PSICOTERAPIA BREVE. Mauro Hegenberg
149 pág.

PSICOTERAPIA BREVE. Mauro Hegenberg

Disciplina:Psicoterapia Psicanalítica76 materiais942 seguidores
Pré-visualização43 páginas
COLEÇÃO CLÍNICA PSICANALÍTICA

Dirigida por Flávio Carvalho Ferraz

PSICOTERAPIA BREVE
Mauro Hegenberg

© 2010 Casapsi Livraria, Editora e Gráfica Ltda.

É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, para qualquer finalidade,
sem autorização por escrito dos editores.

1ª edição
2004

2ª edição
2005

3ª edição
2010

Editores
Ingo Bernd Güntert e Jerome Vonk

Assistente Editorial
Aparecida Ferraz da Silva

Editoração Eletrônica
Carla Vogel

Produção Gráfica
Fabio Alves Melo

Revisão Final
Vinicius Marques Pastorelli

Projeto Gráfico da Capa
Yvoty Macambira

ISBN 978-85-8040-003-8

Reservados todos os direitos de publicação em língua portuguesa à

Casapsi Livraria, Editora e Gráfica Ltda.

www.casadopsicologo.com.br

2

Aos meus filhos Ivan e Eduardo

3

AGRADECIMENTOS

Ao Gilberto Safra, que tem sido, nos últimos anos, uma pessoa especial, tanto na minha
vida profissional quanto pessoal.

Aos meus alunos, que me acompanham sempre em minha trajetória com a Psicoterapia
Breve.

Ao grupo do NAPC - “Núcleo de atendimento e pesquisa da conjugalidade”, do
Instituto Sedes Sapientiae.

A Gislaine Mayo de Dominicis e Martha Seródio Dantas, do Curso de Psicoterapia
Breve do Sedes Sapientiae.

Ao Dr. Edmond Gilliéron, que abriu possibilidades na intersecção entre a Psicoterapia
Breve e a psicanálise.

Às psicólogas do Serviço de Atendimento Psicológico, da Faculdade de Medicina da
UNICAMP, e a Andrea Stuttman, do Chile, pelo apoio e exemplos clínicos.

Ao grupo das quartas-feiras, da Oficina Literária do Carlos Felipe Moisés, que me
ajudou na árdua e interminável tarefa da escrita. Escrevemos juntos “Quarta-feira:
antologia de prosa e verso”, São Paulo, Escrituras, 2003.

Ao pessoal do futebol, que me ensina a apreciar a simplicidade das coisas.

A Maria Trevisan, minha tia-avó. Se não sou mais louco do que sou, devo a ela.

Ao meu pai e à minha mãe, que me ensinaram a curiosidade e o desejo de saber.

A Marcia Porto Ferreira, mais que amiga, possibilitadora de confiança.

Ao meu trabalho, sentido maior das horas dos meus dias.

Aos meus filhos, Ivan e Eduardo.

4

PREFÁCIO

O ser humano, a fim de que possa acontecer e emergir como si mesmo, precisa iniciar
seu processo de constituição a partir de uma posição, de um lugar. Esse lugar não é um
lugar físico, é um lugar na subjetividade de um outro. Não é verdade que o fato de uma
criança ter nascido garanta que ela tenha tido um início como um ser participante do mundo
humano. É muito grande o número pessoas que vivem no mundo sem pertencer a ele, que
vivem nele sem que tenham tido início como um ser diante de um outro. Há necessidade,
para o acontecer humano, que a criança seja recebida e encontrada por um outro humano,
que lhe dê esse lugar, que lhe proporcione o início de si mesma. Não é possível se falar de
alguém sem que se fale de um outro.

Adentramos no mundo ao nascer e o deixamos para trás ao morrer. O mundo transcende
a duração de nossa vida, tanto no passado como no futuro. Ele preexistia à nossa chegada e
sobreviverá à nossa breve permanência. O nascimento humano e a morte de seres humanos
não são ocorrências simples e naturais, mas se referem a um mundo ao qual vêm e do qual
partem como indivíduos únicos, entidades singulares, impermutáveis e irrepetíveis. Sem
dúvida, pode-se afirmar que é preciso entrar no mundo para que o indivíduo sinta-se vivo
e existente, mas tem de ser de uma maneira singular e pessoal. Não basta, para o acontecer
do self do bebê, que o mundo esteja pronto com suas estéticas, com seus códigos, com seus
mitos.

A criança precisa, pelo gesto, transformar esse mundo em si mesma. É preciso que o
mundo, inicialmente, seja ela mesma, para que ela possa apropriar-se dele e compartilhá-
lo com outro.

A realidade compartilhada é construção de muitos, é campo em que existe a construção
de todos. Com a evolução do self, à medida que a pessoa caminha rumo ao campo social,
há a necessidade de que o indivíduo possa articular, ao mesmo tempo, a vida privada e a
vida social, para encontrar, no campo social, inserções que preservem o seu estilo de ser e
a sua história. É o momento da participação na sociedade por meio do trabalho, do
discurso, da obra, da ação política, ou seja, da capacidade criativa acontecendo no
mundo com os outros. Pela ação criativa no mundo, o homem colabora com a durabilidade
do mundo e com o processo histórico da sociedade.

5

Nossa cultura manifesta-se, na atualidade, de uma maneira que já não mais reflete a
medida humana. Recriar o mundo e o campo social torna-se mais complicado, pois, pela
invasão da técnica como fator hegemônico da organização social, o ser humano só muito
raramente encontra a medida do seu ser, que permita o estabelecimento do objeto subjetivo
a cada um dos níveis de realidade para a constituição e o devir de seu self.

Na atualidade testemunhamos, em nossa clínica, inúmeras formas de sofrimento
psíquico decorrentes de fraturas da cidadania, estilhaçamentos da ética, fenômenos que se
encontram na literatura psicológica e social debaixo da categoria de exclusão social.

O fenômeno da exclusão social acontece de inúmeras maneiras: econômica, social,
cultural. Testemunhamos em nosso meio, como parte desse processo, inúmeras pessoas,
vivendo em situações de grande sofrimento sem dispor de possibilidades para encontrar a
ajuda necessária ao seu tipo de padecimento. É urgente que possamos contar com práticas
clínicas de qualidade e que tenham sido desenvolvidas em meio ao rigor demandado pela
comunidade científica, para que possam ser inseridas em políticas públicas de saúde
mental.

A Psicoterapia Breve encontra-se entre as modalidades terapêuticas que melhor podem
contemplar os sofrimentos psíquicos que surgem na atualidade. Trata-se de uma prática que
tem sido utilizada há muitos anos e é um campo de intervenção clínica com grande
quantidade de trabalhos originados de pesquisas que procuraram investigar as suas
possibilidades e limites.

Mauro Hegenberg vem estudando e praticando a Psicoterapia Breve há muitos anos. Ele
tem sido um dos profissionais responsáveis pelo seu uso em instituições públicas, além de
ter ensinado essa modalidade de trabalho clínico para muitos profissionais no campo da
saúde mental. Mauro é detentor de um saber respeitável nessa área e vem agora nos ofertar
esse livro, que é resultado de suas reflexões e pesquisas com a prática da Psicoterapia
Breve. Esse trabalho é muito bem-vindo, para auxiliar aqueles que se deparam com a
necessidade de adentrar-se no campo da Psicoterapia Breve e que veem nela uma
possibilidade legítima de intervenção clínica. Uma grande qualidade desse livro é o fato
de Mauro abordar o tema com sua peculiar didática, tornando o texto mais palatável,
mesmo abordando conceitos complexos que norteiam essa modalidade de atendimento
clínico.

6

O texto de Mauro possibilita que compreendamos a Psicoterapia Breve não só como
uma prática que auxilia no tratamento dos sofrimentos psíquicos do paciente, mas também
como um modo de se estar eticamente posicionado diante dele. O atendimento clínico
adequado ao paciente, ao mesmo tempo em que lhe ajuda a superação de sofrimentos
paralisadores, lhe dá, também, a oportunidade de encontrar ou reencontrar o olhar que lhe
devolva a dignidade necessária ao seu percurso pela existência. Convido o leitor à
percorrer o texto, certo de que encontrará reflexões fecundas para o exercício da
psicoterapia em instituição ou consultório particular.

Gilberto Safra

7

APRESENTAÇÃO

Esse livro é fruto de mais de 15 anos de experiência ministrando cursos, palestras e
supervisões sobre Psicoterapia Breve.

O primeiro curso de Psicoterapia Breve que ministrei teve início 1988 e foi até 1994,
graças a um Convênio entre o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e
a Secretaria de Estado da Saúde.
Carregar mais