Curso de Direito Civil - Lauro Escobar - apostila

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já não existem 
mais os Territórios no Brasil. Mas apesar de não mais existirem há previsão 
expressa na Constituição Federal, possibilitando a criação de eventual novo 
Território, por meio de Lei Complementar (arts. 18, §2° e 48, inciso VI, 
CF/88). Para o Direito Civil ele será considerado como sendo uma Pessoa 
Jurídica de Direito Público Interno, pois há previsão expressa no art. 41, inciso 
II do Código Civil neste sentido. Alguns autores classificam os territórios como 
"autarquias territoriais" dando a entender que seriam pessoa jurídicas de 
direito público interno de administração indireta. 

O Brasil, pelos termos da Constituição Federal de 1988, é uma 
República Federativa, com sistema Presidencialista. Além disso (segundo a 
doutrina), possui como Regime de Governo o Estado Democrático e de Direito. 

B) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO DE 
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA OU DESCENTRALIZADA (art. 41, IV e V, CC) 
— São órgãos descentralizados, criados por lei, com personalidade jurídica 
própria para o exercício de atividade de interesse público. São eles: a) 
Autarquias. b) Associações Públicas (Lei n° 11.107/05). c) Demais entidades 
de caráter público criadas por lei. Vejamos cada um destes itens: 

A) AUTARQUIAS 

São pessoas jurídicas de direito público, que desempenham atividade 
administrativa típica, com capacidade de auto-administração. Embora ligadas 
ao Estado, elas desfrutam de certa autonomia, possuindo patrimônio e 
orçamento próprio, mas sob o controle do Executivo que o aprova por Decreto 
e depois o remete ao controle do Legislativo. Elas são criadas por lei específica, 
possuindo atribuições estatais específicas, destinadas à realização de obras e 
serviços públicos, de cunho social, geralmente ligadas a área da saúde, 
educação, etc. (exclui-se, portanto as de natureza econômica ou industrial). A 
autarquia nasce com a vigência da lei que a instituiu; não há necessidade de 
registro. Seus atos são considerados como administrativos. Como possui 
personalidade jurídica própria, ela se desliga do ente criador. Portanto, se 
alguém quiser discutir judicialmente uma revisão em sua aposentadoria, deve 
ingressar com ação judicial não contra a União (entidade criadora), mas contra 
o próprio INSS como entidade autônoma e com patrimônio próprio. Ex: INSS 
(Instituto Nacional de Seguridade Social), USP (Universidade de São Paulo), 
Imprensa Oficial do Estado. 

Observação: Algumas autarquias como o BACEN são consideradas 
"autarquias de regime especial", posto que o legislador conferiu a elas maior 
autonomia perante o Poder Executivo em comparação com as demais. 

B) ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS 

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CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 

A Lei n° 11.107/05 regulou os consórcios públicos, cumprindo o 
disposto no art. 241 da Constituição Federal. A lei optou por atribuir 
personalidade jurídica aos consórcios públicos, dando-lhes a forma de uma 
associação, podendo ser de direito público ou de direito privado. Quando 
criado com personalidade de direito público, o consórcio público se apresenta 
como uma associação pública. O consórcio público será constituído por 
contrato, cuja celebração dependerá de prévia subscrição de protocolo de 
intenções. 

C) FUNDAÇÕES PÚBLICAS 

Fundação é uma instituição típica do direito privado. Para a sua criação 
destina-se um acervo de bens particulares para a realização de finalidades 
sociais, sem natureza lucrativa (educacional, assistencial, etc.). Compreende 
sempre: patrimônio e finalidade. No entanto, ultimamente, o Poder Público 
também tem instituído fundações para a execução de algumas atividades 
sociais. Estas fundações públicas se assemelham, então, às fundações 
particulares. No entanto elas se diferenciam nos seguintes aspectos: enquanto 
a fundação privada é criada a partir de um ato de um particular e com 
patrimônio deste, a fundação pública é criada mediante autorização de lei 
específica, a partir de um patrimônio público. Ex: FUNARTE (Fundação Nacional 
das Artes), FUNAI (Fundação Nacional do Índio), Fundação Biblioteca Nacional, 
Fundação Nacional da Saúde, etc. 

Inicialmente, sem dúvida alguma, segundo o Decreto-lei 200/67, trata-
se de uma entidade da Administração Indireta. Se observarmos bem o art. 
41, CC, que arrola as pessoas jurídicas de direito público, vamos concluir que 
ele não menciona, de forma expressa, a "fundação". No entanto, segundo a 
doutrina, as fundações públicas estariam implícitas na expressão "demais 
entidades de caráter público criadas por lei". E Constituição Federal de 1988, 
em especial após a Emenda Constitucional n° 19/98 (art. 37, XIX) reforçou 
esta posição. 

Assim, para os civilistas de uma forma geral a fundação é uma pessoa 
jurídica de direito público interno, apesar de não haver previsão expressa 
neste sentido. 

Segundo a doutrina, na expressão "demais entidades de caráter público" 
também estariam incluídas as Agências Reguladoras (que possuem natureza 
de autarquia federal especial), incumbidas de normatizar e fiscalizar a 
prestação de certos serviços de grande interesse público. Ex: ANATEL (Agência 
Nacional de Telecomunicações), ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), etc. 

II.PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO 

A pessoa jurídica de direito privado é instituída por iniciativa dos 
particulares em geral. Dividem-se em: fundações, partidos políticos, 
organizações religiosas, associações e sociedades. A doutrina ainda acrescenta 
os sindicatos, pois eles têm natureza de associação civil. 

1. FUNDAÇÕES PARTICULARES 

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A doutrina costuma usar a seguinte expressão: as fundações são 
universalidades de bens (resultam da afetação de um patrimônio e não da 
união de indivíduos), personificados, em atenção ao fim que lhes dá unidade. 

Podemos conceituar uma fundação como sendo o complexo de 
bens livres colocados por uma pessoa física ou jurídica, a serviço de um fim 
lícito e especial, com alcance social pretendido por seu instituidor, e em 
atenção ao disposto em seu estatuto. Uma pessoa (natural ou jurídica) separa 
parte de seu patrimônio, criando a fundação para atingir objetivo não 
econômico. A partir de sua criação, o patrimônio da fundação não pertence 
mais ao patrimônio da pessoa que a criou, uma vez que passa a ter 
personalidade própria. Ex: a Fundação Roberto Marinho em momento algum 
pode ser confundida com a Rede Globo de Televisão. 

O próprio instituidor poderá administrar a fundação (forma direta) 
ou encarregar outrem para este fim (forma fiduciária). De acordo com o art. 
62, parágrafo único do CC terão sempre fins religiosos, morais, culturais ou de 
assistência. Outros exemplos: Fundação São Paulo (mantenedora da Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo), Fundação Ayrton Senna, etc. São criadas 
a partir de uma escritura pública (inter vivos) ou de um testamento (causa 
mortis). Portanto elas não podem ser criadas por instrumento particular ou 
privado. Para a sua criação pressupõem-se: 

• Dotação de bens livres - o instituidor destina determinados bens que 
comporá o patrimônio da fundação, que deve ser apto a produzir rendas 
ou serviços que possibilitem alcançar os objetivos visados, sob pena de 
frustrá-los. 

• Elaboração de estatutos com base em seus objetivos. Eles devem ser 
submetidos à apreciação do Ministério Público estadual que os fiscalizará. 
Em regra o seu objetivo é imutável. No entanto é possível a reforma 
dos estatutos, desde que: seja deliberada por dois terços dos competentes 
para gerir e representar a fundação; não contrarie ou desvirtue o seu fim; 
seja aprovada pelo órgão do Ministério Público (caso este a denegue, 
poderá o Juiz supri-la, a requerimento do interessado). 

• Especificação