Dion Fortune   A Doutrina Cósmica
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Dion Fortune A Doutrina Cósmica


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manifesto, ele é. ELE é a fonte de onde tudo provém. ELE é a 
única "Realidade". Só ELE é substância. Só ELE é estável; tudo o mais é uma 
aparência e um vir-a-ser. Sobre esse Imanifesto só podemos dizer que "ELE É". ELE 
é o verbo "ser" voltado para si mesmo. ELE é um estado de puro "ser", sem 
qualidades e sem história. Tudo o que podemos dizer d'ELE é que não é nada que 
conhecemos, pois, se conhecemos algo, é por sua manifestação para nós que o 
conhecemos e, se ele se manifesta, isso prova que ele não é imanifesto. O 
Imanifesto é a Grande Navegação; ao mesmo tempo, ELE é a potência infinita que 
não ocorreu. Pode-se concebê-lo melhor sob a imagem do espaço interestelar. 
Nestes ensinamentos ocultos vocês receberão determinadas imagens, 
com as quais serão instruídos a pensar em determinadas coisas. Essas imagens 
não são descritivas, mas simbólicas, e pretendem educar a mente, não informá-la. 
Portanto, podem pensar no Imanifesto como espaço interestelar; e no Logos como 
um Sol rodeado por Seu Sistema Solar de Planetas; e nas emanações do Logos 
como Raios. O Imanifesto é a única Unidade. A Manifestação começa quando ocorre 
a dualidade. 
A dualidade original é "espaço" e "movimento". A primeira manifestação 
foi uma corrente no espaço \u2014 a metáfora que uso pode não conduzir nada às suas 
mentes. 
Tudo o que posso dizer é que o "espaço" se movia: essas palavras serão 
para vocês a chave de muitas coisas. 
Bem, quando o espaço se move, ele possui esta qualidade peculiar \u2014 
não apresentando fricção, nunca perde o momentum, mas continua a fluir. Quando o 
espaço se move, duas forças estão em ação: 
 
a. A força que o faz se mover \u2014 o desejo que o espaço sente do momentum; 
b. A força que até agora o obrigou a não se mover \u2014 o desejo que o espaço 
sente da inércia. 
 
Esses dois fatores estão presentes em todo movimento, mas o desejo do 
movimento, sendo mais forte, ultrapassa o desejo da inércia, e o desejo da inércia 
continua a agir como impedimento ao movimento. O movimento, portanto, é 
interrompido a intervalos, é por essa razão que no Cosmos não existe nada que se 
assemelhe a uma linha reta. Todo movimento, portanto, tem uma curva delgada em 
sua projeção; por conseguinte, ele retorna eventualmente ao seu ponto de partida e 
forma um anel rodopiante. 
Bem, o movimento original é exatamente um fluxo de espaço que retorna 
depois de muitos aeons ao ponto de partida e então renova sua jornada. Este 
movimento produz uma zona rodopiante de enorme circunferência. Essa zona 
rodopia em um plano durante aeons imensos de tempo; rodopia com um rodopio 
imutável. Mas sua tendência é comunicar seu movimento ao espaço que o cerca, o 
que obriga a que mais espaço venha para o rodopio. (Tudo isto, lembrem-se, é 
metáfora.) O rodopio num plano continua até que as tensões que ele gera 
provoquem um novo movimento, e uma segunda corrente no espaço se coloca em 
ângulo reto em relação à primeira e o mesmo processo se repete. 
Temos agora dois planos rodopiantes, um dentro do outro, e deve-se 
observar que o segundo plano se forma do lado de fora do primeiro e é, portanto, de 
diâmetro mais largo. 
Durante inúmeros aeons, esses planos rodopiam em ângulo reto um em 
relação ao outro e toda a evolução depende da diferença de tamanho que existe 
entre os planos. Quando o mais largo alcança a mesma velocidade do menor e mais 
velho, ele começa a atrair um dos seus aspectos; em conseqüência, o círculo mais 
velho lança-se contra o mais novo. 
Bem, deve-se imaginar que o primeiro círculo possui uma superfície 
superior e uma inferior. A superfície superior desse arco que gira para fora deve ser 
concebida como positiva e a inferior, como negativa. O contrário serve exatamente 
para o caso do arco que gira para dentro. 
A mesma coisa acontece com o segundo círculo. 
Estes círculos atraem-se e se repelem mutuamente; assim, vocês podem 
imaginar que a superfície superior do arco que gira para fora (do primeiro círculo), 
sendo positiva, ergue-se em direção ao seu aspecto complementar no segundo 
círculo e que a superfície inferior do arco retornante pressiona para baixo, de 
maneira que vocês têm um segundo movimento conferido ao disco rodopiante. 
Quando esse movimento secundário completa o seu primeiro circuito e conclui a sua 
revolução constante, o novo Cosmos está em elaboração. Eis o início original de um 
Cosmos, expresso na metáfora mais aproximada. 
O rodopio secundário do primeiro circuito é o Anel-Não-Passa e o circuito 
da segunda manifestação é aquela esfera que opõe uma barreira ao Caos. Na 
esfera exterior também existe uma derivação secundária e, embora seja um círculo 
rodopiante em movimento, ela representa, para esse Cosmos, a quietude original, a 
imobilidade em que está enraizada, é o bloco de empurrão da força do Cosmos que 
resiste e que torna possível a consecução do momentum e ao qual podem chamar 
Anel-Caos - o "Mal Original". Ele se desenvolveu a partir da reação da força original 
a fim de levar seu empurrão. Ele rodopia em ângulo reto em relação ao rodopio 
original. Ele o neutraliza. Foi a tração do Anel-Caos que pôs o Anel-Cosmos em seu 
segundo movimento e assim formou aquele rodopio secundário a que chamamos 
Anel-Não-Passa, a limitação original. Portanto, na base, é o Mal Original que 
possibilita a existência do Cosmos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo II: AS FORÇAS DO MAL (NEGATIVO) 
 
 
 
Antes de continuarmos, devemos explicar o conceito de mal. Voltando 
atrás, vocês perceberão que o primeiro movimento deu origem a um movimento 
secundário, de acordo com as leis da reação, e que o segundo movimento, em 
oposição ao primeiro, produziu estabilidade, é sempre função da oposição produzir 
estabilidade. Mal, nesse sentido, é apenas a oposição ao ângulo da primeira 
corrente. Vocês ouvirão mais tarde mais coisas sobre o conceito verdadeiro do mal. 
o mal confere limitação à finitude e, portanto, concentra; e o mal deve ser entendido 
adequadamente, pois então suas forças poderão ser usadas em suas funções 
próprias como um bloco de empurrão, é quando a posição fica invertida e se faz uma 
tentativa de trabalhar dinamicamente as forças do Anel-Caos que o mal desponta no 
sentido popular do termo. O mal deve ser imaginado esotericamente como uma 
limitação que permite que a pressão se faça sentir \u2014 como é a rejeição que permite 
que se consiga a concentração. 
Darei um exemplo. "A sensualidade", vocês dizem, "é um mal e deve ser 
evitada"; portanto, as forças vitais estão concentradas nos planos superiores porque 
uma determinada expressão é negada. Se não houvesse nenhuma negação, mas 
apenas o fluxo livre da harmonia perfeita, não haveria concentração e, por 
conseguinte, nenhuma obra. Vocês não conseguirão trabalhar com o vapor que sai 
de uma vasilha aberta. Essa função do mal precisa ser entendida muito 
cuidadosamente. Vocês deverão sempre se afastar do mal. Todo avanço para um 
plano superior é uma reação ao mal. Se não houver o mal, não haveria nenhum 
ponto de desenvolvimento e, em conseqüência, não haveria crescimento, nem 
evolução. 
Recapitulando o ensinamento: temos o rodopio original do Anel-Cosmos; 
a reação dá origem ao Anel-Caos; a atração do Anel-Caos induz um rodopio 
secundário no Anel-Cosmos que forma o Anel-Não-Passa. 
Bem, esse movimento no Anel-Cosmos, rodopiando num plano e em 
rotação enquanto rodopia, como se estivesse sobre um eixo, estabelece as 
fronteiras para além das quais as criaturas dessa esfera não podem passar nem 
mesmo em pensamento. Mas essa esfera está rodeada por duas linhas de força \u2014 o 
Anel-Cosmos e o Anel-Caos, que estão em rotação em ângulos retos um