Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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a um novo ciclo humano capaz de revelar o Verdadeiro Homem. 
 
 Capítulo XIV 
 TRANSFERENCIA DAS ENERGIAS DO CENTRO DA BASE 
 DA ESPINHA DORSAL PARA O CENTRO DA CABEÇA 
A relação recíproca existente entre os dois centros que queremos examinar 
agora, neste capítulo, é talvez uma das mais difíceis de serem compreendidas, pois as 
energias aí implicadas ainda não se manifestaram totalmente. Tais energias são 
aquelas derivadas do Primeiro Aspecto da Divindade, o Pai, que exprimem em síntese 
a Vontade-Potência, conhecida pelos homens somente em seus aspectos inferiores e 
limitados e não na plenitude de sua realidade e esplendor. De fato, o Centro no alto da 
cabeça (ou Lotus das mil pétalas), órgão através do qual se exprime a Vontade 
Espiritual, abre-se completamente apenas na Terceira Iniciação, quando o homem 
entra em contato direto com as Mônadas e não sente mais necessidade da mediação 
do Corpo Causal. O Centro inferior correspondente, aquele localizado na base da 
espinha dorsal, também está, em verdade, ativo e desperto plenamente em um 
número relativamente pequeno de indivíduos, posto que o homem raramente sabe 
exprimir a sua vontade, mesmo que pessoal, com toda força e clareza, uma vez que 
não sabe dirigir as suas energias para uma finalidade precisa, sendo geralmente 
governado pelo Plexo Solar (isto é, pelo desejo e pelas emoções), que não permite 
unidade de propósitos e firmeza na ação, gerando instabilidade e contínua oscilação 
entre os dois pólos. 
Devemos reconhecer que o homem médio tem geralmente finalidades e 
propósitos muito confusos e instáveis, manifestando não mais que um obscuro instinto 
de auto-afirmação, de ambição cega, sem finalidades bem definidas e precisas. E é 
por isso que o Centro da base da espinha dorsal não funciona de maneira ordenada e 
harmoniosa na maioria e nem ativamente, mas de maneira intermitente e caótica, 
acarretando assim distúrbios e mal-estares na esfera psíquica e no organismo. 
Tentemos, no entanto, proceder com diligência a fim de esclarecer pelo menos 
alguns pontos essenciais de assunto tão complexo. 
Dissemos que o Centro no alto da cabeça exprime a Vontade Espiritual, e o 
Centro da base da espinha dorsal o instinto de auto-afirmação que é na realidade a 
vontade degradada e expressa em seu nível mais baixo. 
Comecemos, portanto, tentando entender o que é realmente o instinto de auto-
afirmação. É uma força poderosíssima que se acha na própria base da vida do homem 
e que apóia e alimenta todos os outros centros, pois exprime, em sua forma primitiva, 
a vontade de existir, sem a qual o ser nunca poderia vir a se manifestar. 
Além disso, à medida que o homem evolui, tal instinto sofre uma modificação e 
uma transformação gradativas, revestindo-se de formas e manifestações que, mesmo 
trazendo em si a marca da auto-afirmação, não passam de derivados, como, por 
exemplo, a agressividade, a combatividade, a coragem, a ambição, a decisão, a 
firmeza, a capacidade de superar dificuldades, a tendência ao excesso, o orgulho, o 
sentido do eu, etc. Neste incompleto elenco de qualidades e características estão 
misturados aspectos positivos e negativos, e isso não por acaso, mas para demonstrar 
que a energia primigênia de auto-afirmação produz tendências e qualidades que são, 
por assim dizer, uma mistura de bem e mal, pois a fronteira entre o positivo e o negati-
vo em tais manifestações é muito tênue e difícil de determinar. 
De fato, um homem que tenha o Centro da base ativo certamente será um 
ambicioso, um agressivo, um lutador que poderá manifestar as suas tendências no 
mal mas também no bem, se souber dirigi-las no sentido correto. O instinto de auto-
afirmação é uma força necessária para a ascensão do homem, para o seu progresso, 
pois é ele quem produz o impulso evolutivo e a capacidade de auto-realização, isto é, 
de reencontrar o verdadeiro eu e sabê-lo exprimir. 
É o estado de inconsciência, a identificação com o eu inferior e isolado que faz 
com que essa força seja utilizada de maneira negativa, tingindo-a de violência, ira, 
agressividade, desejo de dominação e excesso, etc. 
Como todos os outros instintos, o de auto-afirmação também tem necessidade 
de se exprimir e ser canalizado. Na verdade, o que significa "instinto"? Significa 
"necessidade fundamental", exigência irrefreável que, se reprimida e obstruída, produz 
danos incalculáveis que repercutirão sobre o organismo físico e a psique do indivíduo. 
Pode acontecer com freqüência que esta necessidade seja inconsciente ou então que 
não possa se manifestar por dificuldades e obstáculos exteriores; em tais casos, 
podem-se originar inibições ou congestões, além de todas as conseqüências 
patológicas decorrentes. 
 É estranho que quase sempre seja dada muito mais importância ao instinto 
sexual do que ao de auto-afirmação, que muitas vezes é até mesmo ignorado ou 
diminuído. Na realidade, talvez ele seja até mesmo mais importante e premente do 
que a sexualidade, sendo causa de muitos males e infinitos sofrimentos. O homem é 
infeliz muito mais por frustrações e obstáculos à sua necessidade de auto-realização e 
expressão do que propriamente pela repressão sexual, talvez porque esta última 
encontre mais facilmente o caminho para se modificar e se sublimar. 
Um indivíduo pode conseguir ignorar ou reprimir a necessidade de auto-
afirmação por determinado tempo mas, afinal, inesperadamente, pode ser que ele seja 
acometido por explosões de violência, agressividade, destrutividade, sem razão 
aparente, às vezes por um motivo ínfimo, desproporcional à reação anormal que se 
segue. Muitos crimes e violências podem ser provocados pela repressão do Centro da 
base, que cedo ou tarde deve se descarregar, pois quando não utilizado é como se 
fosse uma carga de dinamite sempre pronta a explodir. 
Muitas vezes o instinto de auto-afirmação encontra uma maneira de se 
descarregar e de se exprimir transformando-se em manifestações aparentemente 
inócuas e legítimas, mas astuciosamente negativas, como, por exemplo, o criticismo, 
que é muito difuso, pois não é julgado totalmente nocivo. Esta tendência, no entanto, 
esconde um enorme sentimento de superioridade frustrado, ambições fracassadas, 
inveja e rancor, os quais surgiram da necessidade de auto-afirmação contínua e 
repetidamente impedida e obstada. De fato, as pessoas geralmente mais inclinadas ao 
criticismo são aquelas que sofrem explorações, que são obrigadas a uma posição de 
dependência, maltratadas por um superior tirânico e que, portanto, não podendo se 
rebelar abertamente, compensam-se por um senso de superioridade intelectual que as 
leva ao criticismo. Criticando, experimentam um sentimento de satisfação e de prazer, 
já que se sentem superiores e sua necessidade de auto-afirmação encontra eco. 
Uma outra forma de auto-afirmação disfarçada e "transformada" é a tendência 
à polêmica áspera e agressiva, que encobre uma grande combatividade mental e um 
forte sentido de superioridade... 
Como já disse anteriormente, esta energia e' uma exigência irrefreável que 
cedo ou tarde terá que se exprimir, pois desempenha uma função vital e elementar na 
existência do homem, a ponto de, se reprimida, provocar graves distúrbios físicos e 
psíquicos. Isso é admitido também pela psicanálise, que com Alfred Adler descobriu a 
importância da "vontade de potência" do homem, além da exigência sexual, tendo 
estudado e analisado casos de neurose e doenças psicossomáticas provocadas 
justamente pela repressão ou pelo desvio desta necessidade fundamental. 
As doenças e distúrbios provocados pela repressão ou pelo mau 
funcionamento do Centro da base da espinha dorsal referem-se, geralmente,