FOUCAULT M Est 233 tica   literatura e pintura m
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FOUCAULT M Est 233 tica literatura e pintura m


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N ascido na França em 1926, Michel Foucault foi diretor 
do Instituto Francês em Hamburgo 
e do Instituto de Filosofia na 
Faculdade de Letras da Universidade 
de Clermont-Ferrand. Lecionou no 
Collège de France, sobre a História 
dos Sistemas de Pensamento.
A obra de Michel Foucault 
interroga as formas do poder e o 
estatuto do saber moderno a 
partir dos problemas da loucura, 
da sexualidade e da penalidade.
Estas temáticas se articulam a uma 
ampla discussão sobre a criação 
estética contemporânea, sobre o 
desenvolvimento das ciências da 
vida, da linguagem e da produção, 
e se desdobram, finalmente, em 
análises sobre os destinos da 
sociedade moderna \u2014 Europa 
Ocidental, Estados Unidos, a antiga 
URSS e a China. Além disso,
Michel Foucault apresenta nas suas 
teses sobre a estética da existência 
uma perspectiva renovada da ética 
para a nossa época.
O que tornou o Autor uma célebre 
personalidade na comunidade 
intelectual foi exatamente sua falta 
de convencionalismo e o fato de ter 
levado para a prática aquilo que 
desenvolvia na teoria.
jJFoucault
Estética:
\u2022 Literatura e Pintura, 
Música e Cinema
c o l e ( ã o \ D i t o s & E s c r i t o s III
\u2019 y Foucaultr-j
t 7 4- s-\-é- 4 t
\u2022 Literatura e Pintura, 
Música e Cinema
2â EDIÇÃO
Organização e seleção de textos: 
Manoel Barros da Motta
Tradução:
Inês Autran Dourado Barbosa
Dits et écrits
Edição francesa preparada sob a direção de Daniel Defert e 
François Ewald com a colaboração de Jacques Lagrange
r \ Estética:
O
FORENSE
U N IVER S ITÁR IA
Apresentação
Construída sob o signo do novo, a obra de Michel Foucault 
subverteu, transformou, modificou nossa relação com o saber e 
a verdade. A relação da filosofia com a razão não é mais a mes­
ma depois da H is tó r ia da loucu ra . Nem podemos pensar da 
mesma form a o estatuto da punição em nossas sociedades. A 
intervenção teórico-ativa de Michel Foucault introduziu tam­
bém um a m udança nas relações de poder e saber da cultura 
contemporânea, a partir de sua matriz ocidental na medicina, 
na psiquiatria, nos sistemas penais e na sexualidade. Pode-se 
dizer que ela colabora para efetuai* uma mudança de epistem e, 
para além do que alguns chamam de pós-estruturalismo ou 
pós-modernismo.
A edição francesa dos D itos e escritos, em 1994. pelas Edi­
ções Gallim ard desempenha um papel fundamental na difusão 
de uma boa parte da obra do filósofo cujo acesso ao público era 
difícil, ou, em muitos casos, impossível. Além de suas grandes 
obras, A s p a la v ra s e as co isas, H istória da loucu ra , Vigiar e 
p u n ir , O n a s c im e n to da c lín ica , R aym ond Roussel e História 
da se x u a lid a d e , Foucault multiplicou seus escritos e a ação de 
seus ditos, na Europa, nas Américas, na Ásia e no norte da Áfri­
ca. Suas intervenções foram desde relações da loucura e da so­
ciedade feitas no Japão a reportagens sobre a eclosão da revo­
lução islâmica em Teerã e debates no Brasil sobre a penalidade 
e a política. Este trabalho foi em parte realizado através de um 
grande número de textos, intervenções, conferências, introdu­
ções, prefácios e artigos publicados em uma vasta gama de paí­
ses que vai do Brasil aos Estados Unidos, Tunísia e Japão. As 
Edições Gallim ard recolheram esses textos em uma primeira 
edição em quatro volumes, com exceção dos livros. A esses se­
guiu-se uma outra edição em dois volumes que conserva a tota­
lidade dos textos da primeira. A edição francesa pretendeu a 
exaustividade, organizando a totalidade dos textos publicados 
quando Michel Foucault vivia, embora seja provável que algu­
ma pequena lacuna exista neste trabalho. O testamento de Fou-
VI Micliel Foucault - Ditos e Escritos
cault, por outro lado, excluía as publicações póstumas. Daniel 
Defcrt e François Ewald realizaram, assim, um monumental 
trabalho de edição e estabelecimento dos textos. Situando de 
maneira nova as condições de sua publicação, controlaram as 
circunstâncias das traduções, verificaram as citações e erros de 
tipografia. Jacques Lagrange ocupou-se da bibliografia. Defert 
elaborou uma cronologia, na verdade uma biografia de Fou­
cault para o primeiro volume, que mantivemos na edição brasi­
leira, na qual muitos elementos novos sobre a obra e a ação de 
Michel Foucault aparecem. Ela aponta para a correspondência 
de Foucault, inédita até hoje.
Este trabalho, eles o fizeram com uma visada ética que, de 
maneira muito justa, parece-me, chamaram de intervenção mí­
nima. Para isto, a edição francesa de Defert e Ewald apresentou 
os textos segundo uma ordem puramente cronológica. Este cui­
dado não impediu os autores de reconhecerem que a reunião 
dos textos produziu algo de inédito. A publicação do conjunto 
destes textos constitui um evento tão importante quanto o das 
obras já publicadas, pelo que complementa, retifica ou esclare­
ce. As numerosas entrevistas - quase todas nunca publicadas 
em português - permitem atualizar os ditos de Foucault com 
relação a seus contemporâneos e medir o efeito das interven­
ções que permanecem atuais, no ponto vivo das questões da 
contemporaneidade, sejam elas filosóficàs, literárias ou históri­
cas. A omissão de textos produz, por outro lado, efeitos de in­
terpretação, inevitáveis, tratando-se de uma seleção.
A edição brasileira dos Ditos e escritos é uma ampla seleção 
que tem como objetivo tornar acessível ao público leitor brasi­
leiro o maior número possível de textos de Foucault que não es­
tivessem ainda editados em português. Como não era possível 
editar integralmente todos os textos, optamos por uma distri­
buição temática em alguns campos que foram objeto de traba­
lho de Foucault.
Este volume, o terceiro da série, concentra-se, principalmen­
te, em torno da temática da estética. Foucault analisa aqui 
obras que, frente à perspectiva humanista dominante na epis- 
lem e da modernidade através do que poderíamos chamar de 
orientação nietzschiana na filosofia, criaram uma literatura 
que é uma alternativa às problemáticas do sentido, da vida e da 
linguagem dominantes na fenomenología e no existencialismo, 
e que para ele se apresentavam como "sufocantes\u201d. Trata-se de
Apresentação VII
análises de alguns autores, como Blanchot, Bataille, Klossows- 
ki, Robbe-Grillet, Beckett, Roussel, cujas experiências no cam­
po da reflexão e da criação artística marcaram a cultura con­
temporânea com amplos efeitos, principalmente no campo da 
ética. Ele trata também de outros artistas fundamentais da poé­
tica moderna, como Mallarmé, Flaubert, Júlio Verne, Bretón e 
o surrealismo, os autores de Tel quel e, em especial. Philippe 
Sollers, bem como Pierre Guyotat. É a leitura destes autores 
que vai produzir em Foucault a ruptura com o marxismo, a fe­
nomenología e o existencialismo que fechavam o horizonte dos 
estudantes em sua época. Criaram nele, diz Foucault, \u201co desejo 
de ir mais além\u201d. Esperando Godot, de Beckett, foi o elemento 
catalisador da ruptura.
Além dos textos sobre literatura, estão aqui reunidas análi­
ses dedicadas à pintura, incluindo As Damas de Companhia - 
o grande texto de Foucault dedicado a Velásquez e à era da repre­
sentação o ensaio sobre Magritte, Fromanger, passagens so­
bre a pop art e o hiper-realismo, além de considerações funda­
mentais sobre Mondrian, Klee e Kandinsky. No prefácio para a 
exposição do pintor Gérard Fromanger, Foucault prolonga suas 
análises da imagem feitas sobre Manet com uma importante 
pesquisa, como nota Defert, sobre as relações entre a pintura e 
a fotografia no fim do século XIX. A música contemporânea está 
presente em seu diálogo com Boulez e nos artigos que escreveu 
sobre ele. E há ainda textos sobre alguns filmes e cineastas, nos 
quais uma nova reflexão sobre a política está presente.
É importante registrar que o trabalho de elaboração