Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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desarmonia entre forma e vida. O que une forma e vida... é a alma no homem 
e o Si humano. Quando é falho o alinhamento entre estes dois fatores, alma e forma, 
vida e expressão, sujeito e objeto, insinua-se a doença..." (p. 27). 
A harmonia entre "vida e forma", entre alma e personalidade, pode ser 
alcançada somente quando se der o alinhamento e a integração de todos os aspectos 
do homem, ou melhor, podemos dizer que toda vida é uma passagem da desarmonia 
para a harmonia, da desordem para a ordem, da multiplicidade para a unidade. Isso 
nos indica, em certo sentido, o programa a ser desenvolvido, o caminho a ser seguido 
para o nosso amadurecimento interior, meta esta que toda a humanidade, mesmo 
inconscientemente, tende a alcançar através de crises e sofrimentos, até que a 
consciência, desperta, não assuma o direcionamento das energias que compõem a 
nossa personalidade e não cumpra voluntária e conscientemente o trabalho de 
harmonização e de integração. 
Em nível diverso, a psicologia profunda também persegue este objetivo e 
procura levar o homem para a completa auto-realização, orientando-o ao longo do 
caminho do conhecimento integra de si mesmo e da superação dos conflitos interiores. 
A esta altura, torna-se necessário dizer que a origem da doença não é somente 
psicológica e subjetiva, mesmo que a maioria das doenças tenha sempre um 
componente psíquico. Existem outras causas que as doutrinas esotéricas reportam ao 
Carma individual e também coletivo de toda a humanidade. 
 Tal assunto é extremamente amplo e, para dizer a verdade, ainda um pouco 
obscuro e complexo, pois o aspecto esotérico das doenças e o seu estudo é algo 
ainda muito novo para o estágio atual de evolução da humanidade, tanto como a 
própria medicina psicossomática, que mesmo tendo muitos adeptos e seguidores 
entre os médicos, ainda é hostilizada e mesmo ignorada pela maioria. Faz pouco que 
o pensamento dos homens começou a se orientar nessa direção, por isso somente 
uma minoria começa a se fazer sensível às energias sutis e ao mundo, das causas e 
significados, oculto sob as aparências fenomênicas. Portanto, tudo o que se exprime a 
esse respeito será necessariamente parcial e incompleto, sendo apresentado 
sobretudo como um argumento sobre o qual refletir e meditar. Nessa matéria, nada 
mais fácil do que recair na superstição e na atitude anticientífica, o que pode levar a 
um ocultismo e a um fenomenismo nocivos, que devem ser evitados a qualquer custo, 
pois estes, ao invés de nos guiar para a luz e para um progresso efetivo, nos levariam 
para trás, provocando a nossa regressão a estágios evolutivos há muito superados. 
Hoje, as doutrinas esotéricas também devem ser difundidas como uma ciência, 
como um conjunto de conhecimentos baseados em pesquisas sérias e no estudo de 
aspectos e manifestações que, se não agora, certamente no futuro, poderão ser 
verificados e experimentados cientificamente. 
Eis por que, juntamente com o estudo dos enunciados e explicações esotéricas 
e espirituais referentes às doenças do homem, é oportuno levar em consideração 
também tudo aquilo que foi observado pela medicina psicossomática e, além disso, 
procurar traçar um paralelo entre esta última e a medicina esotérica, destacando, na 
medida do possível, as analogias e os pontos de contato entre as duas. 
O dever do estudioso do esoterismo, hoje, é o de estar no mundo e não o de 
abstrair-se dele, e de levar ao mundo o conhecimento e a luz que ele possui, 
tornando-se intérprete das verdades ocultas e traduzindo-as em termos 
compreensíveis e aceitáveis. 
É útil, portanto, saber até que ponto chegaram as pesquisas e 
experimentações da medicina psicossomática e acompanhar os progressos \u2014 
contínuos, embora lentos \u2014 da ciência em direção ao descobrimento da verdadeira 
natureza do homem. Devemos, portanto, considerar, mesmo que rapidamente, os 
pontos de vista da medicina psicossomática. 
A medicina psicossomática, conforme dissemos, reconhece o peso das 
influências emotivas e psíquicas sobre a saúde e divide os doentes em três categorias, 
conforme está escrito no tratado Medicina psicossomática de Weiss e English (ed. 
Astrolábio): 
 1º grupo: Todos os que, não sendo loucos e tampouco neuróticos, apresentam 
uma doença que nenhuma alteração orgânica definida pode explicar. A medicina 
psicossomática se interessa sobretudo por esse primeiro grupo. São os casos 
puramente "funcionais" da medicina prática. 
2º grupo: Todos os pacientes que apresentam distúrbios parcialmente 
provocados por fatores emotivos, mesmo que se verifiquem alterações orgânicas. Este 
segundo grupo é mais importante do que o primeiro do ponto de vista do diagnóstico e 
da terapia, pois o fator psicogênico pode provocar, nesse caso, danos muito mais 
graves, devido à presença também de uma doença orgânica. 
3º grupo: Todos os distúrbios geralmente considerados de domínio 
essencialmente somático, mas que implicam também o sistema nervoso vegetativo, 
como, por exemplo, a hemicrania, a asma, a hipertensão essencial etc. 
Com base nessa subdivisão esquemática, é possível deduzir que no 
pensamento dos médicos está se delineando também um outro problema muito 
importante, ou seja, o da eventual relação entre distúrbio psicológico e alteração 
anatômica. 
Em geral, os médicos psicossomáticos distinguem as doenças como sendo 
orgânicas e funcionais. As primeiras são as que apresentam alterações celulares e 
lesões anatômicas, as segundas são as que não apresentam alterações celulares nem 
lesões anatômicas e, portanto, devem ser consideradas "psicogênicas". 
A concepção de doença que vem se transmitindo desde o século XIX poderia 
ser indicada da seguinte maneira: 
Alteração celular - lesão anatômica - distúrbio funcional. 
No século XX esta fórmula sofreu uma mudança e passou a ser expressa da 
seguinte maneira: 
Distúrbio funcional - alteração celular - lesão anatômica. 
Nada se sabe ainda, do ponto de vista científico, quanto ao que poderia 
preceder o distúrbio funcional, mas no futuro talvez se possa apontar um distúrbio 
psicológico como responsável por uma alteração funcional, através de uma 
determinada relação comprovável cientificamente. 
A fórmula citada acima poderia, então, ser expressa da seguinte maneira: 
Distúrbio psicológico - deficiência funcional - alteração celular - lesão anatômica. 
A medicina psicossomática admite esta relação como uma hipótese bastante 
provável e, mesmo considerando a relação entre estado emocional e órgão físico 
ainda misteriosa, não afasta a possibilidade de que um fator psíquico venha, com o 
passar do tempo, a influir até mesmo sobre a matéria física e a produzir até mesmo 
uma lesão anatômica. 
Isto é extremamente importante, pois nos traz de volta ao problema que 
mencionamos no início, ou seja, à misteriosa relação que une a psique ao corpo, o 
espírito à matéria. 
Do ponto de vista esotérico, o homem é considerado uma unidade complexa, 
constituída de vários aspectos ou "veículos" subordinados a um centro de consciência 
de origem espiritual, o qual é chamado Si, Alma ou Eu Superior, sendo considerado o 
Verdadeiro Homem. 
O corpo físico é o mais exterior destes veículos, sendo tido somente como um 
instrumento de expressão e de experiência do Si no plano material. Portanto, não há 
uma "cisão" entre o espírito e a matéria, mas somente uma graduação de nível 
vibratório, pois todos os aspectos do Si, inclusive o veículo físico, emanaram do 
próprio Si para poderem se exprimir. Voltaremos mais detalhadamente a este ponto 
num dos próximos capítulos. 
Portanto, o problema da relação entre vida e forma, se considerado do ponto 
de vista das doutrinas esotéricas, pode ser facilmente