Angela Maria La Sala Batà   Do Eu Inferior ao Eu Superior
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Angela Maria La Sala Batà Do Eu Inferior ao Eu Superior


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mas, como diz a primeira frase do trecho 
Tratado de Magia Branca, acima citado, poderemos "exercitar o poder da palavra" sobre o plano 
físico e compreender-lhe o valor somente quando tivermos aprendido o verdadeiro significado do 
silêncio e tivermos provado, mesmo que por instantes, a sua verdadeira essência. 
O som tem um grande poder e o homem o usa indiscriminadamente; aliás quase sempre de 
maneira nociva porque ignora essa verdade. 
Como falamos antes, a cada som corresponde uma vibração, e a vibração é a energia que 
produz efeitos definidos e determinados. E, ainda, a cada palavra dita corres-ponde um sentimento, 
um pensamento, que são também energia, força dinâmica que se propaga e tende a criar 
resultados concretos no plano objetivo. Sem contar também com o aspecto moral do uso da 
palavra, que tanto foi salientado por todas as religiões e por todos os pensadores. 
O Evangelho diz: "...De cada palavra ociosa que disserdes prestareis contas no dia do juízo 
final, porque pelas tuas palavras sereis julgado e pelas tuas palavras sereis condenado" (Mateus, Xll, 
36, 37). 
Podemos fazer muito mal com as nossas palavras, quer sejam decisivamente más, quer sejam 
simplesmente ociosas, inúteis e vazias. 
Em Magia Branca diz-se: "as palavras podem ser de três tipos: 1) palavras ociosas, 2) palavras 
amorosas e boas, 3) palavras nem boas nem amorosas. Por estas últimas, pagar-se-á o preço a 
curto prazo. São as palavras egoístas, de ódio, as palavras cruéis, de maledicência venenosa... 
Todas essas palavras destroem os vacilantes impulsos da Alma, cortam as raízes da vida e, 
portanto, produzem morte..." (Tratado de Magia Branca, p. 541). 
Como se pode ver, enquanto não tivermos conquistado o autodomínio e o discernimento, é 
melhor "reduzir o número das palavras" destinadas ao uso e aprender a calar o máximo possível. 
"E bom falar pouco; melhor ainda é emudecer total-mente, a menos que você esteja bem 
seguro de que o que vai dizer é verdadeiro, amável e útil. Antes de abrir a boca, considere 
atentamente se aquilo que vai dizer tem esses três requisitos e, se não os tem, cale-se" (Aos pés do 
Mestre, p. 26). 
Devemos lembrar sempre que o lema do verdadeiro ocultista é: 
"Conhecer, querer, ousar e calar", e talvez este último seja o mais difícil de se alcançar. 
Quando tivermos aprendido o controle da palavra e compreendido o valor do silêncio no plano 
físico, então, aos poucos, se nos revelará o significado do silêncio interior, aquele que nos 
conduzirá à revelação gradual do mundo espiritual e que será a preparação para o despertar da 
consciência superior. 
Para o nosso intento, que é o de ajudar e favorecer o despertar da consciência da Alma, é 
muito importante que nos habituemos aos poucos a cultivar esse silêncio interior e não somente 
aquele do plano físico - alternando, quanto mais possível, as "pausas", os interlúdios de silêncio, à 
nossa vida de trabalho e de extroversão. 
Pelo menos duas vezes ao dia, deveríamos encontrar alguns minutos de solidão e de 
recolhimento para nos dedicar à prática do silêncio. 
Entretanto, é necessário dizer que as múltiplas vozes da nossa natureza inferior emudecerão 
somente quanto houver a "rendição" completa da personalidade, após o conflito final entre a Alma e 
o seu instrumento. Conflito árduo, tempestuoso, em que as forças de involução se unirão contra as 
forças da Luz, a fim de combaterem até a derrota completa, seguida pela rendição. 
Esse conflito poderá também suceder-se em níveis inconscientes da psique, mas, 
superficialmente, manifestar-se-á como um estado de sofrimento, de depressão, de mal-estar 
profundo, de infelicidade, de cansaço e de desgosto pela vida e, às vezes, como verdadeiras 
doenças físicas, mais ou menos graves. 
Terminado o conflito, como dissemos antes, com a rendição da personalidade, segue uma 
calma profunda, um silêncio completo que preludia um maravilhoso e misterioso evento, o despertar 
da Alma, o abrir-se do ouvido interior à sua voz que finalmente poderá ser ouvida pelo aspirante. 
"Espere que a flor desabroche no silêncio que segue à tempestade, não antes", está escrito em 
Luz sobre o Caminho, e ainda: "... Até que, por inteiro, a natureza não se tenha entregue e não se 
tenha sujeitado ao seu mais alto Si, a flor não se poderá abrir. 
Portanto, sobrevirá uma calma semelhante à que nos países tropicais segue à chuva torrencial, 
quando a natureza trabalha tão rapidamente que se pode ver a ação. Tal calma virá ao Espírito 
atormentado. E no silêncio profundo acontecerá o evento misterioso que prova que o caminho foi 
encontrado. Chame-o pelo nome que quiser, é uma voz que fala onde não há voz alguma: é um 
mensageiro que chega, um mensageiro sem forma nem substância ou, então, é a flor da Alma que se 
abriu." 
Entretanto, podemos provar momentos vivificantes desse silêncio mágico, mesmo antes desse 
evento, e utilizar os seus poderes e a sua força para tornar a nossa vida mais útil, harmônica, tanto 
do ponto de vista pessoal como do espiritual. 
Aprendamos a compreender a força da ação silenciosa, do serviço tácito, do Wu-wei, a ação sem 
ação dos hindus, que nos abre a nascente das energias que jazem inaproveitadas em nós. 
Aprendamos a entrar no mistério do silêncio, se quisermos realmente viver não como personalidade 
mas como Almas. 
 
 
 
 
VII - QUESTIONÁRIO 
 
1 - Qual é o verdadeiro significado do silêncio? 
2 - Por que as pessoas menos evoluídas fogem do silêncio? 
3 - Alguma vez experimentou o verdadeiro silêncio? 
4 - Há duas formas de silêncio: 
a) o silêncio interior; 
b) o silêncio exterior. 
Que valor tem cada um deles? 
5 - Você consegue, com facilidade, criar em você o silêncio? 
6 - O que é a "voz do silêncio"? 
7 - Sabe alguma coisa sobre o poder mágico do silêncio? 
8 - Por que para alguns o silêncio incute pavor e angústia? 
9 - O que sabe sobre o silêncio como conservação de energias? 
10 - 0 que acontece quando toda a personalidade está em silêncio? 
VIII - A MEDITAÇÃO 
 
a) O Relaxamento Físico 
 
Com este capítulo tem início a parte prática deste livro, onde serão descritos os métodos, os 
exercícios técnicos e os treinamentos interiores aptos a preparar a personalidade, a fim de torná-la 
canal das energias espirituais e criar em nós uma vibração mais elevada e pura que poderá, com o 
tempo, contribuir àquele despertar da consciência anímica, que é a nossa meta. 
Como já dissemos antes, a técnica "príncipe" para ajudar o contato com a Alma é a meditação. 
Mas o que é esta meditação? O que significa meditar? 
A meditação é uma verdadeira ciência de treinamento interior. Ela não é prece, não é um 
comportamento místico de aspiração... A prece nasce do corpo emotivo, pois ela contém sempre um 
desejo, um pedido. Há, naturalmente, vários níveis de prece, por assim dizer, dependendo do tipo de 
pedido que ela exprime. 
Em Do intelecto à intuição, de A. A. Bailey, estão catalogados quatro estágios de prece: 
1) Prece para obter benefícios materiais ou ajuda de qualquer tipo; 
2) Prece para adquirir virtude e qualidade de caráter; 
3) Prece altruística ou de intercessão; 
4) Prece para obter iluminação ou realização divina. 
A meditação, ao contrário, não parte do corpo emotivo, mas do corpo mental e não usa o 
desejo, mas a vontade, para atingir o seu objetivo. 
A prece, uma vez no seu mais alto grau, forma o místico. A meditação, ao contrário, forma o 
ocultista. 
A verdadeira meditação oculta implica uma série de exercícios técnicos, de práticas e de 
treinamentos dirigidos ao campo das energias psíquicas, que requerem diversos anos de exercícios e 
certo grau de desenvolvimento mental. 
A meditação é ainda criativa, pois movimenta energias, produz efeitos definitivos, 
transmutações; suscita e evoca forças latentes e adormecidas, destrói a negatividade, constrói 
qualidades positivas. Em outras