sociologia da educação
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sociologia da educação


DisciplinaMagistério das Disciplinas Pedagógicas do Ensino Médio15 materiais102 seguidores
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básicos e depois relacioná-los com a questão da educação. 
A sociologia da educação tem como objetivo pesquisar e analisar a educação em 
seus aspectos sociológicos, isto é, os fenômenos sociológicos.
O objetivo maior é procurar conhecer e analisar a inter-relação entre o homem, a 
sociedade e a educação, à luz de diferentes teorias sociológicas, bem como das 
práticas pedagógicas ratificadoras e/ou transformadoras dos contextos cultural, 
social, político, econômico e ecológico.
A proposta é despertá-lo para discussões futuras a partir do embasamento teórico 
que essa ciência oferece e, sempre que possível, trazer o debate para a realidade 
educacional brasileira. Para tanto, sugere-se alguns textos de apoio, bem como 
atividades para autoavaliação. Indicações de leituras complementares e filmes 
acompanharão o texto-base, e são importantes para aprofundar algum assunto/
tema que se considere relevante.
Vale lembrar também que nada substitui a leitura dos próprios mestres, no caso 
aqui, os \u201cfundadores\u201d da sociologia e da sociologia da educação. Portanto, não de-
sanime em buscar na própria fonte as respostas às suas inquietações. Vá em frente!
A disciplina pretende desenvolver módulos que possibilitem a compreensão 
da constituição da realidade social e sua relação com a educação, por meio do 
estudo de aspectos dos processos sociais presentes na produção e configuração 
do sistema educacional. Assim, o livro está estruturado em 18 unidades, em que 
se propõe uma discussão sobre a relação entre a sociologia e a educação, apresen-
tando as contribuições dos autores clássicos e sua percepção acerca das questões 
relacionadas à educação (A Sociologia da Educação) e contextualizando a ciência 
no Brasil (A Sociologia da Educação no Brasil).
A partir daí, tem-se a discussão de alguns temas/conceitos fundamentais para 
a reflexão aqui proposta. Na unidade intitulada educação e família apresenta-se 
uma síntese das transformações pelas quais passou a família ao longo do tempo 
e sua importância quando se discute educação. Para tanto, também se faz ne-
cessário observar como o sentimento de infância surge e se modifica a partir do 
que se tem, inclusive o surgimento dos colégios e novas visões da infância e da 
juventude (concepções de infância e juventude).
A discussão sobre a escola à luz de alguns conceitos sociológicos compõe as 
próximas unidades: a escola como instituição social, a escola e o controle social e a 
escola e o desvio social. Em seguida, são abordados outros conceitos também im-
portantes para a sociologia da educação: a mudança social, a estratificação social, 
a mobilidade social, educação e movimentos sociais e a educação e o Estado.
Finalmente, são apresentados alguns temas mais amplos que dizem respeito à rea-
lidade do país (educação e desenvolvimento, educação e cotidiano no Brasil e pro-
blemas da educação no Brasil), da escola e do professor (a profissão de professor), 
além de chamar a atenção para questões que exigem muita reflexão por parte do 
docente, no sentido de avaliar sua prática pedagógica (perspectivas da educação 
no Brasil).
Vale ressaltar, enfim, que vivemos um momento privilegiado na história, uma vez 
que a presença da sociologia no currículo está intimamente ligada à democratiza-
ção do acesso ao conhecimento científico, com vistas ao incremento da discussão 
consciente, racional e bem fundamentada do educador na realidade social.
Bom trabalho!
Solange Menezes da Silva Demeterco
Desde o início dessa trajetória, vem se procurando enfatizar que a edu-
cação em nenhum momento está descolada do contexto social no qual se 
insere e do qual é produto. Assim, vale lembrar que não há como pensar 
os problemas educacionais sem considerar as conexões existentes entre 
sistema escolar e as demais instâncias da realidade social.
A trajetória da sociologia no Brasil, como não poderia deixar de ser, 
está relacionada com o contexto histórico-social do país, intercalando mo-
mentos de livre expressão com outros de forte repressão, chegando até 
mesmo ao banimento das instituições educacionais. 
Não se pode deixar de pensar que, diante desse quadro, a sociologia 
brasileira tenha adquirido um caráter particular, marcado pela busca de 
explicações/análises/soluções que respondessem às demandas geradas 
pela sociedade capitalista brasileira, tão distinta em sua essência de outros 
países também capitalistas. Lembre-se de que uma das características do 
capitalismo é o aprofundamento da divisão social do trabalho e a luta de 
classes.
Por mais que a produção dos bens materiais e do próprio conhecimen-
to sejam coletivos, nessas sociedades esses bens tendem a ser distribuídos 
de maneira desigual, reforçando, também, as diferenças entre os homens 
e cristalizando relações de poder pautadas na submissão, na exploração 
e na exclusão.
Segundo Kruppa (1994, p. 29), 
[...] uma das contradições da sociedade capitalista está na existência simultânea da 
concentração de saber e das técnicas que permitiriam democratizá-lo, mas que não 
são usadas com essa finalidade. Na sociedade capitalista, quem detém o poder detém 
as condições de determinados saberes, que permitem controlar a sociedade. Assim, 
na sociedade capitalista, não só saber é poder, como poder e, geralmente, condição 
de saber. 
De acordo com a autora e com alguns teóricos, em especial aqueles 
ligados às teorias críticas da sociologia, o papel dessa ciência seria então 
pensar sobre tudo isso.
A sociologia da educação no Brasil
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Sociologia da Educação
Mas a mesma autora chama a atenção para o fato de que, além da divisão 
social do trabalho, é preciso \u201cque a organização da produção e da sociedade esteja 
montada de forma a prevalecer uma hierarquia entre quem tem conhecimento e 
poder e quem não tem\u201d (p. 28). Essa questão é de fundamental importância para 
se começar a pensar a sociologia da educação no Brasil \u2013 país marcado pela de-
sigualdade em vários níveis e de vários tipos, inclusive de oportunidades \u2013 onde 
a opção histórica feita pelo Estado tem sido pelas camadas da sociedade mais 
favorecidas economicamente, refletindo-se esse modelo de sociedade também 
na escola e no processo educativo.
Formação da sociedade brasileira: 
economia agrário-exportadora 
e economia industrial
No Brasil, os problemas educacionais tornaram-se objeto de estudo recente-
mente, a partir do enfoque sociológico. E isso ocorre exatamente em função das 
demandas geradas por essas desigualdades históricas, que se mantêm ao longo 
do tempo, desde a colonização, passando pelas marcas deixadas pelo escravis-
mo, por uma vida política marcada pela falta de participação da maioria dos pro-
cessos decisórios, por um período ditatorial e por um lento e gradual processo 
de abertura e amadurecimento político. Mas a presença da sociologia nas esco-
las é um pouco mais antiga, remonta ao início do século XX, quando a disciplina 
começou a ser ministrada no Ensino Médio e em algumas faculdades. Esse pro-
cesso de institucionalização da sociologia, e inclusive da sociologia da educação, 
insere-se no contexto da época, na medida em que o Positivismo dominava a 
cena intelectual do momento. Sendo assim, partindo das teorias clássicas da ci-
ência social, também no Brasil se começou a tentar investigar os problemas sob 
a ótica científica, com um corpo conceitual e uma metodologia específica. Pedro 
Demo (1987, p. 158) chama a atenção para a necessidade que a sociologia no 
Brasil teria de poder tratar dos nossos principais problemas, preferencialmente 
vinculada à prática, contemplando o tema da desigualdade social e discutindo a 
questão da dependência, do imperialismo, dos obstáculos ao desenvolvimento, 
sempre considerando que nós mesmos somos os atores desta sociedade e que 
é preciso \u201cdesmascarar\u201d as desigualdades.
No contexto do Positivismo, a educação era vista como um instrumento