Dion Fortune   A Doutrina Cósmica
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Dion Fortune A Doutrina Cósmica


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é vista como nascimento. Esse nascimento é a Segunda Morte. 
Tornemos tudo isso claro com um exemplo. A vida, tendo evoluído para 
além da capacidade das formas inferiores para lhes dar expressão, constrói para si 
formas superiores. Os restos fossilizados de formas inferiores abandonadas 
encontram-se entre os escombros da vida. Eles morreram; sua raça foi extinta; eles 
não existem mais; mas a vida renasceu num tipo superior de veículo. E só com o 
abandono da forma mais simples que a vida pode passar à mais complexa, embora 
a consciência que está no plano da forma mais simples veja nisso uma tragédia 
porque ela não pode conceber a vida superior e vê a sua própria vida passando 
prenunciada; mas a consciência da vida superior vê o nascimento de uma nova 
manifestação e se alegra, pois ela vê a expressão mais completa de suas 
potencialidades. 
A Terceira Morte. Cada consciência individualizada vive para morrer e 
morre para viver, E só com a morte que podemos colher os frutos da vida. 
Apascentamos nos campos da Terra e dormimos nos campos do Céu para ruminar. 
Já se disse que "para cada hora de estudo deve-se fazer três horas de meditação". 
Na morte está a meditação da alma e na vida o seu estudo. 
Se vocês só "vivessem", todas as experiências passariam pela 
consciência e deixariam uma impressão muito pequena após todos os primeiros 
quadros terem preenchido todo o espaço disponível. Tudo poderia ser concreto, 
não-relacionado, não-sintetizado; na meditação, que é "morte", a essência abstrata 
da vida é extraída e, em vez de um milhão de imagens concretas, há o conceito 
abstrato. Aprendam a confiar na morte. Aprendam a amar a morte. Aprendam a 
contar com a morte no seu esquema de coisas e pratiquem regularmente o exercício 
de se visualizarem como mortos e de imaginarem como vocês seriam se estivessem 
mortos, pois assim vocês aprenderiam a construir uma ponte entre a vida e a morte, 
de maneira que ela pudesse ser atravessada com facilidade cada vez mais 
crescente. Vejam-se como mortos trabalhando seus destinos. Vejam-se como 
mortos e continuem seu trabalho a partir do plano dos mortos. Assim será construída 
a ponte que leva para além do Véu. Permitam que o abismo entre o que se chama 
vida e o que se chama morte seja atravessada por este método; e que o homem 
deixe de temer a morte. 
A Quarta Morte. Quatro é o número "de ligação". O quarto corpo, sendo 
ele o aspecto mais superior da Personalidade, liga-a à Individualidade e a Quarta 
Morte é chamada morte "de ligação" \u2014 morte "educadora", ou, de outra maneira, 
chamada de "sono". O sono é uma morte em miniatura, exatamente como a morte é 
o sono maior, e um conhecimento da natureza do sono ajuda a explicar a morte. A 
natureza do sono ainda não foi suficientemente compreendida. As impressões do 
sono recebidas pela consciência desperta são enganadoras. No sono o plano físico 
está dissociado de outros planos e a alma assim liberta não mais recebe as 
impressões que chegam pelos cinco portões dos sentidos e dizemos que ele dorme 
e é passivo; mas a Individualidade desperta e é ativa. Na vida desperta, a 
Individualidade dorme, e na vida adormecida a Individualidade desperta. Essa é a 
regra para a maioria; mas chega um tempo na evolução de alguns em que a 
Personalidade é capaz de ser usada pela Individualidade para se expressar. Isso 
exige uma Personalidade altamente desenvolvida e uma Individualidade altamente 
evoluída. A Individualidade está indicada nas escrituras sagradas como o "Anjo que 
sempre vê a face de Deus". 
Durante a vida desperta do corpo a Individualidade está empenhada em 
traduzir em seus próprios termos de abstração as impressões concretas que fluem 
para a alma inferior. Quando ela não mais procede dessa maneira, ela se torna 
objetiva em seu próprio plano e vê a "face do Pai". Ela então se mede pelo modelo 
divino e efetua ajustamentos em seu poder; mas os ajustamentos do espírito são 
aeônicos e medidos pelo palmo do Céu. 
Durante o sono a alma pouco evoluída não pode, todavia, mergulhar no 
esquecimento, mas, estando comprometida com os desejos insatisfeitos da carne, 
pode continuar a funcionar em relação aos pensamentos-formas nascidos desses 
desejos. Ela sonha os sonhos derivados de paixões insatisfeitas e da ânsia dos 
instintos. A Individualidade não é livre e, em vez de ver a "face do Pai que está no 
Céu", vê a imagem invertida da forma humana e se desenvolve à sua semelhança. A 
Individualidade, sendo incapaz de funcionar em seu próprio plano, não cresce e 
permanece sem evolução; e a Personalidade torna-se uma caricatura exagerada de 
si mesma. Ela só pode se libertar dela com a Terceira Morte, capacitando a 
Individualidade a fazer valer os seus direitos, mas, se a Terceira Morte for 
incompleta, a alma inferior continuará a sonhar no plano astral. Isto remete à 
questão da Quinta Morte. 
A Quinta Morte é a morte da Personalidade. A Personalidade, quando 
separada do corpo pela morte, continua a viver e a funcionar como uma 
Personalidade e o homem de forma alguma mudou e ainda "responde ao nome que 
traz na carne". Nos Infernos Inferiores ele queima com o desejo até que as 
possibilidades do desejo estejam queimadas. O desejo então continua como uma 
idéia abstrata e faz parte da Individualidade. O homem então morre para os desejos 
inferiores mas continua a viver nos desejos superiores. 
Ele aprende então que esses desejos superiores são finitos e mortais; 
compreende que eles constituem barreiras entre ele e seu Pai cuja face ele veria e 
deseja escapar deles. Ele não mais ama com o amor pessoal que ama uma pessoa, 
mas com a manifestação superior de amor que é ela mesma Amor e que não ama 
nenhuma pessoa ou coisa, mas é um estado de consciência em que tudo está 
abrangido. Ele então procura se libertar do amor menor e este desejo de se libertar 
daquilo que, embora seja bom, é finito para compreender o bem é que é infinito e 
que causa a Quinta Morte e ele nasce para a consciência da Individualidade e vive 
no plano da Individualidade, percebendo a "face do Pai Que está no Céu". 
Mas com o despertar do desejo sobrevêm os sonhos e com os sonhos 
surge a lembrança da matéria. O Espírito, vendo a face de seu Pai até que a 
consciência esteja revestida de Seu brilho, fecha seus olhos e dorme; e, dormindo, 
sonha com seus desejos incumpridos e nasce novamente, pois no plano do desejo 
um estado de consciência é um lugar e, à medida que desejamos, renascemos, é 
assim que cada homem faz o seu carma. 
Alguém poderia perguntar: como é então que os homens traçam 
limitações e sofrimentos para si mesmos que eles não poderiam desejar? E porque 
eles colhem não os frutos da fantasia, mas os frutos da atualidade. São-lhes dados 
os resultados daquilo que eles se permitiram desejar, não a coisa que eles desejam. 
Para exemplificar \u2014 o homem que desejou o poder poderá obter a vaidade. Para 
obter o poder ele teria de desejar as qualidades que conferem poder, a saber, força, 
presciência e sabedoria. 0 homem que deseja poder constrói para si a consciência 
do egoísta vaidoso. O homem que deseja força, presciência e sabedoria constrói 
para si a consciência do poder. 
A Sexta Morte é o transe. No transe o corpo dorme mas a alma está 
desperta. Ele é ativo em seu próprio plano. Pode funcionar na esfera de seus 
aspectos inferiores, os instintos, com o corpo como pano de fundo, ou pode os 
instintos, com o corpo como pano de fundo, ou pode funcionar na esfera de seus 
aspectos superiores \u2014 com a mente concreta e as emoções como pano de fundo. 
No psiquismo normal, a consciência do quadro retrata os eventos dos mundos 
interiores como um espelho mágico, sendo que as condições de foco são 
determinadas pelos estados emocionais. 
Quando