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Baremblitt   Compendio de Análise Institucional e outras correntes

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Absoluto", essência de todo o real. Karl Marx, o fundador 
do Materialismo Dialético e Histórico, de alguma forma conserva a concepção hegeliana do movimento dialético, mas o 
atribui à matéria em suas várias qualidades, e não ao espírito.
A dialética sustenta que o movimento é regido por três leis: 1) Negação da negação; 2) Passagem da quantidade à 
qualidade; e 3) Coexistência dos opostos em cada unidade. Isso implica uma total refutação das leis da Lógica Formal 
Clássica, pois os princípios de identidade, contradição e terceiro excluído perdem vigência. Outro aspecto importante da 
dialética refere-se aos denominados "momentos" de análise da realidade, que pode ser examinada como "universal", 
"geral, particular" e "singular". Como nas leis do devir, cada momento nega o anterior, o supera e ao mesmo tempo o 
conserva. O conhecimento da essência de toda e qualquer realidade circunscrita deve ter em conta esse "trabalho do 
negativo" que não é diretamente apreendido pela consciência.
Algumas correntes do Institucionalismo incorporam recursos da concepção dialética (Análise Institucional*), outras 
entendem que a dialética ainda é uma maneira conservadora de pensar e conceber o real (a negação da negação supera, 
mas também conserva o superado), postulando, em troca, uma idéia do ser como puro devir no qual retornam 
exclusivamente as
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diferenças (Esquizoanálise*).
DISPOSITIVO: ver Agenciamento.
DISSIDÊNCIA: costuma-se empregar este termo para referir-se à posição de setores discordantes ou divergentes de uma 
organização ou movimento, sendo que tal divergência afeta principalmente a linha teólica ou ideológica. As tendências 
dissidentes podem manter-se no interior da organização- movimento ou separar-se dele.
DISSOCIAÇÃO INSTRUMENTAL: denomina-se assim na Psicanálise, no Grupalismo e no Institucionalismo a operação 
pela qual o analista, a equipe interveniente ou outros segmentos organizacionais conseguem simultaneamente 
protagonizar os processos plenamente implicados neles e distanciar-se o suficiente para poder analisá-los e 
compreendê-los (ver Análise da Implicação*).
DISTORÇÃO DA DEMANDA: alguns institucionalistas consideram que certas demandas de intervenção, que 
expressam claramente uma falta de vontade instituinte*, ou mais ainda, um apreciável encargo repressivo ou 
ligeiramente reformista, podem ser atendidas. O analista inicia a análise e a intervenção sobre essas bases, confiando em 
que durante o curso do processo poderá reverter o equilíbrio de forças e encaminhar o andamento em direção à 
autogestão* e à auto-análise * .
DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO: todo processo de produção, particularmente de bens materiais e serviços, exige 
um trabalho, e este, por sua vez, consome força de trabalho. Os processos de trabalho complexos, em todas as 
sociedades da História e especialmente na modernidade industrial, estão diversificados em diferentes tarefas 
articuladas entre si. Essa composição conferiu à produção uma rapidez e eficácia jamais igualadas. Contudo, devido à 
propriedade privada dos meios de produção e à compra e venda injusta de força de trabalho nos sistemas capÍtalistas 
(extração de mais-valia), à divisão técnica do trabalho se superpõe uma divisão social. Determinadas tarefas são 
consideradas privilegiadas e fundam hierarquias que outorgam riqueza, poder e prestígio. Coisa similar Ocorre em 
outros sistemas de produção pela extração dos mesmos e dos outros tipos de mais-valia ("Socialismo Real"). Para o 
Institucionalismo, a divisão técnica e social do trabalho é importante porque causa muitos dos conflitos a serem 
analisados e intervindos. As divisões sociais do trabalho mais clássicas são as que separam e subordinam a produção 
manual intelectual, do campo-cidade, masculina-feminina etc.
DOMINAÇÃO: imposição, por diversos meios (dentro de um espectro de
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violência que vai desde a sedução até a destruição física), da vontade de indivíduos, grupos ou classes sobre outros. Os 
instituídos* – organizados* estabelecidos, em especial o Estado e o grande Capital, mantêm seus privilégios dominando 
a vontade coletiva ou majoritária. A dominação é simultaneamente política, econômica, jurídica, semiótica, Iibidinal ete., e 
freqüentemente consegue contar com a passividade e também com a colaboração dos dominados (servidão voluntária).
ECRO: conceito da Psicologia Social de Pichon Rivière que é a sigla de "esquema conceitual referencial e operativo". 
Refere-se, em primeira instância, às teorias, logísticas, estratégias, táticas e técnicas que um coordenador de grupo ou 
um psicólogo social empregam para pensar e intervir sobre seus objetos' de trabalho. Contudo, o ECRO é muito mais que 
o até aqui mencionado, porque inclui também tudo quanto seja acervo de vivências, experiências, afetos e outros 
elementos que compõem a personalidade de todos os participantes. Por outra parte, a idéia do esquema denota o caráter 
provisório e marcadamente conjuntural do dispositivo* teórico-técnico utilizado.
EFEITOS: várias correntes do Movimento Institucionalista* sustentam que a gênese teórica dos conceitos é inseparável 
de sua gênese social. Em outras palavras: que a produção do conhecimento sobre as leis que dão conta dos fatos 
sociais está sempre ligada aos acontecimentos concretos que possibilitaram e exigiram sua formulação. Se bem esta 
afirmação não refute o caráter universal e omnivalente das grandes leis das ciências chamadas "humanas" (por exemplo, 
a Lei do Valor, no Materialismo Histórico), o Institucionalismo enfatiza o momento "formal concreto" do conhecimento, 
ressaltando suas características singulares devido à condição única, irrepetível e contingente do fato em questão. Por 
isso prefere qualificar esses acontecimentos como "efeitos", seguindo uma orientação das ciências físicas, enquanto 
esse termo designa processos e fenômenos com um alcance menos geral e mais local ou circunstancial. A lista de efeitos 
que podem ser propostos é, por definição, interminável, mas mencionaremos aqui os mais conhecidos:
Efeito Weber: tem o nome do grande sociólogo Max Weber. Refere-se ao fato de que quanto mais" desenvolvida" e 
complexa se torna uma sociedade* e quanto mais saberes especializados produz acerca de si mesma, mais ela se torna 
opaca (incompreensível) em seu conjunto para os agentes* sociais que a integram.
Efeito Lukács: recebe o nome do filósofo Georg Lukács. Refere-se à constatação de que o não-saber de uma sociedade 
acerca de si mesma é conseqüência do progresso da ciência. Quanto mais formalizada, rigorosa
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e quantificada aparece uma ciência, e quanto mais perde de vista as condições sociais de seu nascimento e 
desenvolvimento (ou seja, quanto mais profundamente realiza seu "corte epistemológico"), mais satisfaz as exigências 
cientificistas e mais contribui para o não-saber de um conjunto social acerca de sua própria existência.
Efeito Heisemberg: o físico Werner Heisemberg sustentava que o que torna questionável a Teoria da Causalidade a nível 
subatômico é a impossibilidade