apostila de quimica organica Thiago Viana
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apostila de quimica organica Thiago Viana


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S. O átomo de maior prioridade ligado ao carbono assimétrico é o oxigênio e o d menor 
prioridade é o átomo de hidrogênio. Os dois substituintes remanescentes possuem átomos 
iguais (carbono) e a escolha entre eles para determinar o de maior prioridade é feita através 
da comparação dos ligantes. O grupo metil tem (H,H,H), enquanto que o etil possui (C,H,H); 
portanto, o grupo etil tem maior prioridade do que o metil, visto que o átomo de carbono tem 
número atômico maior do que o hidrogênio. A ordem de prioridade completa é OH > C2H5 > 
CH3 > H. Quando essa molécula é vista do lado oposto ao substituinte de menor prioridade (H), 
os grupos remanescentes apresentam uma prioridade decrescente no sentido anti-horário, 
sendo, portanto, o enantiômero S.
1
23
4 H
1
23
Ordem decrescente
de prioridade
H para trás do
centro assimétrico
Sentido anti-horário
Outro exemplo interessante é a determinação da configuração absoluta do ácido 3-hidroxi-
2-metilpropanóico. A primeira etapa é expandir a estrutura de forma que todas as ligações 
múltiplas dos grupos funcionais sejam representadas pelos seus equivalentes contendo so-
mente ligações simples.
CO2H OHC
O
OHC
O
O
C
Posteriormente usamos as regras de prioridade para assinalar a prioridade de cada grupo 
(-CO2H > CH2OH > CH3 > H) e em seguida giramos a molécula de forma a colocar o grupo de menor 
prioridade para trás do carbono assimétrico. Como a prioridade decrescente apresentada é anti-
horária, esse enantiômero apresenta configuração S.
H
1
2
3
4 1 2
3
1 2
3
Sentido anti-horário
169 
A determinação da configuração absoluta de um carbono assimétrico em 
uma molécula cíclica segue as mesmas regras de sequência de prioridades 
para os substituintes ligados ao átomo cuja configuração se deseja assina-
lar, usada para os compostos acíclicos. Uma maneira fácil de visualizar os 
substituintes ligados ao estereocentro é passar através dele uma linha que 
divida o anel em dois (para anéis com número par de átomos de carbono, 
essa operação deverá seccionar um dos átomos do anel). Posteriormente é 
atribuída normalmente a ordem de prioridade, como se fosse um composto 
de cadeia aberta. Como exemplo, veremos a determinação da configuração 
absoluta do estereocentro na molécula da (+)-carvona citada anteriormente.
X
X
X
X
X
X
1
2
3
4
1
2
3
Esses dois grupos são
claramente diferentes
Carbono
assimétrico
Quatro substituintes diferentes
3X = metade do grupo -CCH
Rotação da molécula para 
colocar o hidrogênio para trás
Portanto, a (+)-carvona consiste no enantiômero com a configuração R 
e a (-)-carvona é o enantiômero S. Nesse momento é importante ressaltar 
que não existe nenhuma relação direta entre os descritores configuracio-
nais R e S e a rotação do plano da luz polarizada. Isto é, existem enan-
tiômeros que possuem a configuração absoluta R e desviam a luz plano-
polarizada para a direita (+) e outras com configuração S que também são 
destrógiras. O mesmo pode acontecer para as substâncias levógiras, ou 
seja, desviam a luz plano-polarizada para a esquerda e podem ter confi-
guração absoluta R ou S. O que podemos afirmar é que se um composto R 
desvia a luz plano-polarizada para a direita (+), o seu enantiômero (S) des-
viará a luz para a esquerda (-). Alguns exemplos são mostrados a seguir.
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Vejamos agora como determinar a configuração absoluta de uma substância representada 
em projeção de Fischer. Inicialmente procedemos de maneira semelhante ao que fizemos até 
agora, ou seja, usamos as regras de prioridade para assinalar a prioridade de cada grupo. Em 
seguida, verificamos se a ordem de prioridade decrescente apresentada gira num sentido ho-
rário ou anti-horário, contanto que o grupo de menor prioridade esteja na \u201cligação\u201d vertical, 
pois essa, como já foi descrito anteriormente, representa os átomos ou grupos de átomos que 
estão mais afastados do observador.
H1 2
3
Se o grupo ou o átomo com a menor prioridade estiver na \u201cligação\u201d horizontal, isto é mais 
próximo do observador, a resposta obtida a partir da ordem de prioridade decrescente apre-
sentada será oposta à resposta correta. Por exemplo, se a ordem descrita girar no sentido 
horário sugerindo uma configuração absoluta R, esse composto será na realidade o enantiô-
mero S. O inverso também é verdadeiro.
1
2
3
(S)
Estereoisômeros Diastereoisoméricos
 
Os enantiômeros por terem uma relação de imagem especular um com o outro possuem pro-
priedades físicas e químicas iguais, exceto a rotação do plano da luz polarizada. Entretanto 
outros tipos de estereoisômeros podem ser quimicamente (e fisicamente) muito diferentes. 
Por exemplo, os ácidos insaturados fumárico e maleico, mostrados anteriormente, são dias-
tereoisômeros geométricos e por serem estruturalmente muito diferentes possuem proprie-
dades físicas e químicas muito diferentes.
HO2C
CO 2H
HO2C CO 2H
cis-Ácido maleico
(Carboxilas do mesmo lado)
Ponto de fusão = 299-300 Co
cis-Ácido furmárico
(Carboxilas em lados opostos)
Ponto de fusão = 140-142 Co
Um tipo de estereoisomerismo semelhante pode ocorrer em compostos cíclicos contendo 
um plano de simetria. Os estereoisômeros cis e trans do 4-tec-butil-cicloexanol também 
possuem propriedades físicas e químicas diferentes.
171 
cis-terc-butil-cicloexanol
Ponto de fusão = 82-83 Co
trans-terc-butil-cicloexanol
Ponto de fusão = 80-81 Co
Plano de simetria Plano de simetria
Os estereoisômeros que não possuem uma relação de imagem especular um do outro são 
chamados de diastereoisômeros. Os dois pares de estereoisômeros mostrados anteriormente 
não são imagens especulares uns dos outros e, portanto, são diastereoisômeros. Podemos ob-
servar ainda que ambos são aquirais. Contudo, nem todos os diastereoisômeros são aquirais, 
vejamos o exemplo a seguir. O 3-fenil-2-butanol possui dois estereocentros e não possui pla-
no de simetria, portanto, é um composto quiral. Quatro estereoisômeros podem ser escritos.
D iastereoisômeros
Espelho Espelho
Imagem especular Imagem especular
A e B ; C e D são enantiômeros
Enantiômeros Enantiômeros
Podemos ver claramente que dentre os quatro estereoisômeros, existem dois pares de enan-
tiômeros. Porém qual é a relação existente entre um par de enantiômeros e o outro? Após gi-
rar as imagens especulares B e D, percebemos que um enantiômero de um par não representa 
a imagem especular de nenhum dos enantiômeros do outro par. Isto é, o estereoisômero A 
não é imagem de C e D, assim como B também não é. O mesmo vale para C e D em relação 
a A e B. Vimos anteriormente que os estereoisômeros que não são imagens especulares um 
do outro são denominados diastereoisômeros. Logo, a relação existente entre os pares A e B 
com C e D é diastereoisomérica. 
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Analisando os estereoisômeros do 3-fenil-2-butanol, podemos concluir que os diastereoi-
sômeros quirais só podem surgir quando as estruturas tiverem mais de um estereocentro.
*
*
*
*
*
*
*
*
* = * =
Enantiômeros Enantiômeros
Diastereoisômeros
Estereocentros Estereocentros
Outro exemplo de estereoisômeros diastereoisomérico ocorre com a efedrina e a pseudo-
efedrina. A efedrina é um aminoálcool similar aos derivados sintéticos da anfetamina que 
pode ser encontrada em certas plantas da família das efedráceas, muito utilizada como des-
congestionante nasal e em medicamentos para emagrecer, pois ela acelera o metabolismo 
queimando mais gordura (através da termogênese - produção de calor), porém causa uma 
forte dependência. Através de suas estruturas podemos ver que não existe uma relação de 
imagem especular entre essas substâncias, pois, somente um