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Baremblitt   Compendio de Análise Institucional e outras correntes

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e a produção*, estão 
desenhados para funcionar com esta lógica que produz o Desejo* e o lnconsciente libertários. Em outra terminologia, o 
molecular corresponde parcialmente ao instituinte* – organizante*.
MOVIMENTO INSTlTUCIONALISTA: conjunto não totalizável de escolas e correntes cujas diversas tendências 
subscrevem alguns objetivos comuns, entre os quais os mais compartilhados consisten\ em propiciar nos coletivos 
processos de auto-análise* e autogestão*. Essas orientações se diferenciam entre si por suas teorias, métodos, técnicas, 
estratégias e táticas de leitura e de intervenção, assim C0l110 pelo alcance dos objetivos que se propõem. Assim 
configuram uma escala que vai desde o refonnismo ao maximalismo.
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MUDANÇA: as diferentes civilizações atribuíam ou atribuem à permanência (status quo) ou à transformação valores 
diferentes. Para algumas comunidades primitivas, o funcionamento ideal de sua vida consistia em que tudo se 
mantivesse exatamente idêntico em organização, costumes etc., para imitar o mundo e o tempo divinos, eternos e 
invariáveis. No outro extremo da História, a modernidade caracteriza-se pela glorificação da mudança constante e 
acelerada dentro de uma trajetória linear e evolutiva denominada progresso. Em todo caso, a oposição, em todos e cada 
um dos aspectos da vida, entre posições "conservadoras" contra outras "progressistas", ou, em um sentido mais amplo, 
"transformacionistas"; permeia todos os processos naturais-sociais-libidinais.
A Sociologia e a Psico-Sociologia de origem positivista e estrutural- funcionalista insistiram muito na problemática da 
mudança e da "resistência à mudança", tal como ela se apresenta nos grupos, organizações e comunidades diante das 
situações desconhecidas e novas. A Psicanálise, por sua parte, também tem, entre seus temas mais importantes, a 
questão da mudança – entendida como a exigência colocada ao sujeito psíquico de dominar os efeitos do impulso e da 
compulsão à repetição, que resulta da natureza conservadora das pulsões, da insistência do desejo e dos princípios de 
constância e inércia. Para as diversas correntes do Institucionalismo, a problemática da mudança, ligada a categorias de 
diferença-repetição, transferência-resistência, reação-reformismo-revolução etc., é tratada segundo as inspirações 
teóricas e políticas às quais as escolas se afiliam. Em geral, pode-se dizer que, dentro de um espectro de radicalidade 
crescente, que vai desde posições mais ou menos reformistas até outras francamente revolucionárias, ou até extremistas, 
o Institucionalismo: a) confia em que pequenas mudanças locais podem repercutir à distância ou propagar-se como 
reações em cadeia; b) sustenta que as mudanças, para seren1 sólidas, devem ser integrais, ou seja, simultaneamente bio 
sociolibidinais, e não apenas econômicas ou convencionalmente políticas; c) afirma que a substância do real é a 
diferença pura e a produção desejante, sendo que os arcaísmos e as estruturas-tenitórios conservadores e repelitivos 
são produtos da captura que a parafernália de controle-registro dos sistemas faz da potência das singularidades 
pré-pessoais e pré-sociais.
NÃO-DITO: no Institucionalismo, o termo "não-dito" parece recolher todas as significações que essa fórmula adquiriu 
nas ciências humanas e na cultura ocidental. Basicamente, refere-se a todas aquelas informações que estão omitidas ou 
distorcidas nos discursos, textos, atitudes, comportamentos ou qualquer outra forma de expressão ou manifestação. Essa 
omissão ou distorção pode ser voluntária ou involuntária, consciente ou não, assumida ou não, mas é considerada 
invariavelmente fonte de mal-entendidos e conflitos que afetam a convivência, ou então causas ou efeitos de um 
desconhecimento cuja superação se supõe enriquecedora.
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Contudo, no Institucionalismo, o não-dito remete predominantemente à ignorância, à má-fé ou à repressão no seio dos 
discursos, textos, atitudes, comportamentos, estrutura e dinâmica dos agentes, grupos, organizações e movimentos. Esse 
omitido ou distorcido concerne principalmente ao instituinte*, que foi "esquecido" e reprimido pelo instituído* durante o 
processo de institucionalização. O não-dito refere-se tanto às vicissitudes da potência produtiva, ao desejo e à vida, 
como aos manejos do poder, da antiprodução* e da morte. O não-dito se diz de maneiras diretas ou disfarçadas nos 
analisadores históricos ou nos construídos (ver Analisadores Artificiais* e Analisadores Espontãneos*).
OBJETO DE ANÁLISE: na interseção da organização analisante com a organização analisada, vai-se produzir uma nova 
organização que é o verdadeiro objeto de análise, pois para o Institucionalismo não é possível uma posição clássica de 
"neutralidade" ou "objetividade". É na junção que se vai tentar entender essa nova realidade que se produz no encontro.
OPOSIÇÃO: na vida das organizações e movimentos, chama-se oposição à ação de correntes que se contrapõem à linha 
de pensamento e de gestão da fração social ocupante do governo (situação). A oposição pode ser mais ou menos 
acirrada, mas em geral é reconhecida, autorizada, legitimada e ainda necessitada pela lógica institucional do sistema que a 
integra.
ORGANIZAÇÕES: são as formas materiais nas quais as instituições* se realizam ou" encarnam". De acordo com sua 
dimensão, vão desde um grau complexo organizacional, como um ministério, até um pequeno estabelecimento escolar. Na 
terminologia da Esquizoanálise, correspondem às grandes formas molares da superfície de registro.
ORGANIZADO: é o produto dos processos organizantes*. Conjunto de ordenamento dos recursos humanos, técnicos, 
espaciais, cronológicos (etc.) que configuram uma organização ou estabelecimento*. O organizado é ilustrado no 
esquema do organograma e do fluxograma da organização. E necessário para orientar o funcionamento da entidade, mas 
tem tendência a tornar-se rigido e esclerosar-se, perpetuando-se e tornando-se um objetivo em si mesmo. Assim, 
exagera-se em torno de sua função, adquirindo uma série de vícios; o mais conhecido é a burocracia.
ORGANIZANTE: atividade permanentemente crítica, inventiva e transformadora que tende à otimização das 
organizações entendidas como dispositivos ou agenciamentos*. Esse processo exige das organizações a abertura para 
efetuar as mudanças necessárias com a finalidade de realizar a Utopia Ativa* que as inspira. Uma organização* só 
cumpre com este objetivo se mantém fluida e constante a relação entre o organizante e o
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organizado*, a ponto de admitir sua autodissolução* quando deixa de servir ao produtivo-desejante-instituinte (ver 
Produção*, Desejo* Instituinte*).
PAPÉIS: conceito cunhado pela Psico-Sociologia e pelo Psicodrama que define os lugares e funções sociais em geral e 
grupais em particular, come caracteres de personagens teatrais. Cada papel ganha precisão em sua relação com todos os 
outros e carece de sentido fora desse vínculo, consciente ou não. Os papéis são emergentes de configurações 
estruturais que organizam a interação social