Dion Fortune   A Doutrina Cósmica
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Dion Fortune A Doutrina Cósmica


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em relação 
ao outro. A rotação do Anel-Cosmos é a fonte de onde a evolução extrai seu 
momentum; e a rotação do Anel-Caos é a fonte de onde a involução extrai seu 
poder. 
A evolução é um movimento que vai da circunferência para o centro. 
A involução, ou dissolução, é uma sucção para o espaço exterior. 
O Anel-Caos não pertence à esfera que ele circunda, mas ao espaço 
exterior. Há um ponto muito importante em relação a isso. 
O Anel-Cosmos tem seus desejos voltados para a esfera que ele 
circunda. 
O Anel-Caos tem seus desejos voltados para o espaço que o circunda. 
O Anel-Cosmos procura expandir o centro. 
O Anel-Caos procura expandir a circunferência. 
O Anel-Cosmos tende a se solidificar por contração. 
O Anel-Caos tende a retornar ao Imanifesto de onde surgiu e, por 
conseguinte, se sua influência não for reprimida, a reduzir ao nada a esfera que ele 
circunda. 
O Anel-Cosmos, se sua influência não fosse reprimida, apresentar-se-ia 
estático no presente imediato. 
Essas duas influências são a fonte de toda a força que existe no Cosmos. 
O Anel-Cosmos, porque é concreto, constrói. O Anel-Caos, porque é difuso, nunca 
cresce. 
Bem, esses dois Anéis podem ser chamados de Bem e Mal, Vida e Morte, 
Luz e Trevas, Espírito e Matéria, Ser e Não-ser; Bem e Mal, porque cada uma 
dessas potências tem sua raiz no seu Anel respectivo. Mas fique claro que o Anel 
"Bem" e o Anel "Mal" não são "bem" e "mal" como vocês entendem esses termos, 
mas apenas círculos de força que rodopiam em ângulos retos um em relação ao 
outro e, por conseguinte, em oposição; e é simplesmente o ângulo do primeiro a 
surgir que se chama "bem", e o ângulo que está em oposição ao plano original é que 
se chama "mal", e pode ser que, em outro Cosmos, o primeiro plano começasse a 
rodopiar em outro ângulo \u2014 o ângulo daquilo que vocês chamam "mal". Ele seria 
"bem" para seu Cosmos, porque "bem" e "mal" não dependem de qualquer ângulo 
ou plano, mas simplesmente são relativos a um e a outro. A primeira força a surgir é 
chamada "bem" porque, dela, surge a linha de força chamada evolução. Todas as 
forças secundárias posteriores são medidas segundo esse modelo. A medida que se 
movem no mesmo ângulo, são ditas "bem". À medida que se aproximam do ângulo 
reto, estão em oposição e são chamadas "mal". O Mal é simplesmente aquilo que se 
move em direção oposta à evolução. O Mal é aquilo que se aproxima do plano de 
movimento do Anel-Caos e, portanto, tende a reverter ao Imanifesto. Todo mal que 
se estabelece com um universo é atraído para o Anel-Caos e é autodestruído, 
porque a idéia mesma de "mal" implica uma força que tende para a não-existência. 
Assim, vocês podem imaginar o mal sob dois aspectos: 
a. Aquilo que capacita a apreender as forças do bem por oposição e, assim, 
assegurar a estabilidade \u2014 uma cabeça de ponte; o mal capacita a uma 
exploração no espaço. 
b. O Mal, se for permitido a funcionar sem oposição, é o Varredor dos Deuses. 
Portanto, disse um Grande, "Não resistam ao mal". Quando vocês resistem ao 
mal, vocês prendem o bem, vocês prendem a força do bem que mantém o mal 
inerte. Isso não serve para nada, a menos que tenham uma superabundância 
de bem que se avolume sobre a plataforma assim formada e salte para alturas 
maiores. Portanto, não é suficiente reunir o ódio ao amor \u2014 o mal com o bem; 
esse é o procedimento do ignorante, e essa é a razão pela qual a religião 
exotérica tem causado tão pequena impressão no mundo. Vocês devem juntar 
o ódio com tanto ódio, de maneira que isto leve a um aprisionamento da força. 
Devem odiar o ódio e, tornado o mal inerte por oposição, o amor pode ocupar 
seu lugar na plataforma e usá-la como um bloco de empurrão. 
 
Portanto, vocês só devem fazer oposição ao mal quando quiserem fazer 
uma obra construtiva \u2014 quando quiserem fazer algo novo. Nunca se oponham ao 
mal que querem destruir. Estabeleçam um vácuo ao redor dele. Evitem não o tocar. 
Então, sem oposição, ele estará livre para seguir as leis da sua própria natureza, 
que é juntar-se ao movimento do Anel-Caos. Ele, por conseguinte, passa à periferia 
do universo até que encontre o rodopio do Anel-Não-Passa, que ele não atravessa, 
mas pode ir para um lugar de tal simplicidade primitiva, que ele se resolve em seus 
próprios elementos, e esses elementos são lançados na atração do movimento mais 
próximo, que é a natureza do Anel-Cosmos, que é a natureza do bem. 
Portanto, o mal, quando não se lhe faz oposição, resolve-se num material 
cru e indiferenciado de existência \u2014 a primeira forma de manifestação. Ele deixa de 
ser organizado. Ele deixa de ter qualidade. Ele começa tudo de novo, transmutado 
em bem pela neutralidade. 
É o rodopio desses dois Anéis que fornece as influências que atuam 
sobre a criação. 
Agora vocês já podem saber porque o mistério do mal é o segredo dos 
Iniciados1, porque, quando vocês compreendem o mal, ele é extremamente útil. Mas 
o homem indisciplinado, se ele conhecer a utilidade e a bondade do mal, pode usá-
lo dinamicamente no lado positivo de sua manifestação, e não estaticamente, como 
faz quando avalia suas qualidades negativas, como faz o Iniciado. 
 
Corrigendum 
 
Damos a seguir uma explicação, proveniente de uma fonte autorizada, 
que pretende eliminar qualquer confusão a respeito da expressão "Mal Negativo". 
"Chamar o Anel-Caos de 'Mal Negativo' é insatisfatório. A palavra 'Mal' 
não deveria ter sido utilizada, pois pode causar confusão em muitas pessoas e é 
provável que não seja entendida nem mesmo por aqueles que estão familiarizados 
com nossa terminologia. Sem a mudança e a tensão originadas pelo crescimento, o 
Cosmos não pode progredir para sua própria finalidade. O Anel-Caos não é estranho 
ao Anel-Cosmos, mas procede dele e está em associação eterna com ele\u201d. 
 
1
 Quando, neste livro, a palavra "Iniciado" for grafada com "I" maiúsculo, deve-se entender um adepto 
iluminado. 
\u201cA interligação dos dois Anéis é como a das mentes consciente e 
subconsciente do homem. Se o Anel-Caos deve ser considerado 'Negativo', deveria 
ser chamado de Bem Negativo'. O Absoluto é a Própria Lei - o que esta em oposição 
não está necessariamente em inimizade " 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo III: OS DOZE RAIOS E OS SETE PLANOS 
CÓSMICOS 
 
 
Vocês devem imaginar o Cosmos, em seu aspecto original, como um 
conjunto de três movimentos rodopiantes. Tudo o que existe é apenas o movimento 
\u2014 movimento no espaço \u2014 movimento puro; e o movimento original, que dá origem 
a tudo o que existe, começa antes que qualquer coisa se mova. O Cosmos é 
limitado por aquele movimento que se chama Anel-Não-Passa. Mas, além do Anel-
Não-Passa, há movimentos efetuados em duas direções. São eles os Anéis Cosmos 
e Caos, o "bem" e o "mal", as fontes das forças conhecidas por vocês com esses 
nomes. Mas, embora essas forças influenciem o que está dentro do Anel-Não-
Passa, o que está dentro desse anel não pode passar além dele. 
Esses três movimentos são os três "primários" do Cosmos \u2014 a primeira 
Trindade. Eis porque o Ser Supremo desta manifestação é sempre imaginado como 
uma Trindade e três é o número fundamental. Tudo, afinal, é redutível a essas três 
influências. Tudo o que as tensões subseqüentes originarem pode ser analisado 
segundo a harmonia dessas três forças: 
 
a. a força do Anel-Cosmos, que tende para o centro; 
b. a força do Anel-Caos, que tende para o espaço exterior; 
c. a força do Anel-Não-Passa, que mantém o equilíbrio entre elas e evita que 
uma dessas forças chegue a extremos. 
 
O Anel-Não-Passa, todavia,