Angela Maria La Sala Batà   Do Eu Inferior ao Eu Superior
68 pág.

Angela Maria La Sala Batà Do Eu Inferior ao Eu Superior


DisciplinaPsicologia63.671 materiais447.224 seguidores
Pré-visualização27 páginas
ser sensíveis ao seu contínuo e constante apelo. 
como se estivéssemos imersos num tumulto de infinitas vozes, num marasmo nebuloso, e é 
absurdo pensar ou esperar que possamos realizar, a consciência do verdadeiro Si, ainda que 
minimamente, permanecendo nesse estado. 
Só quando nos sentirmos interiormente "livres", serenos e quando não formos mais presa de 
apegos e desejos, poderemos "ver" e "sentir" a verdadeira essência espiritual que está em nós. 
Certamente, não é fácil atingir esse comportamento interior, mas há maneiras e métodos que 
ajudam e favorecem o seu alcance. 
Primeiramente, cada um de nós deveria, através de uma análise profunda, tentar descobrir em 
qual dos seus três veículos existe maior apego. Pode ser que o descubramos em todos os três... Isto 
não nos deve desencorajar. 0 importante é reconhecer a verdade sincera e objetivamente. Não 
podemos atingir o desapego se antes não conhecermos os pontos fracos que ainda existem em nós. 
Alguns talvez sejam muito apegados aos bens físicos, às comodidades, ao luxo, ao conforto. 
Dão muita importância a todo o bem-estar material, prazer físico, riqueza etc. 
Outros, talvez, não dêem excessiva relevância ao conforto material, mas são muito apegados 
no campo emotivo e afetivo. Os seus afetos são profundos e exclusivos, os seus sentimentos fortes 
e excessivos, a ponto de provocar ciúme, agitação e perturbação contínua. Eles acham que as 
coisas principais da vida são a riqueza dos afetos, os apegos e não saberiam jamais renunciar ao 
amor pelas pessoas queridas. 
Outros, por assim dizer, ainda têm a sede dos seus apegos no corpo mental inferior; tal apego 
manifesta-se como ambição, orgulho, desejo de fama, senso de superioridade, exagerada estima da 
razão e da inteligência, com o conseqüente desprezo do sentimento, apego às próprias idéias, 
intolerância, etc. 
Em lato senso, podemos dizer que os que pertencem aos Raios pares (ll, lV, Vl) têm mais 
facilmente apegos emotivos, e aqueles que pertencem aos Raios ímpares (l, IlI, V, Vll) têm, com 
predominância, apegos mentais. 
Os apegos materiais encontram-se tanto nos Raios pares como nos ímpares, mas 
especialmente nos tempera-mentos de lV e Vll Raios. 
Como fazemos para descobrir à qual forma de apego estamos mais sujeitos? 
Deveremos procurar continuamente objetivar-nos, olhando-nos no espelho, por assim dizer, e 
criando uma espécie de dualidade entre o eu que observa, que olha e a parte de nós que age, sofre, 
deseja e pensa. 
Deveríamos desidentificar a consciência do nosso "eu" dos seus conteúdos psíquicos e 
reencontrar em nós mesmos o centro fixo e sólido, que não muda jamais e que nós dá o sentido da 
nossa identidade, da nossa personalidade. 
Esse "eu" não é o Eu Espiritual, mas é o seu reflexo na consciência pessoal e nem sempre 
sabemos reconhecê-lo, no entanto, é essencial que o reencontremos para que depois possamos 
proceder a ulteriores alargamentos. 
Uma prática muito útil para formar em nós essa consciência do "eu" pessoal desapegado dos 
conteúdos psíquicos e não-identificado com os três veículos é o exame noturno do qual tantas 
vezes já se falou. 
Tal exame, feito regularmente todas as noites ou em qualquer outro momento do dia, depois de 
uma oportuna preparação interior, durante a qual procuraremos nos relaxar, acalmar e nos levar 
acima da nossa personalidade, é uma prática indispensável para o aspirante espiritual. Somente 
com o exame noturno, aos poucos, formar-se-á aquele ponto intermediário entre a personalidade 
e a Alma, que não é mais a consciência da personalidade e não é ainda a consciência da Alma, mas 
é o ponto onde se forma a consciência do observador silencioso, do Espectador desapegado e que 
lhe dá a possibilidade de observar desapaixonadamente a sua personalidade, de não se identificar 
com os seus veículos e de se sentir completamente "senhor" das energias inferiores, que lhe são 
próprias. 
Muitos sinceros aspirantes espirituais, às vezes, negam a idéia do desapego porque 
inconscientemente pensam que isso seja uma espécie de frieza emotiva ou de indiferença desejada 
e quase egoísta. O verdadeiro significado do desapego deve ser compreendido em toda a sua 
profundidade, antes que qualquer opinião seja emitida. 
Entretanto, é necessário dizer que não é fácil compreender a sua verdadeira essência e a sua 
verdadeira natureza, quando não se provou o desapego, ao menos por algum tempo. 
As vezes, as pessoas muito racionais e pouco amorosas têm a ilusão de já ter atingido o 
desapego, pois não se comovem diante da dor, não se deixam influenciar pelos sentimentos, são 
indiferentes aos estados emotivos e ficam calmas em certas situações que para outras são motivos 
de agitação e de preocupação. 
Tal calma, tal indiferença não é desapego, mas apenas falta de amor e de sensibilidade, pois, 
com freqüência, o desenvolvimento da mente concreta paralisa e sufoca o desenvolvimento do corpo 
emotivo e do coração. 
É preciso estarmos muito atentos no julgamento e sermos sinceros e objetivos antes de afirmar 
qualquer coisa. 
Por outro lado, as pessoas muito sensíveis, com o corpo emotivo desenvolvido e com 
tendências amorosas, evitam o desapego porque têm a inconsciente sensação de que é bom ter a 
faculdade de comover-se com facilidade, ter muitos apegos, ter "um coração sensível, terno" etc. 
Talvez não haja uma palavra adequada que possa descrever as qualidades do desapego, mas 
ele significa profunda serenidade e calma interior, trespassada de amor, compreensão, alegria, 
energia, força, e não significa indiferença, frieza, apatia, inércia... 
O desapego é o comportamento de todo aquele "que sabe", de todo aquele que superou as 
limitações e os apegos ilusórios e que está livre dos liames da forma. 
"Ausência de paixão (ou desapego) é a consciência de ser "senhor" por parte daqueles que se 
libertaram do desejo por qualquer objeto visto ou imaginado" (Sutra Yoga de Patanjali, Livro l, p. 44, 
Ed. Carabba). 
Mesmo que não possamos chegar a esse completo estado de desapego poderemos atingir, 
progressivamente e, depois, aos poucos, de uma forma cada vez mais duradoura, um estado de 
calma e de serenidade interior, que nos permitirão seguir o Caminho com os olhos mais límpidos e o 
coração mais firme. 
As energias da Alma não podem chegar até a nossa consciência se não estivermos calmos e 
serenos e a sua voz não poderá ser ouvida se estivermos imersos no tumulto de uma constante 
agitação. 
Cultivemos, portanto, a cada momento do nosso dia, em cada atividade ou momento de 
provação, um senso de liberdade interior, um comportamento calmo e sereno. Preservemos a 
consciência do Espectador, invocando sempre a nossa Alma para que nos faça atingir o "desapego" 
e nos faça conhecer a paz daqueles que, mesmo estando no mundo, "vivem no eterno". 
Esse é o caminho "sutil como a lâmina de uma navalha", de que fala Buda, indicador do 
perfeito equilíbrio alcançado pelo homem que "vive no mundo e não é do mundo", porque sabe que a 
vida nos três planos da manifestação não é a verdadeira vida, não é a realidade, mas é o reflexo de 
uma vida completa, da vida eterna e imutável, onde reina a verdadeira beleza, a verdadeira felicidade 
e o verdadeiro amor. 
 
VI - QUESTIONÁRIO 
 
1 - 0 que significa desapego? 
2 - Por que o desapego é tão importante para a vida espiritual? 
3 - Que reação o pensamento do desapego provoca em você? 
4 - Acredita que o desapego seja: 
a) uma maneira para se evadir da dor? 
b) indiferença às penas alheias? 
c) recusa ao sofrimento? 
d) frieza de sentimentos? 
e) uma forma de absenteísmo egoístico? 
5 - 0 que significa "amar com desapego"? 
6 - O que significam as palavras da Luz Sobre o Caminho: 
a) destrua a ambição; 
b) destrua o desejo de viver; 
c) destrua o desejo de bem-estar. 
Trabalhe como trabalham os ambiciosos. Respeite a vida como aqueles que