Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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Se, ao contrário, o centro estimulado é o mental, a mente estará em constante 
e excessivo movimento, agitada por uma idéia após a outra. Os pensamentos se 
amontoarão uns sobre os outros e o próprio indivíduo terá a impressão de que é capaz 
de pensar mais, de que tem maiores possibilidades de gerar idéias e projetos, mesmo 
originais e novos, muito embora a velocidade excessiva da mente os torne caóticos e 
desordenados e, portanto, quase sempre inutilizáveis. Além disso, esse estado de 
"congestão" e estimulação mental comunicar-se-á ao cérebro físico, provocando vários 
distúrbios, como hemicrania, insônia, distúrbios circulatórios e sensação de calor na 
cabeça. 
Com o passar do tempo, se esse estado persiste ou se repete com freqüência, 
pode haver um agravamento dos distúrbios, os quais poderão tornar-se crônicos e por 
conseguinte gerar uma doença circulatória ou renal. 
Se um determinado centro está continuamente congestionado, ele passará a 
funcionar de maneira desordenada, podendo ocasionar até mesmo uma "proliferação" 
de células em toda a área circundante, isto é, um tumor. 
Portanto, se as energias não forem corretamente utilizadas e direcionadas, 
elas poderão se tornar um perigo para o homem; daí, a necessidade de nos 
conhecermos, de alcançarmos a harmonia e exercermos um certo controle sobre a 
nossa personalidade. 
 O homem tende a atribuir os seus males e sofrimentos a forças exteriores, ou 
então a um destino adverso ao qual a humanidade estaria condenada, ignorando (ou 
não querendo saber) que, na maioria das vezes, é ele mesmo o artífice de seus males 
e que o destino nada mais é que a manifestação de uma lei de equilíbrio, por ele 
mesmo acionada. Além disso, desconhece que os homens, na realidade, estão todos 
relacionados por fios invisíveis, por correntes de energias que fluem de um para o 
outro, e que, portanto, o mal de um é também o mal de outro, e que o erro de um 
indivíduo pode contagiar os outros, pois na realidade não há separação no campo das 
energias sutis, mas um contínuo intercâmbio. 
Retornando agora ao exame desse assunto, podemos concluir dizendo que a 
tendência a sofrer fenômenos de congestão depende, conforme mencionamos em 
outras oportunidades, da tipologia psicológica característica do indivíduo; nesse ponto, 
delineia-se o problema, enfrentado até mesmo pela medicina psicossomática, da 
correlação entre personalidade e doença. Podemos dizer que, genericamente, os 
extrovertidos são mais inclinados à "congestão" e os introvertidos à "inibição". 
O remédio quase sempre é alcançar o equilíbrio e a harmonia e a sábia 
utilização de todas as energias que temos à disposição sob a orientação e o controle 
do Si. 
Para chegar a isso é preciso passar por três fases: 
1) o conhecimento de si mesmo; 
2) a posse de si mesmo; 
3) a transformação de si mesmo. 
 [Esta é a fórmula da técnica básica da Psicosintesi do Dr. Roberto Assagioli.] 
A saúde física também é resultado desta harmonização, derivando do perfeito 
equilíbrio de todos os aspectos e energias entre si e com o centro. 
A doença, como qualquer outro sofrimento do homem, é, portanto, um "sinal de 
alarme" que deveria ser examinado e estudado sobretudo como um fator indicativo de 
imaturidade de nossa parte, de um problema que precisamos resolver, e como uma 
possibilidade de purificação e de progresso. 
Os distúrbios que derivam da "congestão", especialmente, revelam que não 
usamos as nossas energias de maneira correta e equilibrada, que há em nós funções 
já prontas para o uso que, no entanto, sufocamos e negligenciamos, ou então forças 
preciosas que desperdiçamos; e tudo isso porque não nos conhecemos ou não 
desejamos nos conhecer, já que estamos constantemente solicitados pela vida 
externa e continuamente voltados para o mundo objetivo: em outras palavras, somos 
demasiado extrovertidos. 
É preciso, portanto, que nos habituemos a regular o movimento de progressão 
e regressão das energias que rege a vida psíquica, que mencionamos já no segundo 
ou terceiro capítulo, e a não nos excedermos de forma alguma, pois, como veremos, 
podemos incorrer também no erro oposto, o de ser por demais introvertido e produzir 
um outro tipo de distúrbio: o que deriva da inibição das energias. 
 Capítulo V 
 DOENÇAS POR INIBIÇÃO 
Antes de aprofundar-me na descrição dos vários distúrbios, mal-estares e 
doenças que podem ser causados pela inibição das energias, gostaria de me deter, 
ainda que brevemente, na palavra "inibição", a fim de tentar esclarecer 
satisfatoriamente o seu significado e as implicações nela contidas. 
A definição dada a este termo pela Medicina esotérica é, conforme já 
mencionamos em outro capítulo, a seguinte: 
"Inédia psíquica, acúmulos de forças subjetivas que bloqueiam acorrente 
vital..." 
Todavia, como costumamos fazer, gostaríamos de relacionar a interpretação 
esotérica com a psicológica, para o que julgamos ser útil examinar também o ponto de 
vista da psicanálise sobre o assunto. 
De acordo com a psicanálise, a inibição é um fenômeno que se verifica sob a 
camada da consciência, sendo por isso chamada de "inibição inconsciente" e definida 
como segue: 
"Impedimento ou obstrução de origem psíquica, do qual o eu consciente não 
tem noção, de funções psíquicas e psicossomáticas. 
"A inibição inconsciente de determinadas funções psíquicas tende a proteger o 
indivíduo de situações perigosas e, portanto, a preservá-lo do medo. A situação que 
gera medo pode também ser irreal ou não ser mais atual; nesse caso, a inibição 
inconsciente já não visa a uma finalidade racional. O perigo que se pretende evitar 
provém normalmente do Superego. Um instinto atingido pela inibição inconsciente não 
é mais percebido como tal. As representações e as lembranças que se relacionam ao 
instinto inibido permanecem no inconsciente: este fenômeno é denominado 
repressão." (De Princípios da psicanálise, de E. Weiss, p. 227.) 
 De acordo com o esoterismo, no entanto, a inibição tem um significado muito 
mais amplo, não resultando apenas dos mecanismos inconscientes de defesa ou dos 
temores relacionados a algum trauma do passado, mas podendo ser provocada pela 
tendência errada do indivíduo em reprimir-se, em controlar-se demasiadamente, seja 
por temperamento, seja por uma educação errada, seja por uma atitude imatura para 
com o ambiente... 
 Dissemos, num dos capítulos precedentes, que as pessoas introvertidas, por 
exemplo, são mais inclinadas à inibição do que as de outros temperamentos, 
justamente porque tendem a viver no mundo subjetivo, a evitar tudo o que significa 
exteriorização e expressão externa e, desse modo, a dirigir energias para o interior, 
num movimento de regressão. 
De qualquer forma, seja qual for a causa da inibição, as conseqüências são 
sempre as mesmas, isto é, auto-intoxicação, perda de vitalidade ou bloqueio de 
energias que impede a função e a atividade de um órgão físico ou de uma faculdade 
psicológica. 
 Ao contrário da congestão, que ocasiona a hiperatividade de uma determinada 
função psíquica ou de um órgão físico, a inibição produz um estado de inércia, de 
frieza, de hipotonia geral e astenia. De fato, enquanto a congestão deriva de uma 
dissipação das energias ou da inutilização de uma faculdade já pronta para ser 
expressa, a inibição deriva de um "bloqueio" de energias e da manutenção de uma 
função, uma faculdade, um impulso para o estado imaturo e estático, impedindo o seu 
crescimento e a sua evolução 
Não devemos esquecer que a inibição produz "regressão", ou seja, fuga para 
o inconsciente, e, portanto, eventualmente uma volta ao passado, como acontece com 
todos