Apostila
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I \u2013 Fidelidade recíproca; Principal dever do casamento. Existem três espécies: fidelidade física (é a que ocorre o adultério, muito difícil de comprovar \u2013 tem que pegar no flagra); fidelidade moral (namoro com terceiro, mais fácil de comprovar \u2013 ter testemunha que viu) e; fidelidade virtual (aquela que ocorre mais especificamente na internet \u2013 é a que mais existe, comprova-se através do seu histórico no disco rígido).
II \u2013 Vida em comum, no domicilio conjugal; More uxório \u2013 conviver sob o mesmo teto.
III \u2013 Mútua assistência; Moral e material.
IV \u2013 Sustento, guarda e educação dos filhos;
V \u2013 Respeito e consideração mútuos; Aspecto físico e moral.
 
III) Efeitos patrimoniais: diz respeito ao regime de bens. Temos três princípios dos regimes de bens: 
a) Princípio do pacto antenupcial (pacto feito antes do casamento e que só tem vigência após o casamento. Pode optar por um regime que não seja legal \u2013 separação total de bem, participação nos acrescimentos e comunhão universal de bens). Como seria a formalidade de um pacto antenupcial? Tem que ser feito por escritura pública, lavrado perante um tabelião de notas (senão seria inválido). Para ter efeito erga omnes (contra todos) deverá ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis (para ter efeito contra terceiros), pois fala sobre patrimônios; no primeiro domicílio dos nubentes. Não se podem colocar no pacto nupcial deveres do casamento e nem multa por débito conjugal, pacto nupcial só serve para patrimônio.
	Os regimes legais de bens que temos são: comunhão parcial de bens e separação obrigatória, não precisando esses dois de pacto antenupcial.
b) Princípio da mutabilidade do regime adotado: o regime de bens poderá ser alterado na constância do casamento. Anterior ao código civil de 2002 o casal teria que entrar com uma ação de separação, depois divorciar e depois o casal se casava em outro regime. Hoje basta fazer o pedido de mutabilidade do regime de bens. São três requisitos para alterar o regime de bens:
	1º) Ser feito via judicial.
	2º) Deverá ser consensual.
3º) Deverá ser motivado, justificado o pedido de alteração do regime de bens.
\ue4f Artigo 1.639, § 2º do CC \u2013 É licito aos nubentes, antes de celebrados o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.
§ 2º - É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.
b) Princípio da variedade do regime de bens: a lei não impõe só um regime, coloca quatro regimes de bens a nossa disposição: 
1º) Regime da comunhão parcial de bens: é um regime legal, pois basta não falar nada que este será o regime inserido no casamento.
Quais os bens que se comunicam na comunhão parcial de bens? 
\ue4f Artigo 1.660 do CC \u2013 Entram na comunhão:
I \u2013 Os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;
II \u2013 Os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho, ou despesa anterior; loteria, mega-sena...
III \u2013 Os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges;
IV \u2013 As benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge;
V \u2013 Os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.
		Quais os bens que não se comunicam na comunhão parcial de bens? Os bens adquiridos antes do casamento; adquiridos por herança, doação e sub-rogados (comprar um imóvel com o dinheiro da venda de um imóvel adquirido antes do casamento); proventos do trabalho (remuneração do trabalho); instrumentos de profissão; dívidas pessoas (quando não foram convertam em proveito comum); alimentos (pensão do INSS, pensão alimentícia).
2º) Regime da comunhão universal de bens: atualmente é um regime que deverá ser feito por pacto ante nupcial, optar por fazer por escritura pública. A regra é: todos os bens adquiridos na constância do casamento, a título gratuito ou oneroso, adquiridos anteriormente ao casamento, tudo se comunica na comunhão universal de bens.
	Quais os bens que não se comunicam na comunhão universal de bens? Instrumento de profissão; proventos do trabalho; dívidas que não convertam o proveito comum; alimentos.
3º) Regime da participação final nos aquestos: é um regime novo, pouco utilizado, veio com o código civil de 2002. É denominado pela doutrina de regime misto, pois mistura dois regimes (na constância do casamento é como se fosse separação total dos bens; na dissolução do casamento é como se fosse comunhão parcial dos bens \u2013 se comunicam os frutos e juros dos bens particulares apenas).
4º) Regime da separação de bens: dentro deste regime temos duas espécies de separação de bens: separação absoluta (a escolha é do casal, feito pelo pacto nupcial, com escritura pública e registro no Cartório de Registro de Imóveis. Os bens não se comunicam, com exceção dos bens adquiridos pelo esforço comum) e a separação obrigatória de bens (por imposição legal \u2013 está disciplinada no artigo 1.641 do CC, não é por pacto nupcial. Os bens se comunicam quando adquiridos na constância do casamento e a título oneroso).
\ue4f Artigo 1.641 do CC \u2013 É obrigatório o regime de separação de bens no casamento:
I \u2013 Das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; Tal regime pode ser alterado se sanado as causas suspensivas.
II \u2013 Da pessoa maior de 70 (setenta) anos; Para que não haja casamento por interesse.
III \u2013 De todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial; O exemplo do menor de 16 anos. Pode ter o seu regime alterado quando ficar maior de 16 anos.
	Quais os regimes que precisam de pacto antenupcial? Separação total de bens, participação final nos aquestos e comunhão universal de bens. Os outros dois regimes \u2013 separação obrigatória (por imposição de lei) e comunhão parcial (não precisam de pacto antenupcial, pois se não falar nada, a comunhão parcial seria o regime a ser adotado).
4.3. Dissolução da sociedade conjugal
	É tratado a partir do artigo 1.571 do código civil. O que é terminar e dissolver a sociedade conjugal? Terminar é por fim aos deveres do casamento e dissolver é extinguir o casamento.
\ue4f Artigo 1.571 do CC \u2013 A sociedade conjugal termina:
I \u2013 Pela morte de um dos cônjuges;
II \u2013 Pela nulidade ou anulação do casamento;
III \u2013 Pela separação judicial;
IV \u2013 Pelo divórcio;
§ 1º - O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente; Na morte e no divórcio, extingue, dissolve e termina a sociedade conjugal. O viúvo ou o divorciado pode casar de novo.
	No código civil existem duas espécies de separação judicial:
I) Separação judicial consensual: é feita por mútuo consentimento. Ambos querem a separação. Tem o prazo de 1 ano de casados para pedir a separação judicial consensual, sendo considerado como um período de adaptação.
\ue4f Artigo 1.574 do CC \u2013 Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o juiz, sendo por ele devidamente homologada a convenção.
Parágrafo único \u2013 O juiz pode recusar a homologação e não decretar a separação judicial se apurar que a convenção não preserva suficientemente os interesses dos filhos ou de um dos cônjuges.
II) Separação judicial litigiosa: não tem prazo para pedir a separação. Tal separação tem 3 espécies:
		a) Sanção: porque quebrou deveres do casamento.
\ue4f Artigo 1.572 do CC \u2013 Qualquer dos cônjuges podem propor a ação de separação judicial, imputando ao outro qualquer ato que importe grave violação dos deveres do casamento e torne insuportável a vida em comum.
b) Falência: quando o casal estiver separado de fato a mais de 1 ano, qualquer um dos dois pode pedir a separação judicial litigiosa por falência ou ruptura.
\ue4f Artigo