Zika Virus
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Zika Virus


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ZIKA VÍRUS
DEFINIÇÃO: O vírus Zika recebeu a mesma denominação do local de origem de sua identificação em 1947 após detecção em macacos sentinelas na floresta Zika, em Uganda. Vigilância epidemiológica preconizada, DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA.
EPIDEMIOLOGIA: Embora a primeira evidência de infecção humana pelo vírus Zika tenha ocorrido em 1952, o potencial epidêmico do vírus Zika só foi reconhecido a partir de 2005 e principalmente após o surto de 2007 na Oceania. O Ministério da Saúde começou a receber notificações e monitorar casos de doença exantemática sem causa definida na Região Nordeste a partir do final do mês de fevereiro de 2015, com relato de casos nos estados da Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba, todos os casos apresentando evolução benigna com regressão espontânea, mesmo sem intervenção clínica, com mais de 6.800 casos identificados até aquele momento. Em 29 de abril, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia anunciam a identificação do vírus Zika. Seguindo o fluxo de investigação laboratorial, os achados foram validados pelo Laboratório de Referência Nacional para arbovírus, Instituto Evandro Chagas, no estado do Pará, em 14 de maio de 2015. No Brasil, a circulação de Zika vírus foi confirmada por meio de exames laboratoriais, em 18 unidades da federação, distribuídas nas cinco regiões do país. 
TRANSMISSÃO: Picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado pelo vírus ZIKAV da família Flaviviridae. Até o momento, são conhecidas e descritas duas linhagens do vírus: uma Africana e outra Asiática. Esta última é a linhagem identificada no Brasil e estudos publicados em 25 de novembro de 2015 indicam adaptação genética da linhagem asiática. O Aedes albopictus também apresenta potencial de devido a ampla distribuição. Está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal (líquido amniótico), sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional. 
CLÍNICA: 80% dos casos infectados serão ASSINTOMÁTICOS ou OLIGOSSINTOMATICOS e não irão manifestar sinais ou sintomas da doença. Os 20% serão sintomáticos caracterizam uma doença febril aguda, autolimitada na maioria dos casos.
Sintomas comuns à outras arboviroses tais quais febre, cefaleia, exantema maculopapular pruriginoso, conjuntivite, mialgia, artralgia, mal-estar. Estes sintomas são, normalmente, ligeiros e duram 2-7 dias. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem excepcionalmente evoluir para óbito, como identificado no mês de novembro de 2015 pela primeira vez na história.
DIAGNÓSTICO: Grande parte dos doentes não irá procurar serviços de saúde devido à clínica, dificultando ainda mais o conhecimento da magnitude dessa doença. 
Até o momento não há teste sorológico em qualidade e quantidade disponível, restringindo-se apenas na identificação do vírus por isolamento ou PCR no quadro agudo da doença. Considerando todas as limitações, estimou-se o número de casos de infeções pelo vírus Zika a partir dos casos descartados para dengue e projeção com base na literatura internacional. 
OBS: A FIOCRUZ produziu O Kit NAT discriminatório para dengue, zika e chikungunya esse permite realizar a identificação simultânea do material genético dos três vírus. Além de evitar a necessidade de três testes separados, o kit oferece uma combinação pronta de reagentes, acelerando a análise das amostras e a liberação dos resultados. 
- 15/02/16: Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial referente ao diagnóstico laboratorial do Zika vírus: A detecção dos anticorpos circulantes pode ser feita por diferentes metodologias, tais como ELISA, imunofluorescência indireta ou imunocromatografia (teste rápido). A presença de anticorpos da classe IgM caracteriza a infecção aguda, podendo ser detectáveis após 4 dias de infecção até 2-12 semanas, na fase de convalescença. Um teste sorológico negativo após 12 semanas da suposta exposição, como viagens para locais com epidemia, descarta a infecção. 
TESTES APROVADOS PELA ANVISA
TRATAMENTO: Repouso, hidratação paracetamol ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor, no caso de erupções pruriginosas o anti-histamínico. Não se recomenda o uso de AAS e outros anti-inflamatórios pelo risco hemorrágico. As SGB deverão ser imediatamente tratadas em ambiente hospitalar podendo ser necessário suporte de terapia intensiva.
COMPLICAÇÕES: 
- MICROCEFALIA: 
 Definição: A microcefalia relacionada ao vírus Zika é uma doença nova que está sendo descrita pela primeira vez na história e com base no surto que está ocorrendo no Brasil. Representa uma anomalia em que o Perímetro Cefálico (PC) é menor que dois (2) ou mais desvios-padrão (DP) do que a referência para o sexo, a idade ou tempo de gestação.
Epidemiologia: Em novembro de 2015, com base nas investigações clínicas, epidemiológicas e laboratoriais, além identificação do vírus em líquido amniótico de duas gestantes da Paraíba com histórico de doença exantemática durante a gestação e fetos com microcefalia, identificação de vírus Zika em tecido de recém-nascido com microcefalia que evoluiu para óbito no estado do Ceará, o Ministério da Saúde reconheceu a relação entre o aumento na prevalência de microcefalias no Brasil com a infecção pelo vírus Zika durante a gestação.
Fisiopatologia: A ocorrência está relacionada a exposição a fatores biológicos, químicos, físicos e genético. Sabe-se que o sistema nervoso central permanece suscetível a complicações durante toda a gestação. A exemplo de outras infecções congênitas, o desenvolvimento dessas anomalias depende de diferentes fatores, que podem estar relacionados à carga viral, fatores do hospedeiro, momento da infecção ou presença de outros fatores e condições desconhecidos até o momento. O perfil de gravidade das complicações da infecção pelo vírus Zika na gestação dependerá de um conjunto de fatores, tais como: estágio de desenvolvimento do concepto, relação dose-resposta, genótipo materno-fetal e mecanismo patogênico específico de cada agente etiológico.
 Clínica: Por si só, a microcefalia não significa que ocorram alterações motoras ou mentais, contudo, a maioria dos casos de microcefalia é acompanhada de alterações motoras e cognitivas que variam de acordo com o grau de acometimento cerebral. Divide-se em congênita e pós-natal pode ser acompanhada de epilepsia, paralisia cerebral e em geral ocorre atraso no desenvolvimento neuropsicomotor com acometimento motor e cognitivo relevante e, em alguns casos, as funções sensitivas (audição e visão) também são comprometidas. 
Diagnóstico: O acesso ao cuidado pré-natal na Atenção Básica é essencial para a identificação precoce de todas as gestantes visando às intervenções oportunas em todo o período gestacional, sejam elas preventivas ou terapêuticas. Caso haja diagnóstico laboratorial conclusivo para vírus Zika, define-se como caso CONFIRMADO para gestante, sob risco de feto com microcefalia secundária a possível exposição ao vírus Zika. A USG obstétrica mostrando um feto com circunferência craniana aferida menor que dois desvios padrões abaixo da média para a idade gestacional, ou com alteração no sistema nervoso central (SNC) sugestiva de infecção congênita, este pode ser considerado um caso SUSPEITO de microcefalia relacionada ao vírus Zika na gestação. Casos CONFIRMADOS são: Feto com alterações no SNC características de infecção congênita identificada por ultrassonografia E relato de exantema na mãe durante gestação E excluídas outras possíveis causas, infecciosas e não infecciosas; Aborto espontâneo de gestante com relato de exantema durante a gestação, sem outras causas identificadas, com identificação do vírus Zika em tecido fetal/embrionário ou na mãe.
Seguimento: Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança, e este acompanhamento é preconizado pelo Sistema Único da Saúde (SUS).
Miyuki
Miyuki fez um comentário
tem como mandar no email ?
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