Annie Besant   O Cristianismo Esotérico
128 pág.

Annie Besant O Cristianismo Esotérico


DisciplinaCristianismo219 materiais934 seguidores
Pré-visualização50 páginas
não haveria nenhum pensamento no cérebro se eles não existissem no corpo 
mental.
O homem tem além disso um \u201ccorpo espiritual\u201d. Este é feito de três porções 
separáveis, cada uma pertencendo a, e separado de, cada uma das três 
Pessoas na Trindade do espírito humano. São Paulo fala de ter sido \u201clevado 
até o terceiro céu\u201d, e de lá ter ouvido \u201cpalavras impronunciáveis que não é lícito 
a um homem pronunciar\u201d (II Coríntios, XII, 2-4). Estas diferentes regiões dos 
mundos invisíveis supernos são conhecidas pelos Iniciados, e eles sabem 
muito bem que aqueles que passam além do primeiro céu precisam do corpo 
verdadeiramente espiritual como veículo, e que de acordo com o seu 
desenvolvimento poderão entrar em um céu ou noutro.
A mais baixa destas três divisões é usualmente chamada de Corpo Causal, por 
uma razão de que só será totalmente assimilada por aqueles que estudaram o 
ensinamento sobre a Reencarnação \u2013 ensinada na Igreja Primitiva \u2013 e por 
aqueles que entenderem que a evolução humana precisa de muitas vidas 
sucessivas sobre a Terra, antes que a alma germinal do selvagem se torne a 
alma aperfeiçoada do Cristo, e então, se torne \u201cperfeito como seu Pai no céu é 
perfeito\u201d (Mateus, V, 48). É um corpo que perdura de vida para vida, e no qual 
está armazenada toda a memória do passado. Dele procedem as causas que 
constróem os corpos inferiores. Ele é o receptáculo da experiência humana, a 
casa do tesouro na qual é guardado tudo o que reunimos em nossas vidas, é a 
séde da Consciência, o possuidor da Vontade.
A segunda das três divisões do corpo espiritual é mencionada por São Paulo 
nas significativas palavras: \u201cTemos uma morada feita por Deus, uma casa que 
não foi feita pelas mãos, eterna, nos céus\u201d (II Coríntios, V, 1). Este é o Corpo 
de Bem-aventurança, o corpo glorificado do Cristo, o \u201cCorpo da Ressurreição\u201d. 
Não é um corpo \u201cfeito pelas mãos\u201d, mas é obra da consciência nos veículos 
inferiores; não é formado pela experiência, nem construído por materiais 
reunidos pelo homem em sua longa peregrinação. É um corpo que pertence à 
vida Crística, a vida da Iniciação, ao desabrochar divino no homem; é 
construído por Deus, pela atividade do Espírito, e cresce durante todo o ciclo 
de vida ou vidas do Iniciado, atingindo sua perfeição só na \u201cRessurreição\u201d.
81
A terceira divisão do corpo espiritual é a fina película de matéria sutil que 
distingue o Espírito individual como um Ser, embora permita a interpenetração 
de todos por todos, e seja assim a expressão da unidade fundamental. No dia 
em que o próprio Filho for \u201csujeito Àquele que sujeitou todas as coisas, para 
que Deus possa ser tudo em todos\u201d (I Coríntios, XV, 28), este corpo será 
transcendido, mas para nós ele permanece como a mais alta divisão do corpo 
espiritual, no qual ascendemos até o Pai, e nos unificamos a Ele.
O Cristianismo sempre reconheceu a existência de três mundos, pelos quais 
passa o homem: primeiro, o mundo físico; segundo, um estado indeterminado 
ao qual passa por ocasião da morte; terceiro, o mundo celeste. Todos os 
Cristãos educados acreditam nestes três mundos; só o inculto imagina que um 
homem passe de seu leito de morte diretamente para o estado final de 
beatitude. Mas existe algumas diferenças de opinião a respeito da natureza do 
mundo intermediário. Os Católicos Romanos o chamam de Purgatório, e crêem 
que toda alma passe a ele, exceto a do Santo, o homem que atingiu a 
perfeição, ou a do homem que morra em \u201cpecado mortal\u201d. A grande massa da 
humanidade passa para uma região purificadora, onde o homem permanece 
por um período variável de acordo com os pecados que cometeu, só saindo 
dele para o mundo celeste quando se tornou puro. As várias comunidades que 
são chamadas de Protestantes variam em seus ensinamentos a respeito de 
detalhes, e principalmente repudiam a idéia de purificação post-mortem, mas 
em linhas gerais eles concordam que haja um estado intermédio, algumas 
vezes chamado de \u201cParaíso\u201d, ou de \u201cperíodo de espera\u201d. O mundo celeste é 
quase universalmente considerado, no Cristianismo, um estado final, sem 
alguma idéia muito definida ou genérica sobre sua natureza, ou sobre a 
condição progressiva ou estacionária daqueles que o alcançam. No 
Cristianismo primitivo este céu era considerado, como o é realmente, uma 
etapa no progresso da alma, sendo ensinadas muito geralmente a 
preexistência da alma e a reencarnação. O resultado era (considerar-se) que o 
estado celeste fosse uma condição temporária, embora geralmente muito 
prolongada, durando \u201cuma era\u201d \u2013 como falado no grego do Novo Testamento, 
terminando a era com a volta do homem para o próximo estágio de sua vida e 
progresso contínuos \u2013 e não durando \u201ceternamente\u201d, como se fala na má 
tradução da versão inglesa autorizada [e mesmo das portuguesas \u2013 NT] (esta 
má tradução foi algo natural, uma vez que foi realizada no século XVII, e toda 
idéia da preexistência da alma e de sua evolução há muito tempo havia 
desaparecido da Cristandade, exceto nos ensinamentos de poucas seitas 
consideradas como heréticas e perseguidas pela Igreja Católica Romana).
A fim de completar o esboço necessário para a compreensão da Ressurreição 
e da Ascensão, devemos agora averiguar como estes vários corpos se 
desenvolvem na evolução superior. 
O corpo físico está em um estado de constante fluxo, suas partículas 
infinitesimais estão sendo continuamente renovadas, de modo que ele está 
sempre em construção; e como ele se compõe daquilo que comemos, dos 
líquidos que bebemos, do ar que respiramos e de partículas de nosso ambiente 
físico, seja de coisas ou pessoas, podemos progressivamente purificá-lo 
escolhendo bem seus componentes, e assim tornando-o um veículo sempre 
82
mais puro através do qual agiremos, receptivo a vibrações mais sutis, 
responsivo a desejos mais puros, a pensamentos mais nobres e elevados. Por 
esta razão todos os que aspiravam chegar aos Mistérios eram submetidos a 
regras de dieta, abluções, etc, e se desejava que fossem muito cuidadosos 
sobre as pessoas com que se associavam e os lugares aonde iam.
O corpo de desejos também muda de modo semelhante, mas os seus 
materiais são expelidos e atraídos pelo movimento dos desejos, dos 
sentimentos, paixões e emoções. Se estes forem grosseiros, os materiais 
acrescentados ao corpo de desejos serão também grosseiros, enquanto que se 
forem purificados, o corpo de desejos se tornará sutil e muito sensível às 
influências superiores. À medida em que um homem domine sua natureza 
inferior e se torne altruísta em seus desejos, sentimentos e emoções, à medida 
em que tornar seu amor pelos que o cercam menos egoísta e exigente, ele 
estará purificando seu veículo superior de consciência; o resultado é que 
quando fora do corpo durante o sono ele tem experiências mais elevadas, 
puras e instrutivas, e quando abandona seu corpo físico pela morte ele passa 
rapidamente pelo estado intermédio, e o corpo de desejos se desintegra com 
grande rapidez, e não o atrasa em sua jornada para diante.
O corpo mental está similarmente sendo construído neste caso pelos 
pensamentos, ele será o veículo da consciência no mundo celeste, mas está 
sendo construído agora pelas aspirações, pela imaginação, razão, julgamento, 
faculdades artísticas, pelo uso de todos os poderes mentais. Do modo como o 
homem o tiver feito deverá usá-lo, e a duração e riqueza de seu estado celeste 
depende do tipo de corpo mental que construiu em sua vida terrena.
Quando um homem entra na evolução superior, este corpo inicia uma atividade 
independente deste lado da morte, e ele gradualmente