Angela Maria La Sala Batà   Medicina Psico Espiritual
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Angela Maria La Sala Batà Medicina Psico Espiritual


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como por uma luz e de posse da chave que 
poderá nos ajudar a abrir as sucessivas portas que encontrarmos. 
Além do mais, devemos proteger e alimentar continuamente a nova 
consciência que "nasceu" dentro de nós, como uma criança recém-nascida precisa ser 
protegida, bem-tratada e alimentada. 
Não por acaso, o símbolo do Si, que acabou de despertar, é o de um recém-
nascido, de uma criança profundamente sábia e luminosa, mas indefesa em face das 
insídias do novo ambiente em que se encontra e das forças adversas que pretendem 
sujeitá-la. 
Este símbolo da criança recém-nascida refere-se ao aspecto da consciência, 
que é de fato "o filho" nascido da união do Pai-Espírito com a Mãe-Personalidade-
Matéria (como já dissemos em outra oportunidade); filho que deve crescer, tornar-se 
cada vez mais forte, firme e estável. 
 O despertar é um acontecimento extraordinário que transforma radicalmente a 
vida do indivíduo, abrindo um canal de comunicação entre a personalidade e o Si, mas 
não devemos esquecer que ao "fluxo" sempre sucede o "refluxo", e que mesmo a nível 
espiritual não deixa de vigorar a lei cíclica, segundo a qual se verifica periodicamente a 
oportunidade de contato e abertura ao Si e de afastamento e descida para o mundo 
pessoal. Há como que uma "respiração da Alma", um ritmo interior de expiração e 
inspiração, gerando um movimento de afluxo e refluxo de energias espirituais do Si 
para a personalidade, segundo fases precisas que devemos aos poucos aprender a 
conhecer. 
O contato, ou despertar, ocorre sempre no período de "afluxo" das energias do 
Si para a personalidade, mas cedo ou tarde suceder-se-á inevitavelmente a fase de 
"refluxo", cujo efeito será o de um esmorecimento da lembrança da experiência vivida, 
uma atenuação do "estado de graça" e, em determinados casos, até mesmo o reinicio 
de uma fase depressiva e sombria, a "noite escura da Alma". 
Um grande santo e místico, S. João da Cruz, descreve esta penosa 
experiência detalhadamente em seu livro intitulado justamente A noite escura da alma. 
Os sintomas e as manifestações desta fase são muito semelhantes aos da doença 
psíquica denominada "psicose depressiva". Assagioli, em seu artigo "Desenvolvimento 
espiritual e doenças nervosas", descreve os sintomas dessa experiência da seguinte 
maneira: "... um estado emotivo de intensa depressão, que pode chegar ao desespero; 
um senso agudo da própria indignidade; uma forte tendência para a autocrítica e a 
autocondenação, que em alguns casos chega até mesmo à convicção de que se está 
perdido ou condenado, um sentimento penoso de impotência intelectual; 
enfraquecimento da vontade e do autodomínio, desgosto e grande dificuldade para 
agir". 
Esse estado é muito penoso e doloroso, mas a sua causa não é somente o 
afastamento do efeito do despertar e seu enfraquecimento, mas também o processo 
de transmutação em curso no aspirante, devido à penetração da energia do Si nos 
veículos e ao despertar dos centros. A transmutação das energias inferiores em 
energias superiores e a sublimação são quase sempre difíceis e dolorosas, dando 
origem a um sentimento de perturbação interior. 
É preciso, portanto, saber que após a abertura para a nova consciência e a 
maravilhosa experiência do "despertar", sucedem-se fases menos radiosas e felizes, 
mas cheias de intensa atividade e experiências interiores. Começa, a partir desse 
momento, a verdadeira obra alquímica pela qual a personalidade deve aos poucos se 
purificar, transformar e sublimar-se, gerando assim alimento, vida e energia para o Si 
criança, para a consciência desperta que deve crescer, tornar-se cada vez mais forte e 
clara, alimentando-se através da "Mãe", que é exatamente a personalidade com 
substâncias e energias em estado de matéria frente ao Espírito. À medida que a 
consciência do Si se torna mais forte e estável, a personalidade e o eu inferior 
enfraquecem e perdem vitalidade, conforme a lei do sacrifício, que é o segredo da 
sublimação. 
É esta alquimia espiritual pela qual o ouro do Si superior é produzido pela 
transformação das substâncias inferiores brutas. 
Está claro, portanto, pelo que foi dito até agora sobre os estados que se 
apresentam no indivíduo após o despertar do Si, que as eventuais dificuldades e 
possíveis inconvenientes provêm sobretudo da maior afluência de energias espirituais 
para a personalidade ainda não completamente purificada. 
Do ponto de vista da consciência, tem-se uma iluminação, uma revelação, uma 
abertura e uma nova orientação que jamais se apagarão da nossa mente, constituindo 
doravante uma ajuda, uma força, uma espécie de "sinal de reconhecimento", que 
serão para sempre parte integrante da nossa natureza. Quanto às energias, porém, é 
preciso estar atento para saber canalizá-las e direcioná-las corretamente para a obra 
de transformação e regeneração dos veículos pessoais que se inicia após o despertar. 
O único perigo que pode se apresentar à consciência é a diminuição da 
lembrança e do estado de exaltação e alegria que se sucedem à iluminação, e a 
possibilidade de que, ao tornar-se o novo estado interior um fato habitual, perca ele 
um pouco da sua maravilhosa luminosidade e extraordinariedade. Mas não devemos 
nos prender aos efeitos secundários e não-essenciais do "despertar", quais sejam, 
justamente, a euforia, a maravilha, a comoção, a felicidade e a alegria. Devemos, pelo 
contrário, cultivar e manter vivos o que são os verdadeiros resultados, ou seja, a clara 
visão da meta, a orientação segura e firme, a superação do eu ilusório e a 
compreensão do verdadeiro significado da vida (para mencionar somente alguns) que 
fazem parte de um real amadurecimento interior, de um crescimento que não pode 
retroceder. 
A enorme afluência de energias superiores, ao contrário, como já 
mencionamos acima, pode produzir em alguns indivíduos menos firmes, desequilíbrios 
temporários, mal-estares e dificuldades que se pode agrupar sob o termo genérico de 
"estímulos", isto é, uma galvanização da vibração dos veículos pessoais ou dos 
centros etéreos, com aumento da atividade e das manifestações próprias a um 
determinado veículo ou centro. 
Já nos referimos, na primeira parte deste livro, aos distúrbios que se podem 
verificar por esse motivo, antes mesmo do despertar, sempre que haja um aumento da 
afluência das energias espirituais para a personalidade. Como é óbvio, após a 
abertura do canal em direção ao Si, após o contato verdadeiro, a afluência é ainda 
mais forte e os efeitos muito mais evidentes. 
O centro situado no alto da cabeça começa a se ativar, o centro da garganta e 
o centro do coração despertam e o centro entre as sobrancelhas começa a exercer a 
sua função. 
Tudo isso significa movimento de energias, transferência dos centros situados 
abaixo do diafragma para os de cima, desenvolvimento de qualidades, manifestação 
de novos aspectos e necessidade de readaptações e reequilíbrios "em novo 
comprimento de onda". 
É lógico, portanto, que o indivíduo que atravessa essa fase, venha a sofrer 
mal-estares, momentos de perturbação e até mesmo doença, pois ele mesmo é o 
campo em que se está cumprindo a transformação, onde se opera a 
"transubstanciação" das energias pessoais em energias espirituais, e onde se prepara 
a transição do IV para o V reino. 
Às vezes, pode acontecer que ele não saiba claramente o que se passa em 
seu interior, pois este complicado processo pode todo ele se verificar até mesmo a 
nível inconsciente, e experimentando então períodos de dúvida e sofrimento, nada 
podendo fazer senão esperar, abandonar-se ao divino que atua dentro de si. 
Outras vezes, no entanto, devido à luz que recebe e à consciência desperta, 
tem a revelação