Annie Besant   O Cristianismo Esotérico
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Annie Besant O Cristianismo Esotérico


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por cada uma. A aparição de uma 
forma degenerada de uma idéia nobre pode semelhar-se muito ao produto 
refinado de uma idéia grosseira, e o único método de discernir entre 
degeneração e evolução seria o exame, se possível, de formas ancestrais 
intermediárias e remotas. A evidência trazida pelos crentes na Sabedoria é 
deste tipo. Eles alegam que os Fundadores das religiões, a julgar pelo registro 
de seus ensinamentos, estavam muito acima do nível médio da humanidade; 
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que as Escrituras das religiões contêm preceitos morais, ideais sublimes, 
aspirações poéticas, profundas asserções filosóficas, dos quais sequer se 
aproximam em beleza e elevação os escritos posteriores nas mesmas religiões 
\u2013 isto é, que o antigo é mais elevado do que o novo, em vez de o novo ser mais 
elevado que o antigo -; que não pode ser demonstrado nenhum caso do 
processo de refinamento e melhoramento suposto ser a fonte das religiões 
atuais, enquanto que podem ser apresentados muitos casos de degeneração 
de ensinos puros; que mesmo entre os selvagens, se suas religiões forma 
cuidadosamente estudadas, muitos traços de idéias elevadas podem ser 
encontrados, idéias que obviamente estão acima da capacidade dos próprios 
selvagens em produzi-las.
Esta última idéia foi desenvolvida por Andrew Lang, que \u2013 a julgar pelo seu 
livro The Making of Religion \u2013 deveria ser classificado como adepto da Religião 
Comparada antes do que da Mitologia Comparada. Ele aponta para a 
existência de uma tradição comum, a qual, alega ele, não pode ter sido 
desenvolvida pelos selvagens por si mesmos, sendo homens cujas crenças 
ordinárias são do tipo mais tosco e cujas mentes são pouco desenvolvidas. Ele 
mostra, debaixo de crenças brutas e visões degradadas, elevadas tradições de 
um caráter sublime, chegando mesmo a tratar da natureza do Ser Divino e 
Suas relações com os homens. As deidades adoradas são, em sua maior 
parte, verdadeiros demônios, mas por trás, para além de todos eles, existe uma 
tênue mas gloriosa Presença acima de tudo, raramente ou nunca nomeada, 
mas sussurrada como sendo a fonte de tudo, como poder, amor e bondade, 
terna demais para despertar terror, boa demais para requerer preces. Tais 
idéias manifestamente não podem ter sido concebidas pelos selvagens onde 
são encontradas, e elas permanecem como testemunhos eloqüentes da 
revelação feita por algum grande Instrutor \u2013 do qual geralmente é detectável 
um vestígio de tradição \u2013 que era Filho da Sabedoria, e que comunicou alguns 
de seus ensinamentos em uma era há muito passada.
A razão, e na verdade a justificação, da visão dos que assumem a Mitologia 
Comparada é patente. Eles encontram em todas as direções formas inferiores 
de fé religiosa, existindo entre tribos selvagens. Isto foi visto como 
acompanhamento da falta geral de civilização. Considerando os homens 
civilizados evoluindo dos não civilizados, o que seria mais natural do que 
considerar a religião civilizada derivando da religião não civilizada? È a primeira 
idéia óbvia. Só um estudo posterior e mais profundo pode mostrar que os 
selvagens de hoje não são nossos protótipos ancestrais, mas são a prole 
degenerada de grandes raças civilizadas do passado, e que o homem em sua 
infância não foi deixado crescer sem treinamento, mas foi cuidado e educado 
pelos mais velhos, de quem ele recebeu sua primeira orientação tanto em 
religião como em civilização. Esta visão está sendo substanciada por fatos tais 
como aqueles abordados por Lang, e logo suscitará a pergunta: \u201cQuem foram 
estes mais velhos, dos quais são encontradas tradições em todo lugar?\u201d
Ainda prosseguindo em nossa pesquisa, passamos à próxima questão: A que 
povos as religiões foram dadas? E aqui de imediato chegamos a uma 
dificuldade com a qual todo Fundador de religião deve lidar, aquela já 
mencionada envolvendo o objetivo primário da própria religião, a estimulação 
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da evolução humana, com seu corolário de que todos os graus da humanidade 
em evolução devem ser considerados por Ele. Homens em todos os estágios 
de evolução, do mais bárbaro ao mais desenvolvido; são encontrados homens 
de elevada inteligência, mas também de mentalidade a mais subdesenvolvida; 
em um local existe uma civilização altamente desenvolvida e complexa, em 
outro, uma política crua e simples. Mesmo dentro de cada civilização 
encontramos os tipos mais variados \u2013 o mais ignorante e o mais educado, o 
mais pensativo e o mais relaxado, o mais espiritual e o mais brutal; mesmo 
assim cada um destes tipos deve ser alcançado, e cada um deve ser ajudado 
no estágio em que estiver. Se a evolução for uma verdade, esta dificuldade é 
inevitável, e deve ser enfrentada e superada pelo Instrutor divino, senão Sua 
obra será um fracasso. Se o homem está evoluindo como tudo em seu redor 
está evoluindo, estas diferentes de desenvolvimento, estes variados graus de 
inteligência devem ser uma característica da humanidade em toda parte, e 
devem receber atenção em cada religião do mundo.
Assim somos trazidos face a face à evidência de que não pode haver só um e 
o mesmo ensino religioso sequer para uma só nação, muito menos para uma 
civilização que seja, ou para o mundo todo. Se houver apenas um ensino, um 
grande número daqueles a quem seria endereçada escapariam inteiramente á 
sua influência. Se for conformada àqueles cuja inteligência é limitada, cuja 
moralidade é elementar, cujas percepções são obtusas, de modo que possa 
ajudá-los e treiná-los, capacitando-os assim a evoluir, seria uma religião 
completamente inadequada para aqueles homens, vivendo na mesma 
civilização, que têm percepções morais finas e delicadas, inteligência brilhante 
e sutil, e uma espiritualidade em evolução. Mas se, por outro lado, esta última 
classe há de ser auxiliada, se à inteligência há de ser dada uma filosofia que 
possa ser considerada admirável, se as delicadas percepções morais hão de 
ser ainda mais refinadas, se à natureza espiritual que desperta há de ser 
possibilitado que frutifique até a plenitude, então a religião deve ser tão 
espiritual, tão intelectual, e tão moral, que quando for pregada à primeira classe 
não tocará suas mentes ou seus corações, para eles será como um rosário de 
frases sem sentido, incapazes de suscitar sua inteligência latente, ou de dar-
lhes qualquer padrão de conduta que os ajude a evoluir para uma moralidade 
mais pura.
Olhando, então, para estes fatos a respeito da religião, considerando seu 
objetivo, seus meios, sua origem, a natureza e variadas necessidades dos 
povos a quem foi endereçada, reconhecendo a evolução das faculdades 
espirituais, intelectuais e morais no homem, e a necessidade de cada homem 
por um treinamento tal que lhe seja adequado para o estágio de evolução em 
que chegou, somos conduzidos à absoluta necessidade de um ensinamento 
religioso variado e graduado tal que atenda a estas diferentes necessidades e 
ajude a cada homem em sua própria posição.
Existe ainda uma outra razão pela qual o ensinamento esotérico é desejável a 
respeito de certas classes de verdades. Este é eminentemente o fato a respeito 
desta classe que \u201cconhecimento é poder\u201d. A promulgação pública de uma 
filosofia profundamente intelectual, suficiente para treinar um intelecto 
altamente desenvolvido e atrair a adesão de uma mente excelsa, não pode 
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prejudicar ninguém. Pode ser pregada sem hesitação, pois não atrai o 
ignorante, que se afastará dela considerando-a seca, rígida e desinteressante. 
Mas existem ensinamentos que tratam da constituição da natureza, explicam 
leis recônditas, e lançam luz sobre processos ocultos,