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Psicologia Aplicada a Saude U1

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atores permitirem a expressão da subjetividade do indivíduo, 
por meio do acolhimento da totalidade de sua essência, o que inclui a adoção 
de uma postura humana por parte dos profissionais da área em equilíbrio com 
o saber técnico-científico. Mas o que estamos chamando de postura humana? 
São comportamentos que expressam sensibilidade, confiança e diálogo que 
favoreçam a construção de um vínculo entre dois ou mais indivíduos: o paciente 
e os profissionais da saúde. Como vimos anteriormente, subjetividade significa 
singularidade. Portanto a humanização prega que os profissionais da saúde 
reconheçam a subjetividade do indivíduo, o que significa respeitar as distintas 
necessidades de cada usuário do sistema de saúde. 
Contudo, o ponto central da política de humanização da saúde encontra-se em 
promover com êxito o compromisso mútuo dos profissionais dessa área a partir de 
uma visão solidária e de corresponsabilidade em torno dos processos de produção 
de saúde. A ideia é que estes adotem atitudes e um olhar mais humanizado 
distanciando-se cada vez mais, portanto, do modelo biomédico e assimilando o 
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modelo biopsicossocial que trata o indivíduo em sua totalidade (CAPRA et al., 2006 
apud MACEDO; NOGUEIRA-MARTINS; NOGUEIRA-MARTINS, 2008). A ideia aqui 
compartilhada indica que a humanização em saúde passa, necessariamente, pela 
preparação ou capacitação dos profissionais da área, os quais são os protagonistas 
desse conceito à medida que lhes cabe assegurar postura e comportamentos de 
acolhimento, respeito, solidariedade ao indivíduo-usuário. 
Vamos ampliar o conhecimento! Acesse o link seguinte para ler o 
texto intitulado “O acolhimento na Atenção Básica em saúde: relações 
de reciprocidade entre trabalhadores e usuários”, no qual encontrará 
resultados de uma pesquisa sobre a prática do acolhimento e as relações 
de reciprocidade entre trabalhadores e usuários, na estratégia saúde da 
família. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sdeb/v39n104/0103-
1104-sdeb-39-104-00114.pdf>. Acesso em: 30 out. 2015.
Pesquise mais
Figura 1.6 | Contação de histórias na formação dos estudantes na área da 
Saúde – UNEB.
Fonte: Diário do Sudoeste da Bahia. Disponível em: <http://www.dsvc.com.br/wp-content/
uploads/2013/09/11339431.jpeg>. Acesso em: 30 out. 2015.
Caprara e Franco (1999 apud OLIVEIRA; NOGUEIRA-MARTINS; NOGUEIRA-
MARTINS, 2008) chamam a atenção para a dificuldade pelas quais os profissionais 
da saúde passam, em especial na esfera pública, quando lidam com aspectos 
pessoais e sociais dos usuários. Os autores dizem que, por desconhecerem a 
essência do indivíduo, esses profissionais vivenciam importante fonte de angústia 
e confusão e consideram tais questões complicadores do tratamento. Caprara e 
Franco (1999 apud OLIVEIRA; NOGUEIRA-MARTINS; NOGUEIRA-MARTINS, 2008) 
dizem ainda que a formação insuficiente dos profissionais da saúde deve-se à 
permanência do modelo biomédico em muitas escolas. 
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Se muitas escolas ainda adotam o modelo biomédico, como esperar que 
seus alunos compreendam o indivíduo a partir de sua complexidade? 
Como você deve lembrar, esse modelo faz uma divisão entre corpo e 
psique em oposição ao princípio de humanização que compreende o 
indivíduo-paciente em sua totalidade, ou seja, a partir da junção dos 
aspectos biopsicossociais (corpo, psique e cultura/social).
Reflita
É exatamente nesse aspecto que a psicologia pode fazer a diferença. Ao ser 
adotada no currículo dos diversos cursos da área da saúde, compartilhará os 
conhecimentos sobre a essência do indivíduo, a importância da subjetividade e 
integralidade, como vimos ao longo desta unidade. Deve ainda reforçar a importância 
do modelo biopsicossocial como a via mais indicada para atingir a integralidade e a 
complexidade do indivíduo, como também ressaltar a importância de os gestores 
da saúde promoverem programas que assegurem a qualidade de vida de seus 
profissionais e, dessa forma, cuidem do cuidador. Vale acrescentar que, entre 
as possibilidades de trabalho da psicologia na área da saúde, constam também: 
a intervenção, o atendimento aos familiares e aos cuidadores, a interconsulta, a 
discussão dos casos com os demais profissionais da área, os encaminhamentos 
para a rede de cuidados de saúde externos ao hospital e a capacitação de equipes 
(CAMPOS, 1995; ROMANO, 2008 apud VELASCO; RIVAS; GUAZINA, 2012).
Trabalhar em meio à contradição entre saúde e doença requer muito da saúde 
psicoemocional dos profissionais. De acordo com Oliveira, Nogueira-Martins e 
Nogueira-Martins (2008), os reflexos desse paradoxo podem ser observados no 
número de profissionais acometidos pelo stress, pelo sofrimento psíquico, e ainda na 
falta de comunicação eficiente entre os membros das equipes de saúde, o que vem se 
repetindo há muitas décadas. Os autores supracitados recorrerem a Pitta (1991) para 
indicar os fatores que têm desencadeado esses eventos, Veja o quadro a seguir.
Quadro 1.5 | Causas e consequências do adoecimento das equipes da saúde
CAUSAS ConSeQUÊnCIAS
Formação inadequada
Falta de preparo profissional para lidar com 
situações complexas ou difíceis.
Tipo de personalidade Desgaste emocional importante
Condições externas ao indivíduo
Organização do trabalho em um modelo que 
favorece o adoecimento
Natureza do trabalho Desgaste da tarefa assistencial
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Prejuízos à saúde e ao ambiente de trabalho
• Somatização, alterações psicológicas no profissional.
• Equipe de saúde marcada pelo desgaste nas relações entre os profissionais e com pacientes.
• Desgaste emocional que pode levar a faltas ao trabalho.
Fonte: Adaptado de Pitta (1991, apud OLIVEIRA, NOGUEIRA-MARTINS; NOGUEIRA-MARTINS, 2008).
Lembra daquele seu colega que sempre interrompe suas apresentações 
fazendo algum questionamento? Desta vez ele pede que você 
evidencie o modo como a Psicologia pode atuar no Sistema Único 
de Saúde (SUS) voltando sua atenção aos profissionais que formam as 
equipes. Construa uma resposta para esta indagação.
Faça você mesmo
Agora vamos falar do acolhimento no sistema humanizado da saúde. Trata-se 
de uma ação estratégica que visa mudar a forma como o processo de atendimento 
ocorre na saúde pública. Tem por objetivo melhorar as relações entre profissionais 
e os usuários do sistema da saúde. Inclui o trabalho interdisciplinar, a humanização 
das relações, promove o vínculo e a responsabilização das equipes com os 
usuários do sistema por meio da melhoria na capacidade de escuta às demandas 
dos pacientes (LEITE et al., 2010). Na Política Nacional de Humanização (PNH), 
significa a adoção de atitude receptiva ao usuário em sua chegada ao serviço de 
saúde. Isso ocorrerá por meio da escuta de sua queixa. Para tanto, os profissionais 
devem permitir que o usuário expresse seus temores, suas preocupações e 
suas angústias. Contudo, tal postura contempla também o fato de que esses 
profissionais saibam apresentar limites claros para garantir a atenção resolutiva e a 
integração com outros serviços de saúde que deem prosseguimento à assistência, 
quando pertinente. Dessa forma, retira-se o parâmetro de priorização da ordem de 
chegada e o localiza no grau de sofrimento (BRASIL, 2010).
Exemplificando
Se a humanização no atendimento pressupõe respeitar a singularidade 
do paciente e o acolhimento começa no ingresso do paciente ao 
sistema de saúde, neste momento será formada a primeira impressão 
do paciente em relação ao que encontrará durante seu contato com 
o sistema de saúde. Portanto, personalize esse contato: chame o 
paciente pelo nome, esclareça dúvidas e coloque-se à disposição para 
orientá-lo sempre que necessário.
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