C=citosina, A=guanina e G=guanina) na extremidade distal do gene. A trinca de trinucleotídeos CAG é responsável pela transcrição do aminoácido glutamina e a repetição sequencial de até trinta e cinco aminoácidos (poliglutamina) é característica da estrutura molecular normal da proteína Huntingtina.
A anormalidade no gene foi identificada como repetições expandidas instáveis deste trinucleotídeo CAG. Portanto, nos cromossomos normais há entre 5 e 35 repetições sendo que a grande maioria possui aproximadamente 18 repetições. Já nos pacientes com DH as repetições são na ordem de 40 a 100. Indivíduos assintomáticos com 33 a 39 repetições ficam em uma faixa indeterminada em relaçãoao diagnóstico e à capacidade de estimar o surgimento ou não da doença.
O número de repetições de trinucleotídeos é instável de uma geração para outra, o que significa uma falha no processo meiótico e mitótico da gametogênese. A herança materna pode ocasionar um aumento ou uma diminuição da ordem de 3-4 repetições.
As manifestações clinicas incluem movimentos involuntários (coreia), demência e alterações comportamentais.
	 Material:
	 Sangue total(EDTA)
	Volume de Amostra:
	2mL
	 Preparo do Paciente:
	Não é necessário jejum.
	 Observações:
	- Indicar medicações utilizadas pelo paciente.
	 Armazenamento :
	Refrigerado (2 a 8°C).
Temperatura ambiente
	 Estabilidade:
	07 dias - Refrigerado (2 a 8°C)
02 dias - Temperatura ambiente. 
	 Metodologia:
	TP-PCR
	 Prazo de entrega:
	35 dias úteis
	 Transporte do material:
	 O material deve ser transportado refrigerado (gelo reciclável) 
em caixas de isopor.
	 Prazo para recebimento: 
	Até 24 horas após o envio.
	 Cód. Exame: 
	G-1113
Importante: Preencher o formulário de Exames Genéticos e o Termo de consentimento
HISTÓRIA
 
A Doença de Huntington (DH) é uma doença hereditária rara degenerativa do cérebro.
Esta doença é também conhecida por Coreia de Huntington devido a movimentos involuntários, como numa dança, que os doentes fazem. Coreia deriva do grego choreia, que significa dança.
 
O nome da doença deve-se ao facto de ter sido o médico americano George Huntington que a descreveu em 1872, tendo sido o primeiro a identificar o padrão hereditário da DH. A sua descrição baseou-se na observação de famílias afectadas pela DH em East Hampton. EUA, onde Huntington residia e trabalhava como médico.
 
Nos últimos anos registou-se um grande desenvolvimento no estudo das causas e efeitos da DH, assim como de terapias e técnicas para lidar e minorar os sintomas da doença. O gene responsável pela doença foi identificado em 1983 e com os progressos alcançados a partir da descodificação do genoma humano existem novas perspectivas e esperança da busca de tratamentos que possam cessar ou até reverter os efeitos da DH, bem como a eliminação da mutação genética que a causa.
 
O estudo do cromossoma, que contem o gene responsável pela DH, permite saber da existência da doença mesmo antes de começarem os sintomas.
 
DH - O QUE É ? 
Os cromossomas contêm genes, que são as unidades básicas da hereditariedade. Um gene é uma sequência de DNA (ácido desoxirribonucleico) que codifica um determinado aminoácido, que por sua vez vai codificar uma proteína quando junto com outros aminoácidos. O DNA é um polímero composto de nucleotídeos em forma de uma dupla hélice. Um nucleotídeo é uma molécula composta por uma base nitrogenada (adenina que faz para com a timina e guanina que faz para com a citosina) ligada a uma molécula de açúcar (desoxirribose) e um grupo fosfato. O DNA armazena a informação genética, que é “traduzida” numa sequência específica de aminoácidos, cada grupo de três elos da cadeia codifica a produção de um dos aminoácidos, os quais são as componentes que constituirão as proteínas. Cada proteína vai “traduzir” uma característica diferente, formando o denominado “código genético”.
 
A hélice do ADN abre-se longitudinalmente quando uma parte desta molécula controla activamente alguma função da célula. Um ramo da hélice aberta fica inactivo enquanto o outro actua como modelo para formar um ramo complementar de ARN (ácido ribonucleico). As bases do ARN ordenam-se na mesma sequência que as bases do ramo inactivo do ADN, com a diferença de que o ARN, em vez de timina, contém uma base denominada uracilo. A cópia do ARN, chamada ARN mensageiro (ARNm), separa-se do ADN, abandona o núcleo, passa ao citoplasma da célula e une-se aos ribossomas, onde tem lugar a biossíntese das proteínas. O ARNm transmite ao ribossoma a informação sobre a sequência de aminoácidos de que necessita para construir uma proteína específica e o ARN transportador (ARNt), um tipo de ARN muito mais pequeno, conduz os aminoácidos ao ribossoma. Cada molécula deste ARN transporta e incorpora um aminoácido à cadeia da proteína que se está a sintetizar.
 
Um gene contém a informação necessária para construir uma proteína. Os genes variam de tamanho segundo o tamanho da proteína e ordenam-se numa sequência específica nos cromossomas. Denomina-se locus a localização de cada gene em particular.
 
Os seres humanos são seres diplóides (2n), isto é, herdam 2 vezes o conjunto de informação genética humano, querendo dizer com isto, que herdam 46 cromossomas, 23 cromossomas do progenitor feminino (n) e 23 do progenitor masculino (n).
 
A DH é uma doença hereditária causada por mutações num gene e pode, portanto, ser transmitida de geração em geração. É também uma doença genética autossómica, isto é, pode afectar ambos os sexos, porque o gene “defeituoso” está localizado num cromossoma não sexual (autossoma ou cromossoma somático). As pessoas afectadas pela DH são, geralmente, heterozigóticas, o que significa que têm duas cópias diferentes do gene: uma cópia normal herdada do progenitor não afectado e uma cópia mutada herdada do progenitor afectado. Quando os 2 progenitores possuem o gene mutado, o que é raríssimo, os filhos podem ser homozigóticos, o que significa que herdaram duas cópias defeituosas do gene (uma cópia de cada um dos pais). A DH é também uma doença genética dominante, pelo que basta um dos cromossomas homólogos conter o gene defeituoso para que o indivíduo herde a doença, sendo a mutação no gene da DH dominante sobre a cópia normal herdada.
 
A probabilidade de transmissão aos filhos (masculino ou feminino) da cópia mutada do gene é de 50 % para cada filho, isto é, se apenas um dos pais for portador do gene da DH, os filhos herdarão um gene normal e terão um risco de 50% de herdar o gene defeituoso do progenitor afectado. No entanto, isto não implica que metade dos filhos herde o gene da DH, mas sim que todos podem herdar ou pode não herdar qualquer deles. Caso ambos os progenitores sejam portadores de uma cópia mutada do gene, o que é extremamente raro, o risco de herdar o gene da DH aumenta para 75%.
 
Como esta mutação é transmitida de pais para filhos, caso os filhos não sejam portadores não transmitirão a doença. É raríssimo haver novas mutações, isto é, aparecer uma mutação deste gene numa família sem qualquer antecedente da doença.
 
O gene que causa a DH localiza-se no braço mais curto do cromossoma 4 (autossoma) e codifica uma proteína chamada huntingtina (Htt), cuja forma alterada provoca a morte das células nervosas (neurónios) em determinadas regiões do cérebro. Neste gene existe uma sequência de três nucleótidos, citosina-adenina-guanina (CAG), que codificam a glutamina (aminoácido que podem ser considerado o “combustível” do organismo e regula o nível de amónio nos tecidos) e se encontra repetida várias vezes (repetição trinucleotídica).
 
Esta sequência tem geralmente menos de 20 repetições e é considerada normal até às 35 vezes, mas num indivíduo portador do gene Huntington existem mais de 36 repetições no gene “defeituoso”.
Quando o gene da DH tem mais de 40 repetições CAG, a forma alterada huntingtina irá, provavelmente, provocar o aparecimento de sintomas.
Verifica-se uma tendência para a mudança de tamanho das repetições de geração em geração. A repetição CAG herdada do pai tem mais probabilidade de aumentar do que de diminuir. Quanto mais elevado é o número de repetições mais cedo se poderão manifestar os sintomas. Um homem portador assintomático (até 39 repetições) pode transmitir aos filhos um maior número, porque parece haver possibilidade de estas aumentarem durante a produção de espermatozóides.
 
A longo prazo o diagnóstico da DH é fatal. O desenvolvimento da doença é gradual e a esperança média de vida, desde a manifestação dos primeiros sintomas, é de 15 a 20 anos, variando de pessoa para pessoa e registando-se casos entre os 2 e os 43 anos.
A doença só se manifesta quando surgem sintomase o risco de estes aparecerem diminui com a idade.
 
As funções do cérebro, que regulam a locomoção, o pensamento e a fala, deterioram-se gradualmente à medida que as células nervosas são danificadas e morrem. A parte do cérebro mais afectada é o corpo estriado (estrutura de gânglios localizada na região central do cérebro), que controla os movimentos e também está envolvido em processos cognitivos (intelectuais). À medida que a doença progride, ocorre uma destruição do córtex cerebral (massa cinzenta correspondente à camada mais externa do cérebro) que contribui para a deterioração da capacidade cognitiva. De um modo geral, a DH causa atrofia do cérebro inteiro.
 
SINTOMAS
 
Os primeiros sinais podem ser apenas ligeiras alterações de personalidade e de humor, episódios de esquecimento, descoordenação motora e movimentos bruscos aleatórios dos dedos das mãos e pés. Como estes sintomas podem ser causados por diversos factores e surgem lentamente e podem inicialmente ser apenas esporádicos, pode demorar anos até que a doença seja diagnosticada.
 
Os primeiros sintomas surgem, geralmente, entre os 35 e os 55 anos. Em cerca de 10% dos casos aparecem antes dos 20 anos (DH juvenil) e em 5% só aparecem por volta dos 60 anos. São muito raros os casos em que os sintomas aparecem antes dos 10 anos (DH infantil). Depois dos 70 anos as hipóteses de aparecerem sintomas é muito reduzida, embora se registem alguns casos.
 
Os factores que determinam a manifestação da doença são complexos e continuam a ser investigados. Geralmente quanto maior o número de repetições CAG mais cedo se manifestam os sintomas. Existem, contudo, outros factores que influem na idade de manifestação de sintomas, como outros genes e também factores externos.
 
Os sintomas da DH aparecem, habitualmente, quando existem mais de 40 unidades CAG. Entre 36 e 39, os indivíduos podem ser afectados muito tarde ou mesmo nunca virem a apresentar qualquer sintoma. As repetições muito elevadas são típicas da DH juvenil. Na DH infantil é frequente haver mais de 80 repetições. Nos raríssimos casos de duas cópias mutadas do gene normalmente não se verifica o risco de os sintomas surgirem mais cedo, mas a progressão da doença pode ser mais rápida.
 
Os sintomas da DH podem variar em extensão, gravidade, idade de manifestação e taxa de progressão de pessoa para pessoa, inclusive entre membros da mesma família. Por exemplo, em alguns indivíduos as alterações motoras podem ser mais evidentes na fase inicial e noutros esses sintomas só aparecerem numa fase mais avançada da doença.
 
Quando os sintomas surgem antes dos 20 anos (DH Juvenil), a coreia é menos acentuada mas a lentidão de movimentos e a rigidez é mais notória e a taxa de progressão é mais rápida que nos adultos. Verificam-se grandes mudanças de comportamento, problemas de aprendizagem, diminuição do rendimento escolar e dificuldades na fala, podendo igualmente ocorrer ataques epilépticos.
A DH caracteriza-se por uma combinação de alterações motoras (movimento), comportamentais/emocionais e cognitivas (intelectuais).
 
Sintomas motores
Os primeiros sintomas motores são a Coreia (movimentos involuntários), a lentidão nos movimentos voluntários (bradicinésia) e a contracção muscular prolongada (distonia), que se agravam à medida que a doença progride e afectam claramente a postura, o equilíbrio e o andar. Verificam-se frequentemente anomalias no movimento dos olhos e a fala torna-se gradualmente incompreensível. Surge igualmente dificuldade de deglutição, que se traduz posteriormente em perca de peso e debilidade. A descoordenação é devida ao mau funcionamento de estruturas do cérebro e cerebelo, afectando a força muscular e o equilíbrio (ataxia).
zonas do corpo mais afectadas pela doença
 
Sintomas Emocionais/Comportamentais
As mudanças de personalidade e comportamento são frequentes: depressão, apatia, ansiedade, irritabilidade, explosões de raiva, impulsividade, comportamentos obsessivos-compulsivos e isolamento social. Verificam-se, por vezes, casos de delírio e alucinações. As alterações comportamentais ocorrem quando as amígdalas (situadas nos lobos temporais) não funcionam correctamente.
 
Sintomas Cognitivos / Intelectuais
As perturbações cognitivas (intelectuais) são graduais e envolvem a compreensão, o raciocínio, o julgamento e a memória. O raciocínio torna-se mais lento e verificam-se dificuldades de concentração, organização, planeamento, decisão e resposta a perguntas. Surgem problemas de memória de curto prazo, a redução da capacidade de assimilar e compreender novas informações, bem como de resolver problemas. Estes sintomas são causados por degeneração de células do hipocampo, que se localiza nos lobos temporais e transforma a memória de curto prazo em memória de longo prazo.
Existe uma série de outros sintomas associados: perda de peso, perturbações do sono e incontinência urinária.
 
A progressão da doença tem sido classificada em diversas etapas, conforme as equipas de investigadores da doença, mas basicamente existem três etapas bem distintas que descrevem a evolução da doença.
 
INICIAL: É diagnosticada a doença. O doente pode perfeitamente continuar a fazer a sua vida normal.
 
INTERMÉDIA: A capacidade do doente para desempenhar tarefas do dia a dia começa a reduzir-se, no entanto, continua a poder levar uma vida normal, embora com algumas dificuldades e limitações. Além da medicação deve ser iniciada fisioterapia.
À medida que a doença progride, o doente deixar de poder trabalhar e realizar tarefas domésticas. Começa a ter dificuldade de raciocinar sem ajuda. Na actividade diária pessoal, ainda não está dependente de terceiros, precisando apenas de alguma ajuda. O apoio psicológico e a criação de rotinas é muito importante.
 
AVANÇADA: Nesta fase, o doente já se encontra dependente para executar as suas actividades diárias, mas pode manter-se em casa com a ajuda da família ou de enfermeiros.
Com a evolução da doença e a perda de mobilidade, de memória, a descoordenação de movimentos e impossibilidade de andar e alimentar-se, estes doentes começam, muitas vezes, a tornar-se agressivos e irritados. Necessitam de auxílio para tudo e de assistência constante e de cuidados médicos e de enfermagem permanentes. Nesta fase o doente já não sobrevive sem ajuda externa.
Habitualmente os doentes morrem, não da DH em si, mas de complicações causadas pela doença, como engasgar-se, infecções, traumatismos provocados por quedas, etc.
 
 
Saber que se é portador do gene mutado muda a vida em todos os aspectos. Permite e obriga a tomadas de decisão até aí não prioritárias. Os planos para o futuro têm que ser repensados e definidos em função da possibilidade do aparecimento dos sintomas, porque depois de estes surgirem poderá já não haver possibilidade de alterar ou decidir sobre aspectos do dia a dia. É necessário preparar o local onde reside para facilitar a mobilidade depois dos sintomas aparecerem ou mesmo decidir onde viver. Os temas de carácter financeiro têm que ser resolvidos antes que a doença o impeça. Qualquer decisão quanto a seguros de saúde e de vida, empréstimos bancários, etc., tem que ser tomada de imediato, porque após o aparecimento dos sintomas existirão muitos entraves e custos acrescidos. Planear antecipadamente “como/quem/onde” sobre todos os passos que terão de ser dados após o aparecimento dos sintomas.
 
TRATAMENTO
 
Infelizmente, não existe actualmente nenhum tratamento comprovadamente eficaz no combate às causas da DH. No entanto, o conhecimento sobre a DH tem aumentado muito nos últimos anos. Decorrem diversas investigações para tentar encontrar a causa desta mutação, bem como estudos com o intuito de encontrar tratamentos e/ou medicamentos que possam prevenir ou retardar a progressão da doença. Actualmente, existem diversas estratégias para tratamento em fase de investigação e espera-se que muitos estudos clínicos se iniciem em breve.
 
Dos diversos tratamentos em investigação a nível experimental para impedira progressão dos danos cerebrais, destaca-se o implante de células estaminais como tentativa de recuperação/substituição das células mortas (neurónios). Em alguns casos conseguiu-se que esses tecidos aumentassem e que as zonas afectadas diminuíssem, no entanto, não se conseguiu evitar a progressão da doença noutras regiões do cérebro, embora os sintomas motores e intelectuais tenham diminuído. Verificaram-se igualmente casos de rejeição e de morte dos tecidos implantados, sendo necessária muito mais investigação e experiências até que se possam encontrar soluções satisfatórias e definitivas aplicáveis aos doentes.
 
O uso de antioxidantes como a coenzima Q10 e o tocoferol, de suplementos nutricionais como a creatina e a nicotinamida, além de restrição nutricional de ferro ou uso de quelantes de ferro, ajudam na prevenção da neurodegeneração.
 
Foram igualmente feitas experiências, em animais, com injecções de cistamina e que resultaram numa melhoria dos sintomas de coreia e no prolongamento da esperança de vida em 20%.
 
Em 2000, pesquisadores de Harvard trataram ratos com o antibiótico minociclina, que demonstrou ter efeito no bloqueio da produção de algumas enzimas, chamadas caspases e que levam as células cerebrais a cometerem suicídio. As experiências demonstraram um aumento da esperança de vida e um bloqueio na produção de 3 enzimas que parecem estar envolvidas na progressão da doença de Huntington: caspase-1, caspase-3 e a sintase induzida de óxido nítrico (iNOS). O bloqueio da iNOS permitiu descobrir mais uma parte do mecanismo causador da doença e eventualmente mais uma hipótese a desenvolver para deter a progressão da DH.
 
Experiências, com ratos, evidenciaram que a libertação inapropriada de cálcio conduz à degeneração dos neurónios e que a utilização da enoxaparina previne e evita a morte das células. Nesse estudo verificou-se que a parte da célula nervosa que cria energia (mitocondria) liberta uma proteína através do poro (citocromo c) antes de morrer e que alguns antidepressivos (nortriptylina e desipramina) e um antipsicótico (trifluoperazina) bloqueiam o poro e impedem a morte das células nervosas. [1]
 
Apesar de, presentemente, não haver cura para a DH, existem diversos tratamentos que ajudam a controlar os sintomas da doença (tratamentos sintomáticos) e a melhorar a qualidade de vida. Existem tratamentos farmacológicos (à base de medicamentos) e não-farmacológicos.
Os tratamentos não-farmacológicos, como a psicoterapia, a fisioterapia, a terapia respiratória, a terapia da fala, a terapia cognitiva e a nutricional, podem melhorar tanto os sintomas físicos como os psicológicos da doença. Estas terapias têm proporcionado melhoras no estado de ânimo, coordenação motora, articulação da fala, equilíbrio, deglutição e na marcha. É também muito importante a intervenção de psicólogos, que possam ajudar os doentes e famílias a lidar com a doença a nível psicológico, sobretudo porque é extraordinariamente difícil “assimilar” um diagnóstico tão deprimente. Todas estas terapias combinadas permitem delinear estratégias que possam ter um impacto positivo durante a vida destes doentes.
 
Os tratamentos farmacológicos compreendem todos os medicamentos usados para tratar os sintomas da DH. Existem diferentes opções de medicamentos para tratamento dos sintomas incapacitantes como; antipsicóticos contra a Coreia e bradicinésia; antidepressivos contra a irritabilidade, apatia, depressão e outras perturbações do humor; ansiolíticos (tranquilizantes) contra a ansiedade e hipnóticos contra a insónia.
Muitos medicamentos podem causar efeitos secundários e alguns podem interagir com outros, por isso a mesma medicação pode ter efeitos distintos em pessoas diferentes. A medicação tem que ser determinada individualmente por um especialista, de acordo com os sintomas e respostas ao tratamento.
 
As dietas ricas em vitaminas, coenzimas e outras substâncias (por exemplo creatina, coenzima Q10 e ácido eicosapentanóico) têm sido muito discutidas mas não estão comprovadas cientificamente. Nos estádios avançados da doença, a perda de peso pode ser um problema e uma dieta rica em calorias pode tornar-se necessária, pelo que deve ser consultado um nutricionista.
 
Em Setembro de 2008, realizou-se, pela primeira vez em Portugal, a Conferência Europeia sobre a Doença de Huntington, da EHDN. Onde, Jorge Sequeiros, Group Leader da Unidade de Investigação Genética e Epidemiológica em Doenças Neurológicas do Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto, informou que a DH já atinge 340 famílias portuguesas, num total de cerca de 1.200 doentes. Nesta reunião foram abordadas todos os problemas relacionados com a doença, nomeadamente a necessidade de assistência especializada para apoio de doentes e familiares, uma vez que “se trata de uma doença particularmente incapacitante, que implica graves encargos financeiros para as respectivas famílias, não só ao nível dos tratamentos que servem para amenizar a doença mas também no que diz respeito a assistência permanente necessária para o doente”.
 
ORGANISMOS DE APOIO 
Existem várias organizações que oferecem ajuda a pessoas e famílias afectadas pela DH.
Em Portugal existem, por exemplo, a Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, criada em 2001 e reconhecida pela Segurança Social. A APDH tem como objectivo principal localizar dar apoio e orientação às famílias portadoras de DH e também: tornar conhecida a doença; aproximar portadores, familiares e pessoas envolvidas para troca de experiências e ajuda mútua; formar e orientar núcleos de apoio regionais; estimular pesquisas e formação de profissionais da saúde com conhecimento sobre a DH e conseguir dos órgãos de saúde pública, atendimento médico especializado. Os seus membros são voluntários e os seus programas são financiadas por contribuições de sócios e doações. A APDH é filiada na Internacional Huntington Association - IHA e na European Huntington Association - EHA de onde recebe orientação e informação sobre os progressos da pesquisa científica e faz também parte da Rede Europeia EHDN.
 
O European Huntington’s Disease Network/Grupo Europeu da Doença de Huntington (EHDN/GEDH), tem como objectivos manter uma plataforma para facilitar o trabalho conjunto em toda a Europa, facilitando os estudos e ensaios terapêuticos. O site na Internet fornece, na língua de cada País, além de toda a informação disponível sobre a doença, os contactos do coordenador para cada País e os locais referenciados e respectivos contactos onde existem consultas e estudos, bem como toda a informação para a marcação de consultas. No site estão igualmente indicadas as organizações que podem ser contactadas em cada País. A EHDN tem o maior estudo europeu sobre a DH, o Registry, a que se pode aceder através dos centros indicados no site.
 
ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM A DOENÇA 
As estratégias para lidar com a DH têm que ser elaboradas individualmente, dependendo da pessoa afectada, do estádio da doença e do contexto familiar. A DH manifesta-se muito gradualmente, o que permite um maior período de adaptação às mudanças causadas pela doença e uma melhor compreensão dos sintomas comportamentais e cognitivos. Convém que não só o doente mas também todos os que com ele vão lidar mais de perto se informem sobre a doença e procurem apoio especializado. A nível mundial, a DH afecta 8 a 12 em cada 100 mil pessoas.
 
“DICAS” PARA AJUDAR DOENTES SINTOMÁTICOS DH 
Além dos conselhos e orientação da equipa médica e de terapeutas, podem ser adoptadas condutas que ajudem os doentes na sua vida diária, por forma a que se consiga minorar um pouco o impacto negativo da doença e permitir aos doentes sentirem-se minimamente integrados.[2]
 
Comunicação:
Dar bastante tempo para responder a perguntas.
Dar sugestões e lembretes para estimular a pessoa a começar.
Oferecer uma lista de opções para ajudar a escolha. Em vez de perguntar "o que quer para o jantar?" perguntar "prefere hamburguer ou bife?"
Dividir as tarefas ou instruções

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