Annie Besant   O Cristianismo Esotérico
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Annie Besant O Cristianismo Esotérico


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do texto original grego do Credo de 
Nicéia, a frase que descreve esta etapa da descida alterou as preposições e 
deste modo mudou o seu sentido. No original consta \u201ce encarnou do Espírito 
Santo e a Virgem Maria\u201d, enquanto que a tradução reza: \u201ce encarnou pelo 
Espírito Santo da Virgem Maria\u201d (The Christian Creed, p. 42). O Cristo \u201cnão 
toma forma da matéria \u2018Virgem\u2019 apenas, mas de matéria que já está imbuída e 
pulsante da vida do Terceiro Logos (um nome do Espírito Santo), de modo que 
ambos vida e matéria O rodeiam como uma vestimenta\u201d (Ibid., p. 43).
Esta é a descida do Logos na matéria, descrita como o nascimento de Cristo a 
partir de uma Virgem, e isto, no Mito Solar, se torna o nascimento do Deus Sol 
quando o signo da Virgem se eleva.
Então sucedem os primeiros trabalhos do Logos na matéria, adequadamente 
tipificados no mito pela infância [do Herói \u2013 NT]. Diante da fragilidade da 
infância os Seus próprios poderes se curvam, atuando apenas levemente nas 
tenras formas que animam. A matéria aprisiona, parece como que quisera 
matar seu Rei infante, cuja glória é velada pelas limitações que Ele aceitou. 
Lentamente Ele a modela para altos fins, e chega à maturidade, e então Ele se 
estende sobre a cruz de matéria para que possa derramar a partir desta cruz 
todos os poderes de Sua vida doada. Este é o Logos de quem Platão disse 
estar como que figurado numa cruz sobre o universo; este é o Homem Celeste, 
pairando no espaço, com os braços estendidos a abençoar; este é o Cristo 
crucificado, cuja morte na cruz da matéria enche toda a matéria com Sua vida. 
Ele parece morto e é enterrado longe da vista de todos, mas se ergue 
novamente vestido da mesma matéria na qual pareceu morrer, e leva Seu 
corpo de matéria agora radiante para o céu, onde recebe o derramar da vida do 
Pai, e se torna o veículo da vida imortal do homem. Pois é a vida do Logos que 
forma a túnica da Alma no homem, e Ele a doa para que os homens possam 
viver através das eras e crescer até a medida de Sua própria estatura. Em 
verdade estamos revestidos d\u2019Ele, primeiro materialmente e depois 
espiritualmente. Ele Se sacrifica para levar muitos filhos para a glória, e Ele 
está sempre conosco, e estará até a consumação dos tempos.
A crucificação de Cristo, então, é parte do grande sacrifício cósmico, a 
representação alegórica disto nos Mistérios físicos, e o símbolo sagrado do 
homem crucificado no espaço, se materializaram numa morte real pela 
crucificação, e numa cruz sustentando a forma de um homem morto; então 
esta história, mas a história de um homem, foi associada ao Instrutor Divino, 
Jesus, e se tornou a história de Sua morte física, enquanto que o nascimento 
de uma Virgem, os perigos que o rodeavam na infância, a ressurreição e a 
ascensão, se tornaram incidentes de Sua vida humana. Os Mistérios 
desapareceram, mas suas grandiosas e épicas representações da obra 
cósmica do Logos rodearam e dignificaram a amada figura do Mestre da 
Judéia, e o Cristo cósmico dos Mistérios, mais os contornos da história de 
Jesus, se tornaram assim a Imagem central da Igreja Cristã.
Mas mesmo isso não é tudo, p último toque de fascínio é acrescentado à 
história de Cristo pelo fato de que existe um outro Cristo dos Mistérios, próximo 
e caro ao coração humano \u2013 o Cristo do Espírito Humano, o Cristo que existe 
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em todos nós, nasce e vive, é crucificado, sobe dos mortos e ascende aos 
céus, em todo sofredor e triunfante \u201cFilho do Homem\u201d.
A história de vida de todo Iniciado na verdade, nos Mistérios celestes, é 
contada em seus contornos principais na biografia Evangélica. Por esta razão, 
São Paulo fala, como vimos, do nascimento do Cristo no discípulo, e de Sua 
evolução e depois a chegada à plena estatura nele. Todo homem é um Cristo 
potencial, e o desdobramento da vida Crística em um homem segue o perfil da 
história Evangélica em seus incidentes principais, que já vimos serem 
universais, e não particulares.
Há cinco grandes Iniciações na vida de um Cristo, cada uma marcando uma 
etapa no desdobramento da Vida do Amor. Eles são dadas aqui, em sua forma 
ancestral, e a última assinala o triunfo final do Homem que evoluiu até a 
Divindade, que transcendeu a humanidade, e se tornou um Salvador do 
mundo.
Tracemos esta história de vida, sempre renovada na experiência espiritual, e 
vejamos o Iniciado vivendo a vida do Cristo.
Na primeira grande Iniciação o Cristo nasce no discípulo; é então que ele 
percebe, pela primeira vez, a efusão do Amor divino em si mesmo, e 
experimenta aquela maravilhosa mudança que o faz sentir ser uno com tudo o 
que vive. Este é o \u201cSegundo Nascimento\u201d, e neste nascimento os seres 
celestiais se rejubilam, pois ele nasce \u201cno reino dos céus\u201d, como um dos 
\u201cpequenos\u201d, como \u201cuma criancinha\u201d \u2013 estes nomes sempre são dados aos 
novos Iniciados. Este é o significado das palavras de Jesus, que um homem se 
torne uma criancinha para entra no Reino (Mateus, XVIII, 3). É dito 
significativamente em algum dos primeiros escritores Cristãos que Jesus 
nasceu \u201cnuma gruta\u201d \u2013 o \u201cestábulo\u201d da narrativa Evangélica; a \u201cGruta da 
Iniciação\u201d é uma antiga frase bem conhecida, e o Iniciado sempre nasce ali; 
sobre aquela gruta\u201d onde jaz a criança\u201d, brilha a \u201cEstrela da Iniciação\u201d, a Estrela 
sempre refulge no Oriente quando um Cristo Infante nasce. Toda criança assim 
é rodeada de perigos e ameaças, estranhos perigos que não ameaçam outros 
bebês, pois ele é ungido com o carisma do segundo nascimento e os Poderes 
das Trevas do mundo invisível sempre procuram impedir. A despeito de todas 
as provações, contudo, ele cresce até a maturidade, pois uma vez nascido, o 
Cristo jamais pode morrer, uma vez iniciado seu desenvolvimento, o Cristo 
jamais cai em sua evolução; sua formosa vida se expande e cresce, sempre 
crescendo em sabedoria e em natureza espiritual, até que chega ao tempo da 
segunda grande Iniciação, o Batismo do cristo pela Água do Espírito, que lhes 
dão os poderes necessários para a Maestria, para aquele que deve ir e 
trabalhar no mundo como \u201co Filho bem-amado\u201d.
Então desce sobre ele com largueza o Espírito divino, e a glória do Pai invisível 
derrama sua pura radiância nele; mas desta cena da unção ele é levado pelo 
Espírito para os ermos e mais uma vez é exposto ao ordálio de poderosas 
tentações. Pois agora os poderes do Espírito estão se desdobrando nele, e os 
Tenebrosos tentam desviá-lo de seu caminho através destes mesmos poderes, 
dizendo-lhe que os use para seu próprio socorro em vez de fiar-se em seu Pai 
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com paciente confiança. Em seguida sucedem transições súbitas que testam 
sua força e fé, o sussurro do Tentador encarnado segue a voz do Pai, e as 
areias escaldantes do deserto queimam os pés anteriormente lavados nas 
frescas águas do rio santo. Vencedor destas tentações, ele passa para o 
mundo dos homens para usar em seu auxílio os poderes que ele não usaria 
para suas próprias necessidades, e aquele que não transformaria uma pedra 
em pão para aplacar sua própria fome alimenta, com poucos pães, \u201ccinco mil 
homens, além de mulheres e crianças\u201d.
Nesta vida de serviço constante chega um outro período de glória, quando ele 
ascende \u201cem uma alta montanha afastada\u201d \u2013 a sagrada Montanha da Iniciação. 
Lá ele é transfigurado e encontra alguns de seus grandes Predecessores, os 
Poderosos de antigamente que andaram onde ele está andando. Ele passa 
então para a terceira grande Iniciação, e então a sombra de sua Paixão, que se 
aproxima, se abate sobre ele, e ele intimorato dirige-se para Jerusalém \u2013 
repelindo as vozes tentadoras de seus discípulos \u2013 Jerusalém, onde o espera o 
batismo