Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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tratados na primeira parte do livro, para ter em mente um quadro bem-definido e claro, 
conquanto esquemático, dos conceitos e leis fundamentais sobre os quais se baseia a 
medicina psico-espiritual. 
Estes pontos são os seguintes: 
1. A verdadeira natureza do homem é espiritual. É ele, de fato, uma centelha 
divina que se exprime por meio de uma forma. 
2. A doença deriva de uma desarmonia entre a centelha divina (o Si) e a sua 
forma de expressão (personalidade). 
3. Isso acontece porque o homem vive em estado de inconsciência e 
ignorância com relação à sua natureza real e se identifica com a forma. 
4. Tanto a centelha divina (o Si) como a forma (personalidade) são agregados 
de energias (de diferentes níveis vibratórios). 
5. O estado de inconsciência em que o homem vive conduz à utilização 
errônea de tais energias: a partir daí, surge a desarmonia e, conseqüentemente, a 
doença. 
6. Os dois principais erros na utilização das energias são: 
a) utilização excessiva (sobretudo das energias inferiores) provocada pela falta 
de domínio, o que leva à congestão; 
b) repressão ou inutilização das energias, o que leva à inibição. 
7. Todas as doenças, portanto, podem ser subdivididas em dois grandes 
grupos: 
a) doenças provocadas por congestão; 
b) doenças provocadas por inibição. 
8. As causas das doenças podem ser: 
a) cármicas (coletivas e individuais), isto é, derivadas de existências passadas; 
b) psicológicas (isto é, derivadas da existência atual); 
c) evolutivas (isto é, devidas à purificação e à transferência das energias de 
um centro inferior para outro superior). 
9. A constituição oculta do homem demonstra que as energias de que se 
compõe a forma de expressão do Si têm também origem espiritual e devem, portanto, 
cedo ou tarde, retornar a essa fonte, através de um processo de transformação e 
sublimação, não sem dificuldades e crises, as quais podem se exprimir através de 
doença física ou psíquica. 
10. Quanto mais o homem se aproxima da revelação de sua verdadeira 
natureza, mais se intensifica o processo de transformação e transferência de energias, 
por isso as crises e os distúrbios, tanto físicos como psíquicos, acentuam-se. 
Do ponto de vista esotérico, portanto, a doença não é considerada apenas de 
um ponto de vista negativo, mas também positivo, pois é o sinal e a manifestação da 
presença, no homem, de um "movimento" evolutivo e a expressão simbólica de uma 
luta entre o impulso ascensional da centelha divina e a resistência da matéria em que 
esta centelha se acha aprisionada. 
Podemos dizer que a doença, do ponto de vista espiritual, é indício de 
progresso, sinal de abandono da identificação passiva com a forma material, e que a 
consciência começa a despertar e a pressionar para se manifestar. 
Os primitivos, os homens pouco evoluídos, completamente identificados com o 
corpo, quase sempre desfrutam de boa saúde, pois há neles um estado de 
"harmonia", mesmo que a nível material, inexistindo conflitos, tormentos e crises. 
No livro A cura esotérica, de A. A. Bailey, lemos: 
"A imunidade aos males que afligem o homem não é por si só um sinal de 
superioridade espiritual. Ao contrário, pode ser indício daquilo que um dos Mestres 
descreveu como o fundo do egoísmo e da satisfação de si" (p. 124). 
É preciso chegar à terceira iniciação, grau evolutivo muito alto em que se 
verifica a perfeita fusão entre o Si e os seus veículos de expressão, e no qual a 
personalidade é completamente transcendida, para nos tornarmos imunes às doenças 
físicas e psíquicas. 
 Como já dissemos na primeira parte deste livro, o período evolutivo definido 
como o do "aspirante espiritual" é talvez o mais atormentado e difícil, sendo por isso 
também chamado "Caminho Probatório". De fato, nesta fase do seu amadurecimento, 
o homem é posto à prova de mil maneiras e a pressão interior da centelha divina que 
procura manifestar-se torna-se mais forte, gerando conflitos, crises e sofrimentos, 
físicos e psíquicos. 
Este período é aquele que precede, ou melhor, prepara o despertar da 
consciência espiritual, este maravilhoso evento também chamado "segundo 
nascimento", justamente porque nele se verifica uma complexa mudança no homem, 
marcando o início de um novo ciclo de vida. 
A doença, nesta fase de desenvolvimento do homem, torna-se mais 
significativa. A mensagem evolutiva nela oculta torna-se mais clara, e a sua finalidade 
purificatória mais evidente. O seu aspecto favorável e positivo pode ser melhor 
compreendido, pois o indivíduo está mais próximo do despertar e a sua consciência 
está mais sensível e preparada. 
Nesta segunda parte deste livro de Medicina psico-espiritual, gostaria de me 
deter justamente neste período evolutivo tão importante para o homem, nas suas 
crises e nas suas dificuldades, e além disso, também no período que se segue ao 
despertar do Si, quando as energias espirituais afluem para a personalidade, trazendo 
conseqüências benéficas por um lado e malignas por outro. 
Falar de tais fases do caminho evolutivo do homem não deve ser algo que nos 
pareça demasiado abstruso ou distante da nossa compreensão, pois acho que todos 
aqueles que, possuindo uma alma sincera e motivação pura, aspiram a se conhecer, a 
encontrar a Verdade e a realizar a sua verdadeira natureza, podem se julgar 
"aspirantes espirituais", achando-se, portanto no período preparatório para o despertar 
da consciência do Si. Portanto, podem sofrer crises, conflitos e mal-estares mais ou 
menos graves, devidos à gradativa penetração da nova consciência espiritual, e à 
tentativa por parte do Si de tomar posse dos seus veículos para imprimir assim um 
novo ritmo às energias da personalidade. 
Alguém poderia surpreender-se ao ouvir falar do Si (também chamado Alma, 
Eu Superior, etc.) como se de uma entidade exterior a nós, já perfeita e completa, a 
ponto de ter um desígnio próprio, uma vontade própria e uma vida independente da 
nossa consciência habitua mas que, ao mesmo tempo, sentimos "viver" no fundo de 
nós mesmos, disfarçada, oculta, mas nitidamente presente, a ponto de, às vezes, 
sentirmos a sua força, a sua luz, a sua orientação, não conscientemente mas através 
de sinais, intuições, sensações mais ou menos vagas e imprecisas, conforme o nosso 
estado de desenvolvimento interior. 
 Isso depende do fato de o nosso Si individual ser ao mesmo tempo 
transcendente e imanente. Ao encarnar-se, projetou nos veículos pessoais somente 
uma parte de si mesmo, um lampejo, o qual permanece latente, sob a forma de 
personalidade, como uma semente na terra que aos poucos germina, amadurece e 
nasce, sob forma de "autoconsciência". É esta autoconsciência que evolui no homem 
e passa por várias fases de desenvolvimento. Também sofre muitos desvios, quando 
se identifica com o meramente instrumental; encerra-se no isolamento, é alterada 
pelos desejos e apetites inferiores, até que, impulsionada pela sua própria natureza 
divina, consegue libertar-se e se reconhece na sua realidade espiritual. 
Em muitos livros esotéricos o Si transcendente é chamado "Mônada" e o Si 
imanente "Alma" ou "Filho", pois na realidade ele é produto da união do Si (Pai) com a 
personalidade humana (Mãe). 
Quando o homem chega ao despertar espiritual, é o seu Si imanente (ou Alma) 
que enfim se "reconhece" e, sendo a sua natureza sobretudo "consciência", lhe 
confere um estado de consciência, de iluminação, de lucidez extrema, pois ele 
finalmente "vê" a realidade e se identifica com a sua verdadeira natureza. 
Toda a nossa existência visa somente a isso: fazer com que nos tornemos 
conscientes do que realmente somos e reunir os dois aspectos do Si que se 
separaram; mas para poder "reunir