sociologia da educação
24 pág.

sociologia da educação


DisciplinaMagistério das Disciplinas Pedagógicas do Ensino Médio15 materiais102 seguidores
Pré-visualização5 páginas
para 
formar uma nova mentalidade, voltada mais para as ciências ditas positivas, isto é, 
A sociologia da educação no Brasil
53
mais objetivas. A elite que surgia de outros segmentos da sociedade brasileira e que 
tinha acesso à educação tentava assim manter seus privilégios. O contexto histórico 
do final do século XVIII, especialmente após a Proclamação da República e primeiras 
décadas do século XX, é marcado pelo colapso do modelo agroexportador, por uma 
crescente urbanização, pela industrialização e por uma certa \u201cdesordem\u201d social.
Tal como aconteceu na Europa, as mudanças decorrentes da consolidação 
do capitalismo também deixam suas marcas na vida social e na mentalidade da 
população brasileira. Especialmente com a emergência de novas classes sociais 
ligadas às novas atividades econômicas, ao lado da insatisfação com o modelo 
de educação que se tinha no país na década de 1920 e a instabilidade política 
que marca a década de 1930, formava-se o cenário ideal para o desenvolvimen-
to da sociologia no país.
Ac
er
vo
 S
EM
U
C.
D
om
ín
io
 p
úb
lic
o.
M
H
IJ
B-
SP
.
Na busca por soluções para os problemas que apareciam nessa nova ordem, 
a sociologia passa a fazer parte do currículo do Ensino Médio e Superior. Um 
pouco mais tarde, é introduzida também nos cursos de formação de professores. 
Várias reformas de ensino acontecem em pouco mais de 10 anos (entre 1925 e 
1935). É por meio das faculdades de Pedagogia, após 1930, que passa a fazer 
parte do currículo regular, como foi o caso da Faculdade de Educação da Univer-
sidade do Distrito Federal (1937), por Anísio Teixeira. Os cursos de Magistério e 
Ensino Médio também ensinam a disciplina nesse momento, o que não se cons-
titui exatamente numa novidade, visto que a sociologia ainda associada à moral 
já era ministrada em alguns cursos secundários, por volta de 1890. É preciso des-
tacar que nesse momento, e por algum tempo ainda, a educação não era o foco 
dos estudos sociológicos.
54
Sociologia da Educação
Somente após 1932, o ensino de sociologia é incentivado como forma de pre-
parar as novas gerações para o país que surgia após tantas e tão intensas mudanças 
econômicas, sociais e políticas, e a educação passa, assim, a ter um fim específico. Os 
problemas brasileiros pedem soluções urgentes para restabelecer a \u201cordem\u201d. Aliás, 
a própria educação passa a ser vista como um problema social e um fator de mu-
dança. Era preciso propor reformas que ajustassem a educação à nova ordem social. 
Mas é fundamental entendermos que, nesse momento, educadores e pensadores 
sociais \u2013 os cientistas sociais \u2013 se distanciam muito, uma vez que, para estes, a edu-
cação não desperta interesse, enquanto objeto de pesquisa. Isso só aconteceria mais 
tarde, depois de alguns trabalhos sem muito embasamento teórico e com grandes 
deficiências em termos metodológicos. Apesar de tudo, no final da década de 1940, 
a sociologia se institucionalizava como um campo específico de conhecimento.
Nos anos 1950-1960, no auge do processo de industrialização baseado na subs-
tituição de importações1, do avanço do nacionalismo e do populismo, formam-se 
os primeiros sociólogos. Seu objetivo, nesse momento, é analisar os problemas 
brasileiros de forma mais independente em termos teóricos, isto é, produzir uma 
sociologia \u201cabrasileirada\u201d, mais de acordo com as necessidades do país. Nessa con-
juntura, a educação é vista como agente de transformação social e as escolas são 
analisadas de acordo com suas especificidades e diferenciações regionais. Isso se 
explica por toda uma política governamental que se volta para as diferenças regio-
nais, particularmente entre o Sudeste rico e industrializado e o Nordeste arcaico 
e atrasado. Surgem iniciativas tais como a criação das superintendências regio-
nais (Sudan, Sudene etc.). É estabelecida uma relação entre educação e desenvol-
vimento, enquanto os aspectos sociológicos da educação como, por exemplo, o 
estudo da escola enquanto instituição social, são pouco trabalhados. Age-se como 
se a educação, a escola e todos os atores envolvidos no processo educativo esti-
vessem fora da realidade social como um todo. Como consequência, tem-se uma 
dispersão dos temas de pesquisa e pouco aprofundamento nos problemas edu-
cacionais propriamente ditos. O analfabetismo é um dos temas que adquire maior 
visibilidade, até por conta das funções que eram atribuídas à educação. Mas há 
mais descrição do que análise e interpretação dos problemas.
Será na Universidade de São Paulo (USP) que, nos anos 1960, alguns cientis-
tas sociais começarão a efetivamente se interessar pelo tema educação, muitos 
norteados pelo funcionalismo2, constituindo centros de estudos com o objetivo 
1 Modelo de industrialização adotado pelo Brasil, caracterizado pela produção interna de itens que faziam parte da pauta de importações do país, 
por conta das dificuldades externas para importá-los, de acordo também com a ideia de desenvolvimento que norteava as políticas econômicas 
da época \u2013 o desenvolvimentismo.
2 Doutrina que concebe a sociedade como um sistema que deve estar em harmonia para \u201cfuncionar bem\u201d e onde os conflitos são apenas uma etapa de 
uma preparação para uma ordem cada vez maior. Busca relacionar um sistema normativo e a situação que seria definida por esse conjunto de restrições 
estáveis e coerentes aos olhos daqueles que não desejam que alguma coisa mude na ordem social. É vista como uma teoria conservadora.
A sociologia da educação no Brasil
55
de analisar as relações de poder, particularmente aquelas entre a educação e a 
estrutura social.
Mesmo não seguindo mais adiante, nesse momento a sociologia (e também 
a sociologia da educação) procura pensar o real, com o objetivo de encontrar 
maneiras de modificá-lo quando necessário, sempre partindo da ideia de dimi-
nuir as diferenças e as injustiças sociais. Trata-se de fornecer bases teóricas para 
a ação, inclusive educacional. Ao lado disso, tem-se um grande movimento em 
defesa da escola pública, vista como o caminho para a democratização do acesso 
à educação e meio de transformação social. 
A sociologia continua seu caminho: 
dos anos 1970 aos dias atuais
Infelizmente, o caráter econômico ainda iria direcionar boa parte dos estudos 
nessa área, de acordo com o modelo desenvolvimentista da época, que priori-
zava o desenvolvimento econômico sobre o social. Especialmente após o Golpe 
Militar de 1964, quando muitos cursos são fechados, a disciplina é suspensa nas 
escolas e universidades e muitos pesquisadores e professores são afastados do 
trabalho, alguns até do país, por se oporem ao regime político.
Em razão da repressão imposta pela Ditadura Militar, a década de 1970 é mar-
cada por estudos quantitativos sobre administração escolar e pouco se fala de 
temas \u201cincômodos\u201d como evasão, reprovação ou rendimento escolar. Mesmo 
assim, aparecem críticas ao modelo econômico e político da época, bem como 
uma contestação da própria política educacional dos militares, eminentemente 
voltados para a formação de técnicos e não de pessoas com espírito crítico. 
Diante do quadro social e político desse momento, há um certo pessimismo 
em relação ao papel transformador da educação, em sua capacidade de promo-
ver mudanças sociais efetivas. Apesar de se ter durante a década de 1970 um 
bom número de trabalhos em educação, não há estudos na área de sociologia 
da educação; discutem-se teorias da aprendizagem, teorias do currículo, progra-
mas, a atividade docente, entre outros temas.
O desenvolvimento de reflexões de caráter marxista estabelece relações entre 
algumas variáveis que antes eram consideradas, isoladamente, pouco acrescen-
tando em termos teóricos. É o caso das condições socioeconômicas do aluno e 
seu rendimento escolar: ao estabelecer essa correlação, tem-se o que se chama 
de explicação