Annie Besant   O Cristianismo Esotérico
128 pág.

Annie Besant O Cristianismo Esotérico


DisciplinaCristianismo219 materiais934 seguidores
Pré-visualização50 páginas
variantes de opinião geralmente rotuladas de \u201clivre-
pensamento\u201d, que consideram a narrativa da vida como parcialmente 
legendária e parcialmente histórica, mas não oferecem nenhum método 
definido e racional de interpretação, e nenhuma explicação adequada para o 
complexo todo. E também encontramos, dentro do âmbito da Igreja Cristã, um 
número grande e sempre crescente de Cristãos fiéis e devotos de inteligência 
refinada, homens e mulheres que são aplicados em sua fé e religiosos em suas 
aspirações, mas que vêem na narrativa Evangélica mais do que a história de 
um simples Homem Divino. Eles alegam \u2013 defendendo sua posição contra as 
Escrituras reveladas \u2013 que a história de Cristo tem um significado mais 
profundo e importante do que aquele que jaz na superfície; conquanto 
sustentem o caráter histórico de Jesus, ao mesmo tempo declaram que O 
CRISTO é mais que o homem Jesus, e que tem um significado místico. Em 
apoio a esta posição eles indicam certas frases que são usadas por São Paulo: 
\u201cMeus filhos, de quem sofro as dores do parto até que Cristo esteja formado 
em vós\u201d (Gálatas, IV, 19); aqui São Paulo obviamente não pode se referir a um 
Jesus histórico, mas a alguma projeção [forth-putting, no original \u2013 NT] da alma 
humana que para ele é a formação de Cristo no seu interior. Novamente o 
mesmo instrutor declara que embora ele tenha conhecido Cristo na carne, dali 
em diante ele já não o conheceria assim (II Coríntios, V, 16); obviamente 
implicando que embora conhecendo o Cristo de carne \u2013 Jesus \u2013 havia uma 
44
concepção superior à qual chegara que lançava o Cristo histórico na sombra. 
Esta é a visão que muitos estão procurando hoje em dia, e \u2013 confrontados com 
os fatos da Religião Comparada, perplexos pelas contradições dos 
Evangelhos, confusos pelos problemas que eles não podem resolver enquanto 
ficarem presos ao mero significado superficial de sua escritura \u2013 então gritam 
desesperados que a letra mata mas o espírito vivifica, e procuram descobrir 
algum significado mais profundo e vasto em uma história que é tão velha 
quanto as religiões do mundo, e tem sempre servido como o verdadeiro cerne 
e vida para cada religião na qual reapareceu. Estes infatigáveis pensadores, 
demasiado desconectados e indefinidos para serem considerados uma escola, 
parecem estender uma mão, de um lado, para aqueles que imaginam tudo ser 
uma lenda, pedindo-lhes para aceitarem uma base histórica; de outro lado, 
dizem a seus irmãos Cristãos que existe um perigo crescente em se aferrar a 
um significado literal e exclusivo, o qual já não pode ser defeso diante do 
conhecimento crescente desta época, e pondo a perder inteiramente o 
significado espiritual. Há um perigo de perder-se \u201ca história do Cristo\u201d junto com 
aquele pensamento sobre o Cristo que tem sido o sustento e a inspiração de 
milhões de vidas nobres no Oriente e no Ocidente, embora o Cristo seja 
chamado por outros nomes e adorado sob outras formas; um perigo de que a 
pérola de grande valor se perca para nós, e o homem seja completamente 
empobrecido para sempre.
O que é preciso, a fim de que este perigo possa ser evitado, é desemaranhar 
as diferentes linhas na história do Cristo, e colocá-las lado a lado \u2013 a linha da 
história, a linha da lenda, a linha do misticismo. Elas se misturaram numa só 
linha, para grande prejuízo daquele que pensa, e desemaranhando-as veremos 
que a história se torna mais, e não menos, valiosa quando se acrescenta a ela 
o conhecimento, e que aqui, como em tudo que pertence basicamente à 
verdade, quanto mais brilhante é luz lançada, maior é a beleza que se desvela.
Estudaremos primeiro o Cristo histórico; depois o Cristo mítico, e enfim o Cristo 
místico. E veremos que elementos retirados de todos eles constituem o Jesus 
Cristo das Igrejas. Todos eles entram na composição da Figura patética e 
grandiosa que domina os pensamentos e as emoções da Cristandade, o 
Homem das Dores, o Salvador, o Amante e o Senhor dos Homens.
O Cristo Histórico ou Jesus, o Curador e Instrutor
A linha da história de vida de Jesus é uma que pode ser separada sem grande 
dificuldade das outras com que se mesclou. Podemos aqui muito bem auxiliar 
nosso estudo com referência àqueles registros do passado que peritos podem 
confirmar por si mesmos, e a partir dos quais certos detalhes a respeito do 
Instrutor Hebreu foram transmitidos ao mundo por H.P.Blavatsky e por outros 
peritos em investigação oculta. Mas nas mentes de muitos pode surgir um 
óbice quando essa palavra \u201cperito\u201d é aplicada em conexão ao ocultismo. 
Embora signifique simplesmente uma pessoa que por estudo especial, por 
treinamento especial, acumulou um tipo especial de conhecimento, e 
desenvolveu poderes que o capacitam a dar uma opinião fundamentada em 
seu conhecimento pessoal a respeito do assunto com que está lidando. Assim 
como falamos de Huxley como um perito em Biologia, assim como falamos de 
45
Senior Wrangler como um perito em Matemática, ou de Lyell como um perito 
em geologia, então podemos muito bem chamar de perito em ocultismo um 
homem que primeiro dominou intelectualmente certas teorias fundamentais 
sobre a constituição do homem e do universo, e segundo desenvolveu em si 
mesmo os poderes que existem latentes em todos \u2013 e são passíveis de serem 
desenvolvidos por aqueles que se aplicam aos estudos apropriados \u2013 
capacidades que o habilitam a examinar por si mesmo os mais obscuros 
processos da natureza. Assim como um homem pode nascer com uma 
faculdade matemática, e treinando esta faculdade ano após ano ele pode 
aumentar imensamente sua capacidade matemática, do mesmo modo um 
homem pode nascer com certas faculdades em si, faculdades pertencentes à 
Alma, que podem ser desenvolvidas pelo treino e pela disciplina. Quando, 
tendo desenvolvido estas faculdades, ele as aplica ao estudo do mundo 
invisível, um tal homem se trona um perito na Ciência Oculta, e um tal homem 
pode à sua vontade confirmar os registros a que me referi. Esta confirmação 
está tão fora do alcance da pessoa comum quanto um livro matemático escrito 
nos símbolos da matemática avançada está fora do alcance daqueles 
destreinados na ciência matemática. Não há nada de exclusivo no 
conhecimento a não ser até onde cada ciência é exclusiva; aqueles que 
nascem com uma faculdade, e a adestram, podem dominar sua respectiva 
ciência, enquanto que aqueles que iniciam a vida sem qualquer faculdade, ou 
os que não a desenvolvem se a possuem, devem se contentar em permanecer 
na ignorância. Estas são as regras por toda parte a respeito da obtenção de 
conhecimento, tanto no Ocultismo como em qualquer ciência.
Os registros ocultos em parte endossam a história contada nos Evangelhos, e 
em parte a refutam; eles nos apresentam a vida, e assim nos capacitam a 
separá-la dos mitos que se lhe estão entretecidos.
A criança cujo nome foi traduzido como Jesus nasceu na Palestina em 105 aC, 
durante o consulado de Publius Rutilius Rufus e Gnaeus Mallius Maximus. 
Seus pais eram de boa linhagem, mas pobres, e ele foi educado no 
conhecimento das escrituras Hebraicas. Sua fervorosa devoção e uma 
gravidade precoce levaram seus pais a dedicá-lo à vida religiosa e ascética, e 
logo após uma visita a Jerusalém, na qual a extraordinária inteligência e avidez 
por conhecimento do jovem foram demonstrados em sua busca pelos doutores 
do Templo, ele foi enviado para ser treinado em uma comunidade Essênia no 
sul do deserto da Judéia. Chegando aos dezenove anos, foi para o mosteiro 
Essênio perto do Monte Serbal, um mosteiro que era muito visitado pelos 
eruditos que