Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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os distúrbios relacionados ao parassimpático, por isso os mal"estares e doenças 
provocados por esta atitude errada interessam sobretudo à vida vegetativa, à função 
da alimentação e à eliminação e digestão. 
A anorexia nervosa, por exemplo, que é uma inapetência de origem psíquica, 
podendo ser ligeira ou então muito grave, é provocada por uma forma de inibição. 
Vejamos agora o que a medicina psicossomática tem a dizer a esse respeito. 
Alexander reconhece na anorexia nervosa "impulsos inconscientes de inveja e 
de ciúme inibidos pela consciência", devido a um forte sentimento de culpa que todos 
carregamos e que leva em seguida a uma espécie de auto-punição, que se exprimiria 
através do jejum. 
 A função da nutrição acha-se fortemente carregada de implicações simbólicas 
e de energias afetivas, pois na infância ela se relaciona com a necessidade de ser 
amado, protegido, curado. Além disso, pode haver em nosso inconsciente muitas 
lembranças traumatizantes que ainda exercem certa influência negativa, originando 
distúrbios não apenas na função de nutrição orno também na de eliminação, que, 
como se sabe, também se relaciona a estados afetivos. De fato, numa criança que 
acredita que não é amada pela mãe pode instaurar-se a prisão de ventre que tem um 
significado simbólico de protesto e rebelião. Tais distúrbios podem permanecer sem 
conseqüências graves, mas se se tornarem crônicos, poderão provocar verdadeiras 
doenças. A anorexia, por exemplo, quando demorada, leva a um estado de profunda 
astenia à anemia, a estados de desnutrição que podem desembocar na tuberculose, 
ou em outras doenças graves. Assim também a alteração das funções normais de 
eliminação pode levar à auto-intoxicação, a doenças do fígado e do pâncreas, a 
formas de colite etc. 
De qualquer maneira, o processo de inibição de uma energia ou de uma função 
sempre gera uma profunda sensação de astenia, de abulia, de depressão, com 
ressentimento sobre o organismo físico, que o médico não sabe explicar, pois são 
somente funcionais... Tais ressentimentos são hipotensão, hipoglicemia, bradicardia, 
propensão para o cansaço etc. 
É interessante observar o que se passa no sistema nervoso quando um dado 
impulso sofre inibição inconsciente. 
As várias fases do processo podem ser descritas da seguinte maneira: 
1) Nos centros inferiores do cérebro (tálamo, hipotálamo e corpo estriado, que 
correspondem ao inconsciente) surge uma pulsão, isto é, um impulso instintivo que 
tende a chegar até o córtex cerebral, sede da consciência. 
2) Uma barreira moral opõe-se a esta pulsão; reflexos condicionados 
inconscientes provocam o desvio dos impulsos nervosos (elétricos). 
3) Tais impulsos elétricos nunca chegam, assim, ao córtex cerebral, e o sujeito 
não se dá conta deles. 
4) Os impulsos, que atingem agora um formidável potencial, são então 
desviados para o sistema nervoso simpático, que passa a ser submetido a contínua 
excitação. 
5) Entretanto, o impulso nervoso, cuja descarga consciente se vê 
impossibilitada, continua a pressionar o inconsciente. Provoca, então, novos impulsos, 
que são também recalcados... e que, por sua vez, são causadores de novas pulsões, 
novamente recalcadas. 
Configura-se, assim, uma tensão interior. O sistema nervoso simpático é 
perturbado e provoca mal-estares a nível fisiológico (De O que é a psicologia, de 
Pierre Daco, p. 322). 
Assim é o processo, tal como descrito pela medicina psicossomática. 
Segundo a medicina esotérica, a inibição, pelo contrário, atingiria não somente 
os impulsos instintivos inconscientes, mas também as faculdades de nível médio, e até 
mesmo as qualidades e energias de nível superior e espiritual, isto é, pode ser que ela 
venha a impedir a expressão não somente dos aspectos negativos da personalidade, 
mas também dos aspectos e energias inofensivas e lícitas, ou mesmo as de caráter 
elevado. 
De fato, como já expusemos anteriormente, a doença pode-se instaurar em um 
organismo até mesmo em conseqüência da "inibição da vida da Alma". 
E como pode se dar isso? 
Isso acontece porque o indivíduo se identificou com o eu superficial e ilusório, 
tendo formado uma personalidade forte e integrada, que tem vontade própria e não 
abre mão do seu domínio às energias espirituais, à Vontade da Alma que tende 
sempre a fazer com que o eu inferior supere o egoísmo, a ambição, os interesses 
limitados e pessoais, e o levam a separar-se, a "sacrificar" o que é inferior pelo que é 
superior e universal... 
Tal separação aparece como uma dolorosa renúncia à personalidade, quase 
como uma "morte". Por isso, ela se rebela e se opõe encarniçadamente, sem 
compreender que não se trata de morrer, mas de nascer uma segunda vez. De fato, 
aqueles que despertam para a consciência do seu verdadeiro Eu, são os que se 
poderia chamar "nascidos duas vezes". 
Mas o homem imerso na inconsciência prefere voltar as costas para a Luz, 
calar o apelo do Si e inibir os impulsos superiores, deixando-os cair no inconsciente. 
Pode parecer estranho, mas existem pessoas que são mais maduras do que 
pensam e não querem aceitar essa maturidade, pois aceitá-la significaria mudar de 
vida, fazer escolhas, modificar atitudes, operar transmutações, renunciar ao orgulho 
pessoal... Coisas que o eu pessoal, conforme já foi dito, recusa-se a fazer, pois, 
segundo as palavras de Sri Aurobindo formou-se já "o nó de obstinação do ego" (eu 
inferior), que opõe a maior das resistências à morte. 
Assim são determinados conflitos internos, crises, com conseqüentes 
distúrbios e doenças, que se podem tornar também extremamente graves, a ponto de 
causar, em determinados casos, a morte, pois a Alma decide abandonar aquela forma 
que se opõe a sua evolução e que, portanto, não serve para as suas finalidades. 
Podem-se portanto verificar: 
I. Inibições de energias e aspectos inferiores; 
II. Inibições de energias e aspectos de nível médio; 
III. Inibições de energias e aspectos superiores. 
A essa altura, nos perguntamos: 
"A tendência à inibição indicaria um grau evolutivo superior ao das pessoas 
que têm tendência para a congestão?" 
Não é nada fácil responder a essa pergunta, dada a dificuldade de julgar o grau 
evolutivo real de um indivíduo. Além disso, existem aspectos inferiores e aspectos 
superiores tanto na inibição como na congestão. 
Por exemplo, se a inibição se opõe aos instintos inferiores, é preciso saber se 
isso se deve a um mecanismo inconsciente de defesa e medo, portanto a um processo 
neurótico, ou então a uma escolha "consciente" do indivíduo, que reprime a 
exteriorização de determinados desejos e impulsos julgando-os negativos e nocivos à 
sua vida espiritual. 
No primeiro caso, isto é, a inibição inconsciente devida à neurose, revela-se 
uma imaturidade, enquanto que, no segundo caso, a tentativa de superação, mesmo 
que parcial, indica um esforço evolutivo e aspiracional sem dúvida positivo. 
Assim, no que diz respeito à congestão, se ela surge em conseqüência da 
utilização descontrolada e excessiva de energias e da incapacidade de autocontrole, 
indubitavelmente eta é sinal de um estágio evolutivo inferior; enquanto que se se 
verifica por um processo de "estimulação", de afluência de energias espirituais para 
um centro após uma meditação bem-sucedida ou um momento de grande elevação, 
ela indica que o canal está aberto, isto é, que o indivíduo se acha suficientemente 
evoluído por determinados amadurecimentos, necessitando somente de maior 
purificação e disciplina. 
Portanto, há aspectos negativos e aspectos positivos tanto na inibição como na 
congestão, não sendo fácil dizer qual das duas indica maior maturidade espiritual. 
Não devemos esquecer que a