Annie Besant   O Cristianismo Esotérico
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Annie Besant O Cristianismo Esotérico


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(O artigo Mysteries da Enc. Britannica 
tem a seguinte continuação no ensinamento de Plotino [204-206 dC]: \u201cO UM [o 
deus Supremo citado antes] é exaltado acima de nous e das idéias; transcende 
toda a existência e não é cognoscível pela razão. Permanecendo Ele mesmo 
em repouso, como que irradia de sua própria plenitude uma imagem de Si 
mesmo, chamada nous, e que constitui o sistema de idéias do mundo 
inteligível. A alma por sua vez é a imagem ou produto de nous, e a alma por 
seu movimento toma matéria corpórea. A alma deste modo olha para dois 
caminhos \u2013 para nous, de onde se origina, e para a vida material, que é seu 
próprio produto. O esforço ético consiste em repudiar o sensível; a existência 
material é em si um estranhamento em relação a Deus... Para atingir sua meta 
última, o próprio pensamento deve ser deixado para trás, pois o pensamento é 
uma forma de movimento, e o desejo da alma é pelo descanso imóvel que 
pertence ao UM. A união com a deidade transcendente não é tanto 
conhecimento ou visão, mas êxtase, coalescência, contato. O Neoplatonismo é 
assim antes de tudo um sistema de completo racionalismo; é pressuposto, em 
outras palavras, que a razão seja capaz de mapear todo o sistema das coisas. 
Mas, porquanto Deus seja afirmado estar além da razão, o misticismo se torna 
de certo modo o necessário complemento do todo-abrangente racionalismo 
último. O sistema culmina em um ato místico\u201d). Nos Mistérios estas doutrinas 
eram expostas, \u201ca progressão do UM, e a regressão de todas as coisas para o 
UM, e a completa supremacia do UM\u201d (Iamblichus, sic ante, p. 73), e, mais 
ainda, estes diferentes Seres eram evocados, e apareciam, algumas vezes 
para ensinar, algumas vezes, por Sua mera presença, para elevar e purificar. 
\u201cOs Deuses\u201d, diz Jâmblico, \u201csendo benevolentes e propícios, concediam sua 
luz aos teurgos com abundância generosíssima, chamando as almas deles 
para cima, para si mesmos, buscando que se unissem a si mesmos, e 
acostumando-as, enquanto ainda estando em corpos, a ser separadas dos 
corpos, e ser levadas diretamente ao seu princípio eterno e inteligível\u201d (Ibid., 
pp. 55-56). Pois \u201ca alma, tendo uma vida dupla, uma em conjunção ao corpo, 
mas outra separada de todos os corpos\u201d (Ibid., pp. 118-119), e \u201cé muitíssimo 
necessário aprender a separá-la do corpo, para que ela possa unir-se aos 
Deuses por sua parte intelectual e divina, e aprender os genuínos princípios do 
conhecimento, e as verdades do mundo inteligível\u201d (Iamblichus, pp. 118-119). 
\u201cA presença dos Deuses, em verdade, concede-nos saúde de corpo, virtude de 
alma, pureza de intelecto e, numa palavra, eleva tudo em nós até sua própria 
natureza. Ela (a presença dos Deuses) exibe o que não é corpo como corpo 
aos olhos da alma\u201d (Ibid., pp. 95-100). Quando os Deuses aparecem, a alma 
recebe \u201cuma liberação das paixões, uma perfeição transcendente, e uma 
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energia inteiramente mais excelente, e participa do amor divino e de uma 
imensa alegria\u201d (Ibid. p. 101). \u201cCom isso ganhamos uma vida divina, e somos 
tornados em realidade divinos\u201d (ibid., p. 330).
O ponto culminante dos Mistérios era quando o Iniciado se tornava um deus, 
seja pela união com um Ser divino fora de si, seja pela percepção do Eu divino 
em si. Isso era chamado êxtase, e era um estado que o Yogi indiano chamaria 
Samadhi, sendo posto em transe o corpo denso e a alma liberta efetuando sua 
própria união com o Grande Ser. Este \u201cêxtase não é propriamente falando uma 
faculdade, é um estado da alma, que a transforma de tal modo que então ela 
percebe o que antes estava oculto de si. O estado não era permanente antes 
que nossa união com Deus fosse irrevogável; aqui, na vida terrena, o êxtase 
não passa de um instante... O homem pode cessar de ser homem, e passar a 
ser Deus; mas o homem não pode ser Deus e homem ao mesmo 
tempo\u201d(G.R.S.Mead, Plotinus, p. 42-43). Plotino declara ter atingido este 
estado \u201csomente três vezes\u201d.
Também Proclo ensinou que a única salvação da alma era retornar à sua forma 
intelectual, e assim escapar do \u201cciclo de geração, das peregrinações 
multiplicadas\u201d, e atingir o verdadeiro Ser, \u201ca energia simples e uniforme do 
período de igualdade [sameness, no original \u2013 NT], em vez do movimento 
abundantemente errante do período em que é caracterizada pela diferença\u201d. 
Esta é a vida procurada pelos iniciados por Orfeu nos Mistérios de Baco e 
Prosérpina, e este é o resultado da prática das virtudes purificativas, ou 
catárticas (Iamblichus, p. 364, nota na p. 134).
Estas virtudes eram necessárias para os Grandes Mistérios, já que estavam 
relacionadas à purificação do corpo sutil, no qual a alma atuava quando fora do 
corpo denso. As virtudes políticas ou práticas pertenciam à vida comum dos 
homens, e era requerido que existissem em certo grau antes que ele pudesse 
ser candidato mesmo para uma Escola tal como a descrita antes. Então vinham 
as virtudes catárticas, pelas quais o corpo sutil, o das emoções e da mente 
inferior, era purificado; em terceiro lugar vinham as virtudes intelectuais, 
pertencendo ao Augoeides, ou a forma luminosa do intelecto; em quarto, as 
contemplativas, ou paradigmáticas, pelas quais era realizada a união com 
deus. Porfírio escreve: \u201cAquele que age de acordo com as virtudes práticas é 
um homem digno; mas o que age de acordo com as virtudes purificativas é um 
homem angélico, ou também um gênio [daimon, no original \u2013 NT] bom. Aquele 
que atua de acordo só com as virtudes intelectuais é um Deus; mas o que age 
de acordo com as virtudes paradigmáticas é o Pai dos Deuses\u201d (G.R.S.Mead, 
Orpheus, pp. 285-286).
Também era dada muita instrução nos Mistérios pelas hierarquia angélica e 
outras, e de Pitágoras, o grande instrutor que foi iniciado na Índia, e que deu "o 
conhecimento das coisas que são\u201d aos seus discípulos eleitos, é dito ter 
possuído um conhecimento tal de música que ele podia usá-la para controlar 
as mais selvagens paixões dos homens, e para iluminar suas mentes. São 
dados exemplos disto por Jâmblico em sua Vida de Pitágoras. Parece provável 
que o título de Teodidacto [\u201censinado por Deus\u201d - NT], dado a Amônio Saccas, 
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o mestre de Plotino, se referia menos à sublimidade de seus ensinamentos do 
que á divina instrução por ele recebida nos Mistérios.
Alguns dos símbolos usados são explicados por Jâmblico (Iamblicus, p. 864, 
nota na p. 134) que diz para Porfírio remover de seu pensamento na imagem 
da coisa simbolizada e chegar em seu significado intelectual. Assim "lodo\u201d 
significa tudo o que é corpóreo e material; o \u201cDeus sentado sobre o lótus\u201d 
significava que Deus transcendia tanto o lodo quanto o intelecto, simbolizado 
pelo lótus, e estava estabelecido em Si mesmo, estando sentado. Seu domínio 
sobre o mundo era figurado na expressão \u201cnavegando em um barco\u201d, e assim 
por diante (Ibid., p. 205 et seq). Sobre este uso dos símbolos Proclo assinala 
que \u201co método Órfico almejava a revelação das coisas divinas por meio de 
símbolos, um método comum a todos os escritores sobre a sabedoria divina\u201d 
(G.R.S. Mead, Orpheus, p. 59).
A Escola Pitagórica na Magna Grécia foi fechada no final do século VI aC, 
devido à perseguição do poder civil, mas outras comunidades existiam, 
preservando a tradição sagrada (Ibid., p. 30). Mead declara que Platão a 
intelectualizara a fim de protegê-la de uma crescente profanação, e os ritos 
Eleusinos preservaram algumas de suas formas, tendo perdido sua substância. 
Os Neoplatônicos herdaram de Pitágoras e Platão, e seus trabalhos deveriam 
ser estudados por aqueles que percebiam algo da grandeza e beleza 
preservadas para o mundo nos Mistérios.
A Escola Pitagórica em si serve como um protótipo da