Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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(Primeira Parte) 
Na origem da criatividade humana, que se exprime a nível físico pelo instinto 
de reprodução a nível mental pela criatividade no campo artístico, intelectual, social 
etc, está o fogo Divino da criação, o Terceiro Aspecto da Divindade, o Espírito Santo, 
energia eminentemente criadora e inteligente, sem a qual nada poderia existir. É o 
poder que Deus tem de criar as formas em todos os níveis: é a criatividade Divina. A 
finalidade primeira desta energia é, portanto, a "criação". 
No homem, esta força se exprime por dois centros: o centro chamado "sacral" 
e o Centro da Garganta. No primeiro, manifesta-se ainda a nível instintivo enquanto 
"sexualidade", e no segundo, após um processo interior de transformação e 
sublimação, enquanto criatividade mental e espiritual, retornando assim à sua 
verdadeira e justa função de energia divina. 
Todavia, antes de falar da sublimação, convém examinarmos atentamente o 
aspecto humano da força criativa, procurando compreender o verdadeiro significado 
da sexualidade. Este é um assunto muito importante e, ao mesmo tempo, 
extremamente complexo. Importante porque a energia expressa através do Centro 
Sacral é uma das mais poderosas que existem no Universo. Complexo, por estar 
relacionado com muita emotividade, preconceitos, superestruturas, originando, 
portanto, perturbações e confusões. 
É preciso, então, que o enfrentemos com serenidade e imparcialidade, a fim de 
chegarmos a uma visão clara e objetiva do significado verdadeiro e profundo, oculto 
sob a manifestação inferior desta energia, detendo-nos em alguns pontos 
fundamentais, cujo conhecimento nos poderá ser útil. 
Antes de mais nada, devemos entender por que existem dois sexos no reino 
humano. Esta divisão deve ser reportada à polaridade universal que encontramos em 
todos os níveis. 
 O primeiro par de opostos formou-se no seio do Absoluto, tão logo Ele deixou o 
estado de repouso para se manifestar. De fato, ele exprime: "... a Vontade positiva \u2014 
princípio expansivo \u2014 como Espírito, e a Vontade negativa - princípio restritivo - como 
Matéria, as duas colunas do Templo Universal... Desse par primordial derivarão todos 
os opostos que a criação manifestará: mais exatamente, todos são Ele e nada mais, 
os múltiplos reflexos deste duplo aspecto da Vontade criadora sobre o espelho móvel 
da Maya universal". (Chevrier: Doutrina oculta, p. 41.) 
O Fogo da Criação, o Terceiro Aspecto da Divindade, também é bipolar, pois 
todos os atributos de Deus refletem, ao mesmo tempo, a sua Unidade e a sua 
dualidade. 
Portanto, mesmo a nível humano, a criatividade, reflexo do Terceiro Aspecto, 
necessita de dois pólos, o homem e a mulher, para se manifestar. A nível espiritual, 
essa divisão inexiste, porque o Si, que em relação à personalidade representa o 
aspecto transcendente e divino, é, por assim dizer, bissexual. Ou seja, traz os dois 
aspectos fundidos em si, o positivo e o negativo, pois é Uno, íntegro em si mesmo. Ao 
encarnar-se, o Si reveste-se de um corpo físico masculino ou feminino, para fazer 
todas as experiências necessárias e desenvolver todas as qualidades psíquicas dos 
dois sexos. De fato, ser homem ou mulher não significa somente ter um corpo 
masculino ou feminino, mas também qualidades, características e manifestações 
psíquicas específicas, diferentes para cada um dos sexos. Antes de mencionar tais 
qualidades, valeria observar que, até mesmo a nível físico, precisamente a nível 
hormonal, somos bissexuais latentes, bastando um aumento ou uma diminuição de 
determinado tipo de hormônios para provocar a prevalência de um ou outro dos sexos. 
A nível psíquico, a polaridade gera duas atitudes, duas correntes de energia 
que se manifestam através de qualidades e poderes diferentes, os quais recebem 
vários nomes: 
Logos Eros 
Positivo Negativo 
Ativo Passivo 
 Masculino Feminino
Yang Yin 
 Consciente Inconsciente
Sol Lua 
 Torna-se claro, a partir destas denominações, como tudo o que exprime a 
racionalidade, a vontade, a dinamicidade, o domínio da matéria, a força e a 
extroversão pode se considerar masculino, enquanto tudo o que exprime 
sensibilidade, receptividade, poder de dominar o mundo psíquico, intuição, tendência 
para a proteção, a conservação e o amor pode se considerar feminino. 
A masculinidade, em sentido psíquico, pode ser considerada uma força 
centrífuga, e a feminilidade uma força centrípeta. 
Cada um de nós é, fisicamente, macho ou fêmea, mas psicologicamente 
ambas as energias se fazem presentes em seus corpos sutis, em doses diferentes. 
Geralmente, verifica-se esta situação: 
 Homem Mulher 
Corpo físico Positivo Receptivo 
Corpo emotivo Receptivo Positivo 
Corpo mental Positivo Receptivo 
Intuição Receptivo Positivo 
Há, portanto, na maioria dos casos (exceção para os casos excepcionais), uma 
polaridade recíproca alternada. 
O que se pode deduzir do que foi dito até agora? 
Que a energia cósmica proveniente do Terceiro Aspecto Divino, aquela que no 
homem produz a sexualidade visa a duas finalidades principais, uma a nível físico, 
outra a nível psíquico: 
a) a nível físico, a finalidade é a de criar um novo ser, através da união dos 
dois pólos, masculino e feminino; 
b) a nível psíquico, estabelecer uma harmonia, uma integração com a relação 
psicológica e afetiva, capaz de criar um intercâmbio de energias e evocar no outro a 
polaridade oposta latente. 
A verdadeira união entre homem e mulher, o verdadeiro matrimônio, portanto, 
não é somente união sexual, mas também, e sobretudo, integração psíquica, da qual 
emerge a totalidade e a evocação do Si, que é Uno. 
Na antiga filosofia chinesa, de fato, a totalidade divina, o Tao, é constituída 
pela união do Yang e do Yin, o princípio masculino ativo e o princípio feminino passivo, 
Luz e sombra, os dois pólos eternos da criação. 
Poder-se-ia pensar, então, que a realização é impossível se não nos 
completamos com uma outra pessoa do sexo oposto. Mas não é assim. 
 A relação, tanto a nível físico como a nível psicológico, entre homem e mulher, 
pode ser útil para evocar as qualidades que se completam mutuamente, ou melhor, 
que são potenciais e inconscientes, pois o contato e o intercâmbio de energias entre 
os dois sexos, em todos os níveis, pode ser "catalisador" das qualidades do pólo 
oposto. Todavia, os estímulos evoca-dores e catalisadores que provêm do contato feliz 
e completo entre duas pessoas de sexo oposto têm um efeito local e temporário, 
contribuindo parcialmente para engendrar a verdadeira totalidade, a efetiva auto-
realização espiritual, pois a totalidade, a posse da Unidade, é um evento que não pode 
ser alcançado através do outro, mas somente pelo despertar da consciência do Si. 
Somente em nós mesmos é que se pode encontrar o caminho que conduz à 
verdadeira realização, podendo a outra pessoa somente nos ajudar a "evocar" as 
qualidades do pólo oposto latente, mas não a encontrar o nosso Si. 
Eis por que tanto o homem como a mulher estão continuamente desiludidos e 
insatisfeitos com a sua relação, mesmo que ela seja das mais harmoniosas, sobretudo 
os que começam a sentir a exigência de uma efetiva realização interior. 
Chega, porém, um momento da trajetória evolutiva do homem em que ele 
compreende que não deve mais procurar o pólo oposto no exterior, mas sim dentro de 
si, e é a partir daí que ele começa a dirigir para o interior as energias criativas, a 
princípio inconscientemente, com o passar do tempo cada vez mais conscientemente, 
descobrindo que há um "matrimônio" interior, o matrimônio nos Céus, para o qual 
tendem os dois pólos inerentes à sua própria natureza: o pólo negativo da 
personalidade e