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O Mistério da Atlantida   Charles Berlitz

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moraram no México e na
Guatemala, aprenderam a língua maia e mais tarde fizeram traduções interpretativas não
averiguadas de trechos dos poucos registros maias que ainda existem, e através das quais
tentaram provar que os maias eram descendentes de fugitivos da Atlântida. Donnelly também
pode ter sido influenciado por Hosea (1875), um estudioso americano que equiparou as
culturas indígenas americanas às do Egito.
A teoria de Donnelly é de que a Atlântida foi a primeira civilização do mundo, o poder
colonizador e civilizador do litoral atlântico, da costa do Atlântico, do Mediterrâneo, do
Cáucaso, da América Central e do Sul, do vale do Mississipi, do Báltico e até mesmo da índia
e partes da Ásia Central, assim como o local onde o alfabeto foi inventado. Supôs que a
submersão catastrófica da Atlântida foi um fato histórico, imortalizado em lendas de dilúvio, e
achava que os mitos e lendas da antigüidade eram apenas uma versão confusa da verdadeira
história da Atlântida.
Donnelly tentou abordar o assunto sob um ponto de vista científico, examinando a
plausibilidade da narrativa de Platão e levando em conta os terremotos historicamente
comprovados, assim como submersões de proporções cataclísmicas e o surgimento e
desaparecimento de ilhas no mar.
Como prova de que uma submersão tão colossal pode ocorrer ele analisa terremotos que
causaram submersão de terras no passado, em Java e Sumatra, na Sicília e numa área de duas
mil milhas quadradas próximo ao Indo.
Porém para Donnelly o Oceano Atlântico parece ser a zona mais instável e mutável de
todas. Ele menciona os terremotos ocorridos na Islândia no século XVIII e o aparecimento de
uma ilha cujo domínio foi exigido pelo rei da Dinamarca, mas que tornou a afundar. Ainda no
século XVIII as Ilhas Canárias, "provavelmente uma parte do antigo império da Atlântida",
foram abaladas por terremotos que continuaram por um período de cinco anos. Ao descrever o
grande terremoto de Lisboa, também no século XVIII, "o lugar da costa européia mais próximo
do local da Atlântida", ele diz: "... Sessenta mil pessoas morreram em seis minutos. Uma
grande quantidade de pessoas buscaram refúgio num novo cais, construído em mármore, mas
subitamente ele afundou, com todas as pessoas que lá estavam, e nenhum dos corpos jamais
voltou à superfície. Um grande número de barcos e navios ancoraram por perto e, cheios de
gente, foram tragados como num redemoinho. Nenhum destroço jamais veio à tona; a água na
qual o cais afundou tem agora seiscentos pés de profundidade. A área atingida por esse
terremoto foi muito extensa. Humboldt diz que uma parte da superfície do mundo, quatro
vezes maior que a Europa, foi abalada. O terremoto atingiu uma área que se estendia do
Báltico até a índia ocidental, e do Canadá à Argélia. A oito léguas de Marrocos o chão se
abriu e engoliu uma aldeia de dez mil habitantes, tornando a se fechar depois.
"É muito possível que o centro da convulsão tenha sido o leito do Atlântico, e que tenha
sido o sucessor do grande abalo terrestre que, milhares de anos antes, provocou a destruição
daquela terra." Donnelly prossegue na descrição do cinturão de terremotos no Atlântico: "...
Ao mesmo tempo em que Lisboa e a Irlanda, a leste da Atlântida, foram sujeitas a esses
grandes terremotos, as ilhas da índia ocidental, a oeste do mesmo centro, foram seguidamente
abaladas da mesma maneira. Em 1692 a Jamaica foi atingida por um violento terremoto... Uma
extensão de terra próximo à cidade de Port Royal, com uma área de cerca de mil acres,
afundou em menos de um minuto e o mar cobriu-a imediatamente."
Apesar de Donnelly, que escreveu antes de 1882, não ter podido prever a destruição da
Martinica causada pelo Monte Pelée em 1901, podemos estar certos de que sua tristeza devido
às fatalidades teria sido diminuída pelo apoio que a catástrofe deu a suas teorias.
Quando Donnelly se refere aos Açores, "indubitavelmente os picos das montanhas da
Atlântida", ele supõe que os vulcões que afundaram a Atlântida podem reservar uma surpresa
para o futuro: "... Em 1808 um vulcão se ergueu subitamente em São Jorge, a uma altura de três
mil e quinhentos pés, e permaneceu em erupção durante seis dias, devastando toda a ilha. Em
1811 um vulcão surgiu no mar, perto de São Miguel, formando uma ilha de trezentos pés de
altura, que foi denominada Sambrina, mas que logo afundou no mar." Erupções vulcânicas
similares ocorreram nos Açores em 1691 e em 1720:
 
Ao longo de uma extensa faixa, uma enorme fratura na superfície do globo, estendendo-se para o norte e para o
sul através do Atlântico, encontramos uma série contínua de vulcões ativos ou extintos. Na Islândia temos o Oerafa, o
Hecla e o Rauda Kamba; outro em Pico, nos Açores; o pico de Tenerife; Fogo, em uma das ilhas de Cabo Verde;
quanto aos vulcões extintos temos diversos na Islândia e dois na Madeira; e ao mesmo tempo, Fernando de Noronha, a
Ilha da Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha são todas de origem vulcânica...
Esses fatos parecem demonstrar que os grandes fogos que destruíram a Atlântida permanecem latentes no fundo
do oceano; que as vastas oscilações que levaram o continente de Platão para o fundo do mar podem tornar a trazê-lo
à luz, com todos os seus tesouros enterrados...
 
Além de sugerir que a difusão de certos animais prova a existência de "pontes de terra" através do Atlântico, Donnelly
sugere que a banana e outras plantas sem semente foram levadas para a América pelo homem civilizado, e cita o Professor
Kuntze:
"Uma planta cultivada que não tem sementes precisa ter sido cultivada durante um período muito longo — na Europa
não existe nenhuma planta cultivada sem semente e que dê fruto — e portanto parece justo concluir que essas plantas foram
cultivadas numa época muito primitiva, como o começo dos meados do Período Diluviano."
A isso Donnelly acrescenta, com certeza categórica: "... Essa civilização, tal como era necessária, segundo Platão, e com
exatamente esse clima, é encontrada na Atlântida e em nenhum outro lugar. Ela alcançava, através de suas ilhas contíguas,
uma distância de cerca de cento e cinqüenta milhas da costa da Europa, para um lado, e quase encostava, pelo outro lado, nas
ilhas da índia ocidental, ao mesmo tempo em que, através de suas cadeias interligadas, unia o Brasil à África."
Donnelly examinou detalhadamente as lendas mundiais comuns sobre dilúvios como sendo mais uma prova do
afundamento da Atlântida. Detém-se especialmente num detalhe — a menção à lama após o dilúvio que, segundo Platão (e os
fenícios), tornou o Atlântico impraticável para a navegação após o desaparecimento da Atlântida. Diz ele: "... Esse é um dos
pontos da narrativa de Platão que provocou a incredulidade e foi considerada ridícula pelo mundo antigo e até mesmo pelo
mundo moderno. Encontramos numa lenda da Caldéia algo parecido: Khasisatra diz, "Olhei atentamente para o mar, observei, e
toda a humanidade tinha voltado à lama". As lendas do Popol Vuh dizem que "uma espessidão resinosa desceu do céu".
 
"As explorações do navio Challenger mostraram que toda a cadeia submersa da qual a Atlântida faz parte está até
hoje densamente coberta por detritos vulcânicos.
"Basta lembrar as cidades de Pompéia e Herculano, que ficaram cobertas por uma massa de cinza vulcânica
devido às erupções ocorridas no ano 79, e que durante dezessete séculos permaneceram enterradas numa
profundidade de quinze a trinta pés...
"... Em 1783 a erupção vulcânica na Islândia cobriu o mar de pômice numa extensão de cento e cinqüenta milhas,
impedindo o curso dos navios.
"... A erupção na ilha de Sumbawa, em abril de 1815, lançou... uma massa de dois pés de espessura, numa área
de diversas milhas, através da qual os navios tinham dificuldade em forçar passagem.
"Parece, portanto, que a afirmativa de Platão, que foi ridicularizada pelos estudiosos, é por si mesma um dos
traços mais prováveis em sua história. É provável