sociologia da educação
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sociologia da educação


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sociológica para os fenômenos da evasão e/ou da repetência, por 
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Sociologia da Educação
exemplo. Observa-se uma mudança em termos de percepção do processo educa-
tivo, que é visto como conjunto de relações externas (interdependência, por exem-
plo) e relações internas (o sistema educacional é um todo composto de partes que 
têm relação entre si) (FERREIRA, 1993, p. 26-27).
A preocupação com a democratização do ensino, como já se disse, torna-se 
o foco dos educadores e sociólogos, que agora são muito mais críticos, denun-
ciando o quanto o sistema educacional estava a serviço do poder político. É aqui 
que teóricos como Bourdieu e Althusser, entre outros, divulgam suas teo-rias, 
chamadas de teorias do conflito. Voltando ao exemplo dado acima, nesse mo-
mento, a reprovação e a evasão que a ela se seguia passam a ser vistas como 
exclusão, problemas que exigem solução enquanto fenômenos sociais ligados 
ao subdesenvolvimento brasileiro.
Com a abertura política, como ficou conhecido o período de transição que 
marcou o fim da Ditadura Militar no Brasil e que ficou marcado, entre outras coisas, 
pela promulgação de uma nova Constituição e pelo restabelecimento da ordem 
democrática (ainda que muito devagar), consolidam-se os estudos marxistas e os 
questionamentos sobre o caráter ideológico do material didático, por exemplo. 
Entretanto, não se estuda a dinâmica interna da escola, nem os movimentos edu-
cacionais. O que se tem são trabalhos ainda muito marcados pelos levantamentos 
estatísticos, sem muita reflexão teórica ou proposições práticas, a partir dos dados 
coletados. Outras ciências viriam colaborar com a sociologia da educação, forne-
cendo-lhe subsídios em termos metodológicos, indicando procedimentos de pes-
quisa mais adequados aos temas que os pesquisadores se propunham a trabalhar. 
Com tudo isso, o que se pode notar é que ainda permanece uma certa distân-
cia entre os educadores e os sociólogos, tendo, inclusive, nos anos 1990, aumen-
tado o desinteresse pela sociologia da educação, apesar do esforço de muitos e 
do fato de que a maioria dos problemas com os quais o Brasil se debatia há mais 
de 30 anos permanecem. Apesar do inegável avanço e melhoria dos indicadores 
sociais do país, amplamente divulgados pelo governo, ainda vivemos uma situa-
ção de profundas desigualdades sociais, decorrentes da absurda concentração 
de renda e da falta de um projeto real de Reforma Agrária. 
Apesar das dificuldades, a sociologia e a sociologia da educação estão conso-
lidadas no país, em centros de ensino e pesquisa, publicações especializadas e 
com vários trabalhos que alcançaram o reconhecimento internacional. Os profis-
sionais da área trabalham no sentido de pensar a realidade brasileira e fornecer 
subsídios para a implementação de políticas públicas voltadas para o atendi-
mento das necessidades das populações mais carentes, mas, sobretudo, para 
propor temas para debate nacional. 
A sociologia da educação no Brasil
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Texto complementar
A formação do pensamento sociológico no Brasil 
(COSTA, 2009)
No Brasil, o processo de formação, organização e sistematização do pen-
samento sociológico obedeceu às condições de desenvolvimento do capita-
lismo e à dinâmica própria de inserção do país na ordem capitalista mundial. 
Refletindo, portanto, a situação colonial, a herança da cultura jesuítica e o 
lento processo de formação do Estado nacional. 
No período colonial, a cultura religiosa foi utilizada como um importante 
instrumento de colonização, uma vez que a Ordem dos Jesuítas, com sua fi-
losofia universalista e escolástica, durante três séculos exerceu o monopólio 
sobre a educação, o pensamento culto e a produção artística (que no país 
à época se desenvolveram), introduzindo paralelamente um sistema misto 
de exploração do trabalho indígena que, combinado com o ensino religio-
so, agiu de modo a aniquilar gradativamente a cultura nativa. Esse processo 
submeteu as populações escravas e ajudou a distinguir drasticamente as ca-
madas cultas daquelas que realizavam o trabalho braçal. De forma que se 
pode afirmar que a cultura do Brasil colonial mantém e ostenta, ao longo de 
sua vigência, um caráter ilustrado, de distinção social e dominação. 
No século XVIII, ocorre o surgimento e a influência das classes interme-
diárias. O desenvolvimento da mineração promove importantes transfor-
mações sociais, alterando a sociedade colonial, que até então se dividia em 
donos de terra e administradores de um lado e escravos de outro. Surgem 
ocupações novas: comerciantes, artífices, criadores de animais, funcionários 
da administração que controlavam a extração de minérios e sua exportação, 
e outras. A população livre passa a ser mais numerosa que a escrava. Essa 
camada intermediária livre e sem propriedades, torna-se consumidora da 
erudição e cultura europeia, tentando distinguir-se tanto do escravo incul-
to como da elite colonial conservadora, contando, para tanto, com o ensino 
praticado pelas ordens religiosas estabelecidas em Minas Gerais, à época. No 
campo das artes plásticas, passam a ser notadas manifestações nacionais, 
por meio de um barroco original e uma música de técnica surpreendente; já 
em relação ao campo científico, a produção mostra-se ainda muito pequena, 
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Sociologia da Educação
predominando, por sua vez, ainda o saber erudito, voltado para os estudos 
jurídicos. 
No que tange ao século XIX, com a transferência da corte joanina para 
o Brasil em 1808, é introduzida na colônia a cultura portuguesa da época, 
resultante das influências do humanismo neoclassista francês e da produ-
ção cultural da Universidade de Coimbra. São fatos importantes a criação 
da Academia de Belas Artes, a fundação da imprensa, o lançamento do 
primeiro jornal, a organização da primeira biblioteca nacional e dos pri-
meiros cursos superiores, que em parte rompem com a cultura escolástica 
e literária anterior. Nesse período, também se introduziu o instrumental 
prático destinado à formação e viabilização do aparelho administrativo do 
Império. Porém, ainda que voltada mais à praticidade, a cultura nacional 
continuava sendo alienada, ditada pelas formas europeias, objetivando or-
ganizar o saber descritivo e funcional, bem como garantir o domínio do 
poder imperial. 
Os movimentos intelectuais e literários, até meados do século XIX, apesar 
de tratarem de questões políticas e sociais, a terra e a nação surgiram apenas 
como objeto, como tema, nunca como pensamento crítico desenvolvido a 
partir das condições próprias da nação. Ou seja, a forma, assim como a lin-
guagem, eram estrangeiras; só o motivo era nacional. Essa dicotomia entre 
a realidade vivida e o conhecimento produzido e consumido pela elite não 
só mantinha a prevalência do caráter ostentatório de uma cultura de elite, 
como caracterizava uma nova forma de alienação, responsável pelo tardio 
desenvolvimento da ciência no Brasil. 
Somente após 1870, sob pressão do que ocorria na Europa, significativas 
mudanças irrompem na sociedade brasileira, mudanças essas que, fundidas 
a ciclos econômicos decadentes, provocaram a emergência do pensamento 
crítico, que passa a ser apresentado de forma incisiva tanto na criação literá-
ria quanto na crítica social. 
É de grande importância para o desenvolvimento do pensamento socioló-
gico brasileiro o desenvolvimento do capitalismo no país. O desenvolvimento 
das atividades comerciais e de exportação do início do século, com a forma-
ção da burguesia nacional, revolucionaram o modo de pensar da intelectu-
A sociologia da educação no Brasil
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alidade e da sociedade brasileira como um todo. Essa revolução decorre da 
necessidade da nova classe de um saber mais pragmático, menos vinculado a 
uma estrutura social herdada da colonização. A partir de então, verifica-se uma 
tentativa de ruptura com a herança cultural do passado: