Fundamentos de História do Direito
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urna linha de continuidade nas formas de sociedade: 
 
vários elementos das culturas e civilizações modernas encontram as suas origens 
mais remotas no Sul da Mesopotâmia, na Suméria. Babilônios e Assírios 
conservaram e, por vezes, desenvolveram a herança espiritual dos Sumérios que 
comunicaram aos vizinhos: Hurritas, Hititas, Cananeus. Foram em seguida os 
Hebreus e os Gregos, por motivos e maneiras diferentes, os principais veículos para 
a posteridade.
64
 
 
59
 AYMARD, André; AUBOYER, Jeannine. O Oriente e a Grécia Antiga - vol. I. As Civilizações Imperiais. Op. 
cit., p. 223. 
60
 Cf. SAITTA, Armando. Guia crítica de la historia antigua. Trad. Stella Mastrangelo México: Fondo de 
Cultura Económica, 1996, p. 46-47. 
61
 Foram encontrados, nos arquivos do palácio real da capital hitita, 10.000 tabletes com inscrições em cuneiforme. 
Ver ROBINSON, Andrew. The story of writing alphabets, hieroglyphs and pictograms. Op. cit., p. 91. 
62
 CARDOSO, Ciro Flamarion. Antigüiliade oriental- política e religião. Op. cit., p.54. 
63
 Cf. GILISSEN, John. Introdução histórica ao direito. Op. cit., p. 63; CARDOSO, Ciro Flamarion. 
Antigüidade oriental- política e religião. Op. cit., p. 54. 
64
 TAVARES, António Augusto. As civilizações pré-clássicas - guia de estudo. Op. cit., p. 108. 
 
É plausível supor, nesse contexto, que alguns dos institutos jurídicos existentes na 
Mesopotâmia e do Egito tenham sido absorvidos pelos hititas e posteriormente transferidos 
para as sociedades do mundo grego. Essa é a linha de investigação proposta por Gilissen,
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 e 
que parece respaldada por razoáveis indícios históricos. Tampouco seria equivocado apontar a 
subsistência, na sociedade e no direito romanos, de institutos provenientes da Mesopotâmia e 
do Egito antigos, como a celebração de espécies diversificadas de contratos e a centralização 
administrativa apoiada por um corpo burocrático estável. É razoável conceber, então, um 
panorama de circulação de idéias na região do Mediterrâneo, que pode ter auxiliado na 
conformação de institutos jurídicos posteriormente legados ao patrimônio do Ocidente.
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Talvez seja chegado o momento de identificar as origens dos direitos modernos 
em sociedades que nasceram, se desenvolveram e encontraram sua mais profunda decadência 
antes mesmo do surgimento das civilizações clássicas. Talvez tenha sido atingido o estágio de 
ampliar os horizontes do tempo histórico, pois, na vigorosa e singela afirmação de Marc 
Bloch, o verdadeiro tempo da história \u201cé, por natureza, contínuo. É também perpétua 
mudança\u201d.67 
 
6. REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
 
ARAÚJO, Emanuel. Escrito para a eternidade - a literatura no Egito faraônico. Brasília/São Paulo: UnB e 
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. 
AYMARD, André e AUBOYER, Jeannine. \u201cO Oriente e a Grécia Antiga - vol. I: As Civilizações Imperiais\u201d. Volume 
1 da coleção organizada por CROUZET, Maurice. História geral das civilizações. Trad. de Pedro Moacyr Campos. 2. 
ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. 
BLOCH, Marc. Introdução à história - edição revista, aumentada e critica da. Trad. de Maria Manuel et. al. 
Portugal: Europa-América, 1997. 
BRAUDEL, Femand. Escritos sobre a história. Trad. de J. Guinsburg e Tereza Cristina Silveira da Mota. 2. ed. 
São Paulo: Perspectiva, 1992. 
 
65
 \u201cOs Hititas estavam instalados no segundo milênio na região de Hatti, ao centro da atual Turquia asiática 
(região de Ankara). Cerca de 1800 antes de Cristo, formou-se aí um reino hitita, pela reunião de vários pequenos 
principados; reino de tipo feudal, ele vai no decurso dos séculos seguintes aumentar o seu poderio, para se tornar 
cerca de 1400 a 1300 num vasto império (...) Desaparece cerca de 1200 após as grandes invasões dos \u201epovos do 
mar\u201f. Parece no entanto ter sido um elo de ligação entre os direitos mesopotâmicos e os direitos gregos\u201d. 
GILISSEN, John. Introdução histórica ao direito. Op. cit., p. 62. [Grifos nossos]. 
66
 Cf., como exemplo das possibilidades dessa abordagem que privilegia a circulação de idéias, os ensaios 
pioneiros de Amaldo Momigliano acerca da troca de informações entre civilizações da Antigüidade: 
MOMIGLIANO, Amaldo. Os limites da helenização - a interação cultural das civilizações grega romana. 
céltica, judaica e persa. Trad. Claudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991 e Ensayos de 
historiografía antigua y moderna. Trad. Stella Mastrangelo. México: Fondo de Cultura Econámica, 1997. 
67
 BLOCH, Marc. Introdução à história. Op. cit., p. 90. 
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