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Baremblitt   Compendio de Análise Institucional e outras correntes

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física de se medir objetivamente valores exatos, como, por exemplo, precisar 
simultaneamente a velocidade e a posição de uma partícula. Nos experimentos da mecânica quântica, sujeito e objeto 
constituiriam uma unidade inseparável no seio da qual se produziria o fenômeno. Essa constatação pode conduzir a um 
irracionalismo (ou seja, a uma renúncia a um tratamento sistemático da determinação desses fenômenos), ou, pelo 
contrário, à concepção de outras modalidades da causalidade. O lnstitucionalismo aproveitou essa idéia para abordar a 
problemática da implicação, quer dizer, do intrincamento que se produz não só entre a equipe interventora e a 
organização intervinda, mas também na construção que o analista institucional faz de seu objeto de estudo e intervenção 
e a desconstrução analítica que faz do mesmo Em todos esses casos, cada um dos elementos mencionados é um 
"resultante" do campo que assim se configura.
Efeito Frio-Quente: é óbvio que a história das sociedades mostra períodos de estabilidade e "congelamento" da ordem 
constituída, assim como outros de agitação, mobilização e grandes transformações. Alguns antropólogos pretenderam, 
erroneamente, que as sociedades chamadas primitivas, por oposição às modernas, seriam "estáticas", quer dizer, que 
careceriam de história. O lnstitucionalismo sustenta que é nos períodos "frios" da história que se consolida a produção 
do conhecimento social científico, e, portanto, o não-saber de uma sociedade acerca de suas capacidades instituintes e 
a "naturalização" de seus instituídos*. Em ou tras palavras: a separação entre a "consciência ingênua" e o "saber 
científico". Nessas fases, a análise e as intervenções institucionais só podem ser contratadas e circunscritas. Já nas 
etapas "quentes", em que todo o saber social está em ebulição, ocorre o contrário: as experiências sociais se 
multiplicam, as informações circulam por fora dos canais formais e criam-se condições para a apropriação crítica por 
parte dos coletivos do saber acadêmico. Também se afirma a verdade dos saberes espontâneos e a vontade de aplicar 
de imediato todo o apreendido na ação instituinte. Quer dizer: geram-se processos de auto análise* e autogestão* 
espontâneos e generalizados.
Efeito Mülhman: este sociólogo das religiões descreveu um processo através do qual os movimentos messiânicos, 
inspirados por uma profecia libertária,
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chegam a um ponto de seu desenvolvimento em que alguns dos segmentos que os integram considera-os 
"fracassados". Essa "função de fracasso" é capaz de provocar a cisão do movimento e a saída ou a expulsão de facções 
dissidentes. Isso permite aos setores remanescentes institucionalizar o movimento e capturar as forças vivas e o 
potencial de origem em estruturas e normas organizacionais "oficiais" e burocráticas rígidas. O lnstitucionalismo 
constata que desfechos similares acontecem em todos os movimentos, especialmente nos políticos.
Outros Efeitos: Lefevre, Einstein, Reich, Artaud, centro-contra-periferia etc.
EMERGENTE: na Psicologia Social de Pichon Rivière, denomina-se "Emergente" a todo e qualquer efeito (suportado em 
materialidades diversas: "mentais"," corporais" e "sociais") resultante da composição de forças e elementos presentes e 
atuantes que integram uma situação e um campo vital. Um emergente pode manifestar-se através de um indivíduo, um 
grupo ou uma organização, sendo que o efetivador" escolhido" pelas forças em conflito expressa, por sua vez, as 
tendências mais patológicas e as mais sadias do conjunto. Em nosso entender, a idéia de emergente tem uma 
similaridade com a de analisador*, mas provém de uma tradição filosófica existencialista ("o Ser como presença" ou "a 
Verdade que se revela") e não enfatiza a capacidade do analisador de analisar-se a si mesmo.
ENCARGO: no Institucionalismo*, a noção de encargo recebe definições e sinônimos diversos que tornam difícil 
precisar seu significado. Em gerat pode-se dizer que este termo alude aos sentidos não explícitos, não-manifestos, 
dissimulados, ignorados ou reprimidos, e que comporta uma demanda de bens ou serviços. Em uma acepção ampla, 
refere-se a uma solicitude ou exigência de soluções imaginárias ou de ações destinadas a restaurar a ordem constituída 
quando a mesma está ameaçada. O encargo nunca coincide com a demanda e deve ser decifrado a partir dela, sendo que 
seu sentido varia segundo o segmento organizacional que a formula. De acordo com o contexto discursivo de que se 
trate, o encargo pode admitir como sinônimos: demanda latente, pedido, encomenda etc.
ESPECIFICIDADE: a modernidade tem como pré-requisito e como conseqüência o auge da racionalida de científica e de 
suas aplicações tecnológicas, que possibilitaram o desenvolvimento da sociedade industrial. A modalidade do saber 
dominante durante este processo é a do conhecimento científico, cujo procedimento é, por definição, analítico. Cada 
ciência, que num sentido acadêmico denomina-se disciplina, tem seu próprio objeto, teoria, método e técnicas, sendo que 
freqüentemente se subdivide, por sua vez, em um número crescente de especialidades. Essa
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fragmentação do saber, articulada com a Divisão Técnica e Social do Trabalho*, consagrou a especificidade – a 
delimitação taxativa da correspondência entre cada domínio teórico e um território da realidade que lhe é procedente – 
como o valor cognoscitivo mais importante de nossa cultura.
O Institucionalismo estuda criticamente os efeitos distorsivos e alienantes (ver Alienação*) que essa cultura da 
especificidade radical tem sobre a reconstrução gnosiológica de um mundo humano integrado. Sobretudo se interessa 
sobre o efeito do não-saber ou do desconhecimento que instaura em cada disciplina a ausência das outras e, em todas 
elas, a desvalorização dos saberes não-qualificados (saber artístico, popular, da loucura etc.).
ESPECIFIClDADE (OU ESPECIALIDADE, OU ESPECIALIZAÇÃO): num sentido muito amplo, é o que corresponde a 
uma espécie de forma exclusiva ou prevalente. Em termos sociais e epistemológicos, tem a ver com a divisão das 
condições e atividades humanas em geral e do trabalho em particular. Essas diferenciações, à medida que reduzem o 
campo de atuação de cadél agente social, possibilitam o incremento de sua competência e eficiência, resultando no 
aumento espetacular de sua produtividade. Por outra parte, redundam na fragmentação, dispersão e perda da visão 
crítica e do sentido de conjunto das práticas que pode conduzir à "alienação", ou seja, à incapacidade de julgar e 
conduzir seu andamento.
No caso das ciências e disciplinas, sua circunscrição teórica e sua aplicação tecnológica irrestrita tornaram-se valores de 
nossa civilização, erigindo a "verdade" e a" eficiência" científicas como metas dominantes e indiscutíveis. Isso levou a 
deformações tais como o operacionalismo, pragmatismo e utilitarismo irreflexivos que acabam sendo incondicionalmente 
funcionais à lógica acumulativa e concentradora do Capitalismo Planetário Integrado. As diversas modalidades