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O Mistério da Atlantida   Charles Berlitz

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de seu pai Poseidon. Era essa
oração que cada um deles oferecia por si e por sua família, enquanto bebiam, e dedicando o
recipiente de ouro no templo do deus; depois de terem passado o tempo necessário jantando,
quando a noite chegava e o fogo do sacrifício tinha esfriado, todos eles vestiam lindas roupas
azuis e, sentados no chão, junto às cinzas dos sacrifícios sobre os quais tinham feito
juramentos, e tendo apagado todo o fogo aceso no templo, passavam ao julgamento, caso
algum deles tivesse alguma acusação a fazer contra o outro; e quando haviam terminado o
julgamento, ao raiar do dia, escreviam suas condenações numa placa de ouro e deixavam-na,
junto com as roupas, como monumento. Havia muitas leis que diversos reis tinham escrito nos
templos, porém a mais importante era a seguinte; não guerreariam um contra o outro e todos
viriam em auxílio se alguma cidade tentasse derrubar a casa real. Como seus antepassados,
deliberavam em comum sobre a guerra e outros assuntos, pertencendo a supremacia à família
de Atlas; e o rei não tinha poder de vida ou morte entre seus pares, a menos que tivesse o
consentimento da maioria dos dez reis.
"Assim era o vasto poder que o deus deixou na ilha perdida da Atlântida; e isso ele mais
tarde dirigiu contra nossa terra sob o seguinte pretexto, segundo a tradição: durante muitas
gerações, enquanto durou neles a natureza divina, eles eram obedientes às leis, e queriam bem
aos deuses, que eram seus pares; pois possuíam, em verdade, grandes espíritos, sendo gentis
sábios em todas as ocasiões da vida e em suas relações uns com os outros. Desprezavam tudo
o que não fosse virtude, não ligando para seu estado de vida presente, desapegados da posse
do ouro e de outras propriedades, que eram para eles apenas uma carga; também não se
deixavam inebriar pela luxúria; nem a fortuna lhes tirava o autocontrole, porém eram sóbrios e
viam claramente que todos esses bens aumentam pela mútua amizade virtuosa e que, através
de um zelo excessivo por eles, e em nome deles, o melhor se perde e a amizade perece com
eles.
"Através dessas reflexões e pela continuação das mesmas numa natureza divina, tudo
aquilo que descrevemos cresceu e aumentou com eles; mas quando essa parte divina começou
a se apagar, e freqüentemente se diluiu com muitas misturas de natureza mortal, e a natureza
humana começou a se mostrar mais forte, então eles, incapazes de suportar sua riqueza,
tornaram-se inconvenientes e, para quem estivesse atento, começaram a se mostrar indignos e
haviam perdido o maior de seus preciosos dons; mas para quem não estivesse atento,
continuavam a parecer gloriosos e abençoados nos momentos em que estavam cheios de
avareza e poder. Zeus, o deus dos deuses, que reina com a lei e que é capaz de ver essas
coisas, percebendo que uma raça honrada estava em péssimo estado, e desejando castigá-los,
para que fossem purificados e aperfeiçoados, chamou todos os deuses para a mais santa
habitação que, sendo localizada no centro do mundo, vê todas as coisas. E, tendo-os chamado,
falou-lhes da seguinte maneira...
 
Não há registro de que Platão jamais tenha terminado o segundo diálogo sobre a Atlântida
ou tenha escrito um terceiro, que havia anunciado mas aparentemente jamais escreveu; ou, se
escreveu, foi perdido. O poema Atlantikos, atribuído a Solon, também desapareceu no decurso
dos séculos.
O relato de Platão foi defendido e rejeitado desde que foi escrito. Alguns comentaristas
afirmam que não apenas Solon, mas também Platão, mais tarde, visitaram o Egito e
confirmaram pessoalmente essa informação — assim como o fez Krantor, um dos discípulos
de Platão — de que todos eles tinham "visto a evidência". De qualquer maneira, esse escrito
de Platão teve um impacto considerável sobre o pensamento humano através dos séculos e
ainda hoje. Alguns críticos da teoria da Atlântida insinuaram que a Atlântida só é lembrada
por causa de Platão. No entanto, considerando-se o crescente interesse sobre o assunto através
dos séculos e ainda hoje, será que não se trata, pelo menos no conceito popular, do inverso?
Aristóteles (384-322 a.C), ex-discípulo de Platão, está registrado como um dos primeiros
a descrer da Atlântida, se bem que ele próprio tenha escrito sobre uma grande ilha no
Atlântico, conhecida pelos cartagineses como Antilia.
Krantor (séc. IV a.C), discípulo de Platão, relatou que também ele vira as colunas nas
quais estava registrada a história da Atlântida tal como narrada por Platão. Outros escritores
antigos escreveram sobre um continente no Atlântico, algumas vezes com nomes diferentes de
Atlântida, chamando-o às vezes de Poseidonis, que vem de Poseidon, o deus do mar e senhor
da Atlântida.
Plutarco (46-120) escreveu sobre um continente chamado Saturnia e sobre uma ilha no
oceano chamada Ogygia, que ficava a cinco dias de navio do oeste da Bretanha. O nome
Ogygia também é encontrado em Homero, como sendo a ilha natal da ninfa Calipso.
Marcelinus (330-395), um historiador romano, escreveu que a "inteligência" de
Alexandria considerava a destruição da Atlântida como um fato histórico, descrevendo um
tipo de terremoto "que subitamente, por uma moção violenta, abriu enormes bocas e assim
engoliu porções da terra, como no mar Atlântico, na costa da Europa, uma grande ilha foi
engolida..."
Proclus (410-485), membro da escola neoplatônica, afirmou que não longe do oeste da
Europa havia algumas ilhas cujos habitantes ainda se lembravam de uma grande ilha que em
certa época os dominava e que fora engolida pelo mar. Ao comentar Platão, escreveu "... que
uma ilha dessas, de tal tamanho, existiu em determinada época é um fato evidente, segundo o
que é contado por certos historiadores em relação ao mar externo. De acordo com eles havia,
em sua época, sete ilhas naquele mar, consagradas a Perséfone, e três outras de grande
tamanho, uma das quais era consagrada a Plutão, uma a Ammon e uma a Poseidon, tendo essa
última uma área de mil estádias. Também dizem eles que os habitantes dessa ilha dedicada a
Poseidon guardavam a lembrança de seus antepassados e da ilha atlântica que ali existia e que
era realmente maravilhosa; e que durante séculos dominara todas as ilhas do mar Atlântico e
era consagrada a Poseidon..."
Homero (séc. VIII a.C.) fala, na Odisséia, da deusa Atena, que disse: "Nosso pai, filho de
Kronos, excelso governante... meu coração está partido por causa do sábio Odisseus, pobre
homem, que há tanto tempo deixou seus amigos, vivendo tristemente numa ilha cercada pelo
mar no próprio centro do mar. Nesta ilha cheia de árvores habita uma deusa, filha do astucioso
Atlas, que conhece a profundidade de todos os mares e sustenta os altos pilares que separam a
terra do céu..."
As referências a Atlas e Kronos são especialmente interessantes em relação à "ilha
cercada pelo mar no próprio centro do mar". Mais adiante Homero narra que o barco de
Odisseus atingiu "o limite do mundo, o profundo Okeanos. Ali ficam as terras e a cidade de
Kimmerioi, velada por bruma e nuvens..."
Na Odisséia Homero fala de Scheria, uma ilha afastada no oceano onde os faécios "...
viviam afastados, longe na profundidade imensurável em meio às ondas — os mais remotos
homens..." Também descreve a cidade de Alcino, atribuindo-lhe uma soma de riqueza e de
magnificência que lembra uma das descrições da Atlântida por Platão. Apesar da diferença de
nomes essa poderosa ilha de Scheria é outra indicação da lembrança de uma ilha continental
que ficava depois das Colunas de Hércules no oceano a oeste.
Como, segundo Platão, suas informações básicas sobre a Atlântida provieram de registros
egípcios, pensa-se que deveria haver mais referências à Atlântida em tais documentos.
Algumas referências nesses registros foram interpretadas dessa maneira, tais como "o reino
dos deuses" sobre o Egito durante milhares de anos antes da primeira dinastia egípcia de que
se tem notícia. Além disso, o escritor e sacerdote egípcio