Fundamentos de História do Direito
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criadora. Em fins de 530, Justiniano 
encarrega Triboniano de, no prazo mínimo de 10 anos, compilar o iura. Antes já compilara 50 
constituições imperiais. A comissão de 16 membros terminou o trabalho em três anos.
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Surgem nesse momento o Digesto e as Pandectas. Após a elaboração do Digesto 
Justiniano escolheu três compiladores: Triboniano, Doroteu e Teófilo, para publicar uma obra 
que servisse aos estudantes como introdução ao direito compreendido nas Institutas. As 
Institutas, o Digesto e o Código foram exigidos por Justiniano. No entanto, depois de sua 
elaboração, Justiniano introduziu algumas modificações na legislação mediante Constituições 
 
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 ALVES, José Carlos Moreira. Direito romano. Rio de Janeiro: Forense, 1999, v. 1, p. 92. 
83
 ALVES, José Carlos Moreira. Op. cit., v. 1, p. 92. 
84
 ALVES, José Carlos Moreira. Op. cit., v. II, p. 10. 
85
 ALVES, José Carlos Moreira. Op. cit., v. II, p. 46. 
imperiais: as Institutas (manual escolar), o Digesto (compilação dos iura), o Código 
(compilação das Leges) e as Novelas (reunião das constituições promulgadas após Justiniano). 
Ao conjunto das compilações dá-se o nome de Corpus Iuris Civilis, designação criada por 
juristas ocidentais, já na Idade Moderna. 
As interpolações eram fórmulas de atualização do direito romano feitas pelos 
juristas do Império Justianeu. Os compiladores faziam substituições, supressões ou 
acréscimos nos fragmentos dos jurisconsultos. Essas interpolações também podem ser 
chamadas de tribonianismo. O estudo das interpolações foi iniciado na Renascença, através da 
ação dos glosadores e pós-glosadores. Os métodos para localizar interpolações são as 
seguintes, de acordo com José Carlos Moreira Alves: 
Textual - o mesmo texto clássico chegou até nós, com redações diferentes, no 
Corpus Juris Civilis e em fonte pré-justiniéia; o histórico - anacronismo em textos de direito 
clássico; o lógico - ilogismo entre as diferentes partes de um texto; o filológico - o 
vocabulário, a gramática e o estilo dos juristas clássicos e dos bizantinos. 
A influência do cristinianismo no direito romano se dá no período do dominato; 
com o Imperador Constantino, ela toma-se a religião oficial do Império; para os cristãos, o 
período do dominato, pela vitória do cristinianismo, teria sido o período áureo. 
Abandonadas as convicções religiosas, a partir da Renascença os autores se 
dedicaram principalmente ao romano clássico. Troplong quis demonstrar que no período 
cristão o direito romano foi superior, ou seja, no período pós-clássico, sua influência teria sido 
sentida na escravidão, no casamento, no divórcio, porém várias idéias suas já estavam no 
direito romano antes do advento do cristianismo. A influência foi da filosofia estóica, pagã, e 
não da filosofia cristã; além disto, nada de prático foi feito no dominato para acabar com a 
escravidão. 
Na verdade, a influência da religião cristã apareceu com mais força no direito de 
família, e não no patrimonial, devido à base econômica escravagista.
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5. A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO E A EMERGÊNCIA DO MUNDO FEUDAL 
 
Existem várias teses sobre a queda do Império Romano, assim, vários fatores 
podem ter contribuído e se conjugado para a sua queda: o colapso da economia escravagista; a 
falência dos pequenos agricultores, devido ao fluxo gratuito de cereais das colônias 
 
86
 ALVES, José CarIos Moreira, Direito romano. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p, 52. 
conquistadas, como parte do trabalho de pilhagem romana; o crescimento do exército de 
desocupados urbanos, que exigiam gastos vultuosos do Estado para entretenimento gratuito, 
que consumiam mais de 1/3 dos recursos do império; para evitar rebeliões, foram criadas leis 
como a Lex Frumentária, que fomentava a distribuição gratuita de trigo para os pobres; 
grandes espetáculos públicos eram organizados no Coliseu, com a presença de feras e 
gladiadores; a distribuição de pão e circo para as massas caracterizou este período; ocorreu 
também o colapso da pesada administração romana; as minas de prata da Espanha foram 
perdidas. 
O Estado tomou-se insolvente e falsário. A moeda tinha apenas 3% de prata, o 
restante era constituído de cobre e bronze, razão pela qual foi sendo paulatinamente 
abandonada pela população, o exército não cultivava mais a disciplina dos velhos tempos, era 
composto essencialmente por 9/10 de mercenários estrangeiros, sendo freqüentemente 
dizimado para conter o povo, que explodia em rebeliões internas conduzidas pelos pobres de 
Roma (guerra civil interna). Em uma delas mais de 15 mil soldados das legiões foram mortos. 
Os camponeses cortavam os dedos polegares para não serem convocados como soldados.
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 Os 
federati e os coloni, bárbaros, passaram a ocupar as fronteiras do império, e os habitantes das 
urbs (cidades) foram paulatinamente migrando para o campo em busca de segurança privada 
dos grandes proprietários, que tinham exércitos particulares para se defender. O modo de 
produção escravagista foi sendo paulatinamente substituído por uma economia de subsistência 
agrária e estática (não havia troca monetária, mas escambo, troca de um objeto por outro, sem 
um equivalente geral abstrato de troca, a moeda), baseada no trabalho servil e nos valores de 
uso. A economia escravagista sucumbiu ao trabalho servil e a Europa ocidental se fragmenta 
em unidades de produção descentralizadas que constituíram o feudalismo no velho continente, 
sob o novo império da Igreja, única instituição burocrática dotada de centralização, 
verticalização e disciplina para organizar as atividades, acabou se tornando um verdadeiro 
fantasma surgido da decomposição corpórea do império romano.
88
 
Para fundamentar esse processo de decadência, citam-se as seguintes transcrições, 
que falam respectivamente do declínio do trabalho escravo, o crescimento do cristianismo, o 
retomo ao campo em busca de proteção e segurança: 
 
Mesmo no seu auge, nos três primeiros séculos depois de Cristo, lavraram no 
império comercial e militar romano as contradições que finalmente o derrubariam. O 
 
87
 MURSTEIN, Bemard. Amor, sexo e casamento através dos tempos. Portugal: Arte Nova, t. I, p. 106. 
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 Grandes personagens da história universal. Do feudalismo às republicas de mercadores. São Paulo/ Portugal: 
Victor Civita, 1972, v. IV, p, 773. 
trabalho escravo solapava o trabalho livre, lançando no desemprego artesãos e 
pequenos agricultores, que passavam a vaguear pelas cidades e a criar focos de 
inquietação. As doutrinas revolucionárias da jovem igreja cristã disseminavam o 
descontentamento entre as classes inferiores e estimulavam as autoridades a uma 
repressão brutal a seus fiéis. Nas fronteiras do Império, grupos expulsos da Europa 
Central pelos Hunos em marcha agravaram os problemas administrativos de uma 
burocracia cada vez mais sobrecarregada e dispendiosa. As comunicações, a 
capacidade de defender os ricos e a segurança do comércio começaram a diminuir 
no século III d.C. e, com elas, desapareceu a prosperidade do Império.
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A \u201cqueda\u201d do Império em 476 d.C. constituiu apenas o último passo no processo 
de desintegração. A essa altura, os imperadores romanos haviam abraçado o catolicismo. 
Constantino fora o primeiro a converter-se em 313 d.C. Sobreviveram as cidades episcopais e 
arcebispais. Grandes regiões ocupadas por latifundiários e colonos, no entanto, tomaram-se 
autônomas, professando apenas uma lealdade nominal ao distante imperador oriental, que 
governava de Constantinopla; ao final, hordas bárbaras ocupam-se do antigo Império