António Rodrigues   Radiestesia Clássica e Cabalística
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António Rodrigues Radiestesia Clássica e Cabalística


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por Mao Tse-Tung, mas curiosamente, a partir 
dos anos 90, foram redescobertas no ocidente e imediatamente aceitas tanto por 
sua qualidade quanto por esquisitice esotérica. Dá-lhes Feng Shui! 
No Egito foram descobertos objetos que apresentam uma notável 
semelhança com os pêndulos utilizados nos dias de hoje; inclusive um deles deu 
origem ao que é conhecido hoje como Pêndulo Egípcio. No primeiro livro de 
autoria de Chaumery e Bélizal, os autores desenvolvem toda uma teoria sobre o 
uso da radiestesia pelos egípcios, a qual será objeto de uma explanação mais 
detalhada num capítulo deste livro. 
Os romanos usaram uma 
vara em forma de cajado chamada 
lituus, como instrumento de 
adivinhação. E a vareta em forma 
de forquilha, obtida de um galho de 
árvore, chamada de vírgula divina 
era comumente utilizada para a 
prática da rabdomancia. Durante as 
invasões romanas, as legiões eram 
precedidas por portadores de varetas 
cuja missão era encontrar as águas 
subterrâneas necessárias para o 
consumo das tropas. Foi desta 
forma que os romanos deixaram 
espalhadas pela Europa fontes 
termais encontradas quando da 
busca de água potável. 
 
Pêndulos egípcios 
 
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Do final do império romano até o início da Idade Média, não se 
encontram referências quanto à prática da radiestesia. Em 1518, Lutero condena 
o uso da vareta radiestésica por achar que ela serve de intermediária para uma 
relação ilícita com o diabo. Num livro de receitas mágicas francês intitulado O 
Dragão Vermelho de 1521 encontramos a primeira receita para preparar uma 
vareta radiestésica: "No momento em que o Sol se eleva no horizonte, tomai 
com a mão esquerda uma vareta virgem de nogueira silvestre e com a direita a 
cortareis com três golpes, enquanto pronunciareis a seguinte evocação: Te 
recomendo, ó grande Adonai, Elohim, Ariel e Jehovah, de dar a esta vara a 
força e a virtude da vara de Jacob, da de Moisés e do grande Josué... ". 
Hoje em dia a coisa é bem mais fácil. Basta ir numa loja e comprar uma 
vareta; ufa, que alívio!! 
Em 1521, o suposto monge beneditino Basile Valentin, na obra O Carro 
Triunfal do Antimônio, enumera sete qualidades de varetas que os mineiros 
austríacos utilizavam para descobrir as jazidas de carvão ou de minerais. 
Segundo Valentin, a vareta era para eles um instrumento tão precioso que era 
mantida constantemente presa no cinto ou no chapéu. O livro De Re Metalica, 
do alemão Georgius Agrícola, publicado em 1556, faz o inventário do uso das 
varas radiestésicas para a 
 
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Gravura em madeira 
do livro De Re 
Metallica 
de Agrícola 
 
prospecção: a veleira para a prata, freixo para o cobre, pinheiro negro para o 
chumbo e o estanho e, ainda, a vara de ferro para a pesquisa de ouro e prata. 
A história do casal Beausoleil 
Nascida com o nome de Martine de Bertereau, a futura esposa de Jean 
de Chastelet, Barão de Beausoleil e Auffenbach, antes dos 20 anos já falava 
correntemente três línguas. Após o casamento e por força dos interesses 
profissionais do esposo especialista em mineralogia e minas, se torna uma das 
mais brilhantes radiestesistas que se tem notícia. No ano seguinte ao casamento, 
o Barão de Beausoleil foi convidado por Pierre de Beringhen, primeiro 
escudeiro do rei de França, Henrique VI, para o qual desempenhava também a 
atividade de controlador geral das minas, para conhecer as concessões de minas 
que Beringhen havia adquirido no sul da França graças a suas relações na corte. 
Uma vez este trabalho realizado, o Barão e sua jovem esposa empreendem, 
como conselheiros de minas, uma viagem à Alemanha, Silésia, Morávia, 
Polônia, Suíça, Itália, Espanha. Escócia e Inglaterra. O Barão foi também 
comissário geral de minas no Tirol e em Trento para o arquiduque austríaco 
Leopoldo e conselheiro de minas para a Santa Sé nos estados pontifícais. Em 
1626 foi de novo chamado para a França, desta feita por Antoine de Ruzé. 
marquês d'Effiat, superintendente das minas e das jazidas metalíferas no reinado 
de Luís XIII. e encarregado de explorar o reino de norte a sul na pesquisa de 
minérios. Neste empreendimento, tanto o Barão quanto sua esposa se valiam da 
radiestesia no levantamento das jazidas, utilizando para isso um complicado 
instrumental composto de balanças, astrolábios e varetas radiestésicas. 
À frente de uma equipe de sessenta mineiros recrutados na Alemanha e 
Hungria, o casal passou um ano nas regiões do Languedoc e Provence, onde 
encontraram mais de quarenta minas, ao esmo tempo em que escrevem um 
estranho tratado: Explicação da Verdadeira Filosofia Relacionada com a 
Matéria Prima dos Minerais, uma mistura de alquimia, receitas astrológicas e 
prospecção de jazidas metalíferas. Esse tratado descreve os instrumentos então 
usados nas pesquisas, além de curiosidades como bússola de sete ângulos, 
astrolábio mineral etc. 
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Encontramos também referências a varetas rabdomantes, cada uma portadora de 
um símbolo astrológico relacionado com o metal pesquisado: vareta com 
símbolo de Marte para procurar ferro, com símbolo de Vênus para o cobre etc. 
O casal parte para o ducado da Bretagne, onde pela primeira vez seu 
trabalho encontra um forte oposição. No momento em que partem para 
examinar uma mina na floresta Buisson-Rochemares, seus bens pessoais são 
vasculhados por funcionários da província que, sob o pretexto de que o casal 
utilizava magia negra em seu trabalho, lhes surrupiaram 100 mil escudos de 
prata, pedras preciosas e uma importante coleção de amostras minerais, 
relatórios e mapas detalhados das minas que eles haviam prospectado Embora 
tenham conseguido convencer as autoridades de que a missão oficial de que a 
coroa de França os havia encarregado não continha de forma alguma um pacto 
com o diabo, não conseguiram nunca que os funcionários desonestos fossem 
punidos e seus bens restituídos. 
Apesar do sucesso absoluto de seu trabalho e dos gastos imensos 
mantidos às próprias espensas, até então a coroa não os havia recompensado de 
nenhuma maneira. A Baronesa enviou então um memorando ao superintendente 
de minas, relacionando todo o trabalho cumprido. O pedido de recompensa foi 
imediatamente respondido com a atribuição de uma nova missão por parte do 
sucessor do marquês de d'Effiat, acompanhado pelo reconhecimento do trabalho 
que o casal tinha efetuado com "tanto afeto e diligência". Belas palavras 
infelizmente não acompanhadas pela mínima soma de dinheiro para o 
reembolso da astronômica quantia de 600 mil escudos dispensada pelo casal, 
nem sequer pela promessa de um salário. Ainda por cima a esperança do casal 
Beausoleil de poder explorar suas próprias concessões de minérios se desvanece 
quando um conselheiro do rei que havia redigido os documentos para validar a 
autorização se demite repentinamente de suas funções. 
Em desespero, a Baronesa prepara um longo relatório denominado A 
Restituição de Plutão que relaciona em detalhe todas as descobertas feitas pelo 
casal entre os anos 1602 e 1640. Desta vez a missiva era endereçada ao 
primeiro-ministro "O Eminentíssimo Cardeal, Duque de Richelieu", um homem 
impiedoso e de uma astúcia doentia. Nesse documento, Martine de Beausoleil, 
afirma que não tinham vindo para a França para aprender a trabalhar ou por 
mera necessidade pecuniária e 
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que, durante nove longos anos, tinham viajado para fornecer à corte da França 
provas irrefutáveis de seus tesouros subterrâneos, se referindo a mais de 150 minas 
descobertas em toda a França. Afirmava também que elas tinham sido descobertas 
graças ao uso da forquilha de madeira ou de metal, e que esta era já utilizada com 
êxito bem antes do século XVII. "Os antigos,