RESUMO - OS CLÁSSICOS DA POLÍTICA CAP 2 - ICS.rtf
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DisciplinaIntrodução Às Ciências Sociais425 materiais1.684 seguidores
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Resumo baseado no capítulo 2 de Os Clássicos da Política: Nicolau Maquiavel: o
cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù
"O maquiavelismo serve a todos os ó dios, metamorfoseia-se de acordo com os
acontecimentos [...] é uma f orma de desqualificar o inimigo, apresentando-o sempre como
encarnação do mal [...] o "antimaquiavelismo" tornou-se mais forte que Maquiavel”.
"Maquiavel discorreu sobre a liberdade, ao oferecer preciosos conselhos para sua
conquista ou salvaguarda." Rosseau o defende.
As desventuras de um florentino: incentivado pelo pai a ler clássicos passou sua
infância e adolescência vendo governos conturbados, alcançou um cargo
importante aos 29, s egunda chancelaria, no governo de Savonarola. Mas assim
que os Médicis retornam ao governo a república é desfeita e ele é retirado do
cargo e torturado, dentre outras coisas. Maquiavel fica exilado em sua própria terra
vivendo com pouco e impedido de praticar sua profissão.
Sua vida é marcada por uma contínua alternância entre esperança e
decepções. Busca incessantemente voltar aos cargos públicos, para isso f oi capaz de
dedicar "O Príncipe" aos Médicis, de nada adiantou. Por fim, tempos depois os Médicis o
incumbiram de escrever sobre Florença, contudo, tal ato f ez com q ue Nicolau f icasse mal
visto aos olhos dos republicanos q ue voltaram ao poder pouco depois e o consideraram
oposição e assim, desgostoso, ele adoece e morre.
A verdade efetiva das coisas: Maquiavel possui predestinação inarredável para
falar sobre o Estado. Não do Estado idealizado (como Platão, Aristóteles e Sto
Tomás de Aquino), mas do Estado real. Enfatiza a verità effettuale - a verdade
efetiva das coisas. O problema central de sua discussão política é descobrir como
pode ser resolvido o inevitável ciclo de estabilidade e caos. Provocou ruptura com
o saber repetido pelos séculos. A ordem, produto necessário da política, não é
natural. Mesmo quando é alcançada não é definitiva. Seu ponto de part ida e
chegada é a realidade concreta. Pensamento em constante mutação e fluxo que
determina seu curso pelo movimento da realidade, política sempre instável: “o
mundo da política não leva ao céu, mas sua ausência é o pior dos infernos”.
Natureza humana e história: “os homens são ingratos, volúveis, simuladores,
covardes, ante os perigos, ávidos de lucro”. Tais atributos mostram que o conflito e
a anarquia são desdobramentos necessários dessas paixões e instintos
malévolos. Paixões e instintos humanos são inextinguíveis, o ciclo se repete
apenas com o tempo de duração sendo alterado. O poder é a única possibilidade
de enfrentar o conflito, ainda assim não garantias de permanência porque a
perversidade humana volta a se manifestar.
Anarquia x Principado e República: Uma força quer dominar e a outra não quer
ser dominada. “O problema político é então encontrar mecanismos q ue imponham
a estabilidade das relações, que sustentem uma determinada correlação de
forças”. Para Maquiavel há duas respostas à anarquia: o Principado e a República.
Uma nação ameaçada de deterioração, com corrupção alastrada, é necessário
que haja um governo f orte: o Principado. Quando a nação encontrou formas de
equilíbrio ela está preparada para a República, chamada por vezes de liberdade,
com povo virtuoso e instituições estáveis e contemplam a dinâmica das r elações
sociais. “Os conflitos são fonte de vigor, sinal de uma cidadania ativa, e, portanto
são desejáveis”.
Virtù x fortuna: Maquiavel enf renta a predestinação, o penúltimo capítulo do
Príncipe demonstra que a virtù pode conquistar a f ortuna: “a liberdade do homem
é capaz de amortecer o suposto poder incontrastável da Fortuna, não cabe nessa
imagem a virtude cristão e sim uma virtude que pode ser al cançada através de luta
por aqueles que possuem virtù. “Dessa forma, o poder que nasce da própria
natureza humana e encontra seu fundamento na força (utilização virt uosa da
força) é redefinido”. Novamente não garantias de que o poder
(independentemente de sua forma) se m antenha. “A f orça explica o fundamento
do poder, porém é a posse da virtù a chave do sucesso do príncipe. Sucesso esse
que tem uma medida política: a manutenção da conquista”.
Para Maquiavel vícios que são virtudes e que o príncipe pode se incorrer dos
defeitos mencionados para salvar o Estado. Para se manter no poder o príncipe
deve t er sabedoria de agir de acordo com as circunstâncias. Devendo, contudo,
aparentar possuir as qualidades valorizadas pelos governados. A virtù política
enquadra os vícios e o reenquadramento de forças, é a combinação da virilidade
com a natureza animal. Nicolau foge do moralismo piedoso, ele recupera no mito
as questões adormecidas, instaurando modernidade no pensar a política. Para
pensar no m odo de política por ele levantado é necessário não ter preconceitos no
pensamento político e em sua verità effetuale. Nicolau Maquiavel, o cidadão sem
fortuna, o intelectual de virtù.
Resumos de alguns trechos de ‘O príncipe’:
Capítulo I - De quantas espécies são os principados, e de que modo se adquirem:
Repúblicas e Principados: Os principados são novos ou hereditários. O s novos são
obtidos com as armas de alguém ou com as próprias, por obra da fortuna ou da virtude.
Capítulo II Os principados hereditários: Estes são mais fáceis de ser mantidos.
Capítulo III Dos príncipes mistos: Homens gostam de mudar de senhor, julgando
melhorar, o que os faz pegar em armas contra seus governantes. Mais tarde se vê q ue só
pioraram. “Passamos assim a t er como inimigos t odos aqueles a q uem prejudicamos ao
ocupar o principado, e ao mesmo tempo não podemos conservar os amigos q ue nos
puderam”. Mas os amigos também não são tratados com tanta dureza, sempre nos é
indispensável o favor dos habitantes de uma província para entrar nesta.
É mais fácil manter um domínio ao ir residir nele, o outro meio eficaz é colonizar algumas
regiões estratégicas do Estado (são fiéis, prejudicam menos e os prejudicados não tem
força [estão pobres e dispersos] para reagir). Caso isso não s eja feito, tem de se colocar
gente armada e infantes que prejudicam muito mais.
Quando se toma uma província com língua e costumes diferentes o ideal é tornar -se
amigo dos vizinhos menores e vigiar para que nenhum estrangeiro tão poderoso quanto
ele entre nesta.
Capítulo IV Por que motivo o reino de Dario, q ue foi ocupado por Alexandre, não se
rebelou contra os sucessores do macedônio após a morte deste: “os principad f oram
governados de duas formas distintas: ou por um príncipe, de quem todos os demais são
servidores q ue, como ministros por mercê e concessão sua o ajudam a g overnar aquele
reino; ou por um príncipe e por barões cujos tulos nobiliários derivam da sua
ascendência e não da graça do senhor, barões estes com Estados e súditos próprios, que
os reconhecem por amos e lhes votam natural afeição”.
Capítulo V Como se devem governar as cidades ou principados que, antes de serem
ocupados, se r egiam por leis próprias: t rês maneiras de conservá-lo: destruir, morar nele
ou deixá-lo viver com as suas leis, exigindo um tributo e estabelecendo nele um governo
de poucas pessoas.
Capítulo VI Dos principados novos que se conquistaram com as próprias armas e valor
[virtù]: Tem mais ou menos dificuldades diante da quantidade de virtude q ue existe no
príncipe e passar de particular a príncipe pressupõe valor ou fortuna (quem menos confia
na última mantém o poder por mais tempo). Mais fácil ainda se for habitar neste.
Capítulo VII Dos principados novos que se conquistam com as armas e a fortuna de
outrem: Os particulares que chegam à condição de príncipe impelidos unicamente pelo
destino, com pouco esforço a alcançam, mas com muito a retêm”.
Capítulo VIII Dos que cheg aram ao poder por meio de crimes: “Por meio de práticas
celeradas e nefandas ou o favor dos outros concidadãos”.
Capítulo IX Do principado civil: Principado estabelecido com a ajuda dos compatriotas,
antes de virtù e fortuna tem uma astúcia afortunada. Pode ser ajudado pelos que o
querem ser oprimidos (mais f ácil, pois estes obedecem) ou pelos opressores (fica mais
difícil por estes se acharem iguais ao príncipe), tais são as tendências que podem g erar o
principado, a liberdade ou a anarquia.
O príncipe deverá m anter o povo como amigo, tendo sido ajudado por ele ou conquistá-lo
caso tenha entrado por outros meios. Não pode se “encostar” nele, mas r eceber apoio e
ter capacidade para comandá-lo. O g overno cai quando da ordem civil passa à monarquia
absoluta.
Existem dois tipos de poderosos: os que procedem de forma que seu f uturo f ique ligado
ao destino do príncipe deve se servir deles, principalmente se f orem bons conselheiros
-, ou não estes pensam mais em si mesmos do q ue no príncipe, o último deve tomar