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O Mistério da Atlantida   Charles Berlitz

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em porções
variáveis e eles próprios construíram templos e ofereceram sacrifícios. E Poseidon, tendo
recebido a Atlântida, teve filhos com uma mulher mortal e estabeleceu-os numa parte da ilha
que passarei a descrever. No lado que dá para o mar, no centro da ilha, havia uma planície
que era a mais amena de todas, e também a mais fértil. Perto dessa planície, também no meio
da ilha, numa distância de cerca de cinqüenta estádias, havia uma montanha que não era muito
alta em nenhum lado. Nessa montanha morava um dos primeiros homens do país, cujo nome
era Evenor, que tinha uma mulher chamada Leucipe e uma filha única de nome Cleito. A
menina estava na adolescência quando seus pais morreram; Poseidon apaixonou-se por ela,
teve relações com ela e, quebrando o solo, fechou em toda a volta a colina na qual ela morava,
formando zonas alternadas de terra e mar, maiores e menores,- fazendo círculos; dois de terra
e três de água, arrumados a partir do centro da ilha, eqüidistantes em todos os sentidos para
que nenhum homem pudesse se aproximar da ilha, pois ainda não se ouvira falar em navios e
viajantes. Ele próprio, sendo um deus, não teve dificuldade em fazer arranjos especiais para a
ilha central, e formou dois riachos subterrâneos que surgiam como fontes, uma de água fria e
outra de água quente, e fazendo brotar abundantemente da terra todas as variedades de
alimentos. Além disso teve cinco pares de filhos homens, que educou, dividindo a ilha da
Atlântida em dez partes: deu ao primeiro filho do par mais velho a morada da própria mãe e
as terras adjacentes, que eram as maiores e melhores, e fê-lo rei do restante; tornou os outros
príncipes e deu-lhes o poder de governar muitos homens e um vasto território. E deu um nome
a todos eles: ao mais velho, que era rei, deu o nome de Atlas, de onde toda a ilha e o oceano
tiveram o nome de Atlântico. A seu irmão gêmeo, nascido depois dele, deu a ponta da ilha que
ficava na direção das Colunas de Hércules, até o país que ainda é chamado a região de Gades,
nessa parte do mundo; deu-lhe o nome que na linguagem helênica é Eumelus e que na
linguagem do país é chamada de Gadeirus. Ao segundo par de gêmeos deu os nomes de
Ampheres e Evemon. Ao terceiro par de gêmeos deu os nomes de Mnesus — o mais velho —
e Autocton. Ao quarto par de gêmeos deu os nomes de Elasipus e Mestor. E ao quinto par deu
ao mais velho o nome de Azies e ao outro Diapredes. Todos eles e seus descendentes eram os
habitantes e governantes de diversas ilhas em alto mar; e também, como já foi dito, eles tinham
poder sobre o outro lado do país, entre as Colunas e até o Egito e o Tirreno. Bem, Atlas tinha
uma família numerosa e honrada e seu filho mais velho passou o poder para cada um dos mais
velhos durante muitas gerações; e possuíam uma fortuna maior do que a de qualquer outro rei
ou potentado, tão grande que provavelmente jamais haverá outra igual, e tinham tudo o que
desejavam, tanto na cidade como no campo. Porque, devido à grandeza de seu império, muitas
coisas eram trazidas para eles de países estrangeiros, e a própria ilha provia a maior parte das
necessidades vitais. Em primeiro lugar, escavavam da terra tudo o que podia ser encontrado:
minerais e metais, assim como aquilo que hoje em dia é apenas um nome — oricalco — mas
que na época era mais do que isso, sendo obtido da terra de muitos lugares da ilha, e
considerado, sem contar o ouro, o metal mais precioso para os homens daquele tempo. Havia
abundância de madeira para os trabalhos de carpintariae alimento suficiente para os animais
selvagens e domésticos. Além disso havia na ilha um grande número de elefantes, e alimento
para animais de toda espécie, tanto para os que vivem nos lagos, pântanos e rios como para os
que vivem nas montanhas e planícies, e portanto para o animal maior e mais voraz de todos
eles. Além disso tudo o que tem fragrância no "mundo, sejam raízes, ervas, madeiras, néctares
de flores ou frutos cresciam e desabrochavam na região; e as frutas cultivadas na terra, tanto
as frutas secas e comestíveis quanto as outras espécies de alimentos, que chamamos pelo nome
geral de legumes, e as frutas de casca grossa, que podiam ser transformadas em bebidas, carne
ou ungüentos, mais um bom sortimento de castanhas e congêneres, que podem ser usadas para
se brincar e são frutas que se estragam se forem guardadas — e todos os tipos de sobremesa
que nos consolam depois do jantar, quando estamos fartos e cansados de comer — tudo isso
essa ilha sagrada, iluminada pelo sol, produzia maravilhosamente e com abundância.
Recebiam todas essas coisas da terra e entregavam-se à construção de seus templos e
palácios, baías e ancoradouros, e organizaram todo o país da seguinte maneira: em primeiro
lugar construíram pontes em todas as zonas do mar que cercavam a antiga metrópole e fizeram
passagens para entrar e sair do palácio real; em seguida começaram a construir o palácio do
deus de seus ancestrais. Continuaram a ornamentá-lo durante gerações sucessivas, cada rei
superando o antecedente, levando ao máximo seu poder, até terem feito da construção a maior
maravilha em termos de tamanho e beleza. E, a partir do mar, construíram um canal de
trezentos pés de largura, cem pés de profundidade e cinqüenta estádias de comprimento, canal
esse que ia até a zona mais afastada, formando uma passagem do mar para o canal, que se
tornou um ancoradouro, deixando uma abertura suficiente para que os maiores navios
pudessem passar. Além disso dividiram as zonas de terra que separavam as zonas de mar
construindo pontes de uma largura que permitisse a um só trirreme ultrapassar outro, e essas
pontes eram cobertas; por baixo delas havia um caminho para os navios, pois as margens eram
consideravelmente mais altas que o nível da água. Bem, a maior zona na qual foi barrada a
passagem para o mar possuía três estádias de largura, e a zona de terra que vinha em seguida
tinha a mesma largura; porém as duas seguintes, tanto a de terra como a de água, tinham duas
estádias, e a que circundava a ilha central tinha apenas uma estádia de largura. A ilha na qual
ficava o palácio tinha cinco estádias de diâmetro. Isso, mais as zonas e a ponte, que tinha um
sexto de estádia de largura, eram cercados por um muro de pedra, com torres de cada lado e
portões nas pontes por onde o mar entrava. A pedra empregada nesse trabalho era retirada do
subsolo da ilha central e do subsolo" das zonas, tanto do lado de fora como do lado de dentro.
Havia pedras brancas, pretas e vermelhas, e à medida que escavavam esvaziavam as pedras
que eram duplas por dentro, fazendo telhados de
pedra natural. Algumas de suas construções eram simples, mas em outras colocavam
diversos tipos de pedras, que entremeavam pelo prazer de ornamentar, proporcionando uma
fonte de deleite natural. O circuito inteiro do muro que circundava tudo era recoberto por uma
camada de latão, e o circuito do muro seguinte era coberto de estanho, e o terceiro, que
fechava a cidadela, possuía o brilho vermelho do oricalco. Os palácios do interior da cidade
eram construídos da seguinte maneira: no centro havia um templo sagrado, dedicado a Cleito e
Poseidon, que permanecia inacessível e era cercado por uma grade de ouro; esse era o local
onde se originou a raça dos dez príncipes e portanto, todos os anos, levavam os frutos das dez
partes da terra e ofereciam sacrifícios a ambos os deuses. Ali era também o templo de
Poseidon, com uma estádia de comprimento e meia estádia de largura, com altura
proporcional e possuindo uma espécie de esplendor bárbaro. Todo o exterior do templo, com
exceção dos pináculos, era recoberto de prata, e os pináculos eram revestidos de ouro. No
interior do templo o teto era de marfim, todo enfeitado de ouro, prata e oricalco. Colocaram
estátuas de ouro no templo: havia o próprio deus em pé numa carruagem — o auriga de seis
cavalos alados — de tal altura que sua cabeça tocava o teto da construção; em torno dele
havia