Angela Maria La Sala Batà   Do Eu Inferior ao Eu Superior
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Angela Maria La Sala Batà Do Eu Inferior ao Eu Superior


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nelas se esconde. 
Mas, antes que a mente possa se tornar o órgão dessa leitura espiritual, ela deve se 
tornar um perfeito instrumento do pensamento, obediente à vontade, e um límpido refletor das 
idéias da Alma, sendo que só se pode chegar a isso, primeiro, através da concentração e, 
depois, através da meditação. Eis por que a prática da concentração é tão importante. 
O que significa realmente "concentração"? 
Esta palavra vem do latim cum - conjunto, e centrare centrar, levar ao centro, ou seja, 
levar junto a um centro comum. 
Concentração mental, portanto, quer dizer " juntar", centrar todos os pensamentos e 
conduzi-los para um mesmo ponto, sem distrações e divagações, eliminando tudo o que for 
estranho ao objeto de nossa atenção. 
Patanjali nos seus Sutra Yoga define assim a concentração: "Concentração, ou dharana, 
é fixar a substância mental (chitta) sobre um objeto particular" (p. 11, Livro I I I , Ed. Nuova 
Era). 
A concentração poderia também ser definida como "Uma intensificação da atenção sobre 
um tema escolhido". 
A atenção, como se sabe, pode ser involuntária ou voluntária. 
A primeira se dirige às coisas que impressionam pela sua novidade, pelo interesse que 
provocam, pela sua estranheza, e não implica uma força de vontade; é totalmente natural e 
espontânea. Por exemplo, enquanto passeamos, nossa atenção é atraída, espontaneamente e sem 
esforço de nossa parte, por todos os objetos que, de uma maneira ou de outra, têm algo que nos 
interessa e impressiona a nossa fantasia. Essa atenção é involuntária. Também é assim aquela 
que usamos para ler um livro de que gostamos, para fazer um trabalho que nos diverte e apaixona, 
para admirar uma obra de arte, observar um rosto que nos atrai ou estudar um assunto que nos 
interessa. 
A atenção voluntária, ao contrário, é a que implica uma força de vontade, sendo dirigida para 
qualquer objeto, seja ele interessante e agradável, ou não. Por exemplo, a atenção voluntária é usada 
para estudar um assunto difícil, não particularmente interessante, mas que sabemos ser útil, e, ainda, 
é a que se usa para realizar um trabalho que fazemos sem prazer, mas que devemos fazer por obri-
gação ou porque é útil. . . Em outras palavras, a atenção voluntária é aquela que usamos em coisas 
ou objetos escolhidos não espontaneamente ou por atração natural, mas por vontade; ela requer 
esforço e concentração para ser mantida e aprofundada. 
Portanto, concentração é atenção voluntária, conduzida, por assim dizer, à máxima potência. 
Essa concentração do pensamento num só objeto faz com que ele se torne muito mais intenso, 
profundo e vigoroso. Citaremos analogias dessa intensificação de potência e de eficiência provocada 
pela concentração de energia em todos os campos. Por exemplo, os raios do sol, quando dirigidos 
para um só ponto através de uma lente, podem queimar um pedaço de papel; o vapor áqueo que 
passa através de um pistom movimenta uma locomotiva. . . O mesmo acontece com o nosso 
pensamento: se é disperso, difuso, errante, não pode ter a força, a eficiência e a perspicácia de 
quando está totalmente dirigido e apontado para uma mesma direção. 
Portanto, a concentração não serve apenas como meio de domínio e de controle da mente, mas 
também como meio de desenvolvimento e de reforço do seu poder. 
Sem dúvida, não é fácil atingir essa capacidade de concentração com rapidez, especialmente 
para aqueles que têm uma mente vivaz, fluida e, sobretudo, caótica. 
Tais pessoas, nas primeiras tentativas de domínio da mente, provam um aumento de 
mobilidade e uma espécie de rebelião das correntes do pensamento que, estando sempre 
acostumadas a vaguear livres aqui e ali, seguindo o impulso do momento, não sabem e não querem 
obedecer ao comando da vontade. 
A mente reage quase com violência nas primeiras tentativas de domínio e de reorganização - 
pelo menos assim se afigura a nós, que nos esforçamos para detê-la e dirigi-la para um só objeto. 
Na realidade, esse aumento de fluidez vem, não só porque a nossa mente não está habituada a 
ser controlada, mas também porque, ao querermos nos concentrar mental-mente, é natural que se 
forme uma polarização mental mais intensa, isto é, todas as forças da nossa personalidade alinham-
se e afluem para a mente, produzindo, assim, um aumento de energias intelectivas, que, por 
natureza, não sendo ainda dominadas e organizadas, irrompem aqui e ali de forma caótica. 
Esse é o primeiro obstáculo que podemos encontrar quando iniciamos as primeiras tentativas 
de concentração, obstáculo que, em seguida, se transforma em riqueza e eficiência mental. 
Outro obstáculo muito comum para os principiantes constitui-se nos pensamentos inoportunos 
que vêm infiltrar-se na mente, distraindo a atenção do tema escolhido e fazendo-a divagar. 
Os pensamentos inoportunos podem ser de vários tipos e, às vezes, chamam a nossa atenção 
com muita insistência pois podem não ser apenas pensamentos fúteis e vazios, mas interessantes e 
urgentes... Entretanto, devemos aprender a não nos deixar distrair por eles, porque, se quisermos de 
fato dominar a nossa mente, devemos, pelo menos por aqueles cinco ou dez minutos dedicados à 
concentração, ser capazes de pensar apenas no tema escolhido, sem divagações. 
Ernest Wood, em Concentração, dá conselhos muito úteis à eliminação de pensamentos 
inoportunos, por ele comparados a visitantes não-desejados que chegam de repente para nos falar 
de seus problemas. Ele afirma não ser necessário expulsar violentamente tais visitantes porque, 
sendo os seus problemas reais e importantes, voltariam à baila mais e mais vezes e não nos 
permitiram concentrar. 
E, se algum deles tiver de voltar, Wood aconselha que se combine um encontro com hora 
marcada. Nesta hora, porém, não se deve deixar de manter o compromisso e de resolver aquele 
problema. 
Podem existir ainda outros distúrbios durante a concentração, isto é, ondas-pensamento, 
imagens etc., oriundos de outras mentes; como tais distúrbios, em geral, não são muito potentes e 
eficazes, basta mergulhar no trabalho de concentração para abstrair por completo a atenção deles. 
Vejamos, agora, como a concentração se desenvolve. E errôneo pensar que ela consiste numa 
condição estática da mente; ao contrário, a concentração é um estado de intensa atividade mental. 
Patanjali, no seu Iivro Sutra Yoga (comentado por Alice Bailey), diz que a concentração tem 
sete estágios: 
1 - A escolha do objeto sobre o qual se concentrar. 
2 - A retirada da consciência mental do mundo externo, que faz com que os meios de 
percepção e de experiência (os cinco sentidos) sejam aquietados e a consciência não se volte mais 
para o exterior. 
3 - A consciência concentra-se e fixa-se na cabeça, mais precisamente, no centro entre as 
sobrancelhas. 
4 - A mente fixa-se e a atenção se dirige exclusivamente para o objeto escolhido. 
5 - A visualização ou percepção imaginativa de tal objeto e o raciocínio lógico sobre ele. 
6 - A extensão dos conceitos que foram formulados, passando do específico e particular para o 
geral e universal ou cósmico. 
7 - A procura daquilo que está por trás da forma escolhida como objeto de concentração, isto é, 
a idéia que a produziu. 
Esse procedimento eleva gradativamente a consciência e permite ao aspirante transferir-se do 
lado forma para o lado vida da manifestação" (Sutra Yoga, Iivro III, p. 12, Ed. Nuova Era). 
Examinando os estágios 5 e 6, entre os relacionados, vê-se com clareza como, durante a 
concentração, a mente deve ser ativa e "raciocinar com lógica" sobre o tema, estendendo-o do 
particular ao geral até atingir, se possível, o significado universal e cósmico. 
Os objetos de concentração escolhidos podem ser os mais variados, começando por objetos 
físicos até atingir conceitos abstratos e elevados. 
Para os que ainda são principiantes nessa prática, cuja finalidade