Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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sublimando-os e 
transformando-os em consciência. 
Portanto, toda doença evolutiva do aspirante espiritual próximo ao despertar do 
Si revela um problema de sublimação e de transferência de energias problema que 
deve produzir em sua consciência o amadurecimento desenvolvimento de uma 
faculdade superior. O sofrimento relacionado à crise do despertar é, portanto, também 
um sofrimento moral, já que não é fácil passar, por exemplo, de um amor possessivo e 
egoísta para um amor altruísta, oblativo e generoso, em completo auto-
esquecimento... É o eu exclusivista que não quer ceder o seu domínio e se opõe, cego 
e surdo em sua obstinação, querendo conservar de qualquer maneira a sua "falsa" 
felicidade, ao invés de abandonar-se à infinita beatitude da "verdadeira" alegria, 
aquela que provém da libertação e da consciência do Real. 
Um outro ponto muito importante que deve ser levado em consideração ao se 
analisar as crises e doenças no período que precede o despertar do Si é o da 
"subjetividade" dos distúrbios e sintomas, da singular "predisposição" a um 
determinado tipo de doença. 
Isso revela uma das verdades fundamentais do esoterismo, que nos ensina 
que, apesar de todos termos a mesma origem e participarmos de uma grande Unidade 
que nos irmana, cada um de nós tem uma "nota" específica a ser expressa, uma 
pequena missão a cumprir, uma faculdade inconfundível a ser realizada. 
Quando o homem torna-se um aspirante espiritual, esta sua nota central 
começa a despertar junto com o advento da sua individualidade autêntica. De fato, ele 
começa a abandonar a participação inconsciente com a massa amorfa da humanidade 
e se torna um "indivíduo". Em outras palavras, não é mais um ser condicionado, 
totalmente inconsciente, que acompanha passivamente as correntes e as influências 
que lhe provêm do ambiente e das outras mentes, mas começa a fazer sentir a sua 
vontade, o seu pensamento, a sua liberdade e a sua criatividade. 
"Quem deseja ser um homem deve ser um 'único' '', dizia Emerson, querendo 
justamente dar a entender com estas palavras que somente aquele que sabe exprimir 
a sua nota específica, a sua individualidade, que sabe ser ele mesmo total e 
corajosamente, é digno de ser chamado homem. 
 Portanto, um sinal inconfundível para saber se estamos próximos do despertar 
da consciência é a emergência gradual do nosso "eu" autêntico, que nos faz entender 
a nossa verdadeira missão, a nossa faculdade principal, o caminho específico a ser 
seguido, e que faz com que nos sintamos livres, enfim, descondicionados, criativos, 
"únicos", autônomos e, ao mesmo tempo, capazes de estabelecer relações 
harmoniosas com os outros, de colaborar, de amar de uma maneira mais autêntica, 
profunda e livre. 
Através da doença também podemos tentar reencontrar esta nossa 
peculiaridade, pois, antes de emergir com toda a força e plenitude, a nossa faculdade 
principal luta contra hábitos e condicionamentos que se instauraram em nós desde 
tempos imemoriais (podendo até mesmo remontar a existências anteriores) e nos 
tornaram mecânicos, inautênticos, falsos, e então ela se revela "negativamente", isto 
é, por uma fraqueza particular ou predisposição orgânica, que é ao mesmo tempo 
obstáculo e "mensagem" a ser decifrada, pois poderia nos fornecer a chave para abrir 
a porta da nossa realidade mais profunda e autêntica. 
Para chegar ao despertar da consciência do Si, portanto, devemos passar pela 
revelação da nossa autenticidade e livrar-nos de todas as estruturas e falsidades que 
nos desviaram. Em outras palavras, devemos descobrir o nosso verdadeiro "eu", auto-
realizar-nos e conseguirmos nos exprimir plenamente. Por isso, às vezes, deve-se 
passar por um período de solidão e de aparente "anormalidade". 
Este é o sinal de que se está saindo do nivelamento da mecanicidade de 
massa, daquela normalidade que Jung compara a um "leito de Procusto", onde não se 
pode mais descansar por ter se tornado um tormentoso obstáculo. 
["Procusto", apelido de Danaste, bandido morto por Teseu, famoso por reduzir as suas 
vítimas ao tamanho uniforme de um leito, sobre o qual os estendia. (N. do T.)] 
O aspirante espiritual, portanto, pode julgar-se um "anormal" no sentido mais 
amplo da palavra, justamente porque começa a ser ele mesmo, a se libertar dos 
automatismos, dos condicionamentos inconscientes, lutando, sofrendo, procurando, 
renunciando aos caminhos cômodos para encontrar outros, talvez solitários e difíceis, 
mas que Lhe permitem exprimir a verdade, a autenticidade e a verdadeira consciência. 
Todo aquele que sente este desejo de liberdade, de autenticidade, de verdade, 
e quer satisfazê-lo, "custe o que custar", está certamente próximo do grandioso 
momento do "novo nascimento", sofrendo as dores do parto para dar à luz a si próprio. 
 Capítulo III 
 RELAÇÃO ENTRE TIPO PSICOLÓGICO E DOENÇA FÍSICA 
O problema da relação entre temperamento e doença tem sido debatido pela 
ciência médica desde a antigüidade, já que quase sempre foi possível notar que a 
constituição biológica particular de um indivíduo e as suas predisposições à doença 
guardam uma estreita correlação com as suas tendências, com a sua maneira de 
sentir e se comportar. Ainda hoje, por exemplo, fala-se da tipologia criada pelo médico 
grego Hipócrates há mais de dois mil anos, a qual dividia os homens em quatro 
grandes categorias: 
1) o sangüíneo; 
2) o fleumático; 
3) o colérico; 
4) o melancólico. 
Tal tipologia, como se pode perceber, baseava-se em diferenças fisiológicas 
que influenciavam o caráter e o temperamento. 
Nos tempos modernos teve uma enorme difusão no campo médico o conceito, 
introduzido por Pende na Itália, de influência das glândulas endócrinas não somente 
sobre o tipo físico, mas também sobre a psique, tendo sido criada uma biotipologia 
baseada na predominância ou na deficiência de determinadas funções glandulares. 
 A medicina psicossomática também não exclui uma correlação entre caráter e 
predisposição à doença, mas os pontos de vista dos estudiosos são ainda muito 
discordantes. Alexander, por exemplo, afirma que somente das doenças das 
coronárias é que se pode falar de uma relação entre temperamento e predisposição 
para tais doenças. Assim, escreve: "A freqüência de acidentes coronários entre 
pacientes que pertencem a determinadas categorias profissionais, como médicos, 
advogados, padres, pessoas que têm funções executivas e postos de alta 
responsabilidade é um dado familiar ao clínico..." (Medicina psicossomática, p. 61). 
Todavia, acrescenta ele que isso também poderia depender do tipo de atividade e não 
do temperamento específico. 
Uma outra estudiosa, Dunbar, parece, por sua vez, mais propensa a admitir 
uma estreita relação entre caráter e doença, analisando em seu livro Estudo de perfis, 
algumas correlações estatísticas entre as doenças e a personalidade. Diz ela, por 
exemplo, que o diabete melito atinge mais facilmente os tipos ansiosos, passivos, 
indecisos, que encontram dificuldade em passar do estado de dependência infantil 
para um estado de maturidade e de autonomia. De fato, foi provado que o medo e a 
ansiedade podem provocar distúrbios no metabolismo dos carboidratos até mesmo em 
indivíduos não diabéticos. 
Para dar um outro exemplo de correlação entre temperamento e doença, 
lembremos o caso da artrite reumatóide, anteriormente mencionada, e que parece se 
originar de agressividade e ira reprimidas, em pessoas propensas, por temperamento, 
a reagir com rebeldia e hostilidade às adversidades da vida. 
Escreve Alexander, a propósito justamente da artrite reumatóide: "O fundo 
psicodinâmico geral de todos os casos é um estado de